Por Etevaldo Amorim

A nova escola Senador Rui Palmeira
A Unidade Municipal de Ensino
Senador Rui Palmeira funcionou, no ano de 2025, com 310 alunos, em turnos
matutino e vespertino, e uma escola de Educação Infantil ao 5º Ano.
A antiga escola, construída
à época da gestão do prefeito Eraldo Lacet Cruz, foi demolida, dando lugar a um
novo prédio, que apresenta as melhores condições de ensino e aprendizagem.
Localizada na Av. Ferreira
de Novaes, 733, a nova Unidade está edificada sobre um terreno de 1.343,65 m², sendo
1.214,08m² de área construída e 1.228,95m² coberta.
Conta com oito salas de aula,
com dimensões que variam entre 32,79² e 40,88 m²; além de Biblioteca, Sala de
Psicologia, Sala de Informática, Sala de Artes e Música, Sala Multifuncional, Sala
dos Professores; espaço para Administração, Coordenação, Diretoria,
Almoxarifado, Despensa, Sala de Utensílios, Copa e Cozinha.
A solenidade de inauguração,
realizada no dia 26 de novembro de 2025, contou com a presença do neto do
patrono, Rui Palmeira, atual vereador em Maceió[i]. (ex-Deputado
Estadual, ex-Deputado Federal e ex-prefeito de Maceió).
Segundo informações da
diretora Ana Telma da Silva Pereira Leite, funcionará, em 2026, exclusivamente com
o Ensino Fundamental de 1º ao 5º Ano, já com uma estimativa de 500 a 600
alunos, nos turnos matutino e vespertino e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
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| A U. M. E. Rui Palmeira em 2022. |
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| Após a demolição, em 2024, espaço livre para a nova escola. |
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| O Senador Rui Palmeira. |
O PATRONO.
Dá nome à escola o Senador Rui
Soares Palmeira. Advogado, jornalista e agropecuarista, nasceu no dia 2 de
março de 1910, no engenho Prata, localizado no município de São Miguel dos
Campos, estado de Alagoas (atualmente em terras do Município de Jequiá da
Praia).
Filho de Miguel Soares
Palmeira e dona Maria Tereza Ferreira Ferro, eram seus avós paternos: Miguel
Soares Palmeira e Julieta Júlia Ferreira Ferro; e, maternos: Guilherme Duarte
Ferreira Ferro e Thereza Teixeira Leite. Com o falecimento de seu pai em 1º de
agosto de 1921, passou à tutela de seu tio Manoel Soares Palmeira.
Estudou o primário na sua
terra natal, no colégio paroquial, dirigido pelo Padre Vasconcelos. Concluiu o
secundário no Ginásio de Maceió.
Por essa época, segundo João
Azevedo no seu livro RUI PALMEIRA – UM HISTÓRICO LIBERAL, reproduzindo depoimento
de Paulo de Castro Silveira, o jovem Rui “morava numa casinha na Pajuçara,
em República compartilhada com o futuro deputado estadual comunista André Papini[ii]
e outros companheiros e vivia, muitas vezes, sem dinheiro, mal havendo comida
para os de casa.”
O acadêmico Silveira
relembra que Papini, “bom nadador, ia até as alvarengas[iii]
abarrotadas de cocos. Trazia dois ou três frutos e, com uma roda de maxixes,
fazíamos uma maxixada que resolvia o problema alimentar de um dia”. (...) “O
bonde de 100 réis nos levava para Maceió.”
Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na
Faculdade de Direito do Pernambuco, em 7 de dezembro de 1933, em uma Turma que
se convencionou chamar de BACHARÉIS DA CONSTITUINTE, em alusão à Assembleia
Nacional que fora eleita naquele ano para, em 1934, promulgar a nova Carta
Magna da República.
Na tarde daquele dia, no
majestoso edifício da Faculdade de Direito do Recife, realizou-se a solenidade
de colação de grau, presidida pelo Diretor Interino Prof. Gervásio Fioravanti.
Foi paraninfo o Professor Aníbal Freire e, como orador da Turma, o bacharelando
Octacílio Alecrim. À noite, nos salões do Club Nacional, teve lugar um grande
baile, oferecido pelos novos bacharéis à sociedade pernambucana.[iv]
A propósito, no jornal
Diário de Pernambuco, de 22 de novembro de 1933, alguém que se assina por “Ariel
Junior”, fez publicar um artigo chamado BACHARÉIS DA CONSTITUINTE[v] –
Rui Soares Palmeira. Ei-lo:
“É natural de Alagoas. Apareceu
um dia no colégio do padre Cícero[vi]
um estranho personagem. Tinha o aspecto de um fantasma. Era o Rui. Os meninos
não o podiam ver porque se assustavam. Porém, dentro em pouco tempo, mostrou
que não se deve julgar as pessoas pelo que apresentam exteriormente. Tornou-se
para todos um bom amigo.
Não pensem que ele possui,
ainda hoje, aquele seu aspecto fantasmagórico. Mudou muito. Até já foi
convidado pelo Rogato[vii]
para ser galã em seus filmes.
Levado pela leitura de “Proezas
de Rufles”[viii],
que lhe emprestava o Luiz Lopes, fundou uma sociedade secreta, tendo reservado
para si o lugar de tesoureiro. Deu o que falar no colégio. Os padres
desconfiavam. Fizeram de Rui o censor. Foi tiro e queda...
Rui parecia um santo.
Confessava-se quase todos os dias, pois somente assim conseguia sair aos
domingos.
No último quartel do curso
de humanidades, aparece o Rui como jornalista a batalhar pela Aliança Liberal. Participou
de comícios em diversas cidades, e principalmente em São Miguel dos Campos, sua
terra natal, onde se lhe revelaram os dons da oratória.
Quando foi vitoriosa a revolução,
Rui Palmeira já era calouro de nossa Faculdade. Convidado para Secretário da
Prefeitura de Maceió, aceitou. Assim, abandonou o nosso colega os corredores do
nosso templo jurídico, só aparecendo aqui em março de cada ano. Porém, este ano
voltou o Rui a conviver conosco. A política o abandonou. Não teve sorte.
Para os colegas, o Rui
diariamente aniversaria. E isto se dá somente para vê-lo dar aquele seu abraço,
que como o de canguru ninguém quer, que o Rui Maranhão denominou – abraço de
choque.
O Rui Palmeira tem uma
vontade louca de casar-se e morar num palacete. Mas até hoje não apareceu a
noiva. E é até muito do metido! São coisas da vida.
Fica moralmente abatido
quando, por ocasião de uma apresentação, dizem: apresento aqui o irmão do Padre
Luiz[ix].
Não pensem que ele seja inimigo do irmão; mas é porque, deste modo, a sua
personalidade fica ofuscada pela do irmão.
Rui Soares Palmeira pretende
iniciar sua carreira no Sul do país. Jovem inteligente, possuidor de uma grande
cultura, jornalista brilhante e agora bacharel, nada mais lhe resta, pois, para
vencer.”
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Casou-se no dia 2 de março
de 1937, com Maria Gaby Malta Brandão Gracindo, natural da cidade de Atalaia, filha
de Ignácio Brandão Gracindo e Cinira do Couto Malta. Cinira é filha do ex-governador
Joaquim Paulo Vieira Malta e de Zelina Rodrigues do Couto. Desse laço
matrimonial nasceram os seguintes filhos: Guilherme, Moacir, Miguel, Godofredo,
Wladimir e Nadja.
Em sua vida ocupou diversos
cargos oficiais, tais como: Oficial de Gabinete do Prefeito de Maceió, de 1930
a 1932; Secretário da Prefeitura de Maceió, de 1932 a 1933 e 1940; Delegado de
Polícia em Maceió; Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil;
Deputado Federal eleito em 1945 pela União Democrática Nacional – UDN, sendo
reeleito em 1950. Em 1954, foi eleito Senador, sendo reconduzido em 1962.
Como jornalista, fundou e
dirigiu O Estado e o Diário do Povo, em Maceió,
além de colaborar no Jornal de Alagoas, na Gazeta de Alagoas e
no Diário da Manhã, este de Recife.
À época em que foi
Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados, era também Presidente da
Cooperativa dos Banguezeiros e Fornecedores de Cana do Estado de Alagoas.[x]
Fundou o Diretório Estadual
da União Democrática Nacional (UDN), após o fim do pluripartidarismo, filiou à
Aliança Renovadora Nacional (ARENA), representou o Brasil, no Japão, Londres,
Bruxelas, Santiago do Chile, Angola, Roma, Lausanne, Belgrado, Iugoslávia,
Washington, Buenos Aires, Palma de Mallorca, Espanha e Lima no Peru.
Em 1946, era Deputado
Federal, compondo a bancada alagoana com Silvestre Péricles de Gois Monteiro,
Medeiros Neto, Lauro Bezerra Montenegro, Freitas Cavalcanti, Esperidião Lopes
de Farias Junior e Francisco Afonso de Carvalho.
Em 1947, concorreu ao cargo
de Governador do Estado pela coligação UDN-PCB (22.504 votos), sendo superado
por Silvestre Péricles de Gois Monteiro, PSD-PTB (32.394 votos).[xi]
Contando 58 anos de idade, em
pleno exercício do seu mandato de Senador, faleceu às 14:00 h do dia 16 de dezembro
de 1968, em sua residência sita à rua Almirante Guillobel, nº 26, ap. 402, bairro
da Lagoa, Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado das 20:30 h do dia 16 até as
5:00 h do dia seguinte no palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal. Em sua
vaga, assumiu o suplente Mário Gomes de Barros.
Seus restos mortais foram transportados para Alagoas no dia 17, num avião AVRO, das Forças Armadas, e foram sepultados nas terras do Campo Santo da Fazenda Prata, próximo à casa onde nasceu, no atual município de Jequiá da Praia – AL, então pertencente a São Miguel dos Campos. Foi substituído pelo suplente Mário Gomes de Barros.
Em sua homenagem, há mais três escolas com seu nome: em Miguel dos Campos, Arapiraca
e Maceió, além do município situado no sertão alagoano. Em 13 de maio de 1982,
o antigo distrito de Riacho Grande, transformou-se em Município de SENADOR RUI PALMEIRA.
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| O senador Rui Palmeira em 1968. |
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(Para a composição desta
suscinta biografia, recorremos a diversas fontes, abaixo relacionadas, tendo
por base: Ernande Bezerra de Moura e ABC das Alagoas – BARROS, Francisco
Reynaldo Amorim de)
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NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema
“HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas
relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com
farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta
razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
[i]
Rui Soares Palmeira. Nasceu em 13 de setembro de 1976, filho de Guilherme
Gracindo Soares Palmeira e Suzana Bandeira Soares Palmeira. advogado, empresário e político, formado em
Direito pela UniCEUB, com Pós-Graduação em direito tributário e finanças
públicas e direito eleitoral. Foi prefeito de Maceió por dois mandatos,
deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado da Infraestrutura.
[ii]
André Papini Goes, nasceu em 18 de outubro de 1908, em Brejo Grande-SE, embora
fosse considerado penedense. Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de julho de 1966. É
meio-irmão do radialista Antônio Manoel Goes, bancário aposentado do Banco do
Brasil, que militou por muitos anos em meio às lutas sindicais em Alagoas, hoje
residente no Rio de Janeiro.
[iii]
Alvarenga é um tipo de embarcação de forte construção, de madeira ou ferro,
outrora propulsada a remo, us. no serviço de carga e descarga de navios
fundeados.
[iv]
Diário de Pernambuco, Recife, 9 de dezembro de 1933.
[v]
BACHAREIS DA CONSTITUINTE. O jornal Diário de Pernambuco publicou, às vésperas
da solenidade de Colação de Grau, uma série de artigos com esse título,
assinados por nomes como “Ariel Junior”, falando de Rui Soares Palmeira; “Prometeus”,
José Manuel Pessoa de Melo; “Ayro”, Antônio Taveira de Farias; “Juca”, Napoleão
Abdon da Nóbrega e Lauro de Miranda Lemos; “Inajá”, Luiz de Albuquerque Lopes; “Regis”,
Gil Soares de Araújo; “Benjamim”, Aluísio da Silva Castro; provavelmente escritos
pelos próprios colegas.
[vi]
Monsenhor Cícero Teixeira de Vasconcelos, educador e Senador da República.
[vii]
Guilherme Rogato, fotógrafo e cineasta italiano radicado em Alagoas. Filho
de Antônio Guiseppe Rogato (Antônio José Rogato) e Filomena
Ponte Rogato, Salvatore Guglielmo (Guilherme) Rogato nasceu em 7
de dezembro de 1898 na Itália, mais precisamente na cidade de San
Marco Argentano, região de Consenza, e chegou ao Brasil ainda criança, no
dia 16 de setembro de 1910
[viii] "Proezas de Rafles" é
o título de uma série de revistas de aventura e ficção policial, publicadas no
Brasil no início do século XX pela Empresa de Publicações Modernas, com o subtítulo "Gatuno Amador". A série, que narrava as
histórias do personagem Lord Lister (apelidado de Raffles), se tornou muito
popular e foi traduzida e publicada em diversos países. As publicações eram
geralmente em formato de novela, com textos corridos e algumas gravuras, e se
tornaram objetos de colecionismo.
[ix]
Luiz Soares Palmeira, conhecido por “Padre Palmeira”, nasceu a 25 junho 1906 no
Rio de Janeiro e faleceu 29 de dezembro de 1988 em Salvador-BA.
[x]Jornal
Pequeno, Recife-PE, 4 de março de 1943.
[xi]
A Manhã-RJ, 11 de fevereiro de 1947.




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