sábado, julho 25

TURMA DE QUÍMICA HOMENAGEIA FREITAS MACHADO

Os formandos de Química (Licenciatura) 2011.2 da Faculdade Integrada São Vicente, de Pão de Açúcar, que concluíram o Curso no início do corrente mês, homenagearam um dos mais ilustres pão-de-açucarenses, denominando-a TURMA JOSÉ DE FREITAS MACHADO. A justa homenagem foi de iniciativa dos concluintes: Antônio Guimarães Neto Ana Nunes Silva, Ana Célia Alves da Silva, Alayne de Oliveira Correia, , Cristiano Paulo da Silva, Cremilda Mariane de Brito Biriba, Deise Cristine Alves, Emanuely Brito dos Santos, Eliana Ribeiro Castanho, Eleazer Barbosa de Farias, Grinauria Carolina Rodrigues Almeida, Jascia Kaline dos Santos, José Albeckcy Santos Oliveira, João José de Oliveira Couto, João Paulo Correia Silva, Marcos Henrick Lima Silva, Mary Hewety Oliveira Santos e Nakielda Barros Santos.
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No seio de uma das famílias mais tradicionais da região sanfranciscana, nasceu José de Freitas Machado, a 27 de setembro de 1881, terceiro filho do casal Miguel de Freitas Machado e Cândida Delfina Andrade Machado.
Conheceu as primeiras letras em sua terra natal. Por volta de 1888, em que se presume ter se iniciado, lecionavam nas cadeiras de Pão de Açúcar as professoras Angélica Rosa da Silva Pita e Anna Leitão de Jesus, das quais provavelmente foi aluno.
Para continuar os estudos, foi para o Recife, onde ingressou no Colégio Salesiano, chegando a iniciar o curso de Engenharia, logo interrompido.
Nessa curta passagem pela capital pernambucana, integrou, como Tesoureiro, a diretoria da Sociedade Literária Casemiro de Abreu, eleita em 6 de agosto de 1899 para o ano literário 1899/1900.
Em dezembro de 1900 fez os Exames de Preparatórios no Recife, no Ginásio Pernambucano, sendo APROVADO PLENAMENTE em Inglês e APROVADO SIMPLESMENTE em Geografia. Tais exames eram prestados pelos alunos que pleiteavam acesso aos cursos superiores e tinham como finalidade preparar os jovens para o ingresso nas academias, tudo com base no Decreto Nº 2.173, de 21 de novembro de 1895, ―numa época em que não havia curso secundário com modelo definido em número de séries, plano de estudos, sistemas de aulas e exames para todos os estabelecimentos provinciais e particulares” No dia 1ª de maio de 1901, a bordo do vapor nacional Fortaleza, segue para a Bahia.
No ano seguinte, aos vinte anos, iniciava o Curso de Farmácia, anexo da Faculdade de Medicina da Bahia, que então tinha três anos de duração. No ano seguinte, aos vinte anos, iniciava o Curso de Farmácia, anexo da Faculdade de Medicina da Bahia, que então tinha três anos de duração.
De volta a Pão de Açúcar, principia sua atividade profissional da melhor maneira possível, estabelecendo-se no seu ramo de competência, a exemplo do irmão, que começa a clinicar em sua residência como especialista em febres e moléstias das vias urinárias. Surge, assim, a ―Farmácia Machado.
Decide mudar-se para a Capital Federal. Iniciou sua carreira como químico no antigo Laboratório Municipal de Análise do Rio de Janeiro. Foi professor de Química Inorgânica e Analítica da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária. Publicou, em 1917, o artigo “Façamos Químicos”, em que exorta os poderes públicos a criarem uma escola superior para o ensino da Química no País. Em 1922, participou de um curso de especialização na Universidade de Sorbone, em Paris, em que teve a oportunidade de receber preciosos ensinamentos de Madame Curie. Nessa mesma viagem à Europa, recebe a incumbência de estudar a organização das Escolas de Química Industrial na França e na Itália.
Em 1933, foi um dos fundadores da Escola Nacional de Química, sendo o seu primeiro Diretor.

Faleceu no Rio de Janeiro a 30 de abril de 1955.



sexta-feira, julho 24

VENDO A JANELA

Bráulio Cavalcante

Eis a janela, a pobre testemunha
Dos meus loucos amores, a janela
Onde inspirado o coração depunha
Para que os lesses, lírica donzela!

Não mais as liras de ouro que eu compunha
Quando ficava no postigo dela!
Mão que abriu-a mil vezes, mal rascunha
A quadra que o tristor revela!

Ah! Grata janelinha onde, frementes,
Na confusão dos meus cinco sentidos,
Tive beijos e versos em torrentes...

Beijos longos, amor, versos de tua
Carne cheirosa, versos atrevidos
De rima franca, escandalosa e nua!

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Publicada no Diário de Pernambuco, 31 de outubro de 1907.

Fonte: www.bn.br.
Bráulio Cavalcante

domingo, julho 5

MIGUEL DE NOVAES MELLO

Por Etevaldo Amorim 

Miguel de Novaes Mello, que viria a ser o primeiro Prefeito (Intendente) de Pão de Açúcar, nasceu em 1851, filho do Major João Machado de Novaes Mello (o Barão de Piaçabuçu) e de Maria José Leite de Novaes Mello . Foi batizado na capela de Pão de Açúcar, em 10 de maio de 1851, aos três meses de idade, pelo padre Antônio José Firmino de Novaes. Curioso é que, no registro transcrito em 1868, na freguesia de Traipu, consta MIGUEL JERÔNIMO DE NOVAES MELLO.
Casou-se com Rosa de Albuquerque, filha do Coronel Serapião Rodrigues de Albuquerque, de Traipu. O casal teve as filhas: Maria José de Albuquerque Novaes, Anita de Albuquerque Novaes e Noêmia de Albuquerque Novaes.
Em 15 de abril de 1875, já residindo em Maceió, na Praça das Princesas (atual Deodoro), assume, como sócio fundador, o cargo de Vice-Presidente da Sociedade Club Literário.
Em 1879, a bordo do vapor Mundahú, desembarca no Recife para cursar o primeiro ano da faculdade.
Em 1880, faz parte do Club Literário do Segundo Ano, tendo oportunidade de discorrer sobre os principais temas em discussão na época, como “Se o Senado deve ser temporal ou vitalício”, que lhe coube, por sorteio, em Sessão do dia 26 de maio. Naquele ano, após receber a notícia do trágico falecimento do seu irmão Antônio Ferreira de Novaes, ocorrido em 17 de julho, embarca no vapor Ceará e segue para Pão de Açúcar.
A propósito das exéquias, organizada por uma Comissão de amigos, faz publicar nas páginas do Diário de Pernambuco, a seguinte nota:

“Meus amigos, em nome do meu velho e caro pai, em nome da minha família, eu vos agradeço os sentimentos de pesar que vos acabrunharam ao receber da desastrada morte do meu inditoso irmão Antônio Ferreira de Novaes Melo, e os solenes sufrágios que, por sua alma, hoje mandastes celebrar. De há muito era admirador da grande amizade que tributáveis a ele, no qual víeis, senão uma esperança da Pátria, ao menos de sua Província. A prova cabal disto acabastes de dar, já derramando doridas lágrimas sobre seu túmulo, honrando assim sua memória, já enviando cordiais pêsames a minha família, principalmente a meu velho pai, que não cessa de dizer: “Não sei se é vida, me é preferível a morte. ” Crede que vossa gratidão é eterna.
Amigo grato, Miguel de Novaes. Recife, 17 de agosto de 1880. ”

Em 1881, lecionou Língua Nacional no Colégio Isabel, no Recife. Em 1882, foi eleito Deputado Estadual pelo 5º Distrito (que envolvia Pão de Açúcar).
Em 30 de novembro de 1883, recebe do Grau de Bacharel pela Faculdade do Recife.
Como prova do seu grande prestígio na sociedade pernambucana, temos a publicação de notícia do Jornal do Recife, edição de 4 de dezembro de 1883:

“Havendo terminado seus estudos em nossa Faculdade de Direito, e sendo-lhe conferido anteontem o respectivo Grau, segue amanhã no vapor brasileiro para Alagoas, o ilustre Dr. Miguel Novaes. Caráter sincero e probidoso, deixa nesta Capital amigos verdadeiros e dedicados. Durante sua estada entre nós, deu provas da sua esmerada educação, sendo sempre merecedor das maiores atenções de todos aqueles que tinham ocasião de entreter com ele relações. Ainda no seu 3º ano acadêmico, foi eleito membro da Assembleia Provincial das Alagoas e, na tribuna, revelou os dotes de sua esclarecida inteligência, prestando relevantíssimos serviços à Província. Que bons ventos o levem a seu destino e a felicidade o acompanhe sempre, são os nossos mais ardentes votos. Ao terminar estas linhas ditadas pelo merecimento do Dr. Miguel Novaes, não podemos deixar de dirigir nossos sinceros parabéns ao venerando coronel João Machado de Novaes Mello, digno pai do ilustre doutor, e cujas elevadas virtudes e honradez folgamos também aqui consignar. 3 de dezembro de 1883.”

Em 1885, por Decreto de 13 de outubro, foi nomeado Juiz Municipal em Traipu e, em 1888, quando ali chegou a notícia da Abolição da Escravidão.
Em 1897, deixa Viçosa para assumir o Cargo de Desembargador, mas reassume a Comarca em 3 de julho de 1897.
Em 4 de julho de 1889, o jornal São Francisco, publicado em Propriá, Província de Sergipe, noticia que o Dr. Miguel renunciava ao cargo de Juiz Municipal de Traipu e Belo Monte para se candidatar ao cargo de Deputado Geral (equivalente a Deputado Federal) pelo 5º Distrito. Já o A Imprensa, de Teresina (PI), informa que ele estaria sendo lançado pelo Partido Conservador, que pensava, assim, ter o apoio do Major João Machado, Chefe do Partido Liberal em Pão de Açúcar. Com efeito, concorreu com penedense Theóphilo Fernandes dos Santos, obtendo 27 votos, contra 121 do seu oponente. Vale lembrar que apenas os cidadãos abastados, grandes proprietários tinham direito a voto.
Pelo Decreto nº 1, de 21 de janeiro de 1890, foram extintas as Câmaras Municipais. Assim, o Governador do Estado, Pedro Paulino da Fonseca, resolveu nomear cidadãos para constituírem os Conselhos de Intendência. Em Pão de Açúcar, ficou assim constituído Poder Local:

Intendente: Dr. Miguel de Novaes Mello; e Membros do Conselho: José da Silva Maia, Luiz José da Silva Mello , Seraphim Soares Pinto e Manoel de Souza Rego. Em 1891, a composição do Conselho já se alterava para José da Silva Maia, Henrique Salathiel Canuto, Antônio Damasceno Ribeiro e João Vieira Lisboa, permanecendo o Dr. Miguel como Intendente. Curioso é que, no livro Pão de Açúcar, História e Efemérides, do competente historiador pão-de-açucarense Aldemar de Mendonça, está registrado o seu período administrativo como sendo de 02/09/1892 a 31/07/1894.
Em 1892, foi nomeado Juiz de Direito de Pão de Açúcar/Santana do Ipanema.
Em 1895, já estava na Comarca de Murici. Em 10 de setembro de 1896 foi nomeado Titular da Comarca de Viçosa, em permuta com o Dr. Luiz de França Castro Barroca, tomando posse a 9 de novembro, ali permanecendo até 28 de Junho de 1900. Em junho de 1900, foi removido para Penedo, em permuta com o Dr. Hervécio de Carvalho Guimarães. Ali faleceu aos 50 anos de idade, em 30 de maio de 1901.
O jornal A Notícia, do Rio de Janeiro, em sua edição de 20 de junho de 1901, transcrevendo o Gutenberg, diz:

“... o finado era um belo caráter, servido por uma inteligência bastante cultivada, e que a morte desse ilustre cidadão vem abrir um grande claro na magistratura alagoana, que por muito tempo há de sentir a falta que lhe faz o integérrimo Juiz, sempre sereno e reto no desempenho da sua árdua e nobilíssima missão”.
Informa também que, tanto o Senado como a Câmara dos Deputados de Alagoas, fizeram inserir, nas respectivas Atas de seus trabalhos, votos de pesar pelo seu falecimento.

Segundo o escritor Aldemar de Mendonça, este garoto seria, possivelmente, o Dr. Miguel de Novaes Mello.

Cap. Seraphim Soares Pinto

Cel. João Vieira Lisboa

Cel. José da Silva Maia (Cazuza Maia)

Cel. Luiz José da Silva Mello


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Publicado originalmente no Site www.historiadealagoas.com.br, organizado pelo pão-de-açucarense Edberto Ticinaeli Pinto.




segunda-feira, junho 29

SANTA CRUZ DO DESERTO (2)


Por Etevaldo Amorim

Em 19 de setembro de 2014, publicamos um texto do Jornal do Penedo, edição de 25 de janeiro de 1879, em que se tem a origem do povoado Santa Cruz do Deserto, município de Mata Grande.
Agora, vasculhando as páginas do Diário de Pernambuco, encontrei nova referência àquela importante localidade, desta feita envolvendo um conterrâneo pão-de-açucarense, o Monselhor José de Freitas Machado, que durante muitos anos foi Secretário do Arcebispado de Olinda, e o Frei Venâncio Maria di Ferrara, missionário capuchinho (1822-1906).
Vejamos o que está na edição de 26 de outubro de 1887, p. 2, daquele importante periódico pernambucano:

SANTA MISSÃO. Escreveram-nos de Paulo Afonso, no 1º do corrente.

“O Revmº Frei Venâncio Maria de Ferrara, missionário capuchinho, tem prestado relevantes serviços e diversos lugares e ultimamente nesta freguesia.
Tendo vindo dos Olhos d’Água, do Termo de Piranhas, em agosto último, para o povoado - Espírito Santo – da freguesia de Tacaratu, com o fim de fazer ali um cemitério, como fez em poucos dias, teve que passar pela Venerável Santa Cruz do Deserto, nesta freguesia, distante desta Vila três léguas, onde existe de muitos anos um considerável número de relíquias, que atestam o grande número de doentes que milagrosamente de hão curado de graves enfermidades; razão porque foi erigida, há muito tempo, naquele lugar, uma capelinha, a qual foi de novo começada pelo Juiz de Direito desta Comarca Dr. Antônio Cardoso de Oliveira Guimarães.
De volta do Espírito Santo, o Revmº Frei Venâncio, em companhia do digno vigário desta freguesia, Padre José de Freitas Machado, e mais pessoas, demorou-se naquele lugar (Santa Cruz do Deserto) e ali permaneceu em Missão desde 25 de agosto até 15 de setembro, havendo sempre grande concorrência de povo que ia aumentando extraordinariamente de dia a dia, calculando-se nos últimos dias número superior a seis mil pessoas.
Durante a Santa Missão, houve para mais de cinquenta casamentos, mais de mil comunhões e deu-se considerável andamento ao serviço da igreja, deixando o virtuoso missionário, ao retirar-se, a quantia de 190$000 em mão do digno vigário Machado, e grande quantidade de material reunido.
Depois da retirada do incansável missionário, o vigário Machado, não menos diligente, tem conseguido continuar o serviço da dita igreja, com desejo de deixa-la ao menos coberta e fechada com portas, no que vai sendo auxiliado pelos bons católicos desta freguesia, além do que de seu bolso tem despendido.
São sempre benéficos os efeitos da nossa santa e verdadeira Religião Católica Apostólica Romana que, há 19 séculos, tem sido combatida, mas nunca vencida.
O Revmº Frei Venâncio deixou seu nome gravado no coração dos povos, por suas virtudes e maneiras afáveis, tanto assim que o digno missionário na hora de sua partida não pode conter as lágrimas, assaz comovido, tal foi a pena, o choro, com que o povo em massa dele se despediu.
Fazemos votos para que o virtuoso missionário volte em breve para esta freguesia. ”


Monsenhor Freitas, à época Vigário de Paulo Afonso, atual Mata Grande.

sábado, abril 11

MACEIÓ – PRAÇAS E MONUMENTOS (FLORIANO PEIXOTO)

Por Etevaldo Amorim


Um dos mais belos monumentos da capital alagoana é, sem dúvida, o que foi erigido na Praça dos Martírios para homenagear o Marechal Floriano Peixoto.
A iniciativa de fazer essa homenagem foi do jornalista Joaquim Goulart de Andrade, que publicou no jornal Gutenberg, em 28 de janeiro de 1905, um Convite para a fundação de uma Associação que se encarregasse de promover a construção de um monumento à memória do Consolidador da República. Assim, no dia 2 de Fevereiro de 1905, foi fundado o Centro Cívico Floriano Peixoto, cujo presidente honorário era o Senador Euclydes Malta, sob o governo do seu irmão Joaquim Vieira Malta.
Com efeito, depois de uma campanha de donativos encetada pelo Centro Cívico, chegou o dia marcado para o assentamento da Pedra Fundamental. Saindo do sobrado da Sociedade Perseverança, na Praça D. Pedro de Alcântara (Praça da Catedral), os membros da Diretoria do Centro Cívico[i], acompanhados das principais autoridades do Estado, reuniram-se no centro geográfico da Praça, às 5 horas da tarde daquele dia 24 de fevereiro de 1905. Falaram o Intendente, Sr. Sampaio Marques e o orador oficial, Alfredo de Maya.
A Pedra Fundamental, em mármore, continha, em baixo relevo, a inscrição: “Aere perennes – PEDRA FUNDAMENTAL DA ESTÁTUA DO MARECHAL FLORIANO PEIXOTO. 24-II-1905 - Maceió”. Sob a Pedra, e acondicionados em urna de ferro, foram colocados a Ata[ii] de assentamento e exemplares dos jornais do dia, com circulação em Maceió, e mais dois exemplares dos jornais A Tribuna e Gutenberg, em que foram publicados os Estatutos do Centro Cívico Floriano Peixoto. Junto a estes, foram também depositadas moedas de diversos padrões republicanos: $2.000 (Dois Mil Réis), prata, do Império, fundida em 1889; $1.000 (Hum Mil Réis), prata da República, fundida também em 1889; 500 rs prata, fundida em 1890; 200 rs e 100 rs, níquel, primeira emissão da República; 400, 200 e 100 rs, níquel emissão atual; 40 rs e 10 rs, cobre, emissão da República; e 200 rs, prata, fundida em 1869[iii].
Somente em 1907, quando o Senador Euclydes Malta voltou ao Governo do Estado, mandou moldar e fundir a estátua do Marechal. O trabalho foi encomendado ao Sr. Angeli Angiolo[iv], proprietário da Fundição Artística Paulistana. Conhecida como “Sinos Angeli”, iniciou sua tradição de fazer sinos em 1770, na Itália. Em 1898, Angelo Angeli veio para o Brasil e se estabeleceu em São Paulo, à Rua Conselheiro Ramalho, nº 100.
Fundia sinos e também estátuas. Ainda hoje funciona, sob a liderança de Flávio Durso Angeli e Marcos Durso Angeli, a empresa segue pela quarta geração, a mesma tradição na arte de fazer sinos.

Segundo as Instruções da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, assinadas por Manoel Laurindo Martins Junior, publicadas na edição do dia 25 de agosto de 1907 do jornal Gutenberg, o Sr. Angeli ficaria obrigado a “construir e colocar no lugar determinado, na Praça dos Martírios, um Monumento em granito e bronze. O trabalho deveria ser original, representando o Marechal Floriano Peixoto em bronze, com 2,15 m, em uma posição calma e enérgica, apoiado com a mão esquerda na espada e tendo na direita o chapéu de Marechal, devendo todo o monumento constar de um baseamento em granito duro polido, com 3,70 m de altura, sobre 4,20 m de largo na base”, além de outros detalhes.
O Governo pagaria ao construtor 18:000$000 (Dezoito Contos de Réis), sendo Nove Contos por ocasião do desembarque do monumento completo no porto de Jaraguá e Nove Contos de Réis logo que estiver assentado e pronto para ser inaugurado; ou ainda toda a importância ao final do trabalho. Aliás, a autorização para a despesa com a confecção da estátua já constava na Lei Orçamentária de 1895 (Lei nº 123, de 12 de agosto de 1895), por Emenda Aditiva do Deputado Goulart de Andrade. Entretanto, o pagamento foi feito[v] de três vezes, em prestações de 6:000$000.
O projeto artístico ficou a cargo do escultor italiano Lorenzo Petrucci, que fez a modelagem. Seu atellier era estabelecido na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, na capital paulista. Petrucci já era um reconhecido escultor, tendo sido autor do monumento a Anita Garibaldi, em Belo Horizonte.
Em dias de maio de 1907, sob a Administração do Intendente Dr. Guedes Nogueira, foram iniciadas as obras de remodelação da Praça dos Martírios. O jornal Gutenberg, em edição do dia 8 de maio de 1907, noticia:
“Na segunda-feira, 6 do corrente, esse distinto engenheiro, acompanhado do laureado artista alagoano Rosalvo Ribeiro que, com brilhante êxito e merecidos elogios do notável crítico de arte do Jornal do Comércio – Dr. Carlos Américo dos Santos – levou a efeito a reforma do jardim de Jaraguá, esteve naquela Praça.
Depois de vários alvitres, Rosalvo Ribeiro opinou que se deve demolir a calçada da Igreja dos Martírios, a fim de prolongar-se a Rua do Sol até a Caixa d´Água, dotando-se a igreja com uma calçada artística menor, que mais contribuirá para que ela realce, e fique por completo no alinhamento da citada Rua do Sol, hoje 15 de novembro.”
E continua o conceituado jornal maceioense:
“Desaparecendo a calçada desse templo – que, ao que se projeta – é um trambolho, uma monstruosidade, será facílimo fazer uma decoração sistemática e na altura de um tal melhoramento pois que com a demolição daqueles degraus e consequente reforma harmônica da escadaria, não se interromperá o que se chama em arquitetura ‘linha de composição’. Substituirão, na igreja, os que se pretende demolir, uns pequenos, artísticos e elegantes degraus em batentes lajeados, obra de estilo moderno, mais em harmonia com o conjunto de alvenaria projetada e que entrarão na composição combinada para a realização das construções ora em estudo.”
Então tinha uma Caixa d’Água na Praça dos Martírios?!
E a Rua do Sol (que por aqueles tempos se chamava 15 de Novembro e, depois, se chamou João Pessoa) não se estendia até a descida para tomar a Rua General Hermes?!
Mas essa não é a única curiosidade: também não havia a ligação da Praça com a Avenida Moreira e Silva (Ladeira dos Martírios), mas apenas aquele beco estreito que sai pelo lado esquerdo da Igreja. Somente na década de 1920[vi], durante o governo de Fernandes Lima, foi feito o alargamento e calçamento daquela que então se chamava “Ladeira de Santa Cruz”.[vii]
Mas, voltemos ao monumento. No dia 5 de junho de 1907, já estava montada a sua base, e desse dia em diante um tapume ocultava o trabalho de assentamento da estátua às vistas do público, até o dia da inauguração.
Já em 1908, quando a Intendência empreendeu melhorias na Praça, não achou conveniente erigir o monumento no centro da Praça, onde houvera sido assentada a Pedra Fundamental. Assim, em 25 de maio de 1908, o Engenheiro Eduardo Whitehurst e o Sr. Angeli determinaram a retirada da pedra e o transporte para o local definitivo. Mas, somente a 26 de maio de 1908, foi localizada a pedra.

No dia 17 de maio de 1908, encontrou-se a antiga pedra fundamental, assentada em 24 de fevereiro de 1905. Testemunharam os Srs. Dr. Guedes Nogueira, Intendente Municipal; Rosalvo Ribeiro, Goulart de Andrade; Olympio Moreira, Eduardo Whitehurst, além de outras pessoas. Ocorreu que encontraram o cofre de ferro totalmente oxidado. Aqueles exemplares de jornais foram danificados pela umidade, bem como algumas das onze moedas. Não se encontrou a Ata, nem a caneta com que fora lavrada. Os fragmentos da Pedra foram enviados ao Instituto Histórico e Arqueológico de Alagoas.
Já no dia 25 de maio de 1908, foram iniciados os serviços de fundação para assentamento da base do monumento, sob a supervisão do Sr. Angeli[viii], e no dia 4 de junho já estavam bem adiantados os serviços de remodelação da Praça, achando-se já concluídas a reforma da base da escadaria da Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios[ix] e removidos os trilhos dos bondes para local mais conveniente a sua estética.

A INAUGURAÇÃO

Finalmente, no dia 11 de junho de 1908, foi solenemente inaugurado o monumento.

O jornal GUTENBERG, em sua edição do dia 13 de junho daquele ano, noticiou com riqueza de detalhes o memorável evento:

“Mais ou menos às 4 horas da tarde chegaram à Praça dos Martírios, sucessivamente, as forças federais e estaduais, sob o comando do Capitão Cabral e Major Accioly, que mandaram pôr os respectivos Regimentos em fileiras. Já então era enorme e compacta a massa de populares, avaliada em duas mil pessoas precisamente. Notamos a presença de toda a luzida oficialidade da Marinha; o Sr. Comandante da Guarnição Federal e sua briosa oficialidade; Comissões da Guarda Nacional; da Junta Sindical; da Associação Comercial; da Câmara dos Deputados; do Senado Alagoano; funcionários federais, estaduais e municipais; membros da Magistratura e dos magistérios primário e secundário; o Conselho Municipal representado pelo Sr. Dr. Demócrito Gracindo; oficiais honorários e reformados do Exército; bem como Voluntários da Pátria.
Compareceram também o Exmº Coronel José Miguel de Vasconcelos e o Ilustre Dr. Guedes Nogueira, digníssimo Intendente da Capital. Às 4 e ½ chegou o eminente Governador Dr. Euclydes V. Malta, acompanhado da Comissão do Centro Cívico, que fora a Palácio convidar S. Exª para assistir a cerimônias soleníssimas de inauguração. Ao chegar Sua Excelência ao pavilhão especialmente levantado para esse fim, as formas militares estacionadas na praça fizeram as continências de estilo de vidas ao elevado cargo do Dr. Euclydes Malta. Em pós, estas tiveram a palavra do nosso talentoso confrade Dr. Rodrigues de Mello, orador convidado pelo Centro Cívico, que pronunciou uma bela peça de complexo valor litero-filosófico, que foi mais um triunfo para o simpático jornalista conterrâneo. ”

Um irmão do homenageado, Sr. Alexandre Peixoto, também esteve presente. Nesse dia, o comércio fechou às 3 horas da tarde, atendendo a recomendação do Centro Cívico Floriano Peixoto. E, à noite, alegre retreta executada pelas bandas do 33 e da Polícia Militar. A decoração da Praça, a cargo do Sr. Alfredo Pinto, proprietário da Casa Art-Nouveau, foi digna de elogios.

E lá está ainda hoje estátua do “Marechal de Ferro”, na praça de mesmo nome, conhecida popularmente por PRAÇA DOS MARTÍRIOS.


Figura 1. Fac simile do Convite publicado no jornal Gutenberg, assinado por Joaquim Goulart de Andrade.



Figura 2. Praça dos Martírios ainda com a saída da Av. Moreira e Silva (Ladeira dos Martírios) fechada. Lá no alto, onde deveria estar a subida da ladeira, há uma casa (até bonita), que depois foi demolida. O Palácio da Intendência à direita; os bondes saindo da Rua do Comércio. A fotografia registra a inauguração da tração elétrica dos bondes da Companhia Trilhos Urbanos. Foto: Revista O Malho, Ano XIV, nº 656, Rio de Janeiro, 10 de abril de 1915, p. 42.


Figura 3. Praça dos Martírios durante a inauguração dos bondes elétricos. À esquerda, pessoas na calçada junto ao muro do Palácio. Ao fundo, também à esquerda, casarão onde hoje se situa a Caixa Econômica Federal. Foto: O Malho, Ano XIV, nº 656, Rio de Janeiro, 10 de abril de 1915.



Figura 4. A Praça em reforma e a estátua do Marechal Floriano Peixoto já instalada. Nota-se que está voltada para a frente do Palácio. Acervo:Golbery Lessa.


Figura 5. O pintor Rosalvo Ribeiro. Foto: Revista da Semana, RJ, 27 de setembro de 1903.


Figura 6. A Praça totalmente remodelada.


Figura 7. A estátua ainda na Fundição Artística Paulistana, em São Paulo. À esquerda, o escultor Lourenço Petrucci. Foto. revista O Malho, 14 de dezembro de 1907, p, 24.


Figura 8. Novamente o escultor Lourenço Petrucci posando junto à Estátua, já instalada na Praça. Foto: Revista O Malho, 2 de janeiro de 1909.


Figura 9. Ângelo Angeli, proprietário da Fundição Artística Paulistana, onde foi fundida a Estátua. Foto: Jornal Il Pasquino, 1938.


Figura 10. Estátua já instalada. Foto: O Malho, 1910.


Figura 11. A Praça dos Martírios, vendo-se em primeiro plano uma estrutura semelhante a uma caixa d'água.


Figura 12. A Praça dos Martírios, vendo-se em primeiro plano o espaço aberto pela demolição da casa, propiciando a ligação com a Av. Moreira e Silva (antiga Ladeira da Santa Cruz). Nota-se que os bondes já saiam da Rua do Sol. Foto: Alen Morrison_New York_www.novomilenio.inf.br.

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NOTA:

Caro leitor,

Este Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, contém postagens com informações históricas resultantes de pesquisas, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso algumas delas seja do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também a necessária citação de autoria e as referências citadas. Isso é correto e justo.
Segue abaixo, como exemplo, a forma correta de referência:

AMORIM, Etevaldo Alves. Maceió – Praças e monumentos (Floriano Peixoto). Maceió, Abril de 2015. Disponível em: http://www.blogdoetevaldo.blogspot.com.br/. Acesso em: dia, mês e ano.









[i] Henrique Sadok de Sá, Presidente; Hugo Jobim, Secretário; J. Goulart de Andrade; Luiz Silvério; Gabriel Jatubá; Alfredo Wucherer; Maria Dolores de Abreu Jatubá;
[ii] Assinada por: Dr. Joaquim Paulo Vieira Malta, governador; Dr. Manoel Sampaio Marques, Intendente de Maceió; Euclydes Vieira Malta, Senador Federal; Manoel de Araújo Góes, Juiz Seccional; Cândido de Almeida Botelho, Presidente do Conselho Municipal de Maceió; José Bernardo de Arroxelas Galvão, Deputado Federal; Eusébio de Andrade, Deputado Federal; Alfredo de Maya, Deputado Estadual; Jacintho de Medeiros, Senador Estadual; Octávio da R. Lemos Lessa, Secretário do Interior; Antônio Guedes Nogueira, Secretário da Fazenda; Demócrito Gracindo, lente do Lyceu; José Gomes Ribeiro, pelo jornal A Tribuna; Arroxelas Galvão, pelo jornal Evolucionista; Carlos Pontes, pelo Jornal de Debates; Goulart de Andrade, pelo Gutenberg; Josino V. de Cerqueira, pela Classe Comercial; Jacintho Medeiros Filho, pela mocidade acadêmica; Domingos Simões, pela classe artística; Manoel Anisio Jobim, pela magistratura estadual; Amaro Baptista, engenheiro dos telégrafos e Cônego Octávio Costa, este último natural de Pão de Açúcar.
[iii] GUTENBERG, Maceió, 26 de fevereiro de 1905.
[iv] Angeli Angiolo faleceu em São Paulo no dia 2 de janeiro de 1938, deixando a viúva Srª Blandina Ancelotti Angeli; os filhos: Rita, Fernando, Elvira e Olinda; e ainda os netos: Alfio, Roberto, Milton, Angelo, Gilberto, Luiz, Alcides e Fernando.
[v] Mensagem dirigida ao Congresso Alagoano pelo Bacharel Euclides Vieira Malta, Governador do Estado, por ocasião da abertura da 2ª Sessão da 10ª Legislatura, em 30 de abril de 1908, p. 16.
[vi] Mensagem do Governador José Fernandes de Barros Lima, apresentada do Legislativo em 21 de abril de 1924. Fonte: Relatórios dos Governadores dos Estados Brasileiros, p. 57.
[vii] Jornal do Recife, 31 de julho de 1920.
[viii] Gutenberg, 26 de maio de 1908.
[ix] GUTENBERG, 4 de junho de 1908.

segunda-feira, março 30

LIMOEIRO — UMA PEQUENA HISTÓRIA

Por Etevaldo Amorim

            A origem de Limoeiro, povoação situada à margem esquerda do Rio São Francisco, no município de Pão de Açúcar, Alagoas, pode estar associada a sua capela, marca da formação católica dos seus fundadores, no último quartel do Século XVIII.
Feita sob invocação de Jesus, Maria e José, seus festejados padroeiros, a casa de orações teve iniciada a sua construção em 1782, vindo a ser concluída em 1787, cinco anos antes do enforcamento (no Rio de Janeiro) de Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o “Mártir da Independência”. Conforme Vieira de Carvalho, teria sido construída por João Carlos de Mello, que lhe constituiu um patrimônio de seis vacas e uma légua de terras.
Segundo o IBGE, em divisão administrativa referente ao ano de 1911, Limoeiro já constituía um dos distritos do município, destacando-se do da Sede. E pela Lei Provincial nº 973, de 8 de junho de 1886, foi constituído em Distrito Judiciário, sendo instalado em 1º de janeiro de 1887.
Um evento significativo na sua história foi a visita do Imperador D. Pedro II que, quando da sua viagem à Cachoeira de Paulo Afonso. No dia 23 de outubro de 1859 ele anotou no seu diário:

“Às 11 ½, defronte do Limoeiro, tendo andado de Pão de Açúcar 3 léguas em rio. Toda a digressão gasta 10 minutos. Tem 50 casas, uma capela menos má e um oratório; é juizado de paz e não há ai nenhuma autoridade policial, mas um fiscal; pertence à freguesia de Pão de Açúcar.”

Dez anos depois outra autoridade, desta feita o Presidente da Província José Bento da Cunha Figueiredo Junior, também em viagem à Cachoeira, por lá passou com enorme comitiva. Um integrante, o Sr. Abílio Coutinho, nos deixou a mais antiga imagem da nossa Vila, em tomada feita no dia 6 de janeiro de 1869.
Era comumente identificado por “Limoeiro de Pão de Açúcar”, por certo para diferenciá-lo de outro Limoeiro, o de Anadia. Mas, para dissipar qualquer possibilidade de confusão, revolveram mudar o nome. Tanto que, pelo Decreto Estadual nº 2.526, de 10 de julho de 1939, passa a ter a nova denominação de Alecrim, segundo Aldemar de Mendonça. Já segundo o IBGE, pelo Decreto Estadual nº 2.435, de 30 de novembro de 1938. Só em 1994, pela Lei Municipal Nº 083, de 18 de abril, por iniciativa do Vereador Antônio Goes (natural de Limoeiro), o Distrito de Alecrim voltou a denominar-se Limoeiro.

            Em meados da década de 1950, já existia uma Agência Postal, funcionando inicialmente num prédio de portas arqueadas, esquina das ruas Bráulio Cavalcante e Mário Vieira, onde outrora funcionara uma loja de tecidos do Sr. Alberto Soares Vieira.
O seu primeiro Agente foi José Carlos de França[1]. Depois veio Virgílio da Silva Filho[2], conhecido por Virgilinho, posteriormente removido para a APT de Delmiro Gouveia. Sucedeu-lhe o funcionário Heraldo de Campos Lisboa[3].  Em seguida, assumiu a Agência o Sr. Lindauro Costa que, com a colaboração do seu filho Luis Costa, a fez funcionar com zelo e dedicação. A mala postal era transportada nas embarcações do rio São Francisco, pelo vapor Comendador Peixoto ou pela lancha Tupan.
Já na década de 1970, com a instituição do Código de Endereçamento Postal – CEP, a Agência recebe o código 57405-000. Instalara-se agora num casarão fronteiro à antiga sede, de propriedade do Município e onde antes funcionava a Casa de Força. Deixando de ser uma Agência regular da ECT, passou para a administração municipal, na Gestão do Prefeito Antônio Gomes Pascoal, o “Dr. Pascoal”, e por iniciativa e esforços do Vereador local Elias Silva Oliveira, o “Elias da Lavanderia”. A responsável pela Unidade Postal era a servidora Marli dos Anjos.

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Bibliografia


AMORIM, E. A. (2004). TERRA DO SOL, ESPELHO DA LUA. Maceió: ECOS GRÁFICA.
VIEIRA DE CARVALHO, J. R. (1859). VIAGEM À CACHOEIRA DE PAULO AFONSO. REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO, Tomo XXII .


Figura 1 Limoeiro em 1869. A pequena capela ainda sem torres. Foto: Abílio Coutinho.

Figura 2 Limoeiro em 1968. Entre as velas da canoa de tolda aparecem os dois prédios que serviram de sede à Agência dos Correios. Em primeiro plano, fundos do casarão que foi utilizado a partir de 1970 e, mais acima, o primitivo prédio de portas arqueadas. Foto: Jim Squires.


Figura 3 Limoeiro, 1981. A primeira Sede da AP de Alecrim (prédio da esquina, à esquerda) e a segunda, no casarão ao fundo, próximo ao rio. Fonte: filme Super 8 – Alecrim, povo marginalizado, de Érico Melo Abreu.


Figura 4 Limoeiro, 1970. Inauguração da nova sede dos Correios. Hasteando a bandeira o Prefeito Antônio Gomes Pascoal. A sua direita, a nova funcionária Marli dos Anjos e o Vereador Elias Silva Oliveira. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 5 Fala o Prefeito Antônio Gomes Pascoal, tendo à sua direita a funcionária Marli dos Anjos. O Vereador Elias Silva Oliveira segura o microfone. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 6 Outro flagrante da solenidade de inauguração. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 7 Virgílio da Silva Filho – “Virgilinho”. Foto capturada do blog Amigos de Delmiro Gouveia.

Heraldo de Campos Lisboa e sua esposa Romélia Soares da Costa Lisboa
com o filho Sidraque Costa Lisboa_1944. Foto: acervo de Heraldo Lisboa Neto.

Figura 8 O Sr. Lindauro Costa.




























[1] Diário Oficial, 21 de fevereiro de 1957, p. 4033.
[2] Diário Oficial, 1º de outubro de 1956, p. .
[3] Diário Oficial, 19 de fevereiro de 1957, p. 3872. Em 1959 já havia falecido, deixando a viúva a professora Romélia Soares da Costa Lisboa e filhos – Diário Oficial, 25 de março de 1959, p. 6496. Segundo o limoeirense José Damasceno (Zé de Alfredo), sua morte se deu por afogamento. Numa de suas viagens de Pão de Açúcar a Limoeiro, a canoa virou nas proximidades da Fazenda Belém.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia