sábado, 30 de julho de 2016

CENTENÁRIO DE MEU PAI

Por Etevaldo Amorim

Agnelo Tavares Amorim. Foto Ideal. Santos-SP
Nascido a 31 de julho de 1916, na Vila Limoeiro, município de Pão de Açúcar, filho de João Tavares Amorim e Izabel da Rocha Amorim.
Criou-se ali, na pequenina Vila localizada à margem esquerda do rio São Francisco. Desde cedo, ajudava seu pai no trato da lavoura, especialmente o arroz, nas terras de vazante, nas lagoas e nas ilhas, onde também situaram frutíferas, como mangueiras, goiabeiras e coqueiros.
No início da década de 1940, foi para São Paulo em busca de oportunidades, retornando quatro anos depois para, em 1947, casar-se com d. Cecília e, de novo, partir para o Sul.
Morou em Santos e em Campinas, trabalhando na agricultura e também na indústria. Finalmente, retornou a Limoeiro em 1964. Faleceu em Pão de Açúcar, onde residia, em 20 de julho de 2002.
Homem simples, de pouca cultura e recursos, mas honesto e trabalhador. Amigo sincero, bom esposo e bom pai.
Eu que tenho falado, neste Blog, de tantas personalidades, não poderia deixar de tratar deste homem, que deu tanto de si em meu benefício. Por isso deixo aqui registrada a minha saudade e o meu orgulho de ser seu filho.

Um comentário:

  1. Muito legal saber um pouco da vida do tio Ângelo. Alda Stenico Bonilha.

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia