segunda-feira, 30 de março de 2015

LIMOEIRO — UMA PEQUENA HISTÓRIA

Por Etevaldo Amorim

            A origem de Limoeiro, povoação situada à margem esquerda do Rio São Francisco, no município de Pão de Açúcar, Alagoas, pode estar associada a sua capela, marca da formação católica dos seus fundadores, no último quartel do Século XVIII.
Feita sob invocação de Jesus, Maria e José, seus festejados padroeiros, a casa de orações teve iniciada a sua construção em 1782, vindo a ser concluída em 1787, cinco anos antes do enforcamento (no Rio de Janeiro) de Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, o “Mártir da Independência”. Conforme Vieira de Carvalho, teria sido construída por João Carlos de Mello, que lhe constituiu um patrimônio de seis vacas e uma légua de terras.
Segundo o IBGE, em divisão administrativa referente ao ano de 1911, Limoeiro já constituía um dos distritos do município, destacando-se do da Sede. E pela Lei Provincial nº 973, de 8 de junho de 1886, foi constituído em Distrito Judiciário, sendo instalado em 1º de janeiro de 1887.
Um evento significativo na sua história foi a visita do Imperador D. Pedro II que, quando da sua viagem à Cachoeira de Paulo Afonso. No dia 23 de outubro de 1859 ele anotou no seu diário:

Às 11 ½, defronte do Limoeiro, tendo andado de Pão de Açúcar 3 léguas em rio. Toda a digressão gasta 10 minutos. Tem 50 casas, uma capela menos má e um oratório; é juizado de paz e não há ai nenhuma autoridade policial, mas um fiscal; pertence à freguesia de Pão de Açúcar.”

Dez anos depois outra autoridade, desta feita o Presidente da Província José Bento da Cunha Figueiredo Junior, também em viagem à Cachoeira, por lá passou com enorme comitiva. Um integrante, o Sr. Abílio Coutinho, nos deixou a mais antiga imagem da nossa Vila, em tomada feita no dia 6 de janeiro de 1869.
Era comumente identificado por “Limoeiro de Pão de Açúcar”, por certo para diferenciá-lo de outro Limoeiro, o de Anadia. Mas, para dissipar qualquer possibilidade de confusão, revolveram mudar o nome. Tanto que, pelo Decreto Estadual nº 2.526, de 10 de julho de 1939, passa a ter a nova denominação de Alecrim, segundo Aldemar de Mendonça. Já segundo o IBGE, pelo Decreto Estadual nº 2.435, de 30 de novembro de 1938. Só em 1994, pela Lei Municipal Nº 083, de 18 de abril, por iniciativa do Vereador Antônio Goes (natural de Limoeiro), o Distrito de Alecrim voltou a denominar-se Limoeiro.

            Em meados da década de 1950, já existia uma Agência Postal, funcionando inicialmente num prédio de portas arqueadas, esquina das ruas Bráulio Cavalcante e Mário Vieira, onde outrora funcionara uma loja de tecidos do Sr. Alberto Soares Vieira.
O seu primeiro Agente foi José Carlos de França[1]. Depois veio Virgílio da Silva Filho[2], conhecido por Virgilinho, posteriormente removido para a APT de Delmiro Gouveia. Sucedeu-lhe o funcionário Heraldo de Campos Lisboa[3].  Em seguida, assumiu a Agência o Sr. Lindauro Costa que, com a colaboração do seu filho Luis Costa, a fez funcionar com zelo e dedicação. A mala postal era transportada nas embarcações do rio São Francisco, pelo vapor Comendador Peixoto ou pela lancha Tupan.
Já na década de 1970, com a instituição do Código de Endereçamento Postal – CEP, a Agência recebe o código 57405-000. Instalara-se agora num casarão fronteiro à antiga sede, de propriedade do Município e onde antes funcionava a Casa de Força. Deixando de ser uma Agência regular da ECT, passou para a administração municipal, na Gestão do Prefeito Antônio Gomes Pascoal, o “Dr. Pascoal”, e por iniciativa e esforços do Vereador local Elias Silva Oliveira, o “Elias da Lavanderia”. A responsável pela Unidade Postal era a servidora Marli dos Anjos.

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Bibliografia


AMORIM, E. A. (2004). TERRA DO SOL, ESPELHO DA LUA. Maceió: ECOS GRÁFICA.
VIEIRA DE CARVALHO, J. R. (1859). VIAGEM À CACHOEIRA DE PAULO AFONSO. REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO, Tomo XXII .


Figura 1 Limoeiro em 1869. A pequena capela ainda sem torres. Foto: Abílio Coutinho.

Figura 2 Limoeiro em 1968. Entre as velas da canoa de tolda aparecem os dois prédios que serviram de sede à Agência dos Correios. Em primeiro plano, fundos do casarão que foi utilizado a partir de 1970 e, mais acima, o primitivo prédio de portas arqueadas. Foto: Jim Squires.


Figura 3 Limoeiro, 1981. A primeira Sede da AP de Alecrim (prédio da esquina, à esquerda) e a segunda, no casarão ao fundo, próximo ao rio. Fonte: filme Super 8 – Alecrim, povo marginalizado, de Érico Melo Abreu.


Figura 4 Limoeiro, 1970. Inauguração da nova sede dos Correios. Hasteando a bandeira o Prefeito Antônio Gomes Pascoal. A sua direita, a nova funcionária Marli dos Anjos e o Vereador Elias Silva Oliveira. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 5 Fala o Prefeito Antônio Gomes Pascoal, tendo à sua direita a funcionária Marli dos Anjos. O Vereador Elias Silva Oliveira segura o microfone. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 6 Outro flagrante da solenidade de inauguração. Foto: acervo da Prefeitura Municipal.

Figura 7 Virgílio da Silva Filho – “Virgilinho”. Foto capturada do blog Amigos de Delmiro Gouveia.

Heraldo de Campos Lisboa e sua esposa Romélia Soares da Costa Lisboa
com o filho Sidraque Costa Lisboa_1944. Foto: acervo de Heraldo Lisboa Neto.

Figura 8 O Sr. Lindauro Costa.




























[1] Diário Oficial, 21 de fevereiro de 1957, p. 4033.
[2] Diário Oficial, 1º de outubro de 1956, p. .
[3] Diário Oficial, 19 de fevereiro de 1957, p. 3872. Em 1959 já havia falecido, deixando a viúva a professora Romélia Soares da Costa Lisboa e filhos – Diário Oficial, 25 de março de 1959, p. 6496. Segundo o limoeirense José Damasceno (Zé de Alfredo), sua morte se deu por afogamento. Numa de suas viagens de Pão de Açúcar a Limoeiro, a canoa virou nas proximidades da Fazenda Belém.

2 comentários:

  1. Parabéns pela excelente matéria professor.

    Sou neto de Heraldo de Campos Lisboa, que foi agente dos correios e falecido em acidente no rio São Francisco.
    Gostaria de saber como conseguir a cópia do diário Oficial de 25 de março de 1959p.6496 ?

    Grato,
    Heraldo de Campos Lisboa Neto.

    heraldolisboa@gmail.com

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  2. Foi com muita alegria que tomei conhecimento do Blog do Etevaldo. Fiquei emocionado ao encontrar em: LIMOEIRO - UMA PEQUENA HISTÓRIA, registro e foto do meu Pai, Virgilio da Silva Filho, Virgilinho.
    Daí me veio as lembranças de algumas histórias que ele contava quando ali morou: a) Foi juiz de futebol; b) Da botija que encontraram na casa onde residia e o zumbido constante de um besouro que teimava em apagar a luz do candeeiro; c) As farras regadas com tira-gosto de peixe; entre outras...
    Obrigado por resgatar esses momentos de pura felicidade.
    Forte abraço,
    GENILSON OLIVEIRA SILVA. - Golisil@gmail.com
    P.S. Tenho um irmão que nasceu em Limoeiro.

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia