sábado, maio 28

NATALÍCIO CAMBOIM, UM PERNAMBUCANO DE QUEBRANGULO

Por Etevaldo Amorim
Natalício Camboim, Illustração Brasileira, 1922.
Pernambucano de nascimento, mas estabelecido em Alagoas desde os anos 1890, Natalício Camboim tornou-se um dos mais destacados políticos do início do Século XX. Advogado, industrial, chegou a ser Adido Comercial da Embaixada do Brasil na Espanha e Portugal, com sede em Madri. Nessa condição, fez publicar informações sobre os recursos econômicos do Brasil, tais como: “Brasil, sínteses de sus recursos econômicos, nueva edicion aumentada”, Madrid, Imprenta de Juan Puego, 1928.
NATALÍCIO CAMBOIM DE MENDONÇA VASCONCELOS, nasceu em Barreiros, Estado de Pernambuco, a 23 de maio de 1872. Era filho do Cel. João Carlos de Mendonça Vasconcellos de Ana de Siqueira Cavalcanti Camboim (filha de Ana Olímpia Bezerra de Siqueira e Francisco Alves Cacalcanti Camboim, 1º e único Barão de Buíque).
Estudou no Recife, no Colégio Instituto Acadêmico (Rua Visconde de Goiana, 153, Mondego), prestando Exames de Preparatórios para a Faculdade de Direito no ano de 1888. Nessa ocasião, faz parte do corpo redatorial do jornal O Combate, do Clube Autonomista Acadêmico, juntamente com Francisco de Albuquerque, Belisário Távora, Souza Leão Junior, Estácio Coimbra e J. Studart.
Depois de formado, estabeleceu-se em Quebrangulo, onde, em 18 de fevereiro de 1896, se casou com Joaquina Tenório, filha do Barão de Palmeira dos Índios: Paulo Jacinto Tenório, que dá nome à importante cidade alagoana. Ao morrer em 1927, seu sogro era o maior proprietário rural de Alagoas, com 80 fazendas de gado. Natalício e Joaquina tiveram os filhos: Natércio;  Natalício; Maria Júlia; Natálio e Ana.
Em Quebrangulo foi industrial e Presidente do Conselho Municipal e também Inspetor Escolar. Era tio do famoso Tenório Cavalcante, o homem da capa preta (Natalício Tenório Cavalcanti de Albuquerque).
Quebrangulo em 1931, vendo-se ao fundo a Matriz do Bom Jesus dos Pobres.
  Foto: Revista da Semana-Março 1931.
Natalício Camboim sentado ao centro, tendo a sua direita (esquerda de quem olha) o Major Francisco Pedro Ribeiro e a sua esquerda (direita de quem olha) o Capitão João Honório de Carvalho. Em pé: da esquerda para a direita: Coronel Felino Tenório de Albuquerque, Tenente João Leão Feitosa e Adolpho Marques da Costa Soares. Foto: O MALHO, Ano X, nº 461, RJ, 15 de julho de 1911.
Membro do PRC – Partido Republicano Conservador, foi eleito três vezes à Assembleia Estadual: de 1900 a 1907. Em 1908 foi eleito Senador Estadual, mas, com um ano de exercício do mandato, renunciou por ser eleito Deputado Federal. Durante várias Legislaturas, de 1909 a 1916, teve como companheiros de bancada alagoana: João Francisco de Novaes Paes Barreto, Eusébio de Andrade, Epaminondas Gracindo, Sampaio Marques, Raimundo Pontes de Miranda, Rocha Cavalcanti, Barros Lins, Accioly Junior, Alfredo Carvalho, Venâncio Labatut, Alfredo de Maya, Luiz Mascarenhas, Miguel Palmeira, Mendonça Martins, Costa Rego, Luiz Magalhães da Silveira, Freitas Melro, Araújo Goes, Euclides Malta.


Reunião da Comissão organizadora dos festejos para a recepção do General Gabino Besouro, vendo-se na Mesa, ao centro, o Sr. Antônio Machado, de terno branco, (apresentado pelos Conservadores para Vice-Presidente do Estado), tendo à sua esquerda os Srs. Natalício Camboim e Guedes Lins e, à direita, os Srs. Guedes de Miranda, Eusébio de Andrade, João Agnelo, Pedro Xavier e outros políticos de influência. Fonte: O Malho, Ano XVII, nº 806, 23.02.1918.

Naquela Casa Legislativa, foi membro das comissões de: Redação; Petições e Poderes; Agricultura e Indústria, da qual foi Presidente, e também da Comissão de Diplomacia e Tratados, tendo sido um dos signatários, em 15 de maio de 1915, do parecer favorável à aprovação do Tratado denominado ABC (Pacto de Não Agressão, Consulta e Arbitragem), entre Argentina, Brasil e Chile.


Eusébio de Andrade e Natalício Camboim. Foto: Fon-Fon.

Entre as muitas ações levadas a efeito durante os seus mandatos, encontramos gestões pelo estabelecimento de ligação, por via férrea, entre as cidades de Quebrangulo, Palmeira dos Índios, Porto Real do Colégio; melhoramentos no Porto de Maceió e desobstrução da barra do rio São Francisco. Entretanto, tornou-se mais conhecido pelo que se passou a denominar “Acordo Camboim”. O que seria isso? Seria uma aliança eventual de que resultaria prejuízo para determinada parte. Costa Rego, contemporâneo de Natalício, em artigo intitulado A Fórmula Impossível, no Correio da Manhã, edição de 6 de novembro de 1949, explica:
“A fórmula do ‘Acordo Camboim’ é minha. Há trinta e poucos anos, projetava-se a intervenção federal em Alagoas porque o governador eleito e empossado, Batista Accioli, não tivera, alegava-se, os respectivos poderes regularmente verificados. O deputado Camboim e seus amigos eram pela intervenção; eu, também deputado, e meus amigos éramos contra a medida.
Levado o assunto ao Dr. Wenceslau Braz, Presidente da República, este, que sempre detestou as demandas, sugeriu um acordo, mediante o qual o governo fosse aceito por ambos os grupos, sob a condição, porém, de recompor-se o Senado Estadual, que, na forma da Constituição, reconhecia e proclamava o governador eleito.
Todo o caso político tinha, aliás, por objeto o Senado, cuja legitimidade estava em dúvida por se haver dividido em duas a Assembleia, com o concurso de senadores remanescentes da renovação do terço.
Partiu-se então do princípio de que deveriam desaparecer todos os senadores por meio de renúncia expressa. Dada a ausência do Senado, organizar-se-ia outro, em ato eleitoral a que todos comparecessem com seus candidatos escolhidos em lista comum, compondo o número exato dos senadores, de modo a não poderem os partidos incriminar os mandatos dos adversários. Para organizar essa lista era preciso um acordo.
Os entendimentos foram difíceis. Havia quinze senadores a eleger. Não era possível dividi-los, sem que um partido obtivesse oito contra sete, além de que os três terços deveriam ficar separados por senadores de uma Legislatura, de duas e de três. Os amigos de Camboim queriam a de três Legislaturas, preferência que também era dos meus amigos... A divisão, já impossível pelo número ímpar, ainda se complicava na maneira de atribuir as cadeiras de maior e menor mandato.
Foi quando imaginei uma fórmula: os cinco senadores de maior mandato pertenceriam aos amigos de Camboim; os cinco de mandato médio, aos meus amigos; e os cinco restantes, de mandato menor, seriam indicados pelo governador, que merecia a confiança de ambos os grupos.
Levei a fórmula ao Dr. Wenceslau Braz, para que a impusesse como sua. Pareceu-lhe excelente.
Formou-se a lista de candidatos. O que mais interessava conhecer eram os escolhidos pelo governador, fiel da balança. O governador, membro do nosso partido, foi busca-lo entre nossos próprios correligionários. E assim ficamos com a maioria no Senado.
Camboim, a quem hoje me liga afetuosíssima amizade, fingiu não haver recebido o golpe; mas uma vez, ao lhe perguntarem se o acordo lhe causava satisfação, respondeu:
“Sim, o acordo foi excelente. Estamos vivendo em plena harmonia: eles entraram com o pau, nós entramos com as costas”.
A esta forma de entregar as costas ao pau chamou-se “ACORDO CAMBOIM”.
E Costa Rego arremata:
“Como Colombo, o descobridor do Novo Mundo, não deu o nome à América, também eu não dei o meu ao acordo”.
Costa Rego. Foto: O Malho, 07/06/1924.

Baptista Accioly. Fon-Fon, 28/07/1917.














Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de julho de 1956[i].
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Fontes:
BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de. ABC DAS ALAGOAS.
ROCHA, José Maria Tenório da. QUEBRANGULO, QUEBRANGULO SEMPRE SERÁS.

MY HERITAGE, https://www.myheritage.com.br/person-3002064_30474742_30474742/dr-natalicio-camboim-de-mendonca-vasconcelos


[i] DIÁRIO DE NOTÍCIAS, RJ, 8 de julho de 1956; DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 6 de julho de 1956.


sábado, maio 7

ALBUQUERQUE LINS, O ALAGOANO QUE GOVERNOU SÃO PAULO

Por Etevaldo Amorim
À época do Império, alguns paulistas governaram Alagoas: José Joaquim Machado de Oliveira (14/12/1834); Antônio Moreira de Barros (09/09/1867 a 22/05/1868); Antônio Cario da Silva Prado (de 05/09/1887 a 16/04/1888). Mas pouca gente sabe que um alagoano já governou São Paulo. Trata-se de Albuquerque Lins, que esteve à frente da governança do maior estado do País de 1º de maio de 1908 a 1º de maio de 1912.
Manuel Joaquim de Albuquerque Lins nasceu em São Miguel dos Campos (AL) no dia 20 de setembro de 1852. Era filho de Manuel Joaquim de Albuquerque Lins e de Orminda da Rocha e Silva. Seu pai era dono de engenho de açúcar. Era primo de João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, o visconde de Sinimbu, que foi presidente do Conselho de Ministros do Império entre 1878 e 1880.
Fez seus primeiros estudos em sua cidade e aos 14 anos seguiu para Salvador, na Bahia, onde estudou humanidades no Seminário Arquiepiscopal. Sentindo vocação eclesiástica, também cursou teologia, mas, apesar de ter recebido os aplausos dos mestres, não foi ordenado por não ter a idade exigida. Resolveu então, em 1871, ir completar seus preparatórios em Pernambuco. Com efeito, em janeiro de 1873, desembarca do vapor Guará, no Recife, para ingressar na Faculdade de Direito[i], recebendo o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais em 1877, em companhia de Rosa e Silva, J. J. Seabra, Leão Velloso, José Paranaguá e outros. Em novembro daquele ano, deixa o Recife a bordo do vapor Marquês de Caxias.[ii]
Nesse mesmo ano, volta a Alagoas, sendo nomeado Promotor Público no município de Anadia. Desempenhou a função durante pouco mais de um ano, até transferir-se, a conselho do visconde de Sinimbu, para a Província de São Paulo. Aí foi Juiz Municipal e de Órfãos de Santos e São Vicente e Juiz de Direito de São Simão e Ribeirão Preto, sendo posteriormente removido, a pedido, para Tatuí. Nomeado, em 1885, Chefe de Polícia do Paraná, não chegou a tomar posse em virtude da queda do Gabinete do Conselheiro Saraiva e o afastamento dos liberais do poder em agosto daquele ano. Pedindo exoneração da magistratura, foi declarado juiz de direito avulso e fixou definitivamente residência na capital paulista, onde se dedicou à advocacia e passou a colaborar na imprensa.
Em 1881, casa-se com a Srtª Helena de Souza Queiróz, filha do Barão Souza Queiroz[iii], de tradicional e rica família Sousa Queirós, de muita influência no Partido Liberal da Província de São Paulo, sendo eleito Deputado Provincial pelo 5° Distrito para a Legislatura 1888-1889, que seria a última do Império.
Em 1889, foi nomeado Presidente da Província do Rio Grande do Norte, pelo Ministério Ouro Preto, mas não chegou a tomar posse.
Albuquerque Lins, Secretário da Fazenda do 
Estado de São Paulo. O MALHO, Ano VI, nº 244, 
18 de maio de 1907.

Foi eleito vereador à Câmara Municipal de São Paulo para o triênio de 1899-1902 e escolhido por seus pares, por unanimidade, presidente da casa. Em 16 de dezembro de 1901 foi eleito para a vaga de Paulo de Sousa Queirós no Senado Estadual, e tomou posse em 8 de abril de 1902.
Renunciou em 2 de maio de 1904, quando foi nomeado secretário da Fazenda pelo presidente do estado Jorge Tibiriçá (1/5/1904-1/5/1908). Exerceria o cargo até 31 de outubro de 1907, quando foi substituído por Olavo Egídio de Sousa Aranha. À frente da secretaria, atuou em defesa da política de valorização do café adotada em face da grande safra cafeeira do período, que abriu uma tremenda crise econômica no estado e muito preocupou o governo.
Albuquerque Lins, Presidente de São Paulo. Foto:
Brazil Magazine.

Como Presidente de São Paulo, graças à sua gestão na área financeira, quando da disputa pela indicação do candidato à sucessão de Jorge Piratininga, venceu o ex-presidente Campos Sales na convenção do PRP. Formada a chapa governista, foi eleito em 1º de março de 1908, tendo como vice Fernando Prestes de Albuquerque, e tomou posse em 1º de maio de 1908, com mandato até 1º de maio de 1912.
Panorama da Capital de São Paulo, à época do Governo do Dr. Albuquerque Lins. Foto: Revista Fon-Fon, 1908.
Em sua administração à frente do governo de São Paulo, prosseguiu em sua política de valorização do café; incrementou a entrada de imigrantes, cujo número chegou a 185.367; fomentou a construção de numerosos grupos escolares, tanto na capital como no interior; transformou todas as escolas complementares em escolas normais primárias; criou institutos profissionais na capital e nas cidades de Amparo e Jacareí; aprovou a planta e orçamento para a edificação das escolas normais de Pirassununga e Botucatu; criou a diretoria geral da Instrução Pública, em substituição à Inspetoria do Ensino; iniciou a reforma do regimento penitenciário, tendo batido a pedra fundamental da penitenciária do estado; criou o Serviço Florestal, visando a desenvolver a silvicultura; criou o Patronato Agrícola; criou os Bancos de Custeio Rural; e lançou os alicerces do palácio das Indústrias, localizado no parque Dom Pedro II, no centro da capital. Entre seus auxiliares estavam Carlos Guimarães, na Secretaria da Fazenda, e Washington Luís, mais tarde presidente da República, na Secretaria da Justiça.
O Presidente Albuquerque Lins participa do lançamento da pedra fundamental da construção do novo Presídio de São Paulo, que ficaria conhecido como Carandiru, tendo a sua direita (esquerda de quem olha) o General Comandante da 10ª Região Militar e o Dr. Carlos Guimarães, Secretário do Interior, em 1911.
Palacete de residência do Dr. Albuquerque Lins, em São Paulo, na Rua da Liberdade, 87. Brazil Magazine, Ano IV, 41-41, 1920.

Nas eleições para presidente da República em 1910, foi candidato a vice-presidente na chapa civilista de Rui Barbosa, derrotada pela chapa Hermes da Fonseca-Venceslau Brás. Teve assim perturbados os dois últimos anos de seu governo, quando ocorreu uma tentativa de intervenção federal em São Paulo pela vindita do marechal Hermes, afinal evitada. Ao término de seu governo, transferiu o cargo para o sucessor Francisco de Paula Rodrigues Alves.
Teatro Lírico, Rio de Janeiro. Flagrante da Convenção Civilista, realizada em 22 de agosto de 1909, que indicou o Senador Rui Barbosa para Presidente e Albuquerque Lins para Vice-Presidente da República. Foto: FON-FON, Ano III, nº 35. 28.08.1909.
Mesa Diretora dos trabalhos da Convenção. De pé, fazendo a chamada dos convencionais, o Deputado paulista Cincinato Braga. Sentados: Deputado Álvaro de Carvalho, Senador José Marcelino e Deputado Galeão Carvalhal. Foto: Careta, Ano II, Nº 65, 28 de agosto de 1909.
Em Campanha, recebendo Rui Barbosa nos jardins do Palácio do Governo de São Paulo. Foto: Brazil Magazine.
A Chapa Rui Barbosa/Albuquerque Lins.

Em 8 de fevereiro de 1913 foi eleito senador estadual para o período de 1913 a 1921, e em 29 de abril de 1922 foi reeleito para o período de 1922 a 1930. Como parlamentar, discutiu os projetos de lei de criação de bancos agrícolas e outras medidas de interesse para a economia paulista. Foi membro da comissão diretora do PRP, como grande capitalista foi presidente do Banco de São Paulo e da Companhia Mecânica Importadora, e sempre ligado a agricultura, foi importante proprietário rural em Limeira. Foi Presidente do Banco Popular de São Paulo, depois denominado Banco Provincial de São Paulo.
Albuquerque Lins deixa o Palácio do Governo de São Paulo, sendo acompanhado pelo seu sucessor Rodrigues Alves. Careta, 18 de maio de 1912.
Já como Ex-Presidente de São Paulo, o Dr. Albuquerque Lina, tendo a seu lado a filha Helenita, os filhos Manoel e Abel e a esposa Helena, no vapor Astúrias, em viagem para a Europa. 
Faleceu em São Paulo, a 7 de janeiro de 1926, em pleno exercício do mandato de senador estadual. Seu sepultamento se deu no dia 8 de janeiro de 1926, às 17:00 horas, saindo da sua residência à Rua da Liberdade, 87[iv].
Funerais de Albuquerque Lins, vendo-se à frente do cortejo o Dr. Washington Luiz, que viria a ser Presidente da República e o Dr. Carlos de Campos, então Presidente de São Paulo.  Foto: Fon-Fon, 16 de janeiro de 1926.
Outro aspecto do cortejo fúnebre do Dr. Albuquerque Lins. Foto: Fon-Fon.
Deixou fortuna particular calculada em cerca de 10.000 contos de réis. Era sócio de uma casa Comissária de Exportação em Santos, abastado fazendeiro e proprietário de diversos imóveis na Capital Paulista, inclusive o Palacete (com teatro) Santa Helena, na Praça da Sé.
De seu casamento com Helena de Souza Queirós, teve seis filhos: Joaquim, José, Antônio, Carlos, Álvaro, Anna Helena, Helenita e Maria.
Em sua homenagem foi criado, pela Lei nº 1.708, de 27 de dezembro de 1919, o município de Albuquerque Lins, que, em 1926, teve alterada a denominação para Lins. (Antônio Sérgio Ribeiro)
A cidade de Albuquerque Lins (atualmente Lins), no Estado de São Paulo.

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FONTES:
AMARAL, A. Dicionário; Correio Paulistano (8/1/1926); EGAS, E. Galeria (v.2); Folha da Manhã (8/1/1926); FONSECA, A.; IGNÁCIO, A.; BRISOLLA, C. São Paulo; Municípios e distritos; RIBEIRO, J. Chronologia; RIBEIRO, A. Governantes..
CPDOV – FGV
ABC DAS ALAGOAS, FRANCISCO REYNALDO AMORIM DE BARROS
Fundação Casa Rui Barbosa








[i] Diário de Pernambuco, 10 de janeiro de 1873.
[ii] Diário de Pernambuco, 16 de novembro de 1877.
[iii] Falecida a 4 de abril de 1936. A Nação, 5 de abril de 1936.
[iv] A Manhã, RJ, 8 de janeiro de 1926, p. 2

sábado, abril 30

ÉLIO LEMOS FRANÇA

Por Etevaldo Amorim

As salas de aula do Ginásio Dom Antônio Brandão recebiam nomes de personalidades ilustres de Pão de Açúcar: Bráulio Cavalcante, Jovino da Luz, Moreno Brandão, José de Freitas Machado, entre outros. Justa homenagem àqueles que enalteceram a história daquela cidade ribeirinha do São Francisco.
Em 1972, a minha Turma, que iniciara o Curso com mais de cem alunos, dividida em A, B e C, resumia-se a cinquenta e quatro; em Turma Única, cabendo toda numa Sala junto à Diretoria. Lá no alto, acima do quadro-negro, a inscrição “SALA ÉLIO FRANÇA”. Mas, quem seria esse personagem na história de Pão de Açúcar?
Élio Lemos França. Acervo: Colégio Guido


A famosa Cachoeira sempre foi, desde longa data, frequentemente visitada por brasileiros e estrangeiros, que para ela afluíam no intuito de contemplar sua beleza. Mas, a partir do início da construção da hidrelétrica, suas obras passaram a ser também objeto de curiosidade de muitos excursionistas, entre eles muitos estudantes, mormente no ano de sua Formatura.Não tardou que, numa aula de História, o Professor (e também Diretor) Dr. Átila Pinto Machado nos desse a resposta. Não se tratava de um pão-de-açucarense. Em breves palavras, ele nos contou um pouco da história de Élio Lemos França, aluno do Colégio Guido de Fontgalland, falecido tragicamente na Cachoeira de Paulo Afonso. Ao final, lendo num livro ou revista, recitou Torvelinho, de autoria de Élio França, uma prosa poética de bela feitura, que falava em água e em “cair precipitadamente”...algo assim; parecia uma premonição.
A Turma do 3º Ano Científico do Colégio Guido de Fontgalland, em 1954, foi também atraída pela beleza e pela experiência de progresso que se verificava com o aproveitamento da queda d’água para geração de energia elétrica. A experiência pioneira de Delmiro Gouveia com a usina de Angiquinho estava se consolidando. A viagem foi marcada para o dia 10 de outubro. O responsável pela excursão, professor Aloisio Galvão, anunciou a saída para as 5:30 horas daquele domingo.
Com efeito, no dia e hora marcados, em frente ao Colégio, um caminhão os esperava. Entraram todos e partiram. Entre eles, o jovem Élio Lemos França, estudante do Guido desde que prestara o Exame de Admissão em 1948. 
Élio França, do Grêmio Rui Barbosa, fala para os alunos da 1ª Série Ginasial, num 
Encontro Gremista, no Colégio Guido. Foto: Revista MOCIDADE, Ano 3, nº 16, 
Outubro/Novembro 1948, p. 41.


Ele já havia sido escolhido Orador Oficial da Turma; já era Secretário da Diretoria do próprio Colégio Guido desde 1951; Diretor da Revista Mocidade desde 1953; e Secretário-Geral da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos – CNEG, Seção de Alagoas. Ele mesmo que, ainda pouco tempo atrás, a 4 de agosto daquele ano, regressara do Rio de Janeiro, em avião da Cruzeiro do Sul, onde participou do VI Congresso Nacional de Educandários Gratuitos (de 26 a 31 de julho), com destacada atuação.[i] Nesse mesmo ano de 1954, havia fundado o Grupo Teatral Anchieta, que estreou com a encenação da peça A Longa Espera, de sua autoria, bem como dirigido a peça Noites da Lagoa. Recebeu o Prêmio Nacional Esso de Reportagem com a sua prosa poética intitulada Torvelinho.
Seguiram pela BR-316 até chegar em Palmeira dos Índios, onde pernoitaram. Dia seguinte, estrada de chão passando por Santana do Ipanema e, por fim, Delmiro Gouveia. Na terça-feira, 12, estavam diante da Cachoeira. A alegre caravana se dispersava entre os diversos pontos de visita. Mas algo de muito trágico estava para acontecer.
Segundo narrativa do estudante João Cauby Cavalcante, que integrava a caravana, assim se deu a tragédia:
“Estava eu juntamente com vários colegas quando Élio, ao ver que o meu amigo Jefferson Calheiros ia tirar uma fotografia do Rogério Henrique, disse em voz alta:
- Rogério, eu conheço a máquina e vou bater uma grande fotografia sua, que vai ser um sucesso entre as meninas!
Nesse momento, Élio estava com várias pedrinhas em uma das mãos e pretendia guardar como ‘souvenir’. Entregou-as a Arnaldo Calheiros e encaminhou-se imprudentemente em direção a Rogério. Tomara o lado perigoso da Cachoeira e, ao tentar apanhar a máquina, aconteceu o imprevisto. Élio estava descalço, trajando uma calça de linho branco e camisa azul. Tentando galgar melhor posição, procurou passar por detrás de Rogério. Foi infeliz, no entanto. Escorregou em uma pedra lisa e, com os olhos arregalados, abrindo os braços numa tentativa vã de agarrar-se a Rogério, mas sem um grito sequer, mergulhou no abismo, sendo tragado pela fabulosa queda d’água. Ainda por segundos — prossegue emocionado o estudante — veio à tona o corpo de Élio, quando pudemos perceber claramente o desespero com que, inutilmente, o nosso malfadado colega se debatia para escapar à impetuosidade das águas. Aí então ninguém mais se entendeu — prossegue João Cauby — e o pânico tomou conta de todos. Fui tomado de violenta crise nervosa, o mesmo acontecendo com muitos de nossos colegas”.
O fato é que o nervosismo tomou conta de todos. Passados alguns momentos, o Professor Aloisio Galvão, em companhia de alguns alunos, solicitou turmas de apoio a fim de procurarem por Élio. Entretanto, depois de penoso trabalho no local, e não tendo encontrado o corpo, o chefe da excursão se dirigiu à cidade de Delmiro Gouveia, de onde telegrafou para o Padre Teófanes e para o Deputado Rui Palmeira, relatando o doloroso ocorrido.
Logo que tomou conhecimento, a Direção do Colégio suspendeu as aulas, o mesmo fazendo a Faculdade de Filosofia de Alagoas, também sob a direção do Pe. Teófanes, bem como a Escola Técnica de Comércio de Alagoas, em cuja direção se achava o Sr. José Cavalcante Manso.
Helena Britto de Andrade, funcionária dos Correios, em matéria publicada na revista O Mundo Ilustrado (Ano II, nº 92, 3 de novembro de 1954, p. 31), relata o impacto da notícia no seio da família e nos meios estudantis alagoanos.
“Elói Lemos França, telegrafista dos Correios e Telégrafos de Maceió, estava de pernoite na sala de aparelhos quando os sinais do Morse começaram a transmitir a notícia trágica.
‘Élio, vítima de acidente, caiu nas águas da cachoeira estando seu corpo desaparecido’.
E outros despachos foram chegando. O telegrafista recebeu tremendo impacto. Pela primeira vez estava recebendo uma notícia que lhe interessava particularmente. Élio Lemos França era seu filho. Em prantos, tomado por violenta crise nervosa, o pobre homem foi logo cercado pelo conforto de seus companheiros de trabalho, enquanto a notícia, agora mais detalhada, espalhava-se pela cidade para, mais tarde, consternar Alagoas inteira e também todo o Nordeste”.
Embora tivessem sido, de imediato, organizados os grupos de busca pelo corpo de Élio, somente após três dias de intensa e exaustiva procura o mesmo foi encontrado, horrivelmente mutilado, preso entre duas pedras, num local muito distante do da queda.
Local da queda de Élio na Cachoeira de Paulo Afonso.O Mundo Ilustrado,_Ano II, Nº 92, 
03.11.1954, p. 30.
Em memória do jovem estudante, tão prematuramente desaparecido, algumas homenagens foram prestadas. Exemplo disso foi a Lei nº 493, de 19 de março de 1956, pela qual a Câmara Municipal de Maceió autorizou o Prefeito Abelardo Pontes Lima a construir, no bairro do Bom Parto, em Maceió, uma praça com seu nome. Essa Praça se localiza no início da Rua Hermes da Fonseca, logo após a Praça dos Martírios, a partir da casa de nº 196, onde atualmente existe um ponto de ônibus para os que demandam os bairros de Bebedouro, Chã da Jaqueira, etc.
Praça Élio Lemos França na Rua General Hermes.
Duas Escolas também receberam o nome de Élio Lemos França; um no bairro de Ponta Grossa, em 1956, na Capital, e outro na cidade de Piaçabuçu, em 1957.
Em crônica publicada no jornal carioca Diário de Notícias, edição de 23 de agosto de 1959, intitulada NOSSA CULPA, o Pe. Teófanes Augusto de Araújo Barros dá um testemunho do seu valor:
“Entre os grandes erros cometidos pela nossa geração para com a que se inicia na vida em pleno esplendor da adolescência está o de nunca sermos suficientes na tarefa árdua de esclarecer sobre o conteúdo e o sentido da vida. ”
...
“Eu convivi com um menino que desde os 14 anos se revelava um pequeno gênio das letras. Foi a inteligência mais deslumbrante que eu conheci. Esse garoto, que já publicava aos 16 anos trabalhos de valor na imprensa de minha terra, esse menino que dizia coisas bem impressionantes sobre o mundo e sobre a vida, deixou uma bagagem literária de insigne valor. A Cachoeira de Paulo Afonso o arrebatou nos seus 17 anos, em uma dessas caravanas tão comuns entre os estudantes. Chamou-se Élio Lemos França”.

Padre Tófanes e autoridades inauguram um busto em homenagem a Élio Lemos, em 1974, lembrando 20 anos do seu desaparecimento.

ÉLIO LEMOS FRANÇA, nasceu em Maceió no dia 18 de janeiro de 1938. Era filho de Eloi Lemos França, funcionário dos Correios e Telégrafos e de Filomena Lemos França, professora no Grupo Escolar Fernandes Lima, na Rua do Sol, e tinha como irmãos Artêmia e Eloi Junior. Constituía uma família feliz, que morava na casa nº 724 da Rua Buarque de Macedo.
Diz ainda Helena Britto de Andrade:
“Na Cachoeira de Paulo Afonso existe um livro no qual os visitantes deixam registradas suas impressões. Élio França, jovem de espírito alegre, estudioso e possuindo grandes pendores para a literatura e o jornalismo, deixou escrita a seguinte frase:
‘Mesmo depois de conhecer Paulo Afonso, ainda considero a mulher a maior criação da Natureza’. ”
 
Élio Lemos França faleceu a 12 de outubro de 1954. Foto: Meridional, Diário da Noite, RJ, 29/10/1954.

 VOCÊ
Élio L. França

“Você reúne tudo o que sonhei na vida...”
Jayme d’Alvavilla

Você é muito mais do que eu poderia querer para mim,
muito mais.
Como eu iria prever tanta felicidade junta?
- Sou tão pessimista...
Não seria capaz, jamais.
De imaginar seus olhos,
escuros assim, como tarde de chuva;
nem sua voz assim morena,
quieta, morta, diferente da vida;
nem seus lábios tão bondosos,
falando carinhos que encorajam,
que não me deixam ter medo da vida,
assim vermelhos, assim macios.
Assim como tanto os amo!
Somente quando eu era pequenino
- no tempo em que papai me puxava pela mão –
Dei esmola a uma velhinha
do rosto riscado de mazelas,
dos olhos mortiços de solidão,
de sonhos mortos, esmagados,
que tinha uma voz rouca, arrastada,
que dava pena.
E ela me disse, lá do canto sujo da calçada,
que papai do céu me daria uma vida muito feliz,
diferente da dela,
e que uma mocinha,
bem boa e bem linda,
que me faria feliz...
Mas eu não sabia que seria assim,
tão boa e tão bela quanto você.
Como papai do céu é bom!
Você é muito mais do que eu poderia querer para mim,
muito mais.









[i]  FONTES:
DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 16 de outubro de 1954, p. 10.
BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de. ABC DAS ALAGOAS.
Revista MOCIDADE, Ano 3, nº 16, Outubro/Novembro 1948, p. 41
Diário de Notícias, RJ, 5 de agosto de 1954, p. 11.
Diário de Notícias, RJ, 23 de agosto de 1959, p. 62. NOSSA CULPA. Artigo do Pe. Teófanes sobre Élio.
Correio da Manhã, RJ, 20 de outubro de 1954, p. 16. Notícia da morte.
Jornal do Brasil, 25 de janeiro de 1955, p. 12
Mundo Ilustrado, RJ, Notícia da morte de Elio. Por Helena Britto Andrade. Ano II, nº 92, 3 de novembro de 1954, p. 31.
CORREIO DA MANHÃ, RJ, 20 de outubro de 1954.
CORREIO DA MANHÃ, RJ, 8 de setembro de 1959.
Todos disponíveis em Hemeroteca nacional: www.bn.br.


segunda-feira, março 28

TRAVESSIA DO SÃO FRANCISCO

Por Etevaldo Amorim
O Sr. Waldemar ao lado do seu fusca, em corajosa travessia. Foto: Correio da
Manhã, 30 de julho de 1966, p. 22.

Com esse título, o jornal carioca Correio da Manhã, edição de 30 de julho de 1966, p. 22, deu essa curiosa notícia, na coluna AUTOMOBILISMO, escrita pelo jornalista R. C. Bonfim (Ruy Calheiros Bonfim):
“Com um pouco de pressa, muito espírito de aventura e grande dose de coragem, o Sr. Waldemar Menezes Carneiro resolveu assim o seu problema para atravessar o rio São Francisco, na cidade de Pão de Açúcar, Alagoas. Procedente de Paulo Afonso a caminho de Belém de Sergipe, o Sr. Waldemar M. Carneiro chegou a Pão de Açúcar e não encontrou nem ponte nem balsa para cruzar o São Francisco. Para voltar, havia 468 quilômetros de estradas. Muito chão para quem tinha pressa. Viu o barco com seu 1.25 metros de largura e não teve dúvidas: embarcou o seu carro e lá se foi São Francisco afora, numa travessia de 1.800 metros”

Como não há cidade sergipana com o nome de Belém de Sergipe, presumo que o corajoso motorista demandasse a Fazenda Belém, de propriedade da família Brito, localizada no município de Porto da Folha-Sergipe, entre a Ilha de São Pedro e a Fazenda Araticum. 
Foto: Correio da Manhã, 31 de julho de 1966, p. 48.

segunda-feira, março 21

MONSENHOR FREITAS

Por Etevaldo Amorim

            Filho do Coronel José de Freitas Machado e de D. Maria Pastora Machado, JOSÉ DE FREITAS MACHADO FILHO nasceu no município de Pão de Açúcar, no dia 19 de abril de 1857. 

Monsenhor Freitas. Acervo da família.
Iniciou seus estudos eclesiásticos no Seminário Arquiepiscopal de Estudos Preparatórios, em Salvador. Notícia do jornal O Monitor, edição de 7 de novembro de 1880, dá conta da sua aprovação, com distinção, nos exames de Português.

Sua carreira eclesiástica teve início com o título de Subdiácono, que lhe foi conferido durante Retiro Espiritual dirigido pelo Monsenhor Joaquim Arcoverde[i], no período de 11 de dezembro de 1884 a 20 de janeiro de 1885. A cerimônia foi realizada na Capela do Seminário de Olinda. Já sua ordenação como Diácono ocorreu em 28 de dezembro de 1884, na capela episcopal do convento da Soledade.[ii]

A ordenação plena, no Seminário de Olinda, ocorreu em 22 de março de 1885, conferida pelo bispo D. José Pereira da Silva Barros[iii]. Nesse mesmo mês, recebeu Provisão “de uso de ordens, confessor e pregador, por tempo de um ano” em Pão de Açúcar[iv]. Tanto que, em abril, toma, no Recife, o vapor nacional Caravelas e segue para Pão de Açúcar. Para Coadjutor da Paróquia de Pão de Açúcar, recebeu Provisão do Bispado do Recife em junho de 1885, segundo notícia do Jornal do Recife, de 6 de junho de 1885, durante o paroquiato do primeiro vigário, o Pe. Antônio José Soares de Mendonça.

D. José Pereira da Silva Barros.
Em provisão de setembro de 1885, foi investido na função de Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em de Mata Grande, pelo período de um ano, sendo exonerado da coadjutoria de Pão de Açúcar.[v]  Mais tarde, por provisão de junho de 1886, foi encarregado também da Freguesia de Buique-Pernambuco, apenas no território que compreendia o Distrito de Paz de Gameleira.[vi] Essa provisão foi renovada por mais um ano, conforme o Jornal do Recife, edição de 14 de setembro de 1886.

Enquanto exercia as funções de Vigário de Mata Grande, segundo Aldemar de Mendonça, em Monografia de Pão de Açúcar, aconteceu-lhe um fato deveras importante:

“altas horas da noite alguém lhe bate à porta. Abre e o que se lhe depara é algo aterrador: três homens mascarados lhe colocaram uma venda. Constrangem-no a acompanhá-los para onde ignora. E na escuridão da noite, a cavalo, anda algumas léguas. Depois o desmontam e lhe tiram a venda. Naquele quarto da casa então uma mulher, moça, deitada e, junto, um recém-nascido. A mulher se confessa, certamente pela última vez. Deve ter sido, esta, a sua última vontade. Depois colocam novamente a venda no padre e retornam a sua residência, onde lhe é retirada, finalmente, a venda.”

Exerceu funções de grande relevância. Foi Vice-Reitor do Seminário de Olinda; Escrivão da Câmara Eclesiástica e Secretário do Governo do Arcebispado de Recife e Olinda-PE e, ainda, Protonotário Apostólico[vii]. Sua posse na dignidade de Protonotário Apostólico adinstar participatium se deu no dia 16 de março de 1919, em cerimônia realizada na Capela do Asilo da Tamarineira.  (Revista Maria, Ano VII, Nº 4, de abril de 1919). Era, desde 16 de setembro de 1905, era Pelado Doméstico de Sua Santidade.[viii] Foi Capelão do antigo Asilo dos Alienados, depois chamado Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, substituindo o Monsenhor Marcolino Pacheco do Amaral.
O Monsenhor Freitas ao lado de seus irmãos: Francisco,
Manoel Antônio e Miguel.

Quis o destino que o Monsenhor Freitas estivesse, outra vez, à frente da Paróquia da sua terra natal. Em 1906, estando em férias junto a seus familiares, deu-se, a 16 de março, o falecimento do Padre Mendonça. Coube, então, a Dom Antônio Brandão, expedir Provisão para que ele dirigisse, interinamente, a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus até a posse do novo pároco, o Pe. José Castilho de Omena, em 3 de maio daquele ano.


            No dia 19 de outubro de 1920, empreendeu uma viagem a Pão de Açúcar, talvez a última, segundo notícia do Diário de Pernambuco, de 22 daquele mês e ano. Em 1923, em viagem de férias, foi ao Rio de Janeiro, ficando hospedado da residência do Arcebispo Coadjutor.[ix]

O Monsenhor Freitas faleceu no Recife, às 12:30 h do dia 6 de fevereiro de 1928, em sua residência na chácara destinada ao Capelão do Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, na Tamarineira, cabendo ao Cônego Luiz Gonzaga da Silva ministrar-lhe a extrema unção.


Diz ainda o Jornal do Recife, de 7 de fevereiro de 1928:

“Às 15:00 horas de ontem, foi o corpo transportado da residência do ilustre extinto, em rico ataúde roxo, para a capela do Asilo pelos cônegos José Leal e Luiz Gonzaga da Silva, vigário de Santo Antônio, padres Eustáquio de Queirós, Marçal Pedrosa, Dr. Soares Amorim, Getúlio Cavalcanti e irmãs de Santana, que serviam no Asilo”.

Monselhor Freitas_revista Maria_1928.

            Durante a sua digna carreira no clero de Pernambuco e de Alagoas, foram Bispos e Arcebispos de Recife e Olinda: Dom José Pereira da Silva Barros (1881-1890); Dom João fernando Tiago Esberard (1890-1893); Dom Manoel dos Santos Pereira (1893-1900); Dom Luiz Raimundo da silva Brito (1901-1915); Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (1916-1921); Dom Miguel de Lima Valverde (1922-1951).
Dom Miguel Valverde, Arcebispo quando do falecimento
do Mons. Freitas. Fonte: Vida Doméstica_Setembro 1944.
            Segundo o Jornal do Recife, o Monsenhor Freitas “era um sacerdote de raras virtudes. Bondoso, caritativo, adstrito aos seus deveres de padre católico, soube honrar a sua classe, que perde com a sua morte um dos membros mais dignos”.

Em sua homenagem, foi denominada uma avenida na cidade de Jacaré dos Homens, berço de sua família desde que integrava o território do Município de Pão de Açúcar e, nesta cidade, uma escola: a Escola Normal Monsenhor Freitas, destinada à formação de professoras.




[i] Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1870-1923). Fonte: Dom Arcoverde – o Cardeal dos Sertões, Marjone Socorro Farias de Vasconcelos Leite. Universidade Federal de Pernambuco, 2004.
[ii] DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 13 de janeiro de 1885, p. 3.
[iii] JORNAL DO RECIFE, 7 de fevereiro de 1928.
[iv] JORNAL DO RECIFE, 7 de abril de 1885.
[v] JORNAL DO RECIFE, 22 de setembro de 1885.
[vi] DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 6 de julho de 1886, p. 3
[viii] Atualmente conhecido como Prelado de Honra, Prelado Doméstico de Sua Santidade é um título honorífico que é dado por uma concessão especial da Santa sé aos padres. Os detentores desse título se diferencia dos demais pela sua indumentária.
[ix] A Cruz, RJ, 10 de junho de 1923, p. 3.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia