sexta-feira, maio 29
ESCOLAS E SEUS PATRONOS - U.M.E MINISTRO AUGUSTO DE FREITAS MACHADO
Por Etevaldo Amorim

A U. M. E Ministro Augusto de Freitas Machado
A Unidade Municipal de Ensino Ministro Augusto de
Freitas Machado, foi inaugurada no dia 28 de fevereiro de 1988, onde
funcionavam as turmas de Ensino Fundamental de 8 anos, sendo 5ª série a 8ª
série.
No ano de 2003, o prédio foi cedido a Secretaria de
Educação do Estado de Alagoas, servindo como extensão da Escola Estadual Pe.
José Soares Pinto, atuando até meados de 2006, ficando desativada no mesmo ano.
Após uma reforma, a unidade foi reativada em 2 de
junho de 2011, retomando suas atividades escolares, atendendo às comunidades
circunvizinhas: Ipueura de Baixo, Ipueira de Cima, Umburana D´água, Fazenda
Velha, Quibanzê, Meirus, Rua Nova, Assentamentos Bezerra e Bom Conselho e da
própria comunidade.
Em 2021, na Administração do prefeito Jorge Dantas,
a escola passou por nova reforma, oferecendo melhores condições de trabalho
para o Corpo Docente e demais servidores, bem como de aprendizagem para os seus
alunos.

Placa da inauguração da reforma realizada em 2021.
Atualmente a escola funciona com 4 turmas no turno
matutino e 5 turmas no turno vespertino, com 273 alunos matriculados, prestando
assistência no Ensino Fundamental de 9 anos, Ensino Regular 7º ao 9º ano,
funcionando com alunos devidamente matriculados e cadastrados no censo.
A Escola
oferta Educação Regular Ensino Fundamental II, isto é, o ensino gradativamente,
contando neste ano letivo de 2026 com 3 (três) turmas de 7º Ano, 3 (três)
turmas de 8º Ano e 3 (três) turmas de 9º Ano, 9 turmas no total, sendo 273
alunos no total.
A
Unidade de Ensino possui 18 professores
e 21 servidores de apoio. A Equipe Gestora, sob a Direção da professora Jany
Carla da Cruz Silva, tem ainda a Coordenação de Maycon Douglas Carvalho Ramos e
a Articuladora: Nathalia Hanna da Silva Mello.
Fonte:
Projeto Político Pedagógico da U.M.E. Ministro Augusto de Freitas Machado
O PATRONO.
![]() |
| O Sr. Augusto de Freitas Machado. |
O patrono da Escola é o Sr.
Augusto de Freitas Machado.
Filho do Cel. Manoel Antônio
Machado e de Rosa Maria Leite Sampaio, nasceu em Pão de Açúcar no dia 6 de
janeiro de 1895 e foi batizado na matriz do Sagrado Coração de Jesus no dia 10
de março de 1895.
Cumprido o aprendizado das
primeiras letras em sua terra natal, foi para o Recife, onde ingressou no
Colégio Salesiano, ali permanecendo de 1908 a 1910. Com ele estavam o irmão
Luiz e os primos Antônio de Freitas Machado e Júlio de Freitas Machado.
Em 17 de junho de 1915, já
em Maceió trabalhando como Auxiliar do Comércio, casou-se com a Srtª Guiomar
Lessa Pinheiro, com quem teve os filhos: Neuza, Hélio, Helena, Humberto, Nise,
Marisa, Augusto e Manoel Antônio.
Foi prefeito de Pão de
Açúcar nos períodos: 09/06/1932 a 14/09/1934; 18/06/1941 a 17/01/1947; 31/01/1966
a 30/01/1970; 01/02/1973 a 31/01/1977. Ao todo, foram 5.786 dias à frente da
Administração do Município
Essa marca histórica só veio a ser superada recentemente pelo atual
prefeito Jorge Silva Dantas.
Seu Augusto exerceu também
alguns mandatos como deputado estadual. Eis os pleitos e legislaturas de que
participou:
Nas Eleições de 1947,
candidato pelo PSD – Partido Social Democrático, obteve 896 votos, sendo eleito
para a Legislatura 1947-1951.
Em 1950, novamente candidato
pelo PST – Partido Social Trabalhista, obteve 1.881 votos, sendo eleito para a
Legislatura 1951-1955.
Em 1954, ainda pelo PSD, conseguiu
1.572 votos, sendo eleito para a Legislatura 1955-1959.
Nas Eleições de 1958,
concorrendo pela coligação Frente Democrática Trabalhista: PSD-PTB-PRP, tendo 1.116
sufrágios, ficou como Suplente na Legislatura 1959-1963.
Por último, nas Eleições de
1962, concorreu pelo PSD e obteve 415 votos, ficando na Suplência para a
Legislatura 1963-1967.
Augusto de Freitas Machado foi nomeado Membro do Conselho de Finanças no dia 30
de novembro de 1960, por Ato do Governador Sebastião Marinho Muniz Falcão,
tendo sua publicação no Diário de 1º de dezembro de 1960, em vacância do cargo
de Otacílio Silveira Cavalcanti.
Nessa época, os membros da
Comissão de Finanças (atual Tribunal de Contas Estadual) tinham a denominação
de “Ministro”. Com a promulgação da Constituição Estadual, em 5 de outubro de 1989,
obedecendo aos preceitos da Constituição Federal de 1988, eles passaram a ser chamados
de Conselheiros, reservando-se a antiga nomenclatura apenas para os membros do
Tribunal de Contas da União (TCU).
Aposentou-se por Ato do
mesmo governador do Estado em 14 de dezembro de 1960 (publicado em 15/12/1960).
Faleceu em Maceió no dia 19
de janeiro de 1987.
É patrono da Cadeira nº 32
da ALEPA -Academia de Letras de Pão de Açúcar.
____
Nossos agradecimentos a
Marisa Lira, do Tribunal de Contas Estadual, pelas informações prestadas; bem como à diretora Jany Carla.
_____
NOTA
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E
LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes.
Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta
documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão,
solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
domingo, maio 24
PEDRO LÚCIO ROCHA, O CONSTRUTOR DE SONHOS
Por Etevaldo Amorim
![]() |
| Pedro Lúcio Rocha. Foto: Câmara Municipal de Pão de Açúcar |
No último dia 21 de maio, Pão de Açúcar perdeu uma de suas
personalidades mais notáveis: Pedro Lúcio Rocha. Figura singular, ele
marcou sua passagem pela nossa comunidade como um propulsor do desenvolvimento
sociocultural, político e associativo.
Tal singularidade se justifica pelas suas indiscutíveis
qualidades de homem público (ativo, dinâmico, empreendedor), mas também pelas
suas características pessoais. Pedro foi, pode-se dizer, um autodidata. Entretanto,
a limitada instrução formal era suprida por uma incomparável capacidade de formular
o seu pensamento. Sua oratória vibrante, de pretensão erudita, o tornava único
e inigualável, embora muitos pudessem imitá-lo na forma e no tom. Era comum ouvi-lo
evocar a força de Castro Alves, ao proclamar que “a praça é do povo como o
céu é do condor”; ou enaltecer Pão de Açúcar como “a terra de Bráulio
Cavalcante, de Jovino da Luz e de Moreno Brandão”. Some-se a isso o seu formidável
poder de persuasão e a perseverança em tudo quanto dizia respeito ao exercício
da sua vocação.
*** *** ***
Pedro nasceu no povoado
Agreste (então município de Pão de Açúcar; hoje pertencente a Monteirópolis), no
dia 15 de junho de 1938, na humilde morada do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu.
Deixou o pequenino rincão sertanejo e foi para o Rio de
Janeiro. Serviu ao Exército, provavelmente no final da década de 1950. Nessa
ocasião, como parte de suas atribuições de soldado, teria, supostamente, "carregado
a mala de Fidel Castro.” De fato, o emblemático líder da revolução cubana,
recém vitoriosa em 1959, esteve em visita ao Brasil naquele ano.
Voltando a Pão de Açúcar, aproximou-se dos homens influentes
da época: Augusto Machado e Elísio Maia. Atraído pela política, candidatou-se a
Vereador nas Eleições de 1965. Eleito, cumpriu o mandato até 1969. Neste mesmo ano,
por meio de Projeto de sua autoria, foram instituídos os
Símbolos Oficiais do Município (hino, brasão e bandeira), frutos da colaboração
dos amigos Maestro Passinha (na música) e do Padre José Nascimento (na letra),
sendo aprovados pela Lei Municipal nº 394.
Foi novamente eleito no
pleito de 1969, para a Legislatura 1970-1972. Já nas Eleições de 1972, ficou na
primeira suplência. Acabou assumindo o mandato em face do trágico falecimento
do vereador Germínio de Araújo Costa, em 21 de abril de 1979, permanecendo até 1982.
Em 1988, mesmo sem deter mandato eletivo, Pedro Lúcio destacou-se na
articulação que buscava a ampliação de uma frente de oposição no município.
Esta união consolidou-se na 'Coligação Muda Pão de Açúcar' por meio do partido
que fundara e presidia, o PMB (Partido Municipalista Brasileiro), que, ao lado
do PCdoB e do PSB, formou a chapa Cacalo/Jorge Dantas – prefeito e
vice-prefeito, respectivamente
*** *** ***
ASSOCIATIVISMO
![]() |
| Pedro Lúcio Rocha |
Concomitante ao exercício do
mandato de vereador, Pedro
iniciou-se no caminho do sindicalismo. Em 3 de janeiro de 1972, foi fundador e
primeiro Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pão de Açúcar,
cuja sede ficava no número 225 da Rua Pe. José Soares Pinto (antiga Rua
Augusta). Para isso teve a colaboração do Padre Heliomar Queiróz Mafra.
Como era comum no período, a entidade operou sob a tutela do Ministério
do Trabalho durante os regimes ditatoriais. Contudo, a liderança de Pedro Lúcio
foi, aos poucos, evoluindo para uma defesa mais autêntica e combativa das
causas dos trabalhadores rurais, sobretudo após o advento da Nova República,
que pôs fim a 21 anos de regime militar.
A evidência dessa nova postura confirmou-se em abril de 1987[i],
quando o ministro Dante de Oliveira assinou a portaria que incluiu Pedro Lúcio
na Comissão Agrária de Alagoas. Ele passou a integrar o órgão como porta-voz da
categoria, compondo a representação ao lado de José Caetano da Silva e José de
Souza Neto.
Ainda no campo do associativismo, Pedro Lúcio fundou e foi o primeiro
presidente da Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Estado de
Alagoas (FIECIA) e teve papel fundamental na organização de movimentos
populares no semiárido alagoano.
Em 2001, passou a ser membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São
Francisco (CBHSF), atuando ativamente na proteção do "Velho Chico".
Pedro Lúcio foi também um hábil articulador e promotor social,
organizando palestras e festivais de cultura, atraindo para Pão de Açúcar
personalidades destacadas da sociedade alagoana, propiciando aos locais -
sobretudo aos jovens - a oportunidade de acesso à cultura e ao saber.
*** *** ***
COMUNICAÇÃO
No mesmo ano em que fundou o Sindicato, precisamente em 16 de setembro de 1972, Pedro criou o Jornal A PÁTRIA. Era um jornalzinho pertencente à Associação Pão-de-açucarense de Jornalismo e Comunicação, e impresso nas oficinas do Colégio São Vicente. Ali estavam Massilon Ferreira da Silva, Álvaro Antônio Melo Machado, Érico Melo de Abreu, Erivaldo Caldeira de Souza (Guri) e Etevaldo Alves Amorim. Depois chegaram outros jovens que também tiveram oportunidade de despertar para as vocações literárias: José Carlos Lima, Gilvan Abreu, Yvan Silva Fialho e Helio Silva Fialho, Darival Lira.
Também nessa época, ele ativou o serviço de alto-falantes e a emissora de rádio
Antena Municipal de Pão de Açúcar, “dando, assim, oportunidade para alguns
membros da juventude pão-de-açucarense fazerem trabalhos de locução e
sonoplastia, incentivando-os a ingressar no mundo da comunicação como
radialistas e jornalistas.” – diz o jornalista Helio Fialho em discurso
pronunciado em homenagem aos seus 80 anos.
HOMENAGENS
Como reflexo da sua intensa atuação, Pedro Lúcio foi alvo de diversas
homenagens. Entre as mais destacadas:
A Comenda do Mérito Educativo Alagoano, honraria destinada a
reconhecer e homenagear educadores e personalidades que tenham prestado
relevantes serviços à Educação no Estado de Alagoas, concedida em 17 de
dezembro de 2008, no Auditório do Palácio República dos Palmares, por ocasião
do 46º aniversário do Conselho Estadual de Educação.
Comenda 200 Anos de Alagoas, oferecida pela Câmara Municipal de Pão de
Açúcar no dia 22 de setembro de 2017, por ocasião das comemorações alusivas aos
200 anos de emancipação política do nosso Estado.
Pedro Lúcio Rocha foi Sócio honorário da Academia de Letras de Pão de
Açúcar (ALEPA), fundada em 22 de setembro de 2017, e foi homenageado com um
livro de cordel intitulado "Pedro Lúcio Rocha - Um homem à frente do
seu tempo", do poeta e escritor Giovanni Fialho.
Outra singela, mas significativa homenagem, lhe foi prestada na noite do
dia 15 de novembro de 2014, no Bar do Madureira, em Pão de Açúcar. Alguns dos
amigos com os quais conviveu em suas lides sindicais e jornalísticas — Massilon
Silva, Érico e Gilvan Abreu, Lindalvo Costa, Etevaldo Amorim e Reginaldo Lira —
o brindaram com uma placa contendo os dizeres: “PEDRO LÚCIO ROCHA –
CONSTRUTOR DE SONHOS. Homenagem de seus amigos por sua coragem, trabalho e sabedoria
na luta."
![]() |
| Flagrante da homenagem a Pedro Lúcio em 15 de novembro de 2014. |
![]() |
| Pedro Lúcio recebendo a placa em sua homenagem. |
Aliás, por ocasião das tratativas para a homenagem, foi criado um Grupo
de WhatsApp, idealizado por Érico Abreu, que perdura até hoje, do qual
participam: Érico, Gilvan, Schumann, Massilon, Júlio César, Etevaldo, Álvaro
Antônio, Lindalvo e Edberto.
E para não ficar sozinho nesta tentativa de dizer o quanto Pedro Lúcio
foi importante para Pão de Açúcar, recorro a alguns depoimentos de membros
desse Grupo.
Júlio César Lima Dias relata
que, buscando melhorias para o seu povoado (Ilha do Ferro), no caso um simples abrigo para a TV
Pública, buscou o apoio de Pedro Lúcio, então dirigente da FIECIA – Federação
Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Interior de Alagoas. Diz ele que “Pedro
Lúcio, ao perceber naquele jovem a busca sincera por direitos sociais,
acolheu-me com dignidade e respeito. Esse gesto elevou minha autoestima: de um simples
matuto do interior, passei a enxergar-me como alguém capaz de contribuir para
transformar a realidade e ajudar outras pessoas”.
O pleito daquele jovem de 17 anos foi atendido: a Prefeitura
construiu uma estrutura em praça pública e todos passaram a desfrutar da
programação da TV Pública. E Júlio César continua: “Aquilo me deixou, de
certo modo, empoderado. E Pedro Lúcio, como exímio garimpador de ‘talentos
militantes’ levou-me para trabalhar no STR e na FIECIA. Lá aprendi muito e
ficava impressionado com sua capacidade de redigir, apenas ditando. Além de
nossa família, outras pessoas têm influência definidora nas nossas vidas e, na minha,
Pedro Lúcio foi um desses agentes atuadores.”
De Álvaro Antônio Melo Machado, temos o seguinte depoimento:
“Pão de Açúcar perdeu um dos personagens mais
identificados com sua história. Perdeu, fisicamente, Pedro Lúcio Rocha. E
apenas assim, pois na História de Pão de Açúcar, daqui para frente, Pedro Lúcio
será sempre lembrado pelo muito que fez pela nossa terra.
De origem humilde, nascido na caatinga do sertão, Pedro Lúcio
lutou contra todas as formas de preconceitos e discriminação e, por seu único e
exclusivo mérito, venceu e foi longe, bem além do que muitos letrados não
conseguiram chegar.
A Pedro Lúcio, Pão de Açúcar deve o exemplo aguerrido do
líder sindical, que estruturou e deu força ao Sindicato dos Trabalhadores
Rurais na difícil época da ditadura; o exemplo do líder nato que ficou à frente
dos projetos que uniam o social e o cultural. Foi assim na criação do jornal A
Pátria, na organização de festivais e músicas e de poesias, nos esportes, na
radiofonia.
Tornou realidade dois dos maiores símbolos de Pão de Açúcar:
a bandeira do município e o nosso hino oficial.
Participou, de forma singular, de momentos políticos
marcantes na história de Pão de Açúcar.
Vai-se, além do grande líder sindical, um amigo muito
querido, com quem muito aprendi e muito compartilhei lutas e iniciativas em
prol de Pão de Açúcar, de Alagoas e do Brasil.
Deus me proporcionou a alegria de, no último mês de dezembro,
participar da bela homenagem que a ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar,
prestou a Pedro Lúcio. E o meu presidente Helio Fialho honrou-me sobremaneira,
me escolhendo para fazer a saudação ao homenageado, em nome da nossa
Academia. Foi nosso último momento
juntos, em meio a tantos e tantos que marcaram nossa vida e nossa trajetória.
Que Deus o receba em Sua Glória!”
E, por fim, as palavras de Massilon Ferreira da Silva:
“O VIAJANTE DAS ESTRELAS OU O AJUDANTE DE DEUS
Ele tinha uma irmã [começo por aqui]; uma freira que
anualmente o visitava e aos pais de ambos, num distante povoado dos confins de
Alagoas. Daí talvez terá nascido seu apego aos padres, à igreja e às coisas
divinas. Um católico fervoroso que, antes da conversão, desfilou pela Avenida
Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em homenagem a Che Guevara, comunista e
ateu de carteirinha. Era recruta do Exército Brasileiro e não tinha escolha.
Um dia aportou por aqui, não se sabe como, e foi então que
aquele irmão de freira ‘fez o diabo’. Ajudou na missa, acompanhou procissão,
fundou sindicato, jornal, rádio, time de futebol, escreveu letra de hino, foi
político e amigo acima de tudo.
Hoje, ‘como veio partiu não se sabe pra onde’, para citar
Chico Buarque. Para citar, de outra banda, os ufólogos modernos, viajou com
destino a um Exoplaneta, situado num sistema qualquer de uma galáxia distante,
cujos habitantes estão precisando de uma ‘mãozinha’, a mão amiga de Pedro Lúcio
Rocha, o irmão da freira que o espera na próxima estrela para encorajá-lo a
começar tudo de novo."
*** *** ***
Pedro vinha, há algum tempo, muito doente. Nos últimos dias, achava-se
internado no hospital de Pão de Açúcar.
“Na véspera de sua morte - relata Lindalvo – eu e
Gilvan o visitamos. Tinha acabado de tomar morfina e estava descansando. Acordou
depois, sentou-se, mas não falou nada, apenas olhou para nós e voltou a dormir.”
Dormiu para a eternidade. E, por tudo o que fez em sua vida
de 88 anos, tornando realidade as suas aspirações e os anseios de muitos, bem
merece a frase cunhada por Érico Abreu: PEDRO LÚCIO ROCHA foi um CONSTRUTOR DE
SONHOS.
___
Nossos sentimentos sua esposa Lizete Alves Rocha e seus filhos Eliane, Giovanni, Clayton e Edjane.
_____
NOTA
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
[i] Portaria
assinada pelo Ministro da Reforma Agrária, Dante de Oliveira, publicada no Diário
Oficial da União de 29 de abril de 1987.
sexta-feira, maio 15
“BRÁULIO CAVALCANTE” – O AVIÃO
Por Etevaldo Amorim
![]() |
| Avião semelhante ao "Bráulio Cavalcante". Foto ilustração - Fonte: portal História de Alagoas. |
Ao entrar para a História, o nosso conterrâneo Bráulio
Cavalcante foi merecedor de diversas homenagens: nome de avenida e de escola em
sua terra, nome de rua em Palmeira dos Índios e no Recife, nome de praça em
Maceió, bustos em praça pública em Pão de Açúcar e na capital do Estado. Mas,
em meio a essas merecidas honrarias, há uma que o eleva, literalmente, aos céus:
o batismo de um avião com seu nome.
Isso aconteceu em 24 de julho de 1947, no Calabouço[i],
Rio de Janeiro, quando foram batizados seis novos aparelhos de treinamento, no âmbito
da Campanha Nacional de Aviação, sob o lema “Deem asas ao Brasil”.[ii]
Estavam presentes o tenente coronel Armando de Menezes, chefe do Gabinete do
Estado Maior da Aeronáutica, e o major aviador Ruthênio Carneiro da Cunha, também
do Estado Maior da Aeronáutica. Presidiu a solenidade o senador Salgado Filho.
O avião, modelo Neiva P-56 C, conhecido como
"Paulistinha", que seria destinado ao Aeroclube de Alagoas, foi
paraninfado pelo Brigadeiro Ajalmar Mascarenhas[iii],
um alagoano de Anadia, que conheceu Bráulio e a sua luta.
Antes de derramar champagne sobre a hélice do avião, ele pronunciou
o seguinte discurso:
“Este avião, que a Campanha Nacional de Aviação destinou ao
aeroclube de Alagoas, se ilustra com o nome do ardoroso tribuno, do jornalista
de escol, do maior poeta alagoano, que se chamou Bráulio Cavalcante.
Bráulio Cavalcante, filho de José Venustiniano Cavalcante,
nasceu na cidade de Pão de Açúcar a 14 de março de 1887.
Desde criança – dizem-nos seus biógrafos – revelava ‘grande
lucidez de espírito, privilegiada inteligência, servido ainda por uma
excepcional faculdade de assimilação que muito contribuiu para a aquisição do
vasto tesouro de cultura que, num espaço de tempo limitado, conseguiu acumular.’
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do
Recife, onde se diplomou a 11 de dezembro de 1911, Bráulio hipotecou sua pena e
sua palavra à causa da liberdade e da justiça, na imprensa e na tribuna de sua
terra, em dias de intensa agitação política.
Seu verbo inflamado, a vastidão de sua cultura e a
impenitência de seu idealismo arrastavam multidões a ouvi-lo cantar:
‘Alagoas, terra verde, feliz aberta em flores, cheia
Dos lagos de alumínio e verdes coqueirais!
Terra onde o São Francisco majestoso ondeia
E a Paulo Afonso atroa mil fanfarras reais!’
A 10 de março de 1912, justo três meses depois de sua
formatura, e quando ia em meio uma campanha de libertação de brancos, Bráulio,
no pedestal da estátua de Floriano, batalha desigual com o espírito da
intolerância, invocando a Constituição Federal na defesa de seu direito de
manifestação de pensamento em praça pública.
Eram suas armas a palavra fluente, a lógica da razão, a
confiança no simples, o estoicismo do moço e... as garantias constitucionais.
Não havia Bráulio vivido bastante para perceber que o preço
da liberdade seria o holocausto da sua própria vida.
Bráulio tombou à sombra da estátua do Marechal de Ferro, ao
cair de uma tarde que seria igualmente o cair da tarde de uma tirania.
As forças da reação apagavam aquela vida que, aos 25 anos, se
fazia a bandeira de um povo oprimido; e as forças da reação se extinguiram com
o sacrifício daquele bravo.
E desde então Bráulio começou a viver, no coração de seu
povo, a vida dos imortais.
Os “lagos de alumínio” cantam seus versos; os “verdes
coqueirais” sussurram seus poemas.
Trinta e cinco anos depois, este pequeno avião se enobrece
com o nome e o espírito do poeta mártir; suas asas irão encher os céus de minha
terra da harmonia de seus versos; e irão também lembrar aos moços de hoje que
esse moço morreu por um ideal de liberdade.
Pilotos do “Bráulio Cavalcante”, sede dignos de Bráulio como
ele o foi de sua querida Alagoas!”

O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas quando discursava ao lado do Sen. Salgado Filho. Foto: O Jornal.
Em seu discurso, nessa mesma cerimônia, Assis Chateaubriand, jornalista
e dono do maior império das comunicações do país, ele próprio um dos grandes
incentivadores da Campanha, assim se referiu à homenagem a Bráulio:
“Um major-brigadeiro, soldado da ordem, paraninfando um poeta
dos coqueirais da Pajuçara em Alagoas e um rebelado lutador contra as
oligarquias do Nordeste.”[iv]
![]() |
| Bráulio Cavalcante, o homenageado. |
___
O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas é irmão de “Linda
Mascarenhas” (Laurinda Vieira Mascarenhas) a famosa “Dama do Teatro Alagoano”. Aliás,
o DIA DO TEATRO ALAGOANO é comemorado no dia 14 de maio, em alusão ao
nascimento dela.
A data foi instituída oficialmente pela Lei Estadual nº
6.243, de 2 de julho de 2001, cujo Projeto teve a autoria do deputado estadual
pão-de-açucarense Antônio Carlos Lima Rezende (Cacalo), atendendo a sugestão da
ATA – Associação Teatral das Alagoas, por intermédio do ator Ronaldo de
Andrade.
___
NOTA
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
[i] Antigo
campo de pouso situado no local onde hoje se encontra o Aeroporto Santos Dumont.
[ii]
O Jornal, RJ, 29 de julho de 1947.
[iii]
Ajalmar Vieira Mascarenhas. (Anadia - AL
13/08/1897- Rio de Janeiro 18/10/1964). Militar. Filho de Manoel Cesário
Mascarenhas e Lourença Vieira Mascarenhas. Estudou no Colégio Diocesano e no
Liceu Alagoano. Em 1914, juntamente com Romeu de Avelar, José Portugal Ramalho,
José Guedes Quintela e Amarílio dos Santos, lançou a revista Frou-Frou. Nesse
período, usava o pseudônimo de Berilo Prates. Ainda em 1914, participou da
criação do jornal Diário do Norte.Sentou praça em agosto de 1915, ingressando
na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola de Aviação
Militar, ainda no Rio de Janeiro, integrando, no ano seguinte, a primeira turma
de observadores aéreos. Ocupou diversos cargos durante sua vida militar, tais
como: comandante da Escola de Aviação Militar; comandante da então IV Zona
Aérea, sediada em Porto Alegre, e Chefe da Diretoria de Pessoal da Aeronáutica.
Integra, em dezembro do mesmo ano, a comitiva do ministro da Aeronáutica, em
visita ao front italiano, durante a Segunda Guerra Mundial. Comanda a II ZA, com
sede em Recife; membro do Estado-Maior Geral, órgão precursor do Estado-Maior
das Forças Armadas (EMFA), na condição de subchefe da Aeronáutica, tendo sido,
um mês depois, promovido a major-brigadeiro-do-ar. Em 1955, presidiu, na
condição de chefe da delegação brasileira, a Comissão Militar Mista
Brasil-Estados Unidos. Foi nomeado adido aeronáutico à embaixada brasileira em
Washington. Promovido a tenente-brigadeiro em dezembro do ano seguinte, voltou
a chefiar o EMAER entre julho de 1962 e dezembro do mesmo ano. Ainda em
dezembro de 1962, recebeu a patente de marechal-do-ar. Membro da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Sócio do IHGAL. Fonte: ABC DAS
ALAGOAS.
[iv]
O Jornal, RJ, 15 de agosto de 1947.
sábado, maio 9
TOCAIA – UM CONTO DE BRÁULIO CAVALCANTE
![]() |
| Bráulio Cavalcante |
Dentro da noite, naquela segunda-feira aziaga, pela vereda
sombria, marginada de frondosas baraúnas, de umbuzeiros sinistros que lembravam
fantasmas, soturno vinha o desgraçado vaqueiro, vezes pensando na carestia dos
gêneros na feira da Vila, sonhando outras vezes com o grande roçado, que o sol
de outubro estivera a comburir flamando. E, no silêncio daquela mesma noite,
uma sombra diabólica, tendo uma grande faca nua na mão, dentro da caatinga,
esperava de tocaia o vaqueiro. E o vaqueiro vinha.
Resplandecia-lhe na alma a pureza dos martírios obscuros, que
à vida inteira vão, sem um dia de festa, sem um consolo único, a não ser o
trabalho.
Era um caboclo de seus trinta e tantos anos, o olhar
afogueado pelos sóis de verão, a pele enegrecida pela canícula das pachorrentas
estiagens.
Nascera em Amargosa, um lugarejo misérrimo que ficava muito
longe. Viera de lá quando 77 surgira tirano, com aquele sol implacável,
impiedoso, devastando, flagelando campos e cidades...
Ah 77, a grande seca! ...
Numa véspera de São João, quase morrera o desgraçado de uma
explosão de sal de Bertholet e súlfur. Fora suficiente a pressão de uma pedra
sobre a matéria para que esta se inflamasse, com um pavoroso estampido, atirando
para os ares o infeliz, que veio arrebentar na queda a tíbia direita,
deslocando a clavícula, deslocando falanginhas e falangetas.
Surdo e cego, gemia o desventurado, se amparando ao ombro do
velho Manoel Jerônymo, que acudira ao ruido pavoroso, sinistro.
Mas escapara desta vez...
Entretanto, havia naquela segunda-feira aziaga, quando
voltava do trabalho honrado, em busca da esposa e dos filhos, encontrar numa
tocaia do caminho o braço traiçoeiro, covarde...
Em 1888, viajava pelo norte do Estado, acompanhando um
protetor que nada lhe podia dar, exceto a rigidez inquebrantável dos martírios do
trabalho honesto, a pureza dos bons princípios e os parcos rendimentos de uma
fazenda de vacas.
Não fora uma vida sem aventuras. Fora uma vida de lágrimas,
de desespero, de sangue. Diziam que assassinara, em caminho da Viçosa, um
vaqueiro.
Anoitecera em uma espessa mata; perdera-se, não sabia como
dela sair. Zumbia entristecedoramente nos labirintos sombrios dos parênquimas,
dos caules, ou dos troncos, a orquestra isócrona dos homópteros; e,
repentinamente, o frio torturante da noite hibernal começara a arrepiar
inclemente as carnes. Vezes parecia cachoar, batendo na mata com uma
impertinência aborrida, a chuva de inverno. Calavam-se os homópteros... Quando
cessava, a chuva era terrível, e desolador aquele dédalo!
Dormia pelos barrancos negros da terra, pelas ribanceiras dos
riachos, ganhando anfractuosidades, o fantasma sombrio da Solidão.
Dentro da mata, seria impossível apreciar uma estrela que
estivesse no céu. E o viajante como que se asfixiava, sentindo n’alma um terror
incrível. Montado numa égua passeira, podia furar o mundo, em outras
circunstâncias, porém ali parecia que o próprio animal não tinha mais coragem
para dar um passo. Então maior receio feria o viajante.
Sonhava que de dentro da mata vinha os olhos de fogo, aquele
horroroso Pedro Botelho, o rei dos infernos...
Despertava-lhe na psiquê o tumultuar sombrio dos prejuízos
hereditários, o medo do sobrenatural... E se lembrava de uma história horrenda
que a Rita do Antônio Joaquim lhe contara, história de arrepiar cabelos...
Não receava onças, que lá como que não havia onças! Não receava homens, porque destes nunca fugira em ocasiões de perigo... Porém, de coisas outras tinha medo...
Parecia-lhe que aquele engano, aquela transição desconhecida na má viagem, era uma cilada que os demônios lhe estavam armando. Desorientado, suava gelo. A égua ferida pelo chicote, crivada pela espora, escorregava, perdia-se dédalo da mata a dentro.
E as coisas passadas, os dias de Amargosa, únicos dias quase
felizes de sua vida, quando menino ele era, vezes despontavam-lhe no cérebro
como fossem um relampado de março numa caverna sombria.
Súbito, no meio da vereda surge-lhe um vulto, agarrando a
rédea do animal, escarrando ao peito do cavaleiro uma grande pistola que lhe
pareceu pedra de fogo. Porém, o viajante desviou o braço do ladrão, e
com a pistola que também trazia, disparou-lhe um balaço rápido, certeiro,
terrível. Então rugiu como o latido estranho de uma fera, quebradas a dentro, o
eco pavoroso, medonho, do tiro. Subindo pelas galhadas dos itapicurus,
turibulava o aroma enjoado de súlfur e nitro combustos.
E a vítima rouquejava lugubremente, estortegava
horrendamente, no meio da mata, no coração negro da noite. O viajante, numa
disparada febril, desaparecia assombrado em cima da besta assombrada, fugia sem
saber para onde no intrincado da mata, se afundando na treva...
E, alguns dias depois, batia à porta de casa, chamava pela
esposa... Era quando estava abrolhando uma esplendorosa alvorada.
- Isabel! Isabel!!
E a mulher foi recebe-lo, assustando-se perante aquela feição
cheia de pavores, de remorsos... E ele contou o acontecimento à esposa,
confusamente, nervosamente... Estava ainda mais queimado pelo sol, ainda mais
roto, mais pobre, mais desgraçado.
Porém, escapara desta vez ainda. Não escaparia, entanto,
naquela segunda-feira aziaga, quando dentro da noite, soturno vinha pela vereda
sombria, marginada de baraúnas frondosas, de umbuzeiros que lembravam
fantasmas...
Numa volta do triste caminho aquela visão diabólica, o Manoel
Ângelo, o bandido, o assassino, o degenerado, vibrou-lhe traiçoeiramente uma
facada que o fez tombar quase morto...
Tomara, na Vila, o infeliz vaqueiro um pouco de aguardente...
O Avelino lhe retrucara na taverna do Fortunato:
- Caboclo, não bebas mais! Olha, tu vais sozinho de noite
para o Mundo-Novo... O ditado diz “quem tem inimigo não dorme”...
- Avelino, poderás me encontrar morto, porém, não desfeitado.
E com aquele entusiasmo de sertanejo honesto, dizendo adeus, se retirara da taverna. Agora, estava morto, o corpo trespassado de faca, o sangue porejando por mil feridas...
E a noite, somente a desolada noite, confidenciara das suas
derradeiras angústias. ...
*** ***
Hoje, porém, o veredo está interdito pelas galhas que o vento
das trovoadas derriba. E o povo rústico abandonou por completo o veredo
sinistro, porém, ninguém se encoraja perante os fantasmas que gostam de
aparecer junto das cruzes.
- Consequências mesológicas, de hereditariedade, não se
vencem de modo tão rápido e o povo é o pobre povo da superstição, do atraso...
À noite, olhando a serra desolada, a casa do infeliz
vaqueiro, os currais da fazenda caindo, as cercas arruinadas, a capoeira do
roçado rebentando numa fertilidade espantosa...
_____
NOTA
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
___
Conto de Bráulio Cavalcante[i],
transcrito do jornal O MONITOR, Penedo-AL, edições de 10 e 17 de maio de 1909 (de
propriedade de Moreno Brandão).
[i]
Bráulio Guatimozim Cavalcante. Filho do Capitão José Venustiniano Cavalcante e
de D. Maria Olympia. Nasceu em Pão de Açúcar-AL, no dia 14 de março de 1887, na
casa nº 23 da rua da Matriz (hoje Avenida Bráulio Cavalcante, nº 209). Faleceu
em 10 de março de 1912, na Praça dos Martírios, em Maceió, de um ferimento
penetrante na linha axilar posterior direita, no quarto intercostal, recebido
quando realizava um comício em prol das candidaturas do Cel. Clodoaldo da
Fonseca e do Dr. Fernandes Lima.
A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR
PÃO DE AÇÚCAR
Marcus Vinícius*
Meu mundo bom
De mandacarus
E Xique-xiques;
Minha distante carícia
Onde o São Francisco
Provoca sempre
Uma mensagem de saudade.
Jaciobá,
De Manoel Rego, a exponência;
De Bráulio Cavalcante, o mártir;
De Nezinho (o Cego), a música.
Jaciobá,
Da poesia romântica
De Vinícius Ligianus;
Da parnasiana de Bem Gum.
Jaciobá,
Das regências dos maestros
Abílio e Nozinho.
Pão de Açúcar,
Vejo o exagero do violão
De Adail Simas;
Vejo acordes tão belos
De Paulo Alves e Zequinha.
O cavaquinho harmonioso
De João de Santa,
Que beleza!
O pandeiro inquieto
De Zé Negão
Naquele rítmo de extasiar;
Saudade infinita
De Agobar Feitosa
(não é bom lembrar...)
Pão de Açúcar
Dos emigrantes
Roberto Alvim,
Eraldo Lacet,
Zé Amaral...
Verdadeiros jaciobenses.
E mais:
As peixadas de Evenus Luz,
Aquele que tem a “estrela”
Sem conhecê-la.
Pão de Açúcar
Dos que saíram:
Zaluar Santana,
Américo Castro,
Darras Nóia,
Manoel Passinha.
Pão de Açúcar
Dos que ficaram:
Luizinho Machado
(a educação personificada)
E João Lisboa
(do Cristo Redentor)
A grandiosa jóia.
Pão de Açúcar,
Meu mundo distante
De Cáctus
E águas santas.
______________
Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)
(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937
(+) Maceió (AL), 07.05.1976
Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.
*****
PÃO DE AÇÚCAR
Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.
Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.
Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,
O pó que o vendaval deixou no chão cair.
Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste
O teu profundo sono num divino sorrir.
Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,
Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.
Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.
Teus jardins se parecem com vastos cemitérios
Por onde as brisas passam em brando sussurrar.
Aqui e ali tu tens um alto campanário,
Que dá maior relevo ao pálido cenário
Do teu calmo dormir em noite de luar.
____
Ben Gum, pseudônimo de José Mendes
Guimarães - Zequinha Guimarães.
PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia
.gif)








