sábado, 30 de setembro de 2017

JOÃO LISBOA

Por Etevaldo Amorim
O fotógrafo, escultor e artista plástico
João Damasceno Lisboa


João Damasceno Lisboa, também conhecido por “Joãozinho de siá Marica” e “Joãozinho Retratista”, nasceu em Pão de Açúcar, Estado de Alagoas, no dia 6 de maio de 1900. Era filho de José Martins Lisboa e Antônia Alves, conforme consta do seu Registro de Casamento feito no Cartório de Pão de Açúcar. Já na Certidão de nascimento do seu filho Heraldo, consta ser a avó paterna Antônia Edina Lisboa. Seu pai, tendo ficado viúvo, casa-se, a 25 de junho de 1904, com Cândida da Conceição Simas, filha de Firmino Pereira Simas e Idalina da Conceição Simas.  Eram seus avós paternos: Aristides Martins Lisboa e Maria da Conceição Santos Silva. Órfão de mãe em tenra idade, foi criado por Maria Eunice da Conceição, conhecida por “siá” Marica.
A 25 de março de 1919, então com 19 anos, casa-se com Nominanda de Campos, filha de Luiz Paulo e Francelina Augusta de Campos, à época com 25 anos. O ato foi realizado na presença do Juiz do Segundo Distrito do Limoeiro, Manoel Vieira Dantas, que substituia o Juiz do Primeiro Distrito, Sr. Guilhermino Pastor da Veiga, tendo por testemunhas os Srs. Álvaro Machado e Octávio Brandão de Oliveira. O casal teve os filhos Heraldo Campos e Evandro.
Siá Marica, mãe adotiva de João Lisboa
Recebeu do artista pão-de-açucarense Segismundo Maciel as primeiras lições da arte de tirar retratos. Desde os tempos em que a fotografia era feita por processos rudimentares, João Lisboa tornou-se o melhor fotógrafo da região..
A pintura também despertou o seu interesse. Na igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, pintou toda a marquise, por ocasião dos festejos comemorativos do Centenário da Paróquia, em 1953.
“Seu Joãozinho” partiu então para voos mais altos. Em Pão de Açúcar, esculpiu os bustos de Bráulio Cavalcante, do Professor Antônio de Freitas Machado e do Presidente Médici, além das miniaturas dos Guerreiros de Bruno Giorgi e da Praça dos Três Poderes, além da estátua do Cristo Redentor do Morro do Cavalete, a sua obra mais relevante. Sua inauguração, que contou com cerca de 6.000 pessoas, se deu no dia 29 de janeiro de 1950. O monumento mede 12,80 m de altura, sendo que a figura tem 10 metros.
Pão de Açúcar em 1946. Foto: João Lisboa.
O Cristo Redentor do Morro do Cavalete, em Pão de Açúcar-AL
Foto: Duan Cícero,
Em Palmeira dos Indios, na Igreja Matriz, outra obra de João Lisboa: as imagens dos 12 Apóstolos. Em Santana do Ipanema, o busto de Adeildo Nepomuceno e o Jumento carregando água em ancoretas, como nos tempos em que a cidade não ara dotada de sistema de abastecimento de água.
João Lisboa esculpindo o busto de
Bráulio Cavalcante, em 1947.




Esculpiu ainda muitas estátuas do Padre Cícero Romão Batista, espalhadas por diversas cidades de Alagoas, bem como a do povoado Meirús, erigida em frente à igreja de Nossa Senhora da Luz, em 2 de outubro de 1971.
            Em 1933, segundo Aldemar de Mendonça em seu “Pão de Açúcar: história e efemérides”, João Lisboa inaugura o Cinema São José, em sociedade com Antônio da Silva Pereira. Entretanto, seu nome aparece como proprietário de um cinema no Almanak Laemmert de 1929.
          Faleceu em Pão de Açúcar a 1:30 h do dia 8 de dezembro de 1990.

3 comentários:

  1. Pesquisar o seu blog esta me ajudando a reunir informações sobre meus antepassados. Por exemplo: ao ler sobre João Lisboa, descobri que possivelmente temos um parente em comum que é Aristides Martins lisboa, meu bisavô. Será que podemos nos aprofundar nesse assunto? Moro no sul do Brasil na cidade de Curitiba e estou pesquisando sobre minha descendência que acredito ter vindo de Portugal. Posso contar com sua colaboração?
    Meu e-mail: wandinhagrille@gmail.com

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  2. Etevaldo, ele também foi músico, tocava tuba em 1927. Tá registrado numa fotografia da banda de outubro de 1927, e tenho partituras escritas por ele.

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    1. Meu caro Billy,
      satisfação enorme tê-lo como leitor deste humilde Blog. Se eu pudesse dispor dessa foto, acrescentaria ao artigo.
      Um forte abraço!
      Etevaldo etamorim@hotmail.com

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia