quinta-feira, junho 4

DEIXE AQUI O SEU COMENTÁRIO - PONHA SEU NOME NO CORPO DA MENSAGEM


A HISTÓRIA DA BANDEIRA E DO HINO DE PÃO DE AÇÚCAR

 

Por Etevaldo Amorim


A bandeira do município de Pão de Açúcar


Todos sabemos que os símbolos municipais foram instituídos por iniciativa do vereador Pedro Lúcio Rocha[i], que nos deixou no último dia 21 de maio. Cumpria ele o seu primeiro mandato quando apresentou, na Câmara, os projetos de lei que criaram a bandeira e o hino de Pão de Açúcar.


A BANDEIRA


O primeiro projeto, relativo à bandeira, foi aprovado pelos seus pares e sancionado pelo prefeito Augusto de Freitas Machado, resultando na Lei Municipal nº 394, de 10 de julho de 1969.


O pavilhão municipal é composto por três faixas horizontais nas cores verde, branca e azul-celeste, e traz o brasão de armas centralizado na faixa branca. O conjunto de símbolos representa a autoridade do povo, a geografia local e a história econômica do município, possuindo significado oficial.


Significado das Cores da Bandeira


As três cores carregam simbolismos específicos voltados à identidade local:


Verde: Representa a natureza regional, os campos e as caatingas que, embora castigados pelo clima, ressurgem em todo o seu esplendor ao primeiro sinal de chuvas.


Branca: Simboliza o desejo e a manutenção da paz social na comunidade.


Azul-celeste: Representa o firmamento e o céu aberto característico do sertão alagoano.



Elementos do Brasão de Armas


Efígie Indígena (Topo do Escudo): Substituindo a tradicional coroa mural, a cabeça de um índio ornamenta o topo do brasão. Este elemento simboliza os primeiros habitantes da região, como as tribos Urumaris e Chocós. Representa a ancestralidade, a resistência e o nome original da localidade antes da colonização: Jaciobá (que significa "Espelho da Lua" em tupi-guarani).


O Escudo Central:


Montes estilizados: Alusão direta à topografia acidentada local, destacando o histórico Morro do Cavalete, cuja forma (semelhante a uma forma de purificar o açúcar na época) batizou a fazenda que deu origem à cidade.


Ondas azuis e uma canoa: Representação do Rio São Francisco, via vital que banha a cidade, e da navegação tradicional, pilares do desenvolvimento econômico da região.


Ramos Agrícolas nas Laterais: O escudo é ladeado por ramos de arroz e algodão, culturas que constituíam a base econômica do município.


Listel (Faixa Inferior): A faixa cor de rosa, que traz o nome do município (Pão de Açúcar-AL), representa as manifestações culturais e folguedos populares. Segundo informações do jornalista Hélio Fialho, reproduzindo as palavras do próprio autor, o elemento homenageia: o coco de Rosa de Lia, a chegança de Zé Nica, o pastoril de Dona Julita, o reisado de Pedro da Paz e o candomblé de Abre-Ala (Tonho Capoeira). 


Segundo relatos da época confirmados por outras pessoas, a bandeira e suas designações, teriam sido concebidas pelas Irmãs do Colégio São Vicente (particularmente pela Irmã Odiliana), a partir da ideia original do autor Pedro Lúcio Rocha.


Pedro Lúcio Rocha, autor do projeto que instituiu a bandeira e o hino.

___ 


O HINO


O Pe. José Nascimento, colaborador na letra do hino.


Já a proposição relativa ao hino foi aprovada pela Câmara e sancionada pelo mesmo prefeito em 15 de setembro de 1969, transformando-se na Lei nº 399.


Sobre as circunstâncias que cercaram a concepção e o desenvolvimento dessa ideia, tivemos a felicidade de receber uma mensagem do extraordinário músico, multi-instrumentista pão-de-açucarense, Billy Magno[ii], contendo uma entrevista que fizera com Pedro Lúcio no dia 15 de janeiro de 2020.


Nessa entrevista, Pedro Lúcio relata, em detalhes, os passos que teve de seguir para a concretização do seu intento, com preciosas informações que agora compartilhamos.


Em uma determinada sessão da Câmara de Vereadores, foi lido um expediente oriundo da cidade de Ouro Preto-MG. Era, na verdade, um convite para um evento dedicado a enaltecer o legado intelectual do Prof. José de Freitas Machado, in memoriam.


Após a leitura, foi aberta a discussão para escolher o representante do município, mas nenhum dos edis se apresentou. Pedro, que por intermédio de Aldemar de Mendonça (Seu Dema) já tinha consciência de quem era o Professor Freitas Machado, ofereceu-se para ir. Considerou que, como o homenageado era um legítimo pão-de-açucarense, tal convite não poderia ser desconsiderado. Ele mesmo falou com o prefeito Augusto Machado, que respondeu indicando o próprio vereador Pedro Lúcio Rocha.


Uma breve pesquisa nos dá a indicação de que o evento em questão foi, provavelmente, uma reunião comemorativa ou congresso acadêmico que celebrou o cinquentenário do movimento "Façamos Químicos", idealizado pelo professor José de Freitas Machado.


O professor Freitas Machado é historicamente reconhecido como o organizador e primeiro diretor da Escola Nacional de Química (fundada em 1933, atual Escola de Química da UFRJ).


Em 1918, ele publicou um artigo intitulado "Façamos químicos", considerado a verdadeira "certidão de nascimento" dos cursos regulares de química industrial no Brasil. Nesse texto, redigido em março de 1917[iii], ele conclamou os poderes públicos a criarem cursos superiores de química no Brasil.


Em 1968, completaram-se exatamente 50 anos desse marco fundamental. Para celebrar o jubileu de ouro do manifesto e homenagear a memória de seu criador, a comunidade científica e associações de química organizaram eventos comemorativos. Ouro Preto foi escolhida como um dos palcos simbólicos devido à forte ligação da cidade com o ensino técnico e mineralógico do país (por meio da histórica Escola de Minas).


Necessário observar que, na correspondência enviada, os promotores do evento pediram a bandeira e o hino do município. Informados de que estes não existiam, solicitaram os símbolos de Alagoas, no que foram atendidos.


Pedro viajou a Ouro Preto e, segundo seu relato, foi recebido com todas as honras como representante do povo de Pão de Açúcar, ao som do Hino de Alagoas. Ele notou, porém, que os demais delegados eram recebidos com as composições de suas respectivas edilidades. Ao retornar, inconformado com essa carência em sua terra natal, começou a se movimentar.


É aqui que surge um novo personagem nesta história: o professor Antônio de Freitas Machado (irmão do professor Freitas Machado). Pedro o procurou propondo que ele escrevesse a letra do hino. Alegando, com inteira razão, problemas de saúde para dedicar-se a tal empreitada, o velho poeta, uma das mais célebres personalidades da intelectualidade pão-de-açucarense, o aconselhou a buscar a ajuda de outra pessoa.


Depois de muito procurar e não encontrar ninguém, Pedro voltou para relatar a sua dificuldade. O professor, então, disse:


— Pois, então, já temos uma pessoa que pode fazer isso.


— Que bom! – alegrou-se Pedro, que perguntou:


— Quem?


— Você! — respondeu o mestre.


Pedro tomou um susto!


— Eu?!


Resignado, foi para casa e se entregou à tarefa. Depois de muito rabiscar – palavras dele- voltou ao professor. Seu Totonho disse que o que Pedro tinha feito estava bom, mas sugeriu que ele procurasse alguém para dar um “retoque final”.


Ele, então, procurou o padre José Nascimento[iv], que era seu amigo. Ainda que surpreso pela escolha do seu nome, o vigário aceitou colaborar. Tomou os “rabiscos” de Pedro e, alguns dias depois, mostrou-lhe uma versão, que acabou sendo a definitiva.

 

LETRA DO HINO DE PÃO DE AÇÚCAR


Eia! Avante, pão-de-açucarenses,
À procura do porvir,
Pois o solo em que nascemos
Terá que subsistir.

Estes montes circundantes
Nos convidam a galgar
As alturas fulgurantes
Do bem esmagando o mal.

Para a frente, jubilosos,
O sucesso procurar.
Jesus Cristo Redentor
Garantia há de nos dar.

Nosso slogan, jubilosos,
O sucesso procurar.
Jesus Cristo Redentor
Garantia há de nos dar.

Nosso rio grande e tão sublime.
Nosso povo tão gentil.
Nesse solo venerado,
Nessa plaga do Brasil.

Esta terra tão sublime
Nos convida a lutar.
Salve, ó terra idolatrada
Por nome Jaciobá!

(letra de Pedro Lúcio Rocha, com a colaboração do Padre José Nascimento, e música de Manoel Passinha (Manoel Capitulino de Castro)[v].

 

Elementos Históricos e Culturais Presentes na letra do Hino


Montes circundantes: Faz alusão à topografia local que cerca a cidade, especialmente o morro do Cavalete, a oeste; o morro do Faria, a Leste; e, mais ao Norte, a majestosa Serra do Meirus.


Jesus Cristo Redentor: Uma clara referência ao monumento do Cristo Redentor situado no topo do Morro do Cavalete, um dos principais pontos turísticos do município.


Nosso rio grande e tão sublime: Refere-se ao imponente rio São Francisco, que banha a cidade.


Jaciobá: O hino resgata o nome indígena original da região (Jaciobá significa "Espelho da Lua" em tupi), herança dos povos nativos que habitavam as margens do rio antes da colonização portuguesa.

___ 

 


O maestro Manoel Passinha, aqui regendo a Orquestra Paganini. Foto MISA _foto MISA, cedida por Billy Magno.

Estava feita a letra do hino, mas faltava a melodia, observa o entrevistador.


- Como você conheceu Passinha? – quis saber.


Pedro, então, esclarece que, na casa de Dona Maroquinha[vi] (mãe de seu Elísio Maia), a qual frequentava com assiduidade, morava uma senhora que era irmã do maestro. Essa senhora era Maria de Castro, conhecida por Mariquinha.[vii]


Pedro lembrou-se de que Seu Dema já lhe havia dito que Manoel Passinha era um dos músicos "mais eficientes" do Nordeste. Foi assim que, por intermédio da irmã, conseguiu um contato com o famoso musicista.


De uma primeira tentativa, foi a Maceió e o procurou no 20º BC (Vigésimo Batalhão de Caçadores), mas não o encontrou. Na segunda vez, conseguiu falar com ele e marcaram de se encontrar na casa do militar, na Av. Santos Pacheco, 252, bairro do Prado.


O maestro aceitou a incumbência e marcou um novo encontro. No dia aprazado, o músico exibiu uma partitura e, com a batuta na mão, solfejava a melodia, pedindo a sua opinião sobre algumas versões.


— Prefere esta ou esta? Prefere esta ou aquela? Esta outra ou a primeira?


Até que chegou a uma de que Pedro Lúcio gostou e se decidiu por ela.

 

___

 

Instituídos os símbolos municipais, foi feita uma gravação do hino em fita cassete, com música e voz, a fim de difundir a sua execução.


Lembro-me de quando cursava a 1ª série do ginasial no Ginásio Cenecista Dom Antônio Brandão: o diretor, Dr. Átila Pinto Machado, entrou na minha sala com algumas professoras para ensaiarmos a nova canção cívica.


Entre nós, estudantes, duas palavras causaram curiosidade: “slogan” e “plaga”. Mas logo os professores vieram em nosso socorro, explicando os seus reais significados.


____ 


E assim, jubilosos e sob a proteção do Cristo Redentor, os habitantes deste solo venerado, nesse recanto do Brasil, passaram a ter os seus símbolos — uma flâmula e seus versos melódicos — para cultuar a sua história e enaltecer a força do seu povo.


____

Nossos agradecimentos a Billy Magno pela cessão da entrevista com Pedro Lúcio Rocha; a Massilon Ferreira da Silva, Hélio Silva Fialho e Claudenice Bezerra por outras informações relevantes.


Para saber mais sobre o maestro Manoel Passinha acesse Passinha, maestro de todos os ritmos e instrumentos.

___


NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Pedro Lúcio Rocha nasceu no povoado Agreste (então município de Pão de Açúcar; hoje pertencente a Monteirópolis), no dia 15 de junho de 1938, filho do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu.

[ii] Williams Magno Barbosa Fialho. Filho de Yvan Silva Fialho e Núbia Barbosa, nasceu em Pão de Açúcar em 5 de julho de 1978.

[iii] AMORIM, Etevaldo Alves. FREITAS MACHADO, VIDA E OBRAS. EDUFAL, 2011.

[iv] José Nascimento de Oliveira nasceu em Palmeira dos Índios no dia 7 de setembro de 1936. Filho de Pedro Raimundo da Silva e Maria José do Nascimento.

[v] MANOEL PASSINHA. Manoel Capitulino de Castro nasceu em Pão de Açúcar no dia 11 de outubro de 1908. Filho de João Euzébio de Castro e Maria Luiza Souza de Castro. Eram seus avós paternos: José Dias de Castro e Luzia Francisca da Assumpção; e, maternos: Manoel Ferreira de Barros e Maria das Dores Pinto. Em 1933, casou-se com Alice de Sabóia Porto. O casal teve uma filha chamada Irma, falecida aos três meses de idade em 5 de dezembro de 1935. Moravam na Av. Santos Pacheco, 252, bairro do Prado, Maceió. Faleceu em Maceió no dia 3 de junho de 1993.

[vi] Maria Joaquina da Anunciação, filha de Manoel Fernandes e Joana Maria da Anunciação.

[vii] Maria de Castro (Mariquinha) faleceu em Pão de Açúcar, no dia 9 de abril de 1996.

sexta-feira, maio 29

ESCOLAS E SEUS PATRONOS - U.M.E MINISTRO AUGUSTO DE FREITAS MACHADO

 

Por Etevaldo Amorim

 

A U. M. E Ministro Augusto de Freitas Machado

A Unidade Municipal de Ensino Ministro Augusto de Freitas Machado, foi inaugurada no dia 28 de fevereiro de 1988, onde funcionavam as turmas de Ensino Fundamental de 8 anos, sendo 5ª série a 8ª série.

 

No ano de 2003, o prédio foi cedido a Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, servindo como extensão da Escola Estadual Pe. José Soares Pinto, atuando até meados de 2006, ficando desativada no mesmo ano.

 

Após uma reforma, a unidade foi reativada em 2 de junho de 2011, retomando suas atividades escolares, atendendo às comunidades circunvizinhas: Ipueura de Baixo, Ipueira de Cima, Umburana D´água, Fazenda Velha, Quibanzê, Meirus, Rua Nova, Assentamentos Bezerra e Bom Conselho e da própria comunidade.

 

Em 2021, na Administração do prefeito Jorge Dantas, a escola passou por nova reforma, oferecendo melhores condições de trabalho para o Corpo Docente e demais servidores, bem como de aprendizagem para os seus alunos.

 

Placa da inauguração da reforma realizada em 2021.

Atualmente a escola funciona com 4 turmas no turno matutino e 5 turmas no turno vespertino, com 273 alunos matriculados, prestando assistência no Ensino Fundamental de 9 anos, Ensino Regular 7º ao 9º ano, funcionando com alunos devidamente matriculados e cadastrados no censo.

 

A Escola oferta Educação Regular Ensino Fundamental II, isto é, o ensino gradativamente, contando neste ano letivo de 2026 com 3 (três) turmas de 7º Ano, 3 (três) turmas de 8º Ano e 3 (três) turmas de 9º Ano, 9 turmas no total, sendo 273 alunos no total.

 

A Unidade de Ensino possui 18 professores e 21 servidores de apoio. A Equipe Gestora, sob a Direção da professora Jany Carla da Cruz Silva, tem ainda a Coordenação de Maycon Douglas Carvalho Ramos e a Articuladora: Nathalia Hanna da Silva Mello.

 

Fonte: Projeto Político Pedagógico da U.M.E. Ministro Augusto de Freitas Machado

 

 

O PATRONO.


O Sr. Augusto de Freitas Machado.


O patrono da Escola é o Sr. Augusto de Freitas Machado.


Filho do Cel. Manoel Antônio Machado e de Rosa Maria Leite Sampaio, nasceu em Pão de Açúcar no dia 6 de janeiro de 1895 e foi batizado na matriz do Sagrado Coração de Jesus no dia 10 de março de 1895.


Cumprido o aprendizado das primeiras letras em sua terra natal, foi para o Recife, onde ingressou no Colégio Salesiano, ali permanecendo de 1908 a 1910. Com ele estavam o irmão Luiz e os primos Antônio de Freitas Machado e Júlio de Freitas Machado.


Em 17 de junho de 1915, já em Maceió trabalhando como Auxiliar do Comércio, casou-se com a Srtª Guiomar Lessa Pinheiro, com quem teve os filhos: Neuza, Hélio, Helena, Humberto, Nise, Marisa, Augusto e Manoel Antônio.


Foi prefeito de Pão de Açúcar nos períodos: 09/06/1932 a 14/09/1934; 18/06/1941 a 17/01/1947; 31/01/1966 a 30/01/1970; 01/02/1973 a 31/01/1977. Ao todo, foram 5.786 dias à frente da Administração do Município Essa marca histórica só veio a ser superada recentemente pelo atual prefeito Jorge Silva Dantas.


 

Seu Augusto exerceu também alguns mandatos como deputado estadual. Eis os pleitos e legislaturas de que participou:


Nas Eleições de 1947, candidato pelo PSD – Partido Social Democrático, obteve 896 votos, sendo eleito para a Legislatura 1947-1951.


Em 1950, novamente candidato pelo PST – Partido Social Trabalhista, obteve 1.881 votos, sendo eleito para a Legislatura 1951-1955.


Em 1954, ainda pelo PSD, conseguiu 1.572 votos, sendo eleito para a Legislatura 1955-1959.


Nas Eleições de 1958, concorrendo pela coligação Frente Democrática Trabalhista: PSD-PTB-PRP, tendo 1.116 sufrágios, ficou como Suplente na Legislatura 1959-1963.


Por último, nas Eleições de 1962, concorreu pelo PSD e obteve 415 votos, ficando na Suplência para a Legislatura 1963-1967.



Augusto de Freitas Machado foi nomeado Membro do Conselho de Finanças no dia 30 de novembro de 1960, por Ato do Governador Sebastião Marinho Muniz Falcão, tendo sua publicação no Diário de 1º de dezembro de 1960, em vacância do cargo de Otacílio Silveira Cavalcanti.


Nessa época, os membros da Comissão de Finanças (atual Tribunal de Contas Estadual) tinham a denominação de “Ministro”. Com a promulgação da Constituição Estadual, em 5 de outubro de 1989, obedecendo aos preceitos da Constituição Federal de 1988, eles passaram a ser chamados de Conselheiros, reservando-se a antiga nomenclatura apenas para os membros do Tribunal de Contas da União (TCU).


Aposentou-se por Ato do mesmo governador do Estado em 14 de dezembro de 1960 (publicado em 15/12/1960).


Faleceu em Maceió no dia 19 de janeiro de 1987.


É patrono da Cadeira nº 32 da ALEPA -Academia de Letras de Pão de Açúcar.

____

Nossos agradecimentos a Marisa Lira, do Tribunal de Contas Estadual, pelas informações prestadas; bem como à diretora Jany Carla.

_____

 

NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

domingo, maio 24

PEDRO LÚCIO ROCHA, O CONSTRUTOR DE SONHOS

 

Por Etevaldo Amorim

 

Pedro Lúcio Rocha. Foto: Câmara Municipal de Pão de Açúcar


No último dia 21 de maio, Pão de Açúcar perdeu uma de suas personalidades mais notáveis: Pedro Lúcio Rocha. Figura singular, ele marcou sua passagem pela nossa comunidade como um propulsor do desenvolvimento sociocultural, político e associativo.


Tal singularidade se justifica pelas suas indiscutíveis qualidades de homem público (ativo, dinâmico, empreendedor), mas também pelas suas características pessoais. Pedro foi, pode-se dizer, um autodidata. Entretanto, a limitada instrução formal era suprida por uma incomparável capacidade de formular o seu pensamento. Sua oratória vibrante, de pretensão erudita, o tornava único e inigualável, embora muitos pudessem imitá-lo na forma e no tom. Era comum ouvi-lo evocar a força de Castro Alves, ao proclamar que “a praça é do povo como o céu é do condor”; ou enaltecer Pão de Açúcar como “a terra de Bráulio Cavalcante, de Jovino da Luz e de Moreno Brandão”. Some-se a isso o seu formidável poder de persuasão e a perseverança em tudo quanto dizia respeito ao exercício da sua vocação.


***   ***   ***


Pedro nasceu no povoado Agreste (então município de Pão de Açúcar; hoje pertencente a Monteirópolis), no dia 15 de junho de 1938, na humilde morada do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu.


Deixou o pequenino rincão sertanejo e foi para o Rio de Janeiro. Serviu ao Exército, provavelmente no final da década de 1950. Nessa ocasião, como parte de suas atribuições de soldado, teria, supostamente, "carregado a mala de Fidel Castro.” De fato, o emblemático líder da revolução cubana, recém vitoriosa em 1959, esteve em visita ao Brasil naquele ano.


Solenidade na Prefeitura de Pão de Açúcar. A partir da esquerda: Padre José Nascimento, Augusto Machado, Vereador Antônio Alves da Silva, Ronalço dos Anjos e Pedro Lúcio, durante o seu primeiro mandato.


Voltando a Pão de Açúcar, aproximou-se dos homens influentes da época: Augusto Machado e Elísio Maia. Atraído pela política, candidatou-se a Vereador nas Eleições de 1965. Eleito, cumpriu o mandato até 1969. Neste mesmo ano, por meio de Projeto de sua autoria, foram instituídos os Símbolos Oficiais do Município (hino, brasão e bandeira), frutos da colaboração dos amigos Maestro Passinha (na música) e do Padre José Nascimento (na letra), sendo aprovados pela Lei Municipal nº 394.


Foi novamente eleito no pleito de 1969, para a Legislatura 1970-1972. Já nas Eleições de 1972, ficou na primeira suplência. Acabou assumindo o mandato em face do trágico falecimento do vereador Germínio de Araújo Costa, em 21 de abril de 1979, permanecendo até 1982.


Em 1988, mesmo sem deter mandato eletivo, Pedro Lúcio destacou-se na articulação que buscava a ampliação de uma frente de oposição no município. Esta união consolidou-se na 'Coligação Muda Pão de Açúcar' por meio do partido que fundara e presidia, o PMB (Partido Municipalista Brasileiro), que, ao lado do PCdoB e do PSB, formou a chapa Cacalo/Jorge Dantas – prefeito e vice-prefeito, respectivamente

 

***   ***   ***


ASSOCIATIVISMO

Pedro Lúcio Rocha


Concomitante ao exercício do mandato de vereador, Pedro iniciou-se no caminho do sindicalismo. Em 3 de janeiro de 1972, foi fundador e primeiro Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pão de Açúcar, cuja sede ficava no número 225 da Rua Pe. José Soares Pinto (antiga Rua Augusta). Para isso teve a colaboração do Padre Heliomar Queiróz Mafra.


Como era comum no período, a entidade operou sob a tutela do Ministério do Trabalho durante os regimes ditatoriais. Contudo, a liderança de Pedro Lúcio foi, aos poucos, evoluindo para uma defesa mais autêntica e combativa das causas dos trabalhadores rurais, sobretudo após o advento da Nova República, que pôs fim a 21 anos de regime militar.


A evidência dessa nova postura confirmou-se em abril de 1987[i], quando o ministro Dante de Oliveira assinou a portaria que incluiu Pedro Lúcio na Comissão Agrária de Alagoas. Ele passou a integrar o órgão como porta-voz da categoria, compondo a representação ao lado de José Caetano da Silva e José de Souza Neto.


Ainda no campo do associativismo, Pedro Lúcio fundou e foi o primeiro presidente da Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Estado de Alagoas (FIECIA) e teve papel fundamental na organização de movimentos populares no semiárido alagoano.


Em 2001, passou a ser membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), atuando ativamente na proteção do "Velho Chico".


Pedro Lúcio foi também um hábil articulador e promotor social, organizando palestras e festivais de cultura, atraindo para Pão de Açúcar personalidades destacadas da sociedade alagoana, propiciando aos locais - sobretudo aos jovens - a oportunidade de acesso à cultura e ao saber.


***   ***   ***


COMUNICAÇÃO


No mesmo ano em que fundou o Sindicato, precisamente em 16 de setembro de 1972, Pedro criou o Jornal A PÁTRIA. Era um jornalzinho pertencente à Associação Pão-de-açucarense de Jornalismo e Comunicação, e impresso nas oficinas do Colégio São Vicente. Ali estavam Massilon Ferreira da Silva, Álvaro Antônio Melo Machado, Érico Melo de Abreu, Erivaldo Caldeira de Souza (Guri) e Etevaldo Alves Amorim. Depois chegaram outros jovens que também tiveram oportunidade de despertar para as vocações literárias: José Carlos Lima, Gilvan Abreu, Yvan Silva Fialho e Helio Silva Fialho, Darival Lira.



Também nessa época, ele ativou o serviço de alto-falantes e a emissora de rádio Antena Municipal de Pão de Açúcar, “dando, assim, oportunidade para alguns membros da juventude pão-de-açucarense fazerem trabalhos de locução e sonoplastia, incentivando-os a ingressar no mundo da comunicação como radialistas e jornalistas.” – diz o jornalista Helio Fialho em discurso pronunciado em homenagem aos seus 80 anos.


HOMENAGENS


Como reflexo da sua intensa atuação, Pedro Lúcio foi alvo de diversas homenagens. Entre as mais destacadas:


A Comenda do Mérito Educativo Alagoano, honraria destinada a reconhecer e homenagear educadores e personalidades que tenham prestado relevantes serviços à Educação no Estado de Alagoas, concedida em 17 de dezembro de 2008, no Auditório do Palácio República dos Palmares, por ocasião do 46º aniversário do Conselho Estadual de Educação.


Comenda 200 Anos de Alagoas, oferecida pela Câmara Municipal de Pão de Açúcar no dia 22 de setembro de 2017, por ocasião das comemorações alusivas aos 200 anos de emancipação política do nosso Estado.


Pedro Lúcio Rocha foi Sócio honorário da Academia de Letras de Pão de Açúcar (ALEPA), fundada em 22 de setembro de 2017, e foi homenageado com um livro de cordel intitulado "Pedro Lúcio Rocha - Um homem à frente do seu tempo", do poeta e escritor Giovanni Fialho.


Outra singela, mas significativa homenagem, lhe foi prestada na noite do dia 15 de novembro de 2014, no Bar do Madureira, em Pão de Açúcar. Alguns dos amigos com os quais conviveu em suas lides sindicais e jornalísticas — Massilon Silva, Érico e Gilvan Abreu, Lindalvo Costa, Etevaldo Amorim e Reginaldo Lira o brindaram com uma placa contendo os dizeres: “PEDRO LÚCIO ROCHA – CONSTRUTOR DE SONHOS. Homenagem de seus amigos por sua coragem, trabalho e sabedoria na luta."


Flagrante da homenagem a Pedro Lúcio em 15 de novembro de 2014.

Pedro Lúcio recebendo a placa em sua homenagem.


Aliás, por ocasião das tratativas para a homenagem, foi criado um Grupo de WhatsApp, idealizado por Érico Abreu, que perdura até hoje, do qual participam: Érico, Gilvan, Schumann, Massilon, Júlio César, Etevaldo, Álvaro Antônio, Lindalvo e Edberto.


E para não ficar sozinho nesta tentativa de dizer o quanto Pedro Lúcio foi importante para Pão de Açúcar, recorro a alguns depoimentos de membros desse Grupo.


Júlio César Lima Dias relata que, buscando melhorias para o seu povoado (Ilha do Ferro), no caso um simples abrigo para a TV Pública, buscou o apoio de Pedro Lúcio, então dirigente da FIECIA – Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Interior de Alagoas. Diz ele que “Pedro Lúcio, ao perceber naquele jovem a busca sincera por direitos sociais, acolheu-me com dignidade e respeito. Esse gesto elevou minha autoestima: de um simples matuto do interior, passei a enxergar-me como alguém capaz de contribuir para transformar a realidade e ajudar outras pessoas”.


O pleito daquele jovem de 17 anos foi atendido: a Prefeitura construiu uma estrutura em praça pública e todos passaram a desfrutar da programação da TV Pública. E Júlio César continua: “Aquilo me deixou, de certo modo, empoderado. E Pedro Lúcio, como exímio garimpador de ‘talentos militantes’ levou-me para trabalhar no STR e na FIECIA. Lá aprendi muito e ficava impressionado com sua capacidade de redigir, apenas ditando. Além de nossa família, outras pessoas têm influência definidora nas nossas vidas e, na minha, Pedro Lúcio foi um desses agentes atuadores.”


De Álvaro Antônio Melo Machado, temos o seguinte depoimento:


Pão de Açúcar perdeu um dos personagens mais identificados com sua história. Perdeu, fisicamente, Pedro Lúcio Rocha. E apenas assim, pois na História de Pão de Açúcar, daqui para frente, Pedro Lúcio será sempre lembrado pelo muito que fez pela nossa terra.


De origem humilde, nascido na caatinga do sertão, Pedro Lúcio lutou contra todas as formas de preconceitos e discriminação e, por seu único e exclusivo mérito, venceu e foi longe, bem além do que muitos letrados não conseguiram chegar.


A Pedro Lúcio, Pão de Açúcar deve o exemplo aguerrido do líder sindical, que estruturou e deu força ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais na difícil época da ditadura; o exemplo do líder nato que ficou à frente dos projetos que uniam o social e o cultural. Foi assim na criação do jornal A Pátria, na organização de festivais e músicas e de poesias, nos esportes, na radiofonia.


Tornou realidade dois dos maiores símbolos de Pão de Açúcar: a bandeira do município e o nosso hino oficial.


Participou, de forma singular, de momentos políticos marcantes na história de Pão de Açúcar.


Vai-se, além do grande líder sindical, um amigo muito querido, com quem muito aprendi e muito compartilhei lutas e iniciativas em prol de Pão de Açúcar, de Alagoas e do Brasil.


Deus me proporcionou a alegria de, no último mês de dezembro, participar da bela homenagem que a ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar, prestou a Pedro Lúcio. E o meu presidente Helio Fialho honrou-me sobremaneira, me escolhendo para fazer a saudação ao homenageado, em nome da nossa Academia.  Foi nosso último momento juntos, em meio a tantos e tantos que marcaram nossa vida e nossa trajetória. Que Deus o receba em Sua Glória!


E, por fim, as palavras de Massilon Ferreira da Silva:


“O VIAJANTE DAS ESTRELAS OU O AJUDANTE DE DEUS


Ele tinha uma irmã [começo por aqui]; uma freira que anualmente o visitava e aos pais de ambos, num distante povoado dos confins de Alagoas. Daí talvez terá nascido seu apego aos padres, à igreja e às coisas divinas. Um católico fervoroso que, antes da conversão, desfilou pela Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em homenagem a Che Guevara, comunista e ateu de carteirinha. Era recruta do Exército Brasileiro e não tinha escolha.


Um dia aportou por aqui, não se sabe como, e foi então que aquele irmão de freira ‘fez o diabo’. Ajudou na missa, acompanhou procissão, fundou sindicato, jornal, rádio, time de futebol, escreveu letra de hino, foi político e amigo acima de tudo.


Hoje, ‘como veio partiu não se sabe pra onde’, para citar Chico Buarque. Para citar, de outra banda, os ufólogos modernos, viajou com destino a um Exoplaneta, situado num sistema qualquer de uma galáxia distante, cujos habitantes estão precisando de uma ‘mãozinha’, a mão amiga de Pedro Lúcio Rocha, o irmão da freira que o espera na próxima estrela para encorajá-lo a começar tudo de novo."


***   ***   ***


Pedro vinha, há algum tempo, muito doente. Nos últimos dias, achava-se internado no hospital de Pão de Açúcar.


Na véspera de sua morte - relata Lindalvo – eu e Gilvan o visitamos. Tinha acabado de tomar morfina e estava descansando. Acordou depois, sentou-se, mas não falou nada, apenas olhou para nós e voltou a dormir.


Dormiu para a eternidade. E, por tudo o que fez em sua vida de 88 anos, tornando realidade as suas aspirações e os anseios de muitos, bem merece a frase cunhada por Érico Abreu: PEDRO LÚCIO ROCHA foi um CONSTRUTOR DE SONHOS.

___ 


Nossos sentimentos sua esposa Lizete Alves Rocha e seus filhos Eliane, Giovanni, Clayton e Edjane.

_____

 

NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Portaria assinada pelo Ministro da Reforma Agrária, Dante de Oliveira, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 1987.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia