sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

AGERSON DANTAS

Por Etevaldo Amorim
Capitão Agerson Dantas
Foto: Diário da Manhã_18.10.1931
Uma rua do centro de Maceió, que liga a Praça da Independência à Rua do Livramento, transpondo a Rua Barão de Penedo, exibe um nome praticamente desconhecido da maioria das pessoas que por ali passam. RUA AGERSON DANTAS. Quem seria essa personalidade ilustre que mereceu denomina-la?
Sabe-se que foi dado em sua homenagem, quando chegaram do poder os vitoriosos da chamada “Revolução de 1930”[i]
AGERSON DE CARVALHO DANTAS nasceu em 1897, filho do Cap. Agapito Dantas, um comerciante estabelecido na Rua do Livramento, nº 38, no ramo de molhados; e de d. Maria dos Anjos de Carvalho Gama. Seu avô paterno era Manoel Antunes Vieira Dantas, falecido em 1924, aos 80 anos.[ii]
Por volta de 1909, estudava no Lyceu Alagoano,[iii] e, em 1917, fez Exames de Admissão ao Colégio Militar, no Rio de Janeiro.[iv]
Em 1921, concluiu o Curso de Farmácia na Faculdade da Bahia. Formado, volta para Maceió e instala uma Drogaria, cujos negócios fluem satisfatoriamente. Por esse tempo, chegou até a vislumbrar um emprego público, quando, em 1923, foi classificado em 7º lugar no Concurso para Fiscal de Consumo em Alagoas.
As circunstâncias políticas locais não eram, por certo, do seu agrado. Tanto que, quando estoura o primeiro movimento contra o Governo Artur Barnardes, Agerson vende o estabelecimento e entra para as hostes revolucionárias. Não tardou, porém, que as consequências se fizessem sentir, especialmente sobre a família de seu pai, provedor de numerosa prole[v]. O Governador Costa Rego, sob o pretexto de que Agapito Dantas bancava o “Jogo do Bicho”, mandou prendê-lo “numa cela do Batalhão Policial, proibindo-lhe cigarros, fósforos, roupas para mudar, alimentos e, ao menos por misericórdia, uma esteira de peri-peri, para ele não repousar; como repousou sobre o cimento sujo e nauseabundo da prisão à chinesa. [vi] Depois desse episódio, a família Dantas mudou-se para o Espírito Santo.

Alto comando da Coluna Miguel Costa-Prestes. Esq/Dir.: (sentados) Djalma Dutra, Siqueira Campos, Luiz Carlos Prestes, Miguel costa, Juarez Távora, João Alberto e Cordeiro de Farais. (em pé) José Pinheiro Machado, Atanagildo França, Emídio da Costa Miranda, João Pedro, paulo Kryger da Cunha Cruz, Ari Salgado Freire, Nelson Machado, Manuel Lima Nascimento, Sadi Vale Machdo, André Trifino Correia e Ítalo Canducci. Fonte: CPDOC-FGV.
Em 5 de julho de 1924, estando a Coluna Prestes/Miguel Costa combatendo em Aimorés, Minas Gerais, Agerson Dantas a ela se incorporou, sob o comando do Capitão Manoel Henrique Vilá. Já o conhecendo de outras batalhas, o Capitão lhe ofereceu o comando da tropa. Agerson, entretanto, recusou dizendo:
- Quero somente uma coisa: ir para a primeira coluna fazer fogo.
Fracassado o movimento de 1924, Agerson Dantas retorna ao Espírito Santo “com a mesma coragem do vencido destemido, sobrepondo ao coração a esperança de um dia vir a ser vencedor”, diz o jornalista capixaba Edwaldo Calmon, no jornal Diário da Manhã, edição 17 de outubro de 1931.
Depois de algum tempo, deslocou-se para Minas Gerais, procurando meios de sobrevivência. Voltando ao antigo ofício, estabeleceu-se com uma botica em Naque, então pertencente ao município de Peçanha.
Em fevereiro de 1926[vii], foi ferido gravemente num braço, no combate de Umburanas, localidade perto de Custódia, em Pernambuco, deixando-o defeituoso. Mesmo assim, com o braço na tipoia, lutou bravamente por longo tempo.
General Miguel Costa_arquivo CPDOC_FGV.
Esse ferimento, que o debilitava fisicamente, ensejou uma recomendação do General Miguel Costa, em carta datada de 12 de julho de 1927, escrita em Paso de los Libres, Argentina. Aconselhava-o a ir ao Rio de Janeiro procurar meios de tratar-se e o orientava a procurar o Dr. Luiz Amaral, de O Jornal, com quem arranjaria os recursos para fazer a operação. Disse-lhe ainda que, caso o jornalista pusesse dúvida sobre o que lhe falasse, mostrasse a carta, que ele por certo reconheceria sua assinatura. Um trecho da carta diz:
“Diga-lhe que seu braço nos deu 22 mil tiros, vários automóveis, fuzis, etc. e uma boa vitória, derrotando a coluna do Coronel João Nunes, Comandante da Política de Pernambuco, na terça-feira de carnaval, em 1926, no combate do Carneiro”.
Após esse combate referido por Miguel Costa, Agerson Dantas foi promovido, por ato de bravura, ao posto de Capitão, por ter sido o elemento definidor do triunfo do mesmo.
Em outra carta que, como a anterior, foi cedida ao autor dessas notas, o farmacêutico Abílio Schwab[viii], pelo irmão de Agerson, o dentista Afonso Gama, diz o General Miguel Costa:
“No último combate de Bom Jardim, em Mato Grosso, vi o Capitão Agerson Dantas, empunhando com o braço que lhe resta, o revolver fumegante, com que fazia retroceder o adversário mercenário. A marca que você leva no corpo é a condecoração que a Pátria conferiu ao filho leal e desinteressado, ao herói que semeou com o seu sangue a árvore do fruto que será colhido amanhã: Liberdade”.
Enquanto a maioria dos revoltosos foram para o exílio, o Capitão Agerson resolveu voltar para o Brasil, sendo encarregado de trazer o Arquivo da Revolução, prova da confiança que nele depositavam os líderes revolucionários. Estando já em Corumbá, Mato Grosso, escreve ao General Miguel Costa, no dia 30 de abril de 1927: “Volto para casa com a consciência serena, tranquilo e satisfeito por ter cumprido o meu dever”. O General responde em 21 de maio: “Como é feliz o homem que assim pode falar”.
Aliás, nessas notas de Abílio Schwab, há uma revelação de que Agerson, em todas as suas batalhas no vasto território brasileiro, sempre cuidou para que seu nome e fotografia não fossem revelados. Isso, talvez, explique a escassez de relatos e imagens a seu respeito.
Em 1928, prestou exames finais de Inglês e de História Universal no Ginásio do Espírito Santo.[ix]
Mineiros na Revolução de 1930_Revista da Semana.
Faleceu a 7 de outubro de 1930, no combate de Aymorés, no Estado do Espírito Santo. Sobre as circunstâncias que levaram à sua morte, o seu colega de profissão Abílio Schwab reproduz a informação obtida junto ao Dr. Nestor Lobo Leal, médico capixaba residente em Aimorés, que combateu com ele ali combateu:
“Quando explodiu o movimento revolucionário, o Capitão Agerson Dantas residia no município de Itanhomi, em Minas Gerais. Sabendo do movimento, partiu incontinenti para esta cidade, aqui chegando no dia 6 de outubro, à noitinha. Durante todo o dia 7, passou em revista de reconhecimento na fronteira de Minas com o Espírito Santo. No dia 8, foi completar o reconhecimento para, no dia 9, estando senhor das possibilidades do inimigo, entrar com facilidade à noite, em Baixo Guandu, conforme sua declaração de revolucionário histórico. Ao partir pela manhã do dia 8, avisou aos seus comandados que estivessem sempre alerta, principalmente aos que guardavam a passagem que liga os dois Estados e que serve de leito à estrada de ferro Vitória a Minas. Pediu mesmo aos seus camaradas que se alguém recalcitrasse em entrar para o território de Minas, que fizessem foto por sua ordem. Nesse dia completou o Cap. Dantas o serviço de reconhecimento e no seu regresso para Aimorés, disse aos seus quatro companheiros que no dia seguinte iria com uns 500 homens ocupar a povoação de Baixo Guandu, no Norte do Espírito Santo. Já eram quase 7 horas da noite quando o Capitão Dantas se aproximou de Aimorés. Ele vinha a cavalo e por picada feita a seu mando. Por infelicidade, porém, veio entrar na cidade pelo caminho que ele ordenara ninguém passar. Conversava alegremente com os quatro companheiros, quando mal o seu cavalo marchava na estrada proibida, sem que ele ouvisse o acostumado brado de “quem vem lá?”, uma saraivada de balas dos próprios companheiros de ideal convergiram para o seu lado. Os seus companheiros, rastejando-se no solo escalvado e seco, puderam atingir a restinga e, chegando à margem do Rio Doce, rumaram para a cidade que estava bem perto. O Capitão Dantas, ao ouvir a fuzilaria, deu de rédeas ao animal; mas não houve tempo; o bravo revolucionário foi atingido em pleno tórax pelo projetil de um mosquetão, que o atravessou da direita para a esquerda, rasgando-lhe os pulmões e o coração. O seu enterro realizou-se no dia 9, com grande acompanhamento de revolucionários e das principais famílias de Aimorés.
Morreu assim o Capitão Agerson Dantas. Esse era seu destino, não obstante os conselhos da sua zelosa mãe, que implorava para que não se envolvesse mais em revoluções. Mas ele, embora compreendendo os cuidados da mãe aflita, respondia com energia que revolução não se fazia com palavras. Era necessário sangue, e que ele tinha assumido o compromisso de pagar o seu tributo até o fim, por mais doloroso que fosse.




[i] DIÁRIO CARIOCA, RJ, 8 de outubro de 1931.
[ii] JORNAL DO RECIFE, 8 de janeiro de 1924.
[iii] GUTENBERG, Maceió, 29 de outubro de 1909.
[iv] O IMPARCIAL, RJ, 22 de março de 1917.
[v] Dentre seus filhos, o dentista Afonso Gama, que chegou a atender em Pão de Açúcar, pelos idos de 1910, e o médico Carvalho Gama.
[vi] Relato do jornalista Costa Bivar, Diretor do Correio da Tarde, de Maceió, para Jornal do Recife, 14 de agosto de 1924.
[vii] Nesse ano, ainda constava como sócio da Sociedade Bloco Alagoano, entidade instrutiva e beneficente, fundada em 28 de abril de 1907, do qual seu próprio pai, o Cel. Agapito Dantas, foi Presidente Efetivo e Tesoureiro.
[viii] DIÁRIO DA MANHÃ, Vitória-ES, 24 de outubro de 1931.
[ix] DIÁRIO DA MANHÃ, Vitória-ES, 23 de março de 1928.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

ZADIR ÍNDIO

Por Etevaldo Amorim

Zadir Índio. Foto: Revista da Semana,
Ano XIX_Nº 39, 02.11.1918, p.22.
ZADIR INDIO DE SANTA CRUZ, poeta, cronista, romancista e jornalista, nasceu na cidade do Pilar, Estado de Alagoas, em 2 de novembro de 1882, (algumas fontes dizem ter sido em 1880). Era filho de Antônio S. de Santa Cruz e de Adelaide de Santa Cruz. Outras fontes, no entanto, indicam ser ele filho de Antônio Viveiros Sabugo e Adelaide de Viveiros e outras, como José Reynaldo Amorim de Barros em ABC das Alagoas, que anota o nome de seu pai como Antônio Floriano Viveiros. 
Iniciou seus estudos no Pilar, continuando em Maceió, no antigo Liceu Alagoano, por volta de 1895. Chegou a estudar na Faculdade de Medicina da Bahia até o terceiro ano, mas não continuou por falta de recursos. 
Escrevia para diversos jornais do Pilar, publicando contos e artigos, e onde foi Redator-Chefe de O Trocista, de Maceió, onde publicou "Ajuste de Contas". Colaborou com O Vigilante, onde publicou o conto "O Órfão"; no semanário O Matuto, publicando o conto O Presente. Publicou também, n'A Brecha, em 1902, a polêmica literária com Arnaldo Pedrozo (pseudônimo de Taurino Baptista). Foi ainda colaborador no Correio de Maceió e no Jornal de Alagoas. 
Em novembro de 1898, foi eleito Presidente do Grêmio Literário Dias Cabral, agremiação criada para registrar o falecimento do grande alagoano. 
Em 1902, seguiu para o Rio de Janeiro e, com poucos recursos, aceitou o lugar de Revisor na Gazeta de Notícias, por indicação do jornalista Oliveira e Silva[i]
Sócios do Centro dos Revisores. O Malho, Ano IX, nº 433, p. 47.
Humberto Correia-Pres, Themistocles de Almeida, Albuquerque Gondim, Alfredo Villarinho.
Pelo menos até 1909, estava nessa função, oportunidade em que, por sugestão de Humberto Correia, do Gazeta de Notícias, foi criado o Centro dos Revisores, uma Sociedade de Auxílio Mútuo, à qual ele logo se associou. 
Paulo Barreto_JOÃO DO RIO.
Foto: Vida Doméstica_junho_1921
Alguns anos depois, em 1911, quando Paulo Barreto[ii] assumiu a direção daquela folha, descobriu no simples revisor o potencial de um verdadeiro jornalista e o promoveu ao corpo redatorial. Ali publicou as mais brilhantes crônicas literárias, destacando-se o artigo que escreveu sobre o incidente do Sr. Paulo de Frontin com o Sr. Theodomiro Santiago, por ocasião da visita que fizeram ao gabinete eletro-técnico de Itajubá.[iii] 

Mais tarde, em meados de 1916, já um nome respeitado no círculo jornalístico, transferiu-se para A Época, tornando-se Secretário. Dirigiu ainda a Revista das Revistas, a qual dirigiu juntamente com Horácio de Carvalho, Júlio de Suckow.[iv] Era possuidor de uma cultura sólida, que abrangia a a história geral, a filosofia e as ciências sociais Falava corretamente o inglês, o francês, o alemão, o italiano e o espanhol, bem como o latim e o grego, tendo iniciado o estudo da língua russa. No dia 17 de outubro de 1918, às 11:00 horas, no hospital da Cruz Vermelha Brasileira, faleceu aos 36 anos, vítima da Insluenza (Gripe Espanhola), epidemia que ceifou a vida de centenas de pessoas no Rio de Janeiro. O sepultamento foi no mesmo dia no Cemitério São João Batista. Nessa época, já trabalhava no Rio-Jornal, em que foi fundador e escreveu artigos sobre economia, finanças, história, crítica literária, crônica mundana e, principalmente, estudos filosóficos, seu assunto preferido. No dia 30 de outubro, na igreja de São Francisco de Paula, os seus colegas d'A Época mandaram celebrar uma missa em sufrágio de sua alma e, após a cerimônia, seguiram em romaria para o Cemitério de São João Batista espargir flores sobre a sua campa. No dia 12 de março de 1920 (segundo o JORNAL DO RECIFE, 29 de março de 1920), a Academia Alagoana de Letras se reunião para definir os nomes de seus Patronos e, entre eles, estava Zadir Índio, cabendo-lhe a Cadeira de Nº 40. Era tímido, mas expressava-se e escrevia muito bem. Deixou publicado sonetos e romances, alguns ainda incompletos e inúmeras poesias, como esta:

 RETRATO
Loira de um loiro que seduz e encanta,
Como o ideal dos sonhos dos poetas...
Loira de um loiro angelical de santa,
Daquelas santas mártires, ascetas.

Loira de um loiro oriental que a gente,
Uma vez vendo, nunca mais esquece,
Loire e formosa, de um olhar ardente
- “Visão etérea” que em meus sonhos desce.

Eis o retrato dessa virgem loira,
Da loira virgem que adoro e amo:
- Gentil retrato que os meus sonhos doira
- Poema virgem que eu, a sós, declamo.
(Zadir Indio)
(Transcrito de O Madrigal, Maceió, 5 de novembro de 1899, p. 3).

Publicou, em 1902, o romance Naturalista O VENCIDO, pela tipografia Fonseca.

Sobre ele falou Ribeiro Couto, em crônica denominada A morte de um pensador obscuro:
“Zadir Índio era ‘uma água profunda’, como disse uma vez Nilo Bruzzi. Morre obscuro porque ele bem sabia da inutilidade de escrever no Brasil. Só os seus companheiros de trabalho e alguns raros amigos, ficarão para sempre com o seu nome nos lábios, na angústia horrível de uma saudade imortal”. (Tribuna, Santos, 28 de outubro de 1918)
O jornalista Theo-Filho, numa crônica publicada no jornal Beira-Mar, em 15 de julho de 1939 dá seu depoimento e conta um episódio ocorrido na época em que com ele conviveu:
“Zadir Indio morreu de maneira lastimável, entre as quatro paredes de um cômodo da rua Evaristo da Veiga, durante a epidemia da Gripe de 1918...
Ele poderia ter morrido tragicamente na tarde em que eu e o Paulo de Gardênia tivemos a insopitável extravagância de experimentar, nos fundos da redação deserta, as molas emperradas de um revólver. Dirigíamos a pontaria para o recôndito assinalado pelas letras WC, onde, aparentemente, julgávamos, ninguém poderia estar. Aos primeiros tiros, todavia, abriu-se violentamente a porta, e dela surgiu lívido, em mangas de camisa, berrando como um possesso, Zadir Indio...
- Assassinos! – bradava descontrolado. E, tomando-me à parte:
- Você pensa que está no front, espece de malotru?... Quer fazer graças à minha custa?
- Mas, Zadir, - obtemperava eu, - o atirador foi o Paulo de Gardênia... ou antes, poderia ter sido eu... pois nós ambos atiramos...na ignorância da sua presença invisível. .. O Fato evidente, contudo, é que nenhuma das balas atingiu o alvo...
- O alvo era eu...
- Não. Era o alto da porta.
- Bandidos!
E saiu resmungando, zangadíssimo, a ponto de levar duas longas semanas sem nos dirigir a palavra. ”
Há uma rua no Centro de Maceió com o seu nome, cuja denominação consta de antes de 1943, na Administração Abdon Arroxelas. Essa artéria liga a Rua Pedro Monteiro à rua Barão de Penedo, passando pela frende do Edifício Luz, onde outrora funcionou a concessionária Flávio Luz S/A, depois o Setor de Perícias Médicas do antigo INPS e, atualmente, a Secretaria de Defesa Social do Estado de Alagoas.
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Fontes:
- ABC DAS ALAGOAS: José Reynaldo Amorim de Barros
- Hemeroteca Digital Brasileira: memoria.bn.br




[i] Antônio José de Oliveira e Silva (Pilar-AL, 1864 – Rio de Janeiro, 1911). Era tio de Zadir Indio, segundo a Revista da Semana, Ano XIX, nº 39, 02.11.1911; e, segundo o Correio da Manhã de 21 de janeiro de 1911, seu primo, conforme nota de falecimento assinada, entre outros parentes, por Costa Rego, este sim, seu sobrinho.
[ii] João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1881 - 23 de junho de 1921), foi um jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo, que utilizava o pseudônimo de JOÃO DO RIO.
[iii] Diário de Pernambuco, 29 de outubro de 1918.
[iv] LANTERNA, RJ, 13 de outubro de 1917, p. 3.
[v] JORNAL DO RECIFE, 29 de março de 1920.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A FEIRA DESCE! NÃO DESCE!

Renato de Alencar[i]    

Até o Governo Washington Luiz, o sistema eleitoral brasileiro era muito defeituoso e se baseava na boa fé. Ora, sendo o povo desta nação facilmente levado a cometer atos de má fé, especialmente na área da política, nada mais natural que em nossas Atas eleitorais sempre houvesse fraudes às toneladas.
Uma eleição para Presidente da República, deputados e senadores ou governador do Estado, nunca deixou de ser contestada, e ainda há casos a apurar no emaranhado de votos a bico de pena...
Em muitos Estados do Norte do país se passavam episódios dignos de um novo Cervantes, de um cronista que registrasse em livros bem ilustrados as quixotadas dos nossos políticos sertanejos. Vamos referir-nos, nesta página, à teima que sempre surgia em muitas cidades nordestinas, em torno da feira. Todo chefe político local, coronel ou doutor, ou era negociante ou possuía parentes estabelecidos na infalível “rua do comércio”. Ora, como os melhores locais eram os pátios de feira, para onde afluíam os roceiros que vinham, semanalmente, vender e abastecer-se, a política da cidade ou vila girava em volta do local da feira. Quando o coronel Janjão subia, descia a feira da zona do Doutor Barnabé e este ficava desmoralizado. Quando era este quem vencia a eleição, subia a feira para o pátio de sua área comercial, enquanto o coronel, com sua numerosa família, ficava espumando de raiva e prometendo vigar-se nas próximas eleições.
No Estado de Alagoas havia muitas cidades em que o problema da feira constituía o índice de prestígio do chefe político respectivo. Não era preciso ler telegramas de Maceió ou do Rio para saber-se quem saíra vencedor na eleição. Bastava que os matutos, com suas cargas de cereais, rapadura, farinha, jerimum, etc., se instalassem na “rua de baixo” ou na “rua de cima”.
Dentre muitas destas cidades destacava-se a de Traipu, no baixo S. Francisco, onde imperava o conhecido e respeitado Coronel Serapião[ii], senhor de vinte fazendas, político habilíssimo, chefe de numerosa família, com filhos e genros magistrados e parentes no clero. O Coronel Serapião, certa vez, evitou a queda de um governo em Alagoas, viajando de Traipu a Maceió, por terra, a cavalo três dias, e a trem seis horas. Era ele Senador Estadual. Com o seu voto dentro de uma Assembleia cercada de tropas e canhões do Exército ameaçando varrer tudo a metralha, o magríssimo e alto Senador de Traipu evitou uma revolução e a queda de um regime legal. Por isso lhe deram o pitoresco apelido de “Senador Semente”.
Mas, no íntimo, o Coronel Serapião não defendia a continuidade do governador; o que ele fazia era lutar pela manutenção da feira na “rua de baixo”. Se perdesse a parada, seus inimigos políticos, estabelecidos na “rua de cima”, levariam a feira de Traipu lá para o pátio do alto, o que seria uma desgraça maior do que a do terremoto de Lisboa...
O velho Serapião, montado em seu cavalo a fiscalizar fazendas, era o tipo perfeito de D. Quixote. Magro, meio curvado, rosto fino, olhos vivos, barbicha esguia e bem tratada, ele mantinha entranhado amor à terra em que vivia, protegia desvalidos, perdoava os fracos de mão, dava trabalho a retirantes, defendia os governos constituídos e sabia fazer Atas eleitorais a bico de pena. Só não suportava cigano e ladrão de cavalo.
Certa vez o seu prestigio esteve por um fio. A política denunciava tormentas colossais. As notícias de Maceió eram aterradoras. Filhos, netos, bisnetos, sobrinhos, primos, genros, a esposa, parentes, afilhados, verdadeiro exército feudal, formaram em volta do patriarca. Boatos borbulhavam pelas esquinas, nas barbearias, no porto: “A feira agora sobe!” E os do coronel respondiam com energia: “Não sobe!” E, se subir? Todos respondiam com vigor: “A feira desce!” E os adversários: “Não desce!”
E a feira jamais subiu enquanto esteve à frente da política de Traipu aquele incrível coronel Serapião de Albuquerque, figura perfeita de Don Quixote, leal, defensor dos humildes, corajoso, invencível. Velho danado!
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Extraído da Revista da Semana, 28/02/1950, p. 58.



[i] Renato Gomes de Matos Peixoto de Alencarusava simplesmente Renato de Alencar e contribuiu para enriquecer a literatura brasileira. Nasceu em Caucaia, 4 de abril de 1895, filho de Francisco Tomás de Souza Peixoto e Maria Gomes de Matos Peixoto. Perdeu o pai aos nove anos, quando ainda não havia terminado o curso primário. Três anos depois ficou órfão de mãe. Passou a viver na companhia de sua tia Ana Gomes de Matos Magalhães, que o criou em Pernambuco, ensinando-lhe as primeiras letras e que, em vida dos pais era considerada a segunda mãe. Autodidata, por não ter condições de cursar colégios na época, mudou-se para Piranhas(AL) e colaborou na imprensa local. Dedicou-se também ao magistério e dirigiu colégios em Pernambuco, Alagoas e Paraíba. Colaborou com numerosos jornais. Concluiu o curso de Direito em 1933.No Rio de Janeiro dedicou-se à imprensa e à literatura. Nunca advogou. Tinha uma visão crítica e isso evidencia-se em sua narrativa. Abaixo, a relação de seus livros: Perfil de Josélia (poema em prosa e verso,1914); Mentiras Poéticas (contos,1917); Traições da Língua Portuguesa,1921; Núpcias de Fogo e Sangue,1933; Em Busca de Deus,195; A Conversão; Quer Ser Escritor? (Curso de Estilística); Minha Jangada de Bambu,1963; A Igreja do Padre Ateu,1965; No Eito,1966; Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico-3 volumes, 1979. Jornalista, professor. Casou com Noêmia de Albuquerque Novaes. Morou em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Foi proprietário, em 1920, de um colégio em Pesqueira PE. Em 1927 representou o Estado de Alagoas na 1 Conferência Nacional de Educação, reunida em Curitiba (PR). Fixou-se no Rio de Janeiro em 1928, dedicando-se a atividades comerciais. Poeta, romancista, filólogo, ensaísta, publicou: Perfil de Josília (1927, Maceió); Mentiras Poéticas (idem); Traições da Língua Portuguesa. (comentários filológicos); Dom Marcelino e Dom Safadão (romances, Recife - PE); Antagonias da Didática da Unilateralidade do Ensino (tese apresentada. na I Conferência Nacional de Educação); Núpcias de Fogo e Sangue (romance sobre a revolução de 1930); Canário e seus Contemporâneos, Minha Jangada de Bambu; Quer ser Escritor? (Rio de Janeiro): A Igreja do Padre Ateu (romance, 1965); Acertos e Extravagâncias da Nomenclatura Gramatical Brasileira; Qual a Correta Grafia dos Meses - Com Inicial Maiúscula ou Minúscula? (separatas da “Revista de Portugal”, de Lisboa). Redator da “Revista da Semana” (Rio de Janeiro). Algumas das entidades culturais a que pertenceu: Associação Brasileira de Jornalista e Escritores de Turismo (ABRAJET), Sociedade Brasileira de Escritores, e Sociedade de Língua Portuguesa, esta sediada em Lisboa (Portugal).

[ii] Serapião Rodrigues de Albuquerque. Foi Senador Estadual e Intendente e dá nome à principal rua daquela cidade. Foi ainda pecuarista, proprietário de loja de tecidos e de máquina de descaroçar algodão em Traipu. Foi comandante superior da Guarda Nacional no 37º Batalhão de Infantaria, Traipu. Era pai de dr. Rosa de Albuquerque, esposa do Dr. Miguel de Novaes Mello, o primeiro prefeito de Pão de Açúcar.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

MANOEL LEITE DE NOVAES MELLO

Por Etevaldo Amorim
O Dr. Manoel Leite de Novaes Mello.Acervo
 da Drª Maria do Carmo de Novaes Schwab.
Alagoano, procedente da região sertaneja do São Francisco, ele foi um dos mais destacados políticos do Estado do Espírito Santo no período que se verificou entre o ocaso da monarquia e os primórdios da República. Numa família, em que todos os homens, desde o pai até os três irmãos, tiveram atuação política em Alagoas, ele a exerceu em benefício do povo capixaba, com base no município de Cachoeiro do Itapemirim
Manoel Leite de Novais Melo nasceu em Pão de Açúcar, a 10 de junho de 1849. Era filho do Major João Machado de Novaes Mello, barão de Piaçabuçu, e de Maria José de Novaes Mello. Eram seus irmãos: João Marinho de Novaes Mello, que foi membro do Conselho Municipal; o Dr. Miguel de Novaes Mello, que foi o primeiro Prefeito de Pão de Açúcar; e Antônio Ferreira de Novaes Mello, que foi Deputado Provincial, os dois últimos formados em Direito. De mulher, apenas uma: Josephina de Novaes Paes Barreto.
Pão de Açúcar-AL em 1888, vendo-se o sobrado de residência
da família Novaes Mello. Foto: Adolpho Lindemann.

No dia 30 de novembro de 1872, colou Grau na Escola de Medicina da Bahia[i], defendendo a tese: “Fratura do Radius e seu tratamento”. No ano seguinte, substituindo o Dr. João Cullen, foi nomeado médico da Colônia do Rio Novo[ii], na Província do Espírito Santo, a partir de 15 de abril, permanecendo até 15 de junho de 1877, período em que enfrentou um poderoso surto de Varíola.



Cachoeiro do Itapemirim em 1877. Foto: Albert Richard Dietz

Deixando a Colônia, transferiu-se para Cachoeiro de Itapemirim, onde exerceu a clínica médica e se estabeleceu em diversos ramos de atividade. Sua ida para aquela importante cidade capixaba teria sido, provavelmente, por intermédio do seu primo, Padre Manoel Leite de Sampaio e Mello, vigário daquela Paróquia. Concomitantemente, clinicavam na vila de Benevente, atual cidade de Anchieta.
Vila de Benevente, atual Anchieta-ES, 1877.  Foto: A. R. Dietz
Em 1º de janeiro de 1878, casou-se com Maria Bárbara de Sousa Monteiro (Maricota), filha do Capitão Francisco de Souza Monteiro e de D. Henriqueta Rios, irmã mais velha de Jerônimo e de Bernardino Monteiro, que seriam governadores do Espírito Santo, e de dom Fernando de Sousa Monteiro, bispo do Espírito Santo de 1902 a 1916. O casal teve os filhos: João (que faleceu com apenas 57 dias de idade), Maria José (que faleceu antes de completar 8 anos, de cólera morbus), Maria Stella (professora, botânica e historiadora), Henrique (engenheiro que fez importante carreira na política e na administração capixaba), Thereza, Theonila, Benfindo (engenheiro agrônomo com atuação relevante na administração federal e na estadua.) e Theonila 2ª, posto que a primeira falecera prematuramente.


O Dr. Manoel Leite de Novaes Mello com a família. Acervo: Drª Maria do Carmo de Novaes Schwab.
Em 20 de maio de 1880, instalou a Farmácia Novaes, na rua 25 de Março, no centro de Cachoeiro do Itapemirim. Em 26 de junho de 1887, traspassou o estabelecimento para o farmacêutico Bernardo Horta de Araújo.[iii]
Anúncio da Famácia Novaes.

Em 1882, empreendeu uma viagem a sua terra natal, talvez a única desde que se formou na Bahia. Saudoso de sua família, retornou para abraçar os seus entes queridos, mormente depois da terrível tragédia que ceifou a vida do seu irmão Antônio Ferreira de Novaes Mello, no desastre da Estrada de Ferro Paulo Afonso, em Piranhas.
Ao menos para se ter uma ideia do quanto sacrifício se fazia numa viagem dessas, vale descrevê-la, valendo-nos dos registros em jornais da época, que tinham por hábito citar o nome dos passageiros dos diversos vapores.
No dia 26 de março[iv], levando consigo um escravo, partiu de Cachoeiro do Itapemirim, a bordo do vapor Maria Pia[v] da Companhia Espírito Santo Campos para, no dia 31[vi], chegar a Vitória. Daí, no dia seguinte, tomou o paquete a vapor Espírito Santo[vii] e seguiu para a Bahia. De lá, já no dia 10 de abril, tomou o São Salvador[viii] demandando o rio São Francisco, provavelmente passando por Penedo e, de lá, subindo pelo rio até Pão de Açúcar. Durante a sua estada, mereceu a seguinte nota do jornal pão-de-açucarense O Trabalho, reproduzida em O CACHOEIRANO, 9 de julho de 1882, p:
“O Sr. Dr. Manoel Leite, durante a sua estada neste lugar, prestou como médico grandes serviços à classe menos abastada, provando mais uma vez as suas elevadas habilitações, e gênio bondoso que sempre teve.
Foi acompanhado em seu embarque por avultado número de amigos, que voltaram saudosos pela separação de tão distinto cavalheiro.
De nossa parte, abraçamos o Dr. Manoel Leite, a quem desejamos feliz trajeto até a sua atual residência. ”
A 12 de junho estava ele em pleno regresso, conforme registra o jornal carioca Gazeta de Notícias, de 13 de junho de 1882, em que se encontra o seu nome no rol dos passageiros do Paquete Bahia. No dia 25, toma o Vapor Maria Pia[ix] e segue para Caravelas até chegar, no dia 27 de junho, a Cachoeiro, ocasião em que foi recebido por grande número de amigos[x].
Naquele mesmo ano, enfrentando um surto de varíola em Cachoeiro do Itapemirim, e antes que o Governo do Estado lhe enviasse a vacina, vacinou gratuitamente 182 pessoas[xi], evitando assim que a doença se propagasse e fizesse maior número de vítimas.


Vitória-ES, em 1877. Foto: Albert Richard Dietz.

Completamente ambientado em Cachoeiro, foi eleito, em 1885, Presidente do Grêmio Bibliotecário Cachoeirense, do qual foi sócio-fundador.
Sua carreira política contempla os cargos eletivos de vereador na Câmara Municipal de Cachoeiro, da qual foi presidente, em 1890; Deputado Provincial para a Legislatura 1876-1877 e Deputado Federal. O jornal O Cachoeirano, referindo-se à eleição do Dr. Novaes Mello para Vereador pelo Partido Liberal, em 26 de dezembro de 1887, escreve:
“Foi eleito, por maioria de votos, o candidato do Partido Liberal, Dr. Manoel Leite de Novaes Mello, do qual, fazendo jus a sua inteligência e atividade, devemos tudo esperar, convictos como estamos de que SS saberá corresponder ao sufrágio do povo, trabalhando em prol deste mesmo povo e esforçando-se para que o município caminhe na senda do progresso. Na nossa imparcialidade, não queremos saber se quem governa é Liberal, Conservador ou Republicano; o que queremos é que os cargos sejam exercidos por pessoas que saibam exercê-los e teremos grande satisfação se mais tarde à vista dos fatos pudermos felicitar os nossos munícipes pela escolha que fizeram do Dr. Novaes Mello”.
Em 1889, mudou sua residência para a Fazenda Cachoeira Grande, a dois quilômetros da cidade, tendo adquirido por 25 contos de réis. Por esta razão, fez publicar no jornal cachoeirense O Constitucional (5 de setembro de 1889), a seguinte nota:
“O Dr. Manoel Leite de Novaes Mello e sua família, tendo mudado a residência para a Fazenda Cachoeira Grande, sem que lhes fosse possível despedirem-se das pessoas que, nesta Vila, os tem distinguido e penhorado com sua amizade e afeição, pedem a todas estas desculpas por aquela falta involuntariamente cometida e esperam que as mesmas relações e recíproca estima continuarão a ser mantidas em sua nova residência, nas proximidades desta Villa. Cachoeiro do Itapemirim, 5 de setembro de 1889. ”
E 28 de maio de 1894, o Dr. Manoel Leite vendeu a fazenda para o Tenente Coronel Francisco Vieira de Almeida Ramos pela importância de 155 contos de réis, além do gado, por 6 milhões e 200 mil réis.[xii]
Em 1896, tornou-se sócio da empresa Novaes, Monteiro, Oliveira & Cia, comissário de café, juntamente com João Marques de Carvalho Braga, Antônio Alves Monteiro e Carlos do Carmo Oliveira.
Quando a Constituição Federal, aprovada em 1891[xiii], aumentou o número mínimo de deputados federais para quatro, o Espírito Santo, que tinha somente dois, realizou eleições para preencher as duas novas vagas em 1892. Foram candidatos do PRC – Partido Republicano Conservador, Novaes Mello e José Horácio Costa, ambos eleitos. Seus mandatos se encerraram em dezembro de 1893.
Nessa ocasião, Novaes Mello já se tornara dissidente, em oposição ao partido e ao governo, participando da criação de uma nova agremiação: o Partido Republicano Federal.
            Em manifestação publicada no Jornal do Comércio, edição de 10 de setembro de 1890, deixa claro o seu posicionamento político no momento em que o Brasil mudava do regime Monarquista para o Republicano:
“Não apedrejei a Monarquia deposta, nem tampouco fiz adesões e orações ao atual estado de coisas. Como brasileiro, desejo que este país tenha estabilidade em suas atuais instituições para seu desenvolvimento e progresso. ”
Faleceu às 18:30 h do dia 12 de setembro de 1898, no então Distrito Federal. Seu sepultamento se deu no dia seguinte, às 16:00 h, no Cemitério de São Francisco Xavier.




[i] Sua Turma era composta de: Paulino Gil da Costa Brandão (baiano de São Felix), João das Chagas Rosa (sergipano de Japaratuba), Cyrillino Pinto de Almeida Castro (pernambucano), Joaquim Onofre Pereira da Silva (mineiro de Montes Claros), Francisco de Paula Alvellos, José Cardoso de Moura Brasil (oftalmologista cearense, autor da fórmula do famoso Colírio Moura Brasil), Bernardo Gomes Coutinho, Francisco Lázaro Tourinho, Rodrigo Aprígio Carvalhal, Antônio Bráulio Ferreira, João Damázio José, Aureliano Macrino Pires Caldas, João Ferreira da Silva, Salustiano José Pedrosa, Manoel Barbosa da Silva, Eduardo José de Araújo, Manoel José de Araújo, Francisco Júlio de Oliveira Pereira, Cândido Alves Machado Freitas, Agostinho Dias Lima, José Pereira dos Santos Portella, Manoel Leite de Novaes Mello, Antônio Amâncio Pereira de Carvalho.
[ii] Fundada em 1866 por imigrantes suíços.
[iii] O Cachoeirano, 3 de julho de 1887, p. 2.
[iv] O Cachoeirano, 2 de abril de 1882.
[v] O Espírito-santense, 2 de abril de 1882, p. 3.
[vi] O Horisonte, 31 de março de 1882, p. 2.
[vii] O Horisonte, 4 de abril de 1882, p.
[viii] Alabana, BA, 11 de abril de 1882, p. 2.
[ix] Gazeta de Notícias, 26 de junho de 1882, p. 3.
[x] O Cachoeirano, 2 de julho de 1882, p. 2.
[xi] Relatório com que o Sr. Dr. Herculano Marcos Inglez de Souza entregou no dia 9 de dezembro de 1882 ao Exmº Sr. Dr. Martim Francisco Ribeiro de Andrada Junior a administração da Província do Espírito Santo.
[xii] O Cachoeirano, 3 de junho de 1894, p. 2.
[xiii] Dicionário Bibliográfico da Primeira República. Alzira Alves de Abreu.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia