domingo, outubro 18

A PAVIMENTAÇÃO DA AL-130 — 50 ANOS

 

Por Etevaldo Amorim


Outrora rota de tropeiros, nos tempos em que as mercadorias eram transportadas em lombos de burros, esse era o caminho de Pão de Açúcar para o interior. Tendo o rio São Francisco como via principal do intercâmbio de comércio de toda a região sertaneja, os produtos que desembarcavam no porto eram carreados para o centro por meio de animais e carros-de-boi, em processo lento, penoso e desgastante.


E assim se deu por muitos e muitos anos. Até que, em 1929, sobre esse caminho foi aberta uma "estrada real", durante a gestão do Prefeito Padre José Soares Pinto. O seu período administrativo contribuiu consideravelmente com o governo estadual — então liderado pelo Dr. Álvaro Corrêa Paes — na ampliação da malha viária do Estado.


O jornal Diário de Pernambuco, em sua edição de 13 de outubro de 1929, destaca que o Governo de Álvaro Paes “pôs em comunicação franca a metrópole do Estado com o extremo Norte, abrindo uma rodovia, que é geralmente louvada pelos serviços que presta a uma região de difícil acesso”.


E prossegue: “Dessas estradas de interesse local se salientam pela perfeição de seu acabamento a que se dirige de Pão de Açúcar para Santana do Ipanema e a que vai desta para Palmeira dos Índios.” Para depois concluir: “Os gabos que se fazem a essas rodovias são unânimes e recaem sobre os prefeitos que as fizeram: o Padre Soares Pinto, de Pão de Açúcar; e Graciliano Ramos, de Palmeira dos Índios.”


Cabe salientar, conforme Mensagem do Governador Álvaro Paes ao Congresso Legislativo, em 19 de novembro de 1929, que coube ao Prefeito de Santana do Ipanema, Sr. Ormindo Barros, a construção das referidas estradas nos trechos incluídos em seu território, isto é, da cidade até Olho D’Água das Flores e, por outro lado, da Sede até o limite com Palmeira dos Índios, totalizando aqui 14 km.


Não temos notícia de como se deu a construção do trecho Pão de Açúcar – Olho d’Água. Mas, sobre a parte que coube à prefeitura de Palmeira dos Índios (na futura BR-316), o prefeito Graciliano Ramos destaca em um de seus famosos relatórios:


"O serviço de estradas exigiu cuidado e despesa.


Uma via de comunicação que se abre é, incontestavelmente, fator de progresso; mas as estradas que encontrei, construídas a eito, sem plano, estragavam os veículos e consumiam tempo. [...]


Na estrada de Palmeira a Sant’Ana, numa extensão de 25 quilômetros, trabalha-se desde maio. Já ali se eliminaram ladeiras quase impraticáveis, romperam-se piçarras, aterraram-se pântanos e construíram-se bueiros. Está quase pronta. Falta apenas um quilômetro de aterro, no lugar denominado Lagoa do Canto. [...]


Não há aqui engenheiros: a locação é feita a olho, por mim ou pelos fiscais, o que não impede que as estradas saiam retas e com declives suaves. Os operários trabalham por tarefa, o que é mais econômico e evita a moleza das diárias.


Gastei na estrada de Sant’Ana a quantia de 17:152$500, o que dá uma média de 686$100 por quilômetro[i]. Quem conhecer o terreno, que é acidentado e duro, concordará em que o dinheiro foi bem empregado."


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Os mais velhos se lembram como era penoso viajar para Maceió naqueles tempos. Ainda em meados da década de 1970, gastava-se, no mínimo, oito horas nos velhos ônibus da Viação Progresso, passando por Santana do Ipanema (AL-130), para depois pegar a BR-316 e passar por Dois Riachos e Cacimbinhas, até chegar em Palmeira dos índios, onde começava o asfalto, que existia desde 1950, construído pelo governador Arnon de Mello.



Finalmente, durante o primeiro governo de Divaldo Suruagy, tivemos a pavimentação.


O financiamento da obra só foi possível devido a uma complexa operação de crédito internacional aprovada em 20 de maio de 1976 pelo Senado Federal.


Autorizado pela Resolução nº 25, o Governo de Alagoas realizou operação de crédito externo no valor de US 10.000.000,00 (DEZ MILHÕES DE DOLARES), para financiar projetos rodoviários.


Eis o teor da Resolução:


“Faço saber que o SENADO FEDERAL aprovou, nos termos do artigo 42, inciso IV, da Constituição, e eu, JOSÉ MAGALHÃES PINTO, PRESIDENTE, promulgo a seguinte:


RESOLUÇÃO Nº 25, DE 1976


Autoriza o Governo do Estado de Alagoas a realizar operação de empréstimo externo no valor de US$ 10.000,000,00 (dez milhões de dólares), para financiar projetos rodoviários naquele estado.


 Art. 1º.  É o Governo do Estado de Alagoas autorizado a realizar uma operação de empréstimo externo no valor de US$10.000.000,00 (dez milhões de dólares), ou o equivalente em outras moedas, de principal, com grupo financiador a ser indicado, sob a orientação do Ministério da Fazenda e do Banco Central do Brasil, mediante outorga de garantia do Tesouro Nacional, se necessário, destinado a auxiliar o financiamento dos investimentos previstos na construção das Rodovias AL-220; AL-130; AL-120; e AL-225, naquele Estado.


 Art. 2º.  A operação de empréstimo realizar-se-á nos termos aprovados pelo Poder Executivo Federal, à taxa de juros, despesas operacionais, acréscimos, prazos e demais condições admitidas pelo Banco Central do Brasil para registro de empréstimos da espécie obtidos no exterior, obedecidas as demais exigências dos órgãos encarregados da execução da política econômico-financeira do Governo Federal, e, ainda, as disposições da Lei nº 3.479, de 25 de novembro de 1975, da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, publicada no Diário Oficial do Estado no dia subsequente.


 Art. 3º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.


SENADO FEDERAL, 20 de maio de 1976.


JOSÉ DE MAGALHÃES PINTO - PRESIDENTE.


(Texto publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 - 21/05/1976, Página 7231 (Publicação Original) e Diário Oficial da União - Seção 1 - 15/06/1976, Página 8399 (Retificação)”


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A AL-220 inicia no município de Barra de São Miguel (no entroncamento com a AL-101 Sul – atualmente BR-349), passando por São Miguel dos Campos e por diversos municípios, tais como Campo Alegre, Limoeiro de Anadia, Arapiraca, Craíbas, Girau do Ponciano, Jaramataia, Batalha, Jacaré dos Homens, Monteirópolis, Olho d'Água das Flores, São José da Tapera, até Delmiro Gouveia.


A AL-120 inicia no entroncamento com a AL-220, passa por Major Isidoro e vai até Cacimbinhas (BR 316).


A AL-130 liba Pão de Açúcar a Santana do Ipanema, passando por Olho d’Água das Flores, quando cruza a AL-220.


A AL-225 liga o centro histórico de Piranhas  a Olho d'Água do Casado.


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Entrementes, ainda em um dia do mês de março ou abril de 1976, a bordo do avião modelo CESSNA AIRCRAFT 182P, de prefixo PT-KIS, o governador Divaldo Suruagy e sua comitiva chegaram a Pão de Açúcar para o ato de assinatura do contrato com a empreiteira que implantaria a pavimentação da estrada.

O avião em que chegou o governador Divaldo Suruagy e sua comitiva.




O governador Divaldo Suruagy ao desembarcar. 



O governador Divaldo Suruagy assinando o contrato, vendo-se à direita o Sr. Elísio Maia.



Desconhecido (possivelmente o empreiteiro) assinando o contrato, vendo-se à mesa: Divaldo Suruagy, o prefeito Augusto Machado e o Deputado Estadual Humberto Melo Souza (natural de Pão de Açúcar).


O Dr. Carlos Fortes Melro, do DER, assinando o contrato, vendo-se Pedro Ferreira e Divaldo Suruagy.


O deputado Pedro Ferreira assinando o contrato, tendo a seu lado Divaldo Suruagy e Humberto Souza.


O prefeito Augusto Machado lendo seu discurso, tendo à sua direita o governador Divaldo Suruagy e à esquerda o Dep. Humberto Souza e Elísio Maia.


O governador Divaldo Suruagy.


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Como registro desse fato, há um discurso do Deputado Federal Antônio Ferreira, publicado no Diário da Câmara dos Deputados (Seção I), 24 de abril de 1976)


“O SR. ANTÔNIO FERREIRA (ARENA - AL. Pronuncia o seguinte discurso.)


- Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Estado de Alagoas vive instantes de grande euforia pelas obras que realiza o Governo Divaldo Suruagy, sempre procurando solucionar antigos problemas e vencer todas as dificuldades.


Assisti, com satisfação, à solenidade de assinatura dos contratos para início das obras de asfaltamento da ligação rodoviária. entre Pão de Açúcar e Olho d'Água das Flores. Igualmente, foi assinado contrato que manda construir a ligação Olho d'água das Flores a Santana do Ipanema, por via asfáltica. Estas obras, que já foram iniciadas, refletem o interesse do Governador em proporcionar ao Estado de Alagoas perfeitas condições de comunicação entre as suas regiões, facilitando o trânsito da produção agrícola, melhorando o intercâmbio entre as comunidades alagoanas.


O asfalto que vai ligar Pão de Açúcar a Santana do Ipanema vem no momento em que o Estado estava carecendo desta estrada em perfeitas condições de uso, ao longo do rio São Francisco, outra importante ligação que integra Alagoas e faz o seu território um todo.


Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado de Alagoas tem servido como fator preponderante para incrementar o progresso e levar o desenvolvimento a todo o Estado, dentro das metas aprovadas pelo Governador Divaldo Suruagy, apresentadas pelo Secretário Vinicius Maia Nobre. Não nos cansamos de apontar o acerto do Governador na escolha deste ilustre Secretário, Vinicius Maia Nobre, que realmente tem sabido se conduzir à frente de sua Secretaria, trabalhando incansavelmente, mudando o Estado e dando-lhe nova feição, desde as regiões sertanejas ao litoral progressista. Igualmente não podemos desconhecer o muito que vem fazendo o Diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Dr. Carlos Fortes, que completa esta extraordinária equipe de Governo que, em pouco tempo, fez Alagoas acompanhar as maiores Unidades da Federação em índice de desenvolvimento.


Vale ainda ressaltar, Sr. Presidente, que nas obras de ligação asfáltica entre Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, o Governador de Alagoas vem prestigiando os políticos locais, pois, a Aliança Renovadora Nacional tem representantes das cidades mencionadas nos legislativos estadual e federal, nas pessoas cios ilustres companheiros Pedro Ferreira, Humberto Mello, Geraldo Bulhões e este que agora lhes fala. Portanto, desta tribuna, quero agradecer ao Governador Divaldo Suruagy pelo seu esforço em dar à região que represento e ao Estado que nos mandou a esta Casa o melhor em estradas e rodovias, fator de integração e desenvolvimento, principalmente em Alagoas.


Era o que tinha a dizer.”


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Nota-se aqui um aparente descompasso cronológico entre a autorização legislativa e o início dos trabalhos. A explicação pode ser obtida, entre outras, pelo fluxo administrativo da época.


Em que pese a Resolução nº 25 do Senado Federal ter sido promulgada apenas em 20 de maio de 1976, os bastidores políticos e operacionais da obra já caminhavam em ritmo acelerado. Prova disso é o discurso do deputado Antônio Ferreira, publicado no Diário do Congresso quase um mês antes, em 24 de abril de 1976, no qual o parlamentar celebrava a assinatura dos contratos com as empreiteiras e o início imediato dos primeiros serviços.


Longe de ser uma contradição cronológica, essa defasagem de datas reflete a dinâmica administrativa da época: com o aval técnico do Ministério da Fazenda e do Banco Central praticamente assegurado, devido ao alinhamento político entre o governador Divaldo Suruagy e o regime federal, o Estado antecipou a assinatura dos contratos e os trabalhos preliminares de campo.


A subsequente aprovação pelo Senado funcionou, portanto, como a chancela jurídica e o aval financeiro definitivo do Tesouro Nacional, garantindo o fluxo subsequente dos dez milhões de dólares que sustentariam as medições de grande porte das rodovias nos meses seguintes.


Assinatura do contrato-empréstimo com o Banco Nacional de Paris, vendo-se o Ms.,Pierre Mendras (2º a partir da esquerda), o Ministro Mário Henrique Simonsen (3º) e o governador Divaldo Suruagy na extrema direita.


No dia 11 de novembro de 1976, o governador Divaldo Suruagy recebeu no Palácio Floriano Peixoto o Ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen e o Monsieur Pierre Mendras, Diretor de Negócios Internacionais do Banco Nacional de Paris, para a assinatura do contrato-empréstimo no valor 10 milhões de dólares para o "Programa de estradas alimentadoras da Produção do Estado de Alagoas, recursos estes que seriam aplicados na pavimentação de 150 km de estradas, nas áreas produtoras de leite, arroz, feijão, milho, mandioca e algodão.


Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado, o objetivo do Programa de Estradas Alimentadoras da Produção era "propiciar o atendimento das necessidades de transporte em vários segmentos da malha rodoviária do Estado, gerando benefícios diretos de 45 milhões de dólares".


A Secretaria de Planejamento da Presidência da República considerou o Programa prioritário, tendo o ministério da Fazenda, a Comissão de Empréstimo Externo do Banco central autorizado a operação com o banco francês, enquanto o Senado Federal também aprovou por unanimidade. O empréstimo seria pago em cinco anos, com três de carência, com o aval do Tesouro Nacional. (Diário de Pernambuco, 26 de novembro de 1976.)

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Em 7 de novembro de 1976, com a inauguração da pavimentação asfáltica da rodovia AL-130 — cujas obras haviam sido concluídas quatro dias antes —, consolidou-se a integração da bacia leiteira e do comércio ribeirinho do Rio São Francisco em Pão de Açúcar.


Hoje, passados 50 anos, podemos comemorar e afirmar que a ligação asfáltica reduziu drasticamente o tempo de viagem entre as cidades beneficiadas e a capital, Maceió, superando os antigos obstáculos logísticos da região.


 Descerramento da placa de inauguração. Foto: acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar.


Caminhando sobre o asfalto: A partir da esquerda: o Deputado Federal Antônio Ferreira, o Sr. Eraldo Lacet Cruz (então candidato único a prefeito), o Sr. José Monte Ferreira, o prefeito Augusto de Freitas Machado, o governador Divaldo Suruagy e o senador Arnon de Mello. - Foto: acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar.


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Fotos do acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. Evento realizado no auditório do Colégio São Vicente. Nelas aparecem diversas outras pessoas da cidade, algumas das quais conseguimos reconhecer. Deixamos aos leitores a tarefa de identificá-las e postar aqui nos comentários. Grato.


NOTA:

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.


[i] Essas quantias equivalem a Dezessete Contos, Cento e Cinquenta e Dois Mil e Quinhentos Réis (17:152$500), e Seiscentos e Oitenta e Seis Mil e Cem Réis (686$100), respectivamente.

3 comentários:

  1. Tempo que não lembro muito por conta de ser muito jovem,não tinha conhecimento em políticas. Minha mãe amava seu Eraldo ,Antônio,seu Augusto Machado. Lembro bem do governador Suruagi, esse homem vi muitas vezes seu Elísio Maia comentar sobre ele. A vc Everaldo minha eterna gratidão por nos fazer lembrar e voltar ao tempo.

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  2. Vc Etevaldo faz lembrar meu neto, D. Dadinha, Historiador, pesquisador, o mesmo mora em Buenos Aires, na Argentina. Ele é filho da minha filha primogênita,do filho de Dadinha ,Adilson ex - jogador de Pão de Açúcar.

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  3. Excelente e minucioso resgate histórico dessa tão importante obra para nosso Município e toda a região. Lembro-me bem do dia da inauguração, pois foi no meu aniversário e acompanhei meu avô José Monte naquela caminhada

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia