PÁGINAS

segunda-feira, julho 27

PERSONALIDADES PÃO-DE-AÇUCARENSES – MESTRE NOZINHO

 

Por Etevaldo Amorim


Mestre Nozinho. Foto: Acervo da família.


Prosseguimos com as publicações sobre as personalidades pão-de-açucarenses, procurando evidenciar o quanto fizeram de bom e produtivo para a nossa sociedade. Relembremos: o critério que utilizamos não está, propriamente, em exaltar apenas os feitos daqueles que são naturais, mas também em considerar aqueles que, radicando-se, deixaram uma extensa lista de serviços prestados à terra que os adotou.


É esse o caso de Manoel Victorino Barbosa Filho, o conhecidíssimo Mestre Nozinho. Filho de Manoel Victorino Barbosa e Olympia Maria de Jesus Castro, ele nasceu na Vila Nova (atual Neópolis), Estado de Sergipe, no dia 17 de outubro de 1895, tendo como avós maternos: Nicácio Severino de Castro e Maria Joaquina de Melo. Eram seus irmãos: Genny de Castro Barbosa, Américo de Castro Barbosa, José de Castro Barbosa (Duda), Edir, Gilda e Lydia Maria de Castro.


Em 27 de novembro de 1920, aos 25 anos de idade, seu Nozinho casou-se com a Srª Florina Carvalho Mello (01/10/1902 – 16/05/1951), filha de Alípio Gomes de Carvalho Mello e de Maria Regina de Carvalho Mello. Desse consórcio nasceram os filhos Humberto, Antônio (Tonho do Mestre) e Lucy (esposa do Dr. Waldemar da Guia).


Alfaiate de profissão, mantinha uma bem montada oficina de costura, a “Alfaiataria Oriente”, frequentada por jovens aprendizes que ali se iniciavam no seu ofício. Na música, foi um benemérito; formando inúmeras gerações de músicos.


Foi “exímio executante do trompete, violão e violino. De 1917 até a sua morte, foi o fundador, mestre e regente e o mantenedor da Filarmônica Guarany, de Pão de Açúcar.  Em 1922 criou o Conjunto de Choro A Batuta e o Jazz Band Independente, além de um coral sacro orquestrado.  Participava de festas religiosas, recreativas e cívicas. As retretas costumavam acontecer aos domingos após a celebração da santa missa. Fundou a Sociedade Musical Guarany de Pão de Açúcar. Composições: Nozinho (choro), o Hino do Tiro de Guerra e o Hino ao bispo Dom Fernando.”  Fonte: ABC DAS ALAGOAS, BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de.


Faleceu em Maceió, no dia 18 de abril de 1960. Sobre a sua personalidade, transcrevemos o artigo do Dr. Adherbal de Arecippo, publicado na Gazeta de Alagoas em 28 de abril de 1960[i]:


“Não sei quantos homens, nascidos e vividos no interior do Estado, tenham sido tão uteis como o musicista Manoel Victorino Filho, que, inesperadamente, faleceu nesta capital, depois de mais de quarenta dias de franca e magnífica convalescença de uma operação realizada. Nozinho, como todos nós o chamávamos, foi o mestre inconfundível e incansável de dezenas de rapazes que se dedicaram ao estudo da música. Terra de gente nascida para a arte de Carlos Gomes, o meu saudoso pai, magistrado Antônio Arecippo, dizia, de vez em quando: “Em Pão de Açúcar, todo mundo é músico.” E era um ponto de vista exato. Não só os rapazes, como também as moças.


E os vocacionados para a mais bela das artes tinham em Nozinho o professor competente, idealista e, mais do que isto: o desinteressado pela remuneração financeira. Sim, porque o mestre Nozinho, como lhe chamavam os queridos discípulos, vivia das funções de alfaiate, bem como comprando, no Sul, tecidos para o seu estabelecimento.


Jamais deixou ele de manter uma banda de música, enfrentando obstáculos dos mais variados, inclusive de ordem monetária. Mas, às suas próprias custas, comprava instrumentos, mantinha a banda e igualmente uma orquestra com mais de quinze figuras, que tocava nos bailes de Pão de Açúcar e dos outros municípios, através de franco sucesso. A última tocata foi em São José da Lage, neste último carnaval.


Não existe exagero em afirmar que inúmeros rapazes, ao atingirem um adiantado grau de conhecimento e passando a sentirem haver se tornado pequeno o meio musical pão-de-açucarense, rumaram para Maceió, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, ingressando nas bandas de músicas militares das referidas capitais, sem grandes esforços. E por isso mesmo, pela evolução dos tempos, Nozinho, há vários anos, só tinha aprendizes cooperando consigo, porque os atingidos a um nível de conhecimentos musicais, de logo despediram-se do mestre, da família, dos amigos e da terra natal, rumando para as cidades adiantadas.


Nozinho deixou dois irmãos possuidores da mesma vocação: os musicistas Américo de Castro Barbosa, muito conhecido em Maceió, e José de Castro Barbosa, ambos residindo no Rio de Janeiro.


Desaparecido aquele fazedor de músicos, quase impossível dizer-se quem virá substituí-lo. E todos os pão-de-açucarenses esperam que o seu nome seja sempre lembrado. Jamais esquecido.


O seu retrato necessita ser posto em mais de uma casa pública, uma rua precisa ter o seu nome, uma escola municipal requer tê-lo como seu patrono.


Os serviços musicais prestados por Manoel Victorino Filho não duraram dez ou quinze anos apenas, mas teve um círculo de quarenta e cinco anos, aproximadamente. Nesta crônica em que presto esta sincera homenagem, embora modesta a Nozinho, quero, pelo pensamento transmitir ao querido amigo a afirmativa de que jamais o esquecerei e, sobretudo, registrando-o no livro do meu coração, como um dos homens mais úteis e mais necessários no seio da cidade de Pão de Açúcar.”


Sobre as recomendações de Adherbal de Arecippo, podemos informar que há, Conjunto José Gonçalves de Andrade (COHAB), em Pão de Açúcar, uma rua com seu nome. Seu retrato bem poderá estar afixado no futuro espaço cultural a ser instalado no sobrado onde se hospedou Dom Pedro II, que a Administração Municipal cuida de reformar. Seu nome foi lembrado para ser patrono da cadeira nº 20 da ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar.

___


Fonte: TOCANDO AMOR E TRADIÇÃO – A BANDA DE MÚSICA EM ALAGOASA, de Wilson Lucena (site www.noticiaquente.com.br).


Banda de Música que acompanhava os desfiles do Tiro 656. Foto 10/02/1927. 1ª fila, sentados, da esquerda para a direita: Francisco Ferreira – “Mestre Chico” (requinta); Alípio Carvalho Gomes; Brayner de Carvalho; Josias de Mestre Pedro; José Gonçalves Filho; Zequinha de Mestre Salo (clarinetes) Perdiliano Souza – “Perdiliano de Seu Né”; José Alexandre Filho (Nenê); e Oliveira (trompetes). Ao centro, Manoel Vitorino Filho – “Mestre Nozinho” (bombo). 2ª fila: José Souza – Zeca de “seu” Né (trombone); Anízio Borges (trompa); Luiz Ignácio e João Marcolino da Silva (trombones); Darcy Gomes (barítono); Virgulino Vieira e Yoyô Vieira (trompas). 3ª fila: Lourival Simas (hélicon); José Costa – Zé de Maria Bela; José Góes (pratos); José Profeta Sobrinho – “Carvão” (tambor); Júlio Alves de Carvalho (caixa); Francisco Antônio dos Santos – “Mestre Chiquinho” (bombardino); Afonso Lisboa (oficleide); e João Damasceno Lisboa – “Joãozinho Retratista” (hélicon). Acervo: Tonho do Mestre. Identificação: Williams Magno – Billy.


___


NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 



[i] Do livro “Pão de Açúcar, História e Efemérides”, de Aldemar de Mendonça.

3 comentários:

  1. Ainda hoje na plaga de Jaciobá ninguém se igualou a mestre Nozinho, aqueles que se aproximaram -, muitos deles foram seus melhores alunos, a exemplo do grande maestro Petrúcio Ramos

    ResponderExcluir
  2. Vovô Merece ser Lembrado . Justa Homenagem!!!👏👏👏

    ResponderExcluir
  3. Homenagem merecidissima a mais uma figura pitoresca de nossa terra, o tão citado Mestre Nozinho, que abrilhantou com sua genialidade a geração local que nos antecedera. Ótimo artigo e leitura.

    ResponderExcluir