sábado, 24 de junho de 2017

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BREVES TRAÇOS BIOGRÁFICOS DO DR. THOMAZ ESPÍNDOLA

Dr. Thomaz do Bomfim Espíndola
Por Etevaldo Amorim

Thomaz do Bomfim Espíndola nasceu em Maceió no dia 18 de setembro de 1832. Seu pai, Florêncio do Bomfim Espíndola, foi membro da Câmara Municipal de Maceió nos idos de 1844, quando do governo de Bernardo de Souza Franco.[i] Sua mãe, Luzia Roza do Bomfim Espíndola, falecida em Maceió a 21 de outubro de 1895. Tinha como irmãos Januário Domingos Espíndola e André de Carvalho Espíndola.
Formou-se pela Faculdade de medicina da Bahia em 17 de dezembro de 1853, contando 21 anos de idade, tendo defendido a tese Dissertação “Acerca da Influência Progressiva da Civilização Sobre o Homem”. Aliás, no seu último ano na Faculdade, juntamente com os colegas do 6º Ano[ii], colaborou na redação d’ O Acadêmico, periódico científico e literário sob a direção de Joaquim Esteves da Silveira, impresso na tipografia de Epiphanio Pedroza, na Rua dos Capitães, nº 49-A. Nele escreveu o artigo “Algumas considerações sobre o tratamento médico dos aneurismas”, em 24 de abril de 1853”
Voltando à Província, estabeleceu-se nesta capital adquirindo pelo trabalho de sua profissão médica e grande clínica a bem merecida fama de médico exímio.
No exercício de sua nobre profissão, prestou os mais relevantes serviços, já no desempeno de diversas e importantíssimas comissões médicas, algumas gratuitamente, nas críticas épocas das epidemias de Cólera Morbus, Febre Amarela e outras, desde 1853 e 1871, já na sua clínica particular. Nunca recusou nem a um enfermo sua assistência a qualquer hora do dia ou da noite, dentro ou fora desta cidade. Para ele não havia cômodos nem mau tempo, desde que seus serviços eram reclamados a cabeceira de qualquer enfermo pobre ou rico, desvalido ou poderoso.
Ocupando o encargo de presidir, na ausência do Conselheiro - Visconde de Sinimbu, o diretório do Partido Liberal em Alagoas, fez por muitos anos parte ativa da imprensa como um dos mais ilustrados redatores  do órgão do partido – O Liberal.
Após ser nomeado Lente de Geografia, Cronologia e História do Lyceu de Maceió, no dia 5 de fevereiro de 1855, Thomaz Espíndola recebeu do presidente da Província, Sá e Albuquerque, a incumbência de fazer o levantamento estatístico e geográfico de Alagoas, trabalho que só foi concluído em 1860.
Eleito para a Assembleia Provincial pelo Partido Liberal, na legislatura 1860-61, pelo 1º círculo; reelege-se em 64-65, já agora pelo 1º distrito, e volta a se reeleger em 1866-67, ainda pelo mesmo distrito. Autor, entre outros, do projeto que criou a Biblioteca Pública Estadual. Foi Deputado Geral nas legislaturas 1878-81 e 81-84, pelo Partido Liberal.
Quando se lançou candidato a essa última Legislatura, dirigiu aos eleitores do 1º Distrito a seguinte mensagem:
“Quando, em 1860, as minhas convicções políticas unidas aos desejos de ser útil ao meu pais, máxime à minha província, à qual consagro meus constantes labores  pelo seu bem estar e grandioso futuro, levaram-me, mui espontaneamente, a partilhas das fadigas e sacrifícios dos lidadores da liberdade, amigos do progresso da Nação Brasileira, tive sempre como dever de honra respeitas as opiniões dos meus adversários, defender quanto em mim coubesse os direitos dos meus correligionários e amigos; sem comprometer a lealdade do político sincero e honesto, que só vence quando persuade, que só quer a conquista do direito, da justiça e do merecimento.
Desvaneço-me, sem o menor vislumbre de vaidade, em asseverar que os atos de minha vida, nos combates das urnas, da imprensa e da tribuna, são testemunhos eloquentes e irrefragáveis de minha dedicação e amor às instituições do meu partido. Firme nas minhas convicções, certo da lealdade e patriotismo dos meus correligionários, convicto da sinceridade e esforços de meus amigos, venho apresentar-me candidato à Representação Nacional nas próximas eleições, sem receio de que as contrariedades d’ocasião me façam sucumbir!
Senhores eleitores, a Lei nº 3029, de 9 de janeiro de 1881, acurado estudo dos políticos sinceros e amigos dos brasileiros, vos elevou a uma identidade moral e independente e vos deu uma existência própria  - livrando-vos de serdes feitura  de quem vos constrangesse e violentasse no exercício de vossos direitos políticos; assim no gozo de tão ampla liberdade não encontrareis embaraço, nem tropeços em vossa escolha, que será expressão genuína de vossa vontade.
Honrado em todos os tempos com o consenso e apoio de muitos de meus comprovincianos, que, como vós, exerciam o direito do voto, declaro-me candidato pelo 1º Distrito desta Província, assegurando-vos desde já minha perdurável gratidão pela distinta honra que me fizerdes.
Maceió, 25 de maio de 1881 – Dr. Thomaz do Bomfim Espíndola”
Como presidente da Câmara Municipal, tomou posse no governo de Alagoas a 30/07/1867, permanecendo até 6 de agosto. Nesse curto espaço de tempo, apenas sete dias, um acontecimento importante aconteceu: foi inaugurada a navegação do Rio São Francisco, unindo Penedo a Piranhas.
Nomeado, em 30/01/1878, 1º Vice-presidente, assume a administração em 8 de fevereiro, permanecendo até 11 de março do mesmo ano. Ocupou, ainda, os cargos de inspetor-geral da Instrução; inspetor de Higiene; professor de Geografia, Cronologia e História do Liceu Alagoano. Patrono da cadeira 11 da AAL. Sócio efetivo do IHGAL - empossado em 18/02/1870. Patrono da cadeira 38 do IHGAL.
Obras[iii]: Geografia Física, Política, Histórica e Administrativa da Província de Alagoas, Maceió: Tip. do Jornal de Maceió: 1860. Dessa obra foi tirada uma segunda edição, corrigida e aumentada, sob o titulo Geografia Alagoana ou Descrição Física, Política e Histórica da Província das Alagoas, O Liberal, Maceió: 1871; Profilaxia do Cólera Morbus Epidêmico, Sintomas, Tratamento Curativo Desta Moléstia, Dieta, Convalescença, Considerações Gerais e Clinicas, Ceará: 1862; Relatório com que o Dr. Thomaz Bomfim Espíndola, Presidente da Câmara Municipal de Maceió: Entregou a Administração da Província de Alagoas ao 1º Vice-Presidente Dr. Francisco Duarte, em 06/08/1867. Descrição das Viagens do Dr. José Bento Cunha Figueiredo Júnior ao Interior da Província de A1agoas, Maceió: 1870; Viagem do Presidente da Província Francisco de Carvalho Soares Brandão a Povoação de Piranhas e Paulo Afonso, Maceió: 1878; Relatório da Instrução Pública e Particular da Província das Alagoas, Maceió: Tip. do Bacharel Felix da Costa Moraes, 1866; Elementos de Geografia e Cosmografia Oferecidas à Mocidade Alagoana pelo Dr. T. do Bonfim Espíndola, Maceió: Tip. da Gazeta de Notícias, 1874.
Era sócio efetivo, e foi por diversas vezes eleito Vice-Presidente do Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, e de muitas outras associações científicas, bilaterais e beneficentes desta, de outras províncias, e estrangeiras, como, por exemplo: do Instituto Médico Pernambucano.
Pelos seus serviços à causa da humanidade e da instrução popular, mereceu  do governo imperial ser agraciado com o hábito de Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa e depois com o oficialato da mesma Ordem.”
Casou-se em primeiras núpcias com a Srª Maria Idalina Coutinho, com quem teve os filhos: Octaviano e Maria Idalina. Octaviano Coutinho Espíndola, médico formado pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1883, que se casou com a Srª Eugênia Bicudo[iv], filha do Barão de Itapeva (Inácio Bicudo de Siqueira Salgado), de abastada família de Pindamonhangaba, Estado de São Paulo, onde faleceu em 12 de junho de 1895. Já a sua filha, Maria Idalina Coutinho Espíndola, casou-se com José de Amorim Salgado (o Barão de Santo André, em 1883, proprietário do Engenho Santo André, Barreiros, Pernambuco).
Maria Idalina Espíndola Salgado,Baronesa de 
Santo André. Fonte: Fundação Joaquim Nabuco.

Viúvo de Maria Idalina, o Dr. Espíndola contraiu segundas núpcias, em 26 de janeiro de 1884, com Emília de Andrade, filha única do Comendador Eugênio José das Neves Andrade (natural de Coimbra, Portugal e naturalizado brasileiro, falecido a 27 de julho de 1896) e de Henriqueta Pinto de Andrade (casados a 14 de fevereiro de 1844, ela filha de Antônio Luiz Pinto e Maria Rosa do Rego).
Nascida a 2 de dezembro de 1844, Emília também era viúva, já que houvera se casado, em 6 de agosto de 1870, com o comerciante José Joaquim de Oliveira, que faleceu em Paris, a 10 de abril de 1882, onde foram buscar alívio para a moléstia que o acometia. Com o falecimento do Dr. Espíndola, voltou a se casar, desta feita com o negociante Joventino da Silva Cravo, em 25 de abril de 1896, de quem se divorciou, depois de rumoroso processo judicial em que o esposo era acusado de mal administrar a sua fortuna. Ela era co-proprietária dos Trapiches: Segundo e Faustino, em Jaraguá.
Do consórcio com D. Emília, o Dr. Espíndola teve três filhas: Alice, que veio a se casar com o negociante Simeão de Oliveira e Silva; Elisa, que se casou com Eugênio Teles da Silveira Fontes; e Eponina, que faleceu a 3 de maio de 1889, com apenas dois anos e meio de idade, pouco antes de se completar dois meses do falecimento do pai.
Faleceu às 10 horas da noite do dia 6 de março de 1889, no palacete nº 1 da rua 1º de Março, em Maceió, vitima de “congestão do bulbo medular”, segundo atestou o Dr. Manoel José Duarte. Há, entretanto, um dado contraditório: segundo consta no registro de óbito emitido pelo tabelião Agnello Castilho de Aguiar, teria ele falecido aos  64 anos de idade. Para ser isso verdadeiro, ele teria que ter nascido em 1825 e não em 1832, como informam diversas fontes.
Após o falecimento do pai, Elisa se tornara noiva de Francisco José de Oliveira e Silva, tendo sido já anunciados os proclamas. Porém, esta desistiu do casamento. O noivo então, profundamente contrariado e possesso, adentrou a sua residência e a feriu com 12 punhaladas, tendo ela, felizmente, ficado com vida.[v] Isso aconteceu no dia 28 de janeiro de 1901.
A mesma Elisa viria a ser, anos depois, a 25 de outubro de 1919, vítima de outro membro da família. Um seu sobrinho, estudante de engenharia Aguinaldo de Oliveira e Silva, que lhe desfechou vários tiros de revólver, vindo ela a ficar em estado grave.[vi] Dias depois, por conta dessa notícia veiculada no Correio da Tarde, de Maceió, o mesmo jovem agrediu o seu diretor, o jornalista Costa Bivar.[vii]
Thomaz Espíndola empresta seu nome a uma das principais avenidas da Capital alagoana, no bairro do Farol, importante ponto de intersecção da parte baixa com as regiões altas da cidade.




[i] Diário Novo, 22 de outubro de 1844.
[ii] Com a colaboração dos acadêmicos Américo Marques Santa Rosa, Benjamim Constâncio Franco de Sá, César Augusto Marques, Hermógenes de Miranda Souto, José Augusto de Souza Pitanga, Pedro Autran da Matta e A. Junior, Sinfrônio César Coitinho, Thomaz do Bomfim Espíndola; e dos Srs. Dr. Antônio Gonçalves Dias, Dr. Ascânio Ferraz da Motta, Dr. Demétrio Cyriaco Tourinho, Dr. Domingos Rodrigues Seixas, Eng.º Firmo José de Mello, Dr. Joaquim Alves de Araújo Amazonas e Dr Sallustiano José Pedroza.
[iii] BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de. ABC DAS ALAGOAS.
[iv] Correio Paulistano, 12 de setembro de 1890, p. 2.
[v] O Lynce, Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 1901.
[vi] Diário de Pernambuco, 1º de novembro de 1919.
[vii] A Províndia, Recife-PE, 20 de janeiro de 1920.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O NAUFRÁGIO DA MOXOTÓ - FAZ CEM ANOS HOJE

Faz cem anos hoje do naufrágio da lancha Moxotó, no Morro do Belmonte, entre os povoados Bonsucesso (município de Poço Redondo, SE) e Ilha do Ferro (município de Pão de Açúcar, AL).
Segundo Everaldo Fernandes, a comunidade do povoado Bonsucesso, a ONG Carranca e a Paróquia de Poço Redondo estarão celebrando uma missa no local para lembrar o fato centenário.

Acesse o link abaixo e conheça um pouco mais dessa tragédia:

http://blogdoetevaldo.blogspot.com.br/2009/05/o-destino-da-moxoto-etevaldo-amorim.html

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia