quarta-feira, janeiro 14

ESCOLAS E SEUS PATRONOS – U.M.E. SENADOR RUI PALMEIRA

 

Por Etevaldo Amorim

 

A nova escola Senador Rui Palmeira

A Unidade Municipal de Ensino Senador Rui Palmeira funcionou, no ano de 2025, com 310 alunos, em turnos matutino e vespertino, e uma escola de Educação Infantil ao 5º Ano.


A antiga escola, construída à época da gestão do prefeito Eraldo Lacet Cruz, foi demolida, dando lugar a um novo prédio, que apresenta as melhores condições de ensino e aprendizagem.


Localizada na Av. Ferreira de Novaes, 733, a nova Unidade está edificada sobre um terreno de 1.343,65 m², sendo 1.214,08m² de área construída e 1.228,95m² coberta.


Conta com oito salas de aula, com dimensões que variam entre 32,79² e 40,88 m²; além de Biblioteca, Sala de Psicologia, Sala de Informática, Sala de Artes e Música, Sala Multifuncional, Sala dos Professores; espaço para Administração, Coordenação, Diretoria, Almoxarifado, Despensa, Sala de Utensílios, Copa e Cozinha.


A solenidade de inauguração, realizada no dia 26 de novembro de 2025, contou com a presença do neto do patrono, Rui Palmeira, atual vereador em Maceió[i]. (ex-Deputado Estadual, ex-Deputado Federal e ex-prefeito de Maceió).


Segundo informações da diretora Ana Telma da Silva Pereira Leite, funcionará, em 2026, exclusivamente com o Ensino Fundamental de 1º ao 5º Ano, já com uma estimativa de 500 a 600 alunos, nos turnos matutino e vespertino e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A U. M. E. Rui Palmeira em 2022.



Após a demolição, em 2024, espaço livre para a nova escola.

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O Senador Rui Palmeira.


O PATRONO.


Dá nome à escola o Senador Rui Soares Palmeira. Advogado, jornalista e agropecuarista, nasceu no dia 2 de março de 1910, no engenho Prata, localizado no município de São Miguel dos Campos, estado de Alagoas (atualmente em terras do Município de Jequiá da Praia).


Filho de Miguel Soares Palmeira e dona Maria Tereza Ferreira Ferro, eram seus avós paternos: Miguel Soares Palmeira e Julieta Júlia Ferreira Ferro; e, maternos: Guilherme Duarte Ferreira Ferro e Thereza Teixeira Leite. Com o falecimento de seu pai em 1º de agosto de 1921, passou à tutela de seu tio Manoel Soares Palmeira.


Estudou o primário na sua terra natal, no colégio paroquial, dirigido pelo Padre Vasconcelos. Concluiu o secundário no Ginásio de Maceió.


Por essa época, segundo João Azevedo no seu livro RUI PALMEIRA – UM HISTÓRICO LIBERAL, reproduzindo depoimento de Paulo de Castro Silveira, o jovem Rui “morava numa casinha na Pajuçara, em República compartilhada com o futuro deputado estadual comunista André Papini[ii] e outros companheiros e vivia, muitas vezes, sem dinheiro, mal havendo comida para os de casa.”


O acadêmico Silveira relembra que Papini, “bom nadador, ia até as alvarengas[iii] abarrotadas de cocos. Trazia dois ou três frutos e, com uma roda de maxixes, fazíamos uma maxixada que resolvia o problema alimentar de um dia”. (...) “O bonde de 100 réis nos levava para Maceió.” 


 Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Pernambuco, em 7 de dezembro de 1933, em uma Turma que se convencionou chamar de BACHARÉIS DA CONSTITUINTE, em alusão à Assembleia Nacional que fora eleita naquele ano para, em 1934, promulgar a nova Carta Magna da República.


Na tarde daquele dia, no majestoso edifício da Faculdade de Direito do Recife, realizou-se a solenidade de colação de grau, presidida pelo Diretor Interino Prof. Gervásio Fioravanti. Foi paraninfo o Professor Aníbal Freire e, como orador da Turma, o bacharelando Octacílio Alecrim. À noite, nos salões do Club Nacional, teve lugar um grande baile, oferecido pelos novos bacharéis à sociedade pernambucana.[iv]


 

A propósito, no jornal Diário de Pernambuco, de 22 de novembro de 1933, alguém que se assina por “Ariel Junior”, fez publicar um artigo chamado BACHARÉIS DA CONSTITUINTE[v] – Rui Soares Palmeira. Ei-lo:


É natural de Alagoas. Apareceu um dia no colégio do padre Cícero[vi] um estranho personagem. Tinha o aspecto de um fantasma. Era o Rui. Os meninos não o podiam ver porque se assustavam. Porém, dentro em pouco tempo, mostrou que não se deve julgar as pessoas pelo que apresentam exteriormente. Tornou-se para todos um bom amigo.


Não pensem que ele possui, ainda hoje, aquele seu aspecto fantasmagórico. Mudou muito. Até já foi convidado pelo Rogato[vii] para ser galã em seus filmes.


Levado pela leitura de “Proezas de Rufles”[viii], que lhe emprestava o Luiz Lopes, fundou uma sociedade secreta, tendo reservado para si o lugar de tesoureiro. Deu o que falar no colégio. Os padres desconfiavam. Fizeram de Rui o censor. Foi tiro e queda...


Rui parecia um santo. Confessava-se quase todos os dias, pois somente assim conseguia sair aos domingos.


No último quartel do curso de humanidades, aparece o Rui como jornalista a batalhar pela Aliança Liberal. Participou de comícios em diversas cidades, e principalmente em São Miguel dos Campos, sua terra natal, onde se lhe revelaram os dons da oratória.


Quando foi vitoriosa a revolução, Rui Palmeira já era calouro de nossa Faculdade. Convidado para Secretário da Prefeitura de Maceió, aceitou. Assim, abandonou o nosso colega os corredores do nosso templo jurídico, só aparecendo aqui em março de cada ano. Porém, este ano voltou o Rui a conviver conosco. A política o abandonou. Não teve sorte.


Para os colegas, o Rui diariamente aniversaria. E isto se dá somente para vê-lo dar aquele seu abraço, que como o de canguru ninguém quer, que o Rui Maranhão denominou – abraço de choque.


O Rui Palmeira tem uma vontade louca de casar-se e morar num palacete. Mas até hoje não apareceu a noiva. E é até muito do metido! São coisas da vida.


Fica moralmente abatido quando, por ocasião de uma apresentação, dizem: apresento aqui o irmão do Padre Luiz[ix]. Não pensem que ele seja inimigo do irmão; mas é porque, deste modo, a sua personalidade fica ofuscada pela do irmão.


Rui Soares Palmeira pretende iniciar sua carreira no Sul do país. Jovem inteligente, possuidor de uma grande cultura, jornalista brilhante e agora bacharel, nada mais lhe resta, pois, para vencer.”

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Casou-se no dia 2 de março de 1937, com Maria Gaby Malta Brandão Gracindo, natural da cidade de Atalaia, filha de Ignácio Brandão Gracindo e Cinira do Couto Malta. Cinira é filha do ex-governador Joaquim Paulo Vieira Malta e de Zelina Rodrigues do Couto. Desse laço matrimonial nasceram os seguintes filhos: Guilherme, Moacir, Miguel, Godofredo, Wladimir e Nadja.


Em sua vida ocupou diversos cargos oficiais, tais como: Oficial de Gabinete do Prefeito de Maceió, de 1930 a 1932; Secretário da Prefeitura de Maceió, de 1932 a 1933 e 1940; Delegado de Polícia em Maceió; Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil; Deputado Federal eleito em 1945 pela União Democrática Nacional – UDN, sendo reeleito em 1950. Em 1954, foi eleito Senador, sendo reconduzido em 1962.


Como jornalista, fundou e dirigiu O Estado e Diário do Povo, em Maceió, além de colaborar no Jornal de Alagoas, na Gazeta de Alagoas e no Diário da Manhã, este de Recife.


À época em que foi Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados, era também Presidente da Cooperativa dos Banguezeiros e Fornecedores de Cana do Estado de Alagoas.[x]


Fundou o Diretório Estadual da União Democrática Nacional (UDN), após o fim do pluripartidarismo, filiou à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), representou o Brasil, no Japão, Londres, Bruxelas, Santiago do Chile, Angola, Roma, Lausanne, Belgrado, Iugoslávia, Washington, Buenos Aires, Palma de Mallorca, Espanha e Lima no Peru.


Em 1946, era Deputado Federal, compondo a bancada alagoana com Silvestre Péricles de Gois Monteiro, Medeiros Neto, Lauro Bezerra Montenegro, Freitas Cavalcanti, Esperidião Lopes de Farias Junior e Francisco Afonso de Carvalho.


Em 1947, concorreu ao cargo de Governador do Estado pela coligação UDN-PCB (22.504 votos), sendo superado por Silvestre Péricles de Gois Monteiro, PSD-PTB (32.394 votos).[xi]


Contando 58 anos de idade, em pleno exercício do seu mandato de Senador, faleceu às 14:00 h do dia 16 de dezembro de 1968, em sua residência sita à rua Almirante Guillobel, nº 26, ap. 402, bairro da Lagoa, Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado das 20:30 h do dia 16 até as 5:00 h do dia seguinte no palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal. Em sua vaga, assumiu o suplente Mário Gomes de Barros.


Seus restos mortais foram transportados para Alagoas no dia 17, num avião AVRO, das Forças Armadas, e foram sepultados nas terras do Campo Santo da Fazenda Prata, próximo à casa onde nasceu, no atual município de Jequiá da Praia – AL, então pertencente a São Miguel dos Campos. Foi substituído pelo suplente Mário Gomes de Barros.



Em sua homenagem, há mais três escolas com seu nome: em Miguel dos Campos, Arapiraca e Maceió, além do município situado no sertão alagoano. Em 13 de maio de 1982, o antigo distrito de Riacho Grande, transformou-se em Município de SENADOR RUI PALMEIRA.

O senador Rui Palmeira em 1968.


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(Para a composição desta suscinta biografia, recorremos a diversas fontes, abaixo relacionadas, tendo por base: Ernande Bezerra de Moura e ABC das Alagoas – BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de)


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NOTA:

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 

 



[i] Rui Soares Palmeira. Nasceu em 13 de setembro de 1976, filho de Guilherme Gracindo Soares Palmeira e Suzana Bandeira Soares Palmeira.  advogado, empresário e político, formado em Direito pela UniCEUB, com Pós-Graduação em direito tributário e finanças públicas e direito eleitoral. Foi prefeito de Maceió por dois mandatos, deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado da Infraestrutura.

[ii] André Papini Goes, nasceu em 18 de outubro de 1908, em Brejo Grande-SE, embora fosse considerado penedense. Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de julho de 1966. É meio-irmão do radialista Antônio Manoel Goes, bancário aposentado do Banco do Brasil, que militou por muitos anos em meio às lutas sindicais em Alagoas, hoje residente no Rio de Janeiro.

[iii] Alvarenga é um tipo de embarcação de forte construção, de madeira ou ferro, outrora propulsada a remo, us. no serviço de carga e descarga de navios fundeados.

[iv] Diário de Pernambuco, Recife, 9 de dezembro de 1933.

[v] BACHAREIS DA CONSTITUINTE. O jornal Diário de Pernambuco publicou, às vésperas da solenidade de Colação de Grau, uma série de artigos com esse título, assinados por nomes como “Ariel Junior”, falando de Rui Soares Palmeira; “Prometeus”, José Manuel Pessoa de Melo; “Ayro”, Antônio Taveira de Farias; “Juca”, Napoleão Abdon da Nóbrega e Lauro de Miranda Lemos; “Inajá”, Luiz de Albuquerque Lopes; “Regis”, Gil Soares de Araújo; “Benjamim”, Aluísio da Silva Castro; provavelmente escritos pelos próprios colegas.

[vi] Monsenhor Cícero Teixeira de Vasconcelos, educador e Senador da República.

[vii] Guilherme Rogato, fotógrafo e cineasta italiano radicado em Alagoas. Filho de Antônio Guiseppe Rogato (Antônio José Rogato) e Filomena Ponte Rogato, Salvatore Guglielmo (Guilherme) Rogato nasceu em 7 de dezembro de 1898 na Itália, mais precisamente na cidade de San Marco Argentano, região de Consenza, e chegou ao Brasil ainda criança, no dia 16 de setembro de 1910

[viii] "Proezas de Rafles" é o título de uma série de revistas de aventura e ficção policial, publicadas no Brasil no início do século XX pela Empresa de Publicações Modernas, com o subtítulo "Gatuno Amador". A série, que narrava as histórias do personagem Lord Lister (apelidado de Raffles), se tornou muito popular e foi traduzida e publicada em diversos países. As publicações eram geralmente em formato de novela, com textos corridos e algumas gravuras, e se tornaram objetos de colecionismo. 

[ix] Luiz Soares Palmeira, conhecido por “Padre Palmeira”, nasceu a 25 junho 1906 no Rio de Janeiro e faleceu 29 de dezembro de 1988 em Salvador-BA.

[x]Jornal Pequeno, Recife-PE, 4 de março de 1943.

[xi] A Manhã-RJ, 11 de fevereiro de 1947.

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia