quinta-feira, novembro 5
1907 – O GOVERNADOR EUCLIDES MALTA VISITA PÃO DE AÇÚCAR
Por Etevaldo Amorim
Em duas oportunidades (de 12
de junho de 1900 a 12 de junho de 1903 e de 12 de junho de 1909 a 13 de março
de 1912), o Estado de Alagoas foi governado pelo Dr. Euclides Malta.
Filho de Manoel Francisco
Malta e Maria Vieira Malta, Euclides Vieira Malta nasceu em Mata Grande no dia 16
de setembro de 1861 e faleceu 16 de julho de 1944, em Recife. Em 19 de maio de
1890, casa-se em Penedo com Maria Gomes Ribeiro, filha de Manoel Gomes Ribeiro –
o Barão de Traipu.
![]() |
| A "chata" Moxotó no porto de Penedo momentos antes da partida. |
Foi durante o seu primeiro
período de governo que ele empreendeu uma viagem de recreio pelo rio São
Francisco, visitando as diversas localidades ribeirinhas.
A partida de Maceió estava prevista para o dia 26 de julho de 1907, a
bordo do paquete Marahú, da Navegação Baiana, sob o comando do capitão-tenente
Fábio Rino, com destino a Penedo. Dali em diante, seguiria a comitiva rio acima
a bordo da “chata” Moxotó.
Segundo o jornal, a comitiva seria formada pelas seguintes
personalidades: o Dr. Joaquim Goulart de Andrade, redator do jornal Gutenberg[i]; Guedes
Nogueira, intendente de Maceió[ii]; Protasio
Trigueiros, artista plástico e desenhista[iii];
Antônio Alves Brasileiro; comerciante; Arsênio Fortes, comerciante em Maceió e
Penedo; Alfredo de Maya, secretário particular do governador[iv]; coronel
Salustiano Sarmento, comandante da Força Pública[v]; Antônio
de Mello Machado, juiz substituto da 1ª vara da capital; José Gomes Ribeiro,
diretor do jornal A Tribuna, órgão oficial do Partido situacionista[vi]; Jacintho
Paes Pinto, inspetor do Tesouro Estadual; um ajudante de ordem do governador, o
major José Pereira Accioly, do Corpo Policial); um representante do jornal Gutenberg
e outro do Diário de Notícias do Rio de Janeiro.
Havia ainda a possibilidade de ser incorporado à comitiva o Dr. Sarjob
Barcellos[vii],
Engenheiro Fiscal da Great Western, que iria fiscalizar a ferrovia de Paulo
Afonso.
![]() |
| A "chata" Moxotó rio acima. |
As primeiras notícias da viagem são veiculadas no jornal Gutenberg no dia 1º de agosto, repercutindo telegrama remetido de Pão de Açúcar no dia 30 de julho. Diz o correspondente:
“Partimos de Traipu hoje às 7
horas da manhã. Em Belo Monte, veio numerosa comissão incorporar-se à comitiva,
fazendo parte o deputado Freitas Melro[viii]
e o Dr. Hugo Botelho[ix].”
Às 14:00,
chegam
a Pão de Açúcar. A numerosa comitiva é festivamente recebida com fogos, vivas,
canoas embandeiradas. Ao som da banda de música, atravessam a extensa coroa de
areia em direção à cidade.
Primeiro, foram à casa do Cel.
Luiz José da Silva Mello (Deputado Estadual) e, em seguida, para a casa do Cel.
João Vieira Lisboa, onde foram recebidos com flores e confetes. Ali foi servido
um farto banquete, ocasião em que falaram o Cel. Luiz José e o Governador.
Em seu discurso, Euclides
Malta mostrou-se satisfeito por verificar o congraçamento entre elementos
políticos dissidentes (Luiz José e João Lisboa[x]),
conclamando a que continuassem em harmonia.
Disse também que o objetivo de
sua viagem era conhecer melhor as necessidades das comunidades ribeirinhas do
São Francisco, e assim envidar esforços para melhor desenvolvê-las.
Ali também estavam presentes:
o chefe político de São Brás, os deputados Goulart, Maya, Luiz José, Freitas
Melro, João Lisboa, Álvaro Cardoso[xi]
e Nunes Leite.[xii]
Também durante o almoço o
poeta pão-de-açucarense Damasceno Ribeiro, que havia frequentado a Escola de
Belas Artes no Rio de Janeiro, cobrou em forma de poema a construção de um
hospital na cidade, declamou a seguinte poesia:
“Os Pobres
Venho em nome da pobreza,
Que mora neste lugar,
Embora
com tibieza,
Da luta o gênio saudar!
Sim! A camada esquecida
Ou falha de proteção
Sente também que há vida
Vibrando em seu coração!…
Por isso venho em seu nome
Brindar o Governador,
Que nas lutas fez renome
Sem nunca as armas depor!
A classe que represento,
Tida por muito infeliz;
Que tem o seu advento
Na própria dor que maldiz;
Que produz, fecunda a terra,
Em pleno reino da paz,
E corre a morrer na guerra,
Que o gênio do mal nos traz;
Essa classe que mais luta
Sem um fim… sem ambição
E se consola, se escuta
O eco de uma oração;
Não mandou-me tão somente
As boas-vindas vos dar!
Mas quer também um presente
De vossas mãos alcançar.
É sorte de quem padeço
Parecendo não sentir!
— O pobre quando aparece
É sempre para pedir!
Pedem os pobres da terra
(E é o meu ideal!)
O lenitivo que encerra
O teto de um hospital.
Tem palácio o rico, o nobre,
Onde prolonga o viver!…
— Um hospital quer o pobre,
Onde descanse ao morrer!
Eis pois o que mais aspira
O pobre do meu torrão!…
Para quem geme ou suspira
Há mais nobre aspiração?
— Dai a todos, um a um,
Sem excluir a ninguém!…
Quem trabalha a bem comum
Aparelha o próprio bem!”
![]() |
| Chegada do governador e comitiva a Pão de Açúcar. |
À noite, na residência do Cel. João Lisboa, houve um sarau dançante com
a presença da elite social “panassucarense”[xiii]
e a banda de música que acompanhava a comitiva.
O governador e comitiva também visitaram a Estação Telegráfica, a cargo
do telegrafista Júlio Cavalcante[xiv],
que ali chegara em 1905 vindo de Penedo, e que foi considerada bem cuidada,
recebendo por isso muitos elogios.
A certa altura da viagem, o Dr. Joaquim Goulart de Andrade telegrafou ao
seu irmão Eusébio de Andrade, Deputado Federal (que estava entre os possíveis
membros da comitiva, mas que não a acompanhou por motivo de doença)[xv], nos
seguintes termos:
“Tenho sido distinguido sempre pelo bom amigo Dr. Euclides. Não há
dúvida que este ilustre contemporâneo dispõe de verdadeiras dedicações. Seu
prestígio aqui resplende vigoroso para refletir-se em todas as fronteiras da
nossa amada Alagoas. Estou encantado com os lindíssimos panoramas dessa
belíssima região.”
![]() |
| O governador Euclides Malta e comitiva defronte a residência do Cel. João Vieira Lisboa. |
____
Segundo o jornal Gutenberg, que fez a cobertura da viagem, o álbum dessa
viagem, com belas vistas das comunidades ribeirinhas de Alagoas, foi organizado
pelo Deputado Álvaro Cardoso, e ficaram expostas na sede daquele importante órgão
da imprensa alagoana.
![]() |
| O governador Euclides Malta |
![]() |
| O Cel. João Lisboa |
___
Fonte: Portal HISTÓRIA DE ALAGOAS.
______
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA
E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes.
Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta
documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão,
solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas que faça também
o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e
justo.
[i]
Gutenberg, 1º de agosto de 1907.
[ii]
Antônio Guedes Nogueira, Intendente de Maceió no período de 07/01/1907 a
07/01/1909.
[iii]
Protásio Trigueiros (Bahia, 1851 – Maceió-1936) era desenhista e gravador,
especialista em impressão em pedra e zinco. Era proprietário da empresa Typo
Lyto-Zincographia Trigueiros, situada na Rua do Comércio.
[iv]
Alfredo de Farias Maya. Filho de Manoel Melchisedeck de Farias Maya e Francisca
Emília de Farias Bittencourt.
[v]
Coronel Salustiano Tavares de Mendonça Sarmento (1853-1930).
[vi]
O jornal A Tribuna, órgão oficial do partido situacionista, funcionava como
Diário Oficial. Isso porque o Diário Oficial propriamente dito só viria
a ser fundado por meio do Decreto nº 537, tendo a primeira edição circulado no
dia 17 de janeiro de 1912, utilizando as máquinas que o governo comprou d'A
Tribuna após o fechamento desta.
[vii]
Sarjob Barcellos. Engenheiro Civil, natural do Rio de Janeiro. Filho de Jos.é
Bernardino Rodrigues Barcellos e Sabina Vieira de Lemos. Casado com Maria
Emília Cavalcanti.
[viii]
Joaquim Freitas Melro (1863-1945), filho de Francisco de Freitas Melro e
Antônia Angélica da Assumpção. Casado com Maria do Valimento Mello. Desse casal
nasceu Aurita de Freitas Melro, primeira esposa do Sr. Joaquim Cruz Rezende.
[ix]
Dr. Victor Hugo Botelho, filho de Victorino do Amaral Botelho e Maria Magdalena
Cabral.
[x][x]
O Cel. João Lisboa era, então, Deputado Estadual. Ele que havia sido Intendente
de Pão de Açúcar de 07/01/1899 a 07/01/1901.
[xi]
Álvaro Cardoso Dias. (Penedo – AL 1862 – Rio de Janeiro – RJ 11/11/1911).
[xii][xii]
Dr. Antônio Nunes Leite (23/10/1882 – 19/10/1960), formado pela Faculdade de
Direito do Recife, filho de Jacintho José Nunes Leite e Maria Tereza de Jesus.
Casado com Astrogilda Alves Ether, irmã do poeta Agripino Ether.
[xiii]
“Panassucarense”. Era assim que se escrevia o gentílico de quem nasce em Pão de
Açúcar naquela época.
[xiv]
Em 1914, passou a se chamar Júlio Jaciobá Cavalcanti. Fonte: Boletim
Telegráfico da Repartição dos Telégrafos. Filho do Cap. Mariano Joaquim
Cavalcanti e Tereza Vieira Cavalcanti.
[xv]
Gutenberg, 25 de julho de 1997.
segunda-feira, outubro 26
HISTÓRIA DO PRÉDIO-SEDE DA PREFEITURA DE PÃO DE AÇÚCAR
Por Etevaldo Amorim
Na esquina da Avenida Bráulio Cavalcante com a Rua Dr.
Luiz Machado, com a fachada voltada para o sul, está localizado o prédio-sede
da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar.
É possível que ali mesmo já viesse funcionando o Poder
Executivo Municipal, mas a aquisição do imóvel e a reforma foram empreendidas
pelo intendente Cel. Manoel Antônio Machado (pai do Sr. Augusto Machado), sendo
inaugurada a nova sede em 7 de janeiro de 1916.
Interessante notar que, na Mensagem com que encaminhou
ao Conselho Municipal o Projeto de Lei Orçamentária para o Exercício de 1914, o
intendente já anunciava:
“Não menos esforços empregarei a fim de conseguir a
aquisição por compra de um prédio onde possam funcionar, com a decência
compatível com os recursos do Município, a Intendência e o Conselho Municipal.
Raro é hoje, no Estado de Alagoas, o Município que não
possui um próprio para aquele fim, só o nosso, por um descaso injustificável de
seus passados administradores, esqueceu até aqui de prover essa grande e
iniludível necessidade.
Conto, pois, com o vosso apoio e auxílio para dotar o
Município com esse melhoramento, na consecução do qual ponho o maior empenho de
minha administração.”
Com efeito, a LEI Nº 60, de 18 de novembro de 1913,
que “Orça a Receita e fixa a Despesa do município de Pão de Açúcar para o
Exercício de 1914, já preconizava, em seu:
“Art. 6º Fica o intendente autorizado:
...
§ 4º A adquirir um prédio, onde possam funcionar a
Intendência e o Conselho Municipal, precedendo acordo da maioria do Conselho.”
Assim, para o fiel cumprimento do dispositivo legal, o
procedimento administrativo foi autorizado pelo Conselho Municipal, que fazia
as vezes de Câmara de Vereadores, publicado em 25 de março de 1914, com o
seguinte teor:
“EDITAL Nº 72 - LEI Nº 62
O Conselho Municipal de Pão de Açúcar decreta o
seguinte:
Art. 1º Fica o intendente do Município autorizado a
desapropriar por utilidade municipal o prédio sito à Avenida Bráulio
Cavalcante, antiga Rua Visconde do Rio Branco[i],
nº 56, com dezoito portas em duas frentes, em que o mesmo município já possui
metade, mediante prévia indenização na forma estabelecida por Lei do Estado.
Art. 2º Pelo mesmo motivo fica o intendente autorizado
a desapropriar a casa contígua ao prédio acima mencionado, com uma porta e uma
janela, de propriedade do cidadão Pedro Pereira Simas, precedendo ainda a
indenização na forma estabelecida por Lei.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das Sessões do Conselho Municipal de Pão de
Açúcar, 24 de março de 1914.
José Venustiniano Cavalcante, Presidente; Dr. Luiz
Machado de Andrade; Manoel Soares de Campos; João Pereira de Mello; Aprígio
Antônio de Carvalho.
Secretaria da Intendência Municipal de Pão de Açúcar,
25 de março de 1914.
J. Evangelista – Secretário.”
___
Note-se que a desapropriação do prédio deveria ser
feita conforme a Lei Estadual. Essa legislação era a própria Constituição do
Estado de Alagoas (de 11 de junho de 1891), que espelhava a Constituição
Federal promulgada em 24 de fevereiro de 1891. O dispositivo central dizia:
“O direito de propriedade conserva-se em toda a sua
plenitude, salvando-se a desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
mediante prévia indenização.”
___
![]() |
| A nova sede da Intendência adquirida e reformada pelo Cel. Manoel Antônio Machado. Foto: João Lisboa, tratada por IA. |
![]() |
| A nova sede da Intendência vista por outro ângulo. Foto: João Lisboa, acervo de sua filha Suely Lisboa, tratada por IA. |
Essas e outras ações empreendidas no seu período administrativo demonstram a disposição do intendente Cel. Manoel Antônio Machado em fazer cumprir o que prometera na referida Mensagem:
“Na distribuição das despesas procurarei afastar-me
daquele fatal regime de filhotismo, de tão longa prática neste Município e tão
contrário aos interesses da comunidade para, de preferência, cuidar dos
melhoramentos indispensáveis e inadiáveis de que havemos mister.”
Com uma Despesa orçada em 9:686$000 (Nove Contos,
Seiscentos e Oitenta e Seis Mil Réis) para o Exercício de 1914, o Orçamento
registrava 180$000 (Cento e oitenta mil réis) de gastos com aluguel da casa do
Conselho; 96$000 (Noventa e seis mil réis) para Aluguel da casa da Intendência,
e reservava 2:000$000 (Dois milhões de réis, ou Dois Contos de Réis) para
aquisição de um prédio para o Conselho.
Efetivamente, o prédio passou a abrigar, não só a
Intendência (depois Prefeitura), mas o Conselho Municipal (depois Câmara de
Vereadores), esta, na parte posterior, com acesso pela Rua Dr. Luiz Machado, onde
também se realizavam as Sessões do Júri.
![]() |
| A sala onde se realizavam as sessões do júri. Foto: Diário de Pernambuco, 1934, melhorada por IA> |
Na foto acima, podemos ver o ambiente organizado para
esse fim. Ao centro, destaca-se um guarda-corpo circular feito de madeira
trabalhada (balaústres), que delimita o espaço reservado aos operadores do
direito (magistrados, jurados, acusação e defesa), isolando a área técnica da
assistência e do público comum.
Nota-se uma mesa principal ao fundo com cadeiras
imponentes destinadas à presidência dos trabalhos (magistratura) e assentos
laterais reservados ao Conselho de Sentença (o júri).
À frente desse conjunto, centralizada em primeiro
plano sobre um pequeno estrado, vê-se uma cadeira isolada voltada para o
tribunal, que servia para posicionar o réu ou as testemunhas de maneira que
ficassem plenamente visíveis a todos os participantes do julgamento.
Ao fundo, fixada na parede em posição de destaque, a
imagem de um santo, provavelmente Santo Ivo, o padroeiro do direito e da
justiça, de presença frequente nos tribunais daquela época.
![]() |
| O prédio da Prefeitura em 1970 em solenidade de hasteamento da bandeira, na gestão do prefeito Dr. Pascoal. |
A Biblioteca Pública Rachel de Queiróz igualmente
funcionou na sala contígua, do lado nascente.
O edifício permaneceu com suas características originais até a gestão do prefeito Eraldo Lacet Cruz (1977-1982), quando as duas portas centrais foram substituídas por uma única porta larga e de vidro. Além disso, a base das janelas foi elevada, deixando-as mais altas.
As sessões do Júri passaram para o prédio central da
antiga SUVALE, na Praça Dr. José Cloves de Andrade, no Forum Dr. Ariston
Padilha.
![]() |
| O prédio da Prefeitura após a reforma do prefeito Eraldo Cruz, 1977/78. Foto: IBGE. |
Finalmente, no segundo semestre de 1992, a Câmara e o
Forum passaram ao novo prédio construído na gestão do prefeito Elísio Sávio
Maia, no local onde funcionou por muitos anos o Açougue Público, aliás,
construído pelo mesmo intendente Cel. Manoel Antônio Machado.
O Prédio Sede do Executivo Municipal só viria a ter
nova reforma em 2001, na gestão do prefeito Jorge Silva Dantas, mantendo-se a
fachada, mas adaptando a área interna com divisórias, formando salas para
diversos setores. Depois disso, em 2019, na administração do prefeito Flávio
Almeida da Silva Junior.
![]() |
| Placa de inauguração da reforma durante a gestão do prefeito Jorge Dantas, 2001. Foto: Joelma Mártires. |
![]() |
| Placa de inauguração da reforma na gestão do prefeito Flávio Almeida da Silva Jr. Foto: Joelma Mártires. |
![]() |
| A Prefeitura Municipal em foto recente. |
______
As duas fotografias mais antigas, de autoria de João
Damasceno Lisboa, não são da época da aquisição e reforma (1916), mas feitas
durante a primeira gestão do prefeito Augusto Machado (09/06/1932 – 14/09/1934).
Ele imprimiu a Lei Orçamentária da época de seu pai, em que constam as
referidas fotos.
Prova disso é a presença de um poste de iluminação pública serviço cuja implantação teve início apenas em 1926.
![]() |
| O Intendente Cel. Manoel Antônio Machado. |
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA
E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes.
Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta
documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão,
solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas que faça também
o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e
justo.
[i]
José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Brando (1819–1880). foi uma das
figuras políticas, diplomáticas e intelectuais mais importantes do Império do
Brasil. É pai do Barão do Rio Branco, de mesmo nome, o “pai da diplomacia
brasileira” e o responsável por consolidar as fronteiras modernas do Brasil.
domingo, outubro 18
A PAVIMENTAÇÃO DA AL-130 — 50 ANOS
Por Etevaldo Amorim
Outrora rota de tropeiros, nos tempos em que as mercadorias
eram transportadas em lombos de burros, esse era o caminho de Pão de Açúcar
para o interior. Tendo o rio São Francisco como via principal do intercâmbio de
comércio de toda a região sertaneja, os produtos que desembarcavam no porto
eram carreados para o centro por meio de animais e carros-de-boi, em processo
lento, penoso e desgastante.
E assim se deu por muitos e muitos anos. Até que, em 1929, sobre
esse caminho foi aberta uma "estrada real", durante a gestão do
Prefeito Padre José Soares Pinto. O seu período administrativo contribuiu
consideravelmente com o governo estadual — então liderado pelo Dr. Álvaro
Corrêa Paes — na ampliação da malha viária do Estado.
O jornal Diário de Pernambuco, em sua edição de 13 de outubro
de 1929, destaca que o Governo de Álvaro Paes “pôs em comunicação franca a
metrópole do Estado com o extremo Norte, abrindo uma rodovia, que é geralmente
louvada pelos serviços que presta a uma região de difícil acesso”.
E prossegue: “Dessas estradas de interesse local se
salientam pela perfeição de seu acabamento a que se dirige de Pão de Açúcar
para Santana do Ipanema e a que vai desta para Palmeira dos Índios.” Para
depois concluir: “Os gabos que se fazem a essas rodovias são unânimes e
recaem sobre os prefeitos que as fizeram: o Padre Soares Pinto, de Pão de
Açúcar; e Graciliano Ramos, de Palmeira dos Índios.”
Cabe salientar, conforme Mensagem do Governador Álvaro Paes
ao Congresso Legislativo, em 19 de novembro de 1929, que coube ao Prefeito de
Santana do Ipanema, Sr. Ormindo Barros, a construção das referidas estradas nos
trechos incluídos em seu território, isto é, da cidade até Olho D’Água das
Flores e, por outro lado, da Sede até o limite com Palmeira dos Índios,
totalizando aqui 14 km.
Não temos notícia de como se deu a construção do trecho Pão
de Açúcar – Olho d’Água. Mas, sobre a parte que coube à prefeitura de Palmeira
dos Índios (na futura BR-316), o prefeito Graciliano Ramos destaca em um de seus
famosos relatórios:
"O serviço de estradas exigiu cuidado e despesa.
Uma via de comunicação que se abre é, incontestavelmente,
fator de progresso; mas as estradas que encontrei, construídas a eito, sem
plano, estragavam os veículos e consumiam tempo. [...]
Na estrada de Palmeira a Sant’Ana, numa extensão de 25
quilômetros, trabalha-se desde maio. Já ali se eliminaram ladeiras quase
impraticáveis, romperam-se piçarras, aterraram-se pântanos e construíram-se
bueiros. Está quase pronta. Falta apenas um quilômetro de aterro, no lugar
denominado Lagoa do Canto. [...]
Não há aqui engenheiros: a locação é feita a olho, por mim ou
pelos fiscais, o que não impede que as estradas saiam retas e com declives
suaves. Os operários trabalham por tarefa, o que é mais econômico e evita a
moleza das diárias.
Gastei na estrada de Sant’Ana a quantia de 17:152$500, o que
dá uma média de 686$100 por quilômetro[i].
Quem conhecer o terreno, que é acidentado e duro, concordará em que o dinheiro
foi bem empregado."
___
Os mais velhos se lembram como era penoso viajar para Maceió naqueles
tempos. Ainda em meados da década de 1970, gastava-se, no mínimo, oito horas
nos velhos ônibus da Viação Progresso, passando por Santana do Ipanema (AL-130),
para depois pegar a BR-316 e passar por Dois Riachos e Cacimbinhas, até chegar
em Palmeira dos índios, onde começava o asfalto, que existia desde 1950,
construído pelo governador Arnon de Mello.
Finalmente, durante o primeiro governo de Divaldo Suruagy, tivemos
a pavimentação.
O financiamento da obra só foi possível devido a uma complexa
operação de crédito internacional aprovada em 20 de maio de 1976 pelo Senado
Federal.
Autorizado pela Resolução nº 25, o Governo de Alagoas
realizou operação de crédito externo no valor de US 10.000.000,00 (DEZ MILHÕES
DE DOLARES), para financiar projetos rodoviários.
Eis o teor da Resolução:
“Faço saber que o SENADO FEDERAL aprovou, nos termos do
artigo 42, inciso IV, da Constituição, e eu, JOSÉ MAGALHÃES PINTO, PRESIDENTE,
promulgo a seguinte:
RESOLUÇÃO Nº 25, DE 1976
Autoriza o Governo do Estado de Alagoas a realizar operação
de empréstimo externo no valor de US$ 10.000,000,00 (dez milhões de dólares),
para financiar projetos rodoviários naquele estado.
Art. 1º. É o Governo do Estado de
Alagoas autorizado a realizar uma operação de empréstimo externo no valor de
US$10.000.000,00 (dez milhões de dólares), ou o equivalente em outras moedas,
de principal, com grupo financiador a ser indicado, sob a orientação do
Ministério da Fazenda e do Banco Central do Brasil, mediante outorga de
garantia do Tesouro Nacional, se necessário, destinado a auxiliar o
financiamento dos investimentos previstos na construção das Rodovias AL-220;
AL-130; AL-120; e AL-225, naquele Estado.
Art. 2º. A operação de empréstimo
realizar-se-á nos termos aprovados pelo Poder Executivo Federal, à taxa de
juros, despesas operacionais, acréscimos, prazos e demais condições admitidas
pelo Banco Central do Brasil para registro de empréstimos da espécie obtidos no
exterior, obedecidas as demais exigências dos órgãos encarregados da execução
da política econômico-financeira do Governo Federal, e, ainda, as disposições
da Lei nº 3.479, de 25 de novembro de 1975, da Assembleia Legislativa do Estado
de Alagoas, publicada no Diário Oficial do Estado no dia subsequente.
Art. 3º. Esta Resolução entra em vigor
na data de sua publicação.
SENADO FEDERAL, 20 de maio de 1976.
JOSÉ DE MAGALHÃES PINTO - PRESIDENTE.
(Texto publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 - 21/05/1976,
Página 7231 (Publicação Original) e Diário Oficial da União - Seção 1 - 15/06/1976,
Página 8399 (Retificação)”
____
A AL-220 inicia no município de Barra de São Miguel (no
entroncamento com a AL-101 Sul – atualmente BR-349), passando por São Miguel
dos Campos e por diversos municípios, tais como Campo Alegre, Limoeiro de
Anadia, Arapiraca, Craíbas, Girau do Ponciano, Jaramataia, Batalha, Jacaré dos
Homens, Monteirópolis, Olho d'Água das Flores, São José da Tapera, até Delmiro
Gouveia.
A AL-120 inicia no entroncamento com a AL-220, passa por
Major Isidoro e vai até Cacimbinhas (BR 316).
A AL-130 liba Pão de Açúcar a Santana do Ipanema, passando
por Olho d’Água das Flores, quando cruza a AL-220.
A AL-225 liga o centro histórico de Piranhas a Olho d'Água do Casado.
____
Entrementes, ainda em um dia do mês de março ou abril de 1976,
a bordo do avião modelo CESSNA AIRCRAFT 182P, de prefixo PT-KIS, o governador
Divaldo Suruagy e sua comitiva chegaram a Pão de Açúcar para o ato de
assinatura do contrato com a empreiteira que implantaria a pavimentação da
estrada.
![]() |
| O avião em que chegou o governador Divaldo Suruagy e sua comitiva. |
![]() |
| O governador Divaldo Suruagy ao desembarcar. |
![]() |
| O governador Divaldo Suruagy assinando o contrato, vendo-se à direita o Sr. Elísio Maia. |
![]() |
| Desconhecido (possivelmente o empreiteiro) assinando o contrato, vendo-se à mesa: Divaldo Suruagy, o prefeito Augusto Machado e o Deputado Estadual Humberto Melo Souza (natural de Pão de Açúcar). |
![]() |
| O Dr. Carlos Fortes Melro, do DER, assinando o contrato, vendo-se Pedro Ferreira e Divaldo Suruagy. |
![]() |
| O deputado Pedro Ferreira assinando o contrato, tendo a seu lado Divaldo Suruagy e Humberto Souza. |
![]() |
| O prefeito Augusto Machado lendo seu discurso, tendo à sua direita o governador Divaldo Suruagy e à esquerda o Dep. Humberto Souza e Elísio Maia. |
![]() |
| O governador Divaldo Suruagy. |
____
Como registro desse fato, há um discurso do Deputado Federal
Antônio Ferreira, publicado no Diário da Câmara dos Deputados (Seção I), 24 de abril
de 1976)
“O SR. ANTÔNIO FERREIRA (ARENA - AL. Pronuncia o seguinte
discurso.)
- Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Estado de Alagoas vive
instantes de grande euforia pelas obras que realiza o Governo Divaldo Suruagy,
sempre procurando solucionar antigos problemas e vencer todas as dificuldades.
Assisti, com satisfação, à solenidade de assinatura dos
contratos para início das obras de asfaltamento da ligação rodoviária. entre
Pão de Açúcar e Olho d'Água das Flores. Igualmente, foi assinado contrato que
manda construir a ligação Olho d'água das Flores a Santana do Ipanema, por via
asfáltica. Estas obras, que já foram iniciadas, refletem o interesse do
Governador em proporcionar ao Estado de Alagoas perfeitas condições de
comunicação entre as suas regiões, facilitando o trânsito da produção agrícola,
melhorando o intercâmbio entre as comunidades alagoanas.
O asfalto que vai ligar Pão de Açúcar a Santana do Ipanema
vem no momento em que o Estado estava carecendo desta estrada em perfeitas
condições de uso, ao longo do rio São Francisco, outra importante ligação que
integra Alagoas e faz o seu território um todo.
Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado de Alagoas
tem servido como fator preponderante para incrementar o progresso e levar o
desenvolvimento a todo o Estado, dentro das metas aprovadas pelo Governador
Divaldo Suruagy, apresentadas pelo Secretário Vinicius Maia Nobre. Não nos
cansamos de apontar o acerto do Governador na escolha deste ilustre Secretário,
Vinicius Maia Nobre, que realmente tem sabido se conduzir à frente de sua
Secretaria, trabalhando incansavelmente, mudando o Estado e dando-lhe nova
feição, desde as regiões sertanejas ao litoral progressista. Igualmente não
podemos desconhecer o muito que vem fazendo o Diretor do Departamento de
Estradas de Rodagem, Dr. Carlos Fortes, que completa esta extraordinária equipe
de Governo que, em pouco tempo, fez Alagoas acompanhar as maiores Unidades da
Federação em índice de desenvolvimento.
Vale ainda ressaltar, Sr. Presidente, que nas obras de
ligação asfáltica entre Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, o Governador de
Alagoas vem prestigiando os políticos locais, pois, a Aliança Renovadora
Nacional tem representantes das cidades mencionadas nos legislativos estadual e
federal, nas pessoas cios ilustres companheiros Pedro Ferreira, Humberto Mello,
Geraldo Bulhões e este que agora lhes fala. Portanto, desta tribuna, quero
agradecer ao Governador Divaldo Suruagy pelo seu esforço em dar à região que
represento e ao Estado que nos mandou a esta Casa o melhor em estradas e
rodovias, fator de integração e desenvolvimento, principalmente em Alagoas.
Era o que tinha a dizer.”
___
Nota-se aqui um aparente descompasso cronológico entre a
autorização legislativa e o início dos trabalhos. A explicação pode ser obtida,
entre outras, pelo fluxo administrativo da época.
Em que pese a Resolução nº 25 do Senado Federal ter sido
promulgada apenas em 20 de maio de 1976, os bastidores políticos e operacionais
da obra já caminhavam em ritmo acelerado. Prova disso é o discurso do deputado
Antônio Ferreira, publicado no Diário do Congresso quase um mês antes, em 24 de
abril de 1976, no qual o parlamentar celebrava a assinatura dos contratos com
as empreiteiras e o início imediato dos primeiros serviços.
Longe de ser uma contradição cronológica, essa defasagem de
datas reflete a dinâmica administrativa da época: com o aval técnico do
Ministério da Fazenda e do Banco Central praticamente assegurado, devido ao
alinhamento político entre o governador Divaldo Suruagy e o regime federal, o Estado
antecipou a assinatura dos contratos e os trabalhos preliminares de campo.
A subsequente aprovação pelo Senado funcionou, portanto, como
a chancela jurídica e o aval financeiro definitivo do Tesouro Nacional,
garantindo o fluxo subsequente dos dez milhões de dólares que sustentariam as
medições de grande porte das rodovias nos meses seguintes.
No dia 11 de novembro de 1976, o governador Divaldo Suruagy
recebeu no Palácio Floriano Peixoto o Ministro da Fazenda Mário Henrique
Simonsen e o Monsieur Pierre Mendras, Diretor de Negócios Internacionais do Banco
Nacional de Paris, para a assinatura do contrato-empréstimo no valor 10 milhões
de dólares para o "Programa de estradas alimentadoras da Produção do
Estado de Alagoas, recursos estes que seriam aplicados na pavimentação de 150
km de estradas, nas áreas produtoras de leite, arroz, feijão, milho, mandioca e
algodão.
Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado, o objetivo do
Programa de Estradas Alimentadoras da Produção era "propiciar o
atendimento das necessidades de transporte em vários segmentos da malha
rodoviária do Estado, gerando benefícios diretos de 45 milhões de dólares".
A Secretaria de Planejamento da Presidência da República
considerou o Programa prioritário, tendo o ministério da Fazenda, a Comissão de
Empréstimo Externo do Banco central autorizado a operação com o banco francês,
enquanto o Senado Federal também aprovou por unanimidade. O empréstimo seria
pago em cinco anos, com três de carência, com o aval do Tesouro Nacional. (Diário
de Pernambuco, 26 de novembro de 1976.)
___
Em 7 de novembro de 1976, com a inauguração da pavimentação
asfáltica da rodovia AL-130 — cujas obras haviam sido concluídas quatro dias
antes —, consolidou-se a integração da bacia leiteira e do comércio ribeirinho
do Rio São Francisco em Pão de Açúcar.
Hoje, passados 50 anos, podemos comemorar e afirmar que a
ligação asfáltica reduziu drasticamente o tempo de viagem entre as cidades
beneficiadas e a capital, Maceió, superando os antigos obstáculos logísticos da
região.
![]() |
| Descerramento da placa de inauguração. Foto: acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. |
____
Fotos do acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. Evento realizado no auditório do Colégio São Vicente. Nelas aparecem diversas outras pessoas da cidade, algumas das quais conseguimos reconhecer. Deixamos aos leitores a tarefa de identificá-las e postar aqui nos comentários. Grato.
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”,
constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens
são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da
competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso
sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso
tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de
autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.
[i]
Essas quantias equivalem a Dezessete Contos, Cento e Cinquenta e Dois Mil e Quinhentos
Réis (17:152$500), e Seiscentos e Oitenta e Seis Mil e Cem Réis (686$100),
respectivamente.
A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR
PÃO DE AÇÚCAR
Marcus Vinícius*
Meu mundo bom
De mandacarus
E Xique-xiques;
Minha distante carícia
Onde o São Francisco
Provoca sempre
Uma mensagem de saudade.
Jaciobá,
De Manoel Rego, a exponência;
De Bráulio Cavalcante, o mártir;
De Nezinho (o Cego), a música.
Jaciobá,
Da poesia romântica
De Vinícius Ligianus;
Da parnasiana de Bem Gum.
Jaciobá,
Das regências dos maestros
Abílio e Nozinho.
Pão de Açúcar,
Vejo o exagero do violão
De Adail Simas;
Vejo acordes tão belos
De Paulo Alves e Zequinha.
O cavaquinho harmonioso
De João de Santa,
Que beleza!
O pandeiro inquieto
De Zé Negão
Naquele rítmo de extasiar;
Saudade infinita
De Agobar Feitosa
(não é bom lembrar...)
Pão de Açúcar
Dos emigrantes
Roberto Alvim,
Eraldo Lacet,
Zé Amaral...
Verdadeiros jaciobenses.
E mais:
As peixadas de Evenus Luz,
Aquele que tem a “estrela”
Sem conhecê-la.
Pão de Açúcar
Dos que saíram:
Zaluar Santana,
Américo Castro,
Darras Nóia,
Manoel Passinha.
Pão de Açúcar
Dos que ficaram:
Luizinho Machado
(a educação personificada)
E João Lisboa
(do Cristo Redentor)
A grandiosa jóia.
Pão de Açúcar,
Meu mundo distante
De Cáctus
E águas santas.
______________
Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)
(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937
(+) Maceió (AL), 07.05.1976
Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.
*****
PÃO DE AÇÚCAR
Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.
Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.
Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,
O pó que o vendaval deixou no chão cair.
Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste
O teu profundo sono num divino sorrir.
Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,
Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.
Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.
Teus jardins se parecem com vastos cemitérios
Por onde as brisas passam em brando sussurrar.
Aqui e ali tu tens um alto campanário,
Que dá maior relevo ao pálido cenário
Do teu calmo dormir em noite de luar.
____
Ben Gum, pseudônimo de José Mendes
Guimarães - Zequinha Guimarães.
PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia
.gif)

























