sexta-feira, maio 29

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ESCOLAS E SEUS PATRONOS - U.M.E MINISTRO AUGUSTO DE FREITAS MACHADO

 

Por Etevaldo Amorim

 

A U. M. E Ministro Augusto de Freitas Machado

A Unidade Municipal de Ensino Ministro Augusto de Freitas Machado, foi inaugurada no dia 28 de fevereiro de 1988, onde funcionavam as turmas de Ensino Fundamental de 8 anos, sendo 5ª série a 8ª série.

 

No ano de 2003, o prédio foi cedido a Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, servindo como extensão da Escola Estadual Pe. José Soares Pinto, atuando até meados de 2006, ficando desativada no mesmo ano.

 

Após uma reforma, a unidade foi reativada em 2 de junho de 2011, retomando suas atividades escolares, atendendo às comunidades circunvizinhas: Ipueura de Baixo, Ipueira de Cima, Umburana D´água, Fazenda Velha, Quibanzê, Meirus, Rua Nova, Assentamentos Bezerra e Bom Conselho e da própria comunidade.

 

Em 2021, na Administração do prefeito Jorge Dantas, a escola passou por nova reforma, oferecendo melhores condições de trabalho para o Corpo Docente e demais servidores, bem como de aprendizagem para os seus alunos.

 

Placa da inauguração da reforma realizada em 2021.

Atualmente a escola funciona com 4 turmas no turno matutino e 5 turmas no turno vespertino, com 273 alunos matriculados, prestando assistência no Ensino Fundamental de 9 anos, Ensino Regular 7º ao 9º ano, funcionando com alunos devidamente matriculados e cadastrados no censo.

 

A Escola oferta Educação Regular Ensino Fundamental II, isto é, o ensino gradativamente, contando neste ano letivo de 2026 com 3 (três) turmas de 7º Ano, 3 (três) turmas de 8º Ano e 3 (três) turmas de 9º Ano, 9 turmas no total, sendo 273 alunos no total.

 

A Unidade de Ensino possui 18 professores e 21 servidores de apoio. A Equipe Gestora, sob a Direção da professora Jany Carla da Cruz Silva, tem ainda a Coordenação de Maycon Douglas Carvalho Ramos e a Articuladora: Nathalia Hanna da Silva Mello.

 

Fonte: Projeto Político Pedagógico da U.M.E. Ministro Augusto de Freitas Machado

 

 

O PATRONO.


O Sr. Augusto de Freitas Machado.


O patrono da Escola é o Sr. Augusto de Freitas Machado.


Filho do Cel. Manoel Antônio Machado e de Rosa Maria Leite Sampaio, nasceu em Pão de Açúcar no dia 6 de janeiro de 1895 e foi batizado na matriz do Sagrado Coração de Jesus no dia 10 de março de 1895.


Cumprido o aprendizado das primeiras letras em sua terra natal, foi para o Recife, onde ingressou no Colégio Salesiano, ali permanecendo de 1908 a 1910. Com ele estavam o irmão Luiz e os primos Antônio de Freitas Machado e Júlio de Freitas Machado.


Em 17 de junho de 1915, já em Maceió trabalhando como Auxiliar do Comércio, casou-se com a Srtª Guiomar Lessa Pinheiro, com quem teve os filhos: Neuza, Hélio, Helena, Humberto, Nise, Marisa, Augusto e Manoel Antônio.


Foi prefeito de Pão de Açúcar nos períodos: 09/06/1932 a 14/09/1934; 18/06/1941 a 17/01/1947; 31/01/1966 a 30/01/1970; 01/02/1973 a 31/01/1977. Ao todo, foram 5.786 dias à frente da Administração do Município Essa marca histórica só veio a ser superada recentemente pelo atual prefeito Jorge Silva Dantas.


 

Seu Augusto exerceu também alguns mandatos como deputado estadual. Eis os pleitos e legislaturas de que participou:


Nas Eleições de 1947, candidato pelo PSD – Partido Social Democrático, obteve 896 votos, sendo eleito para a Legislatura 1947-1951.


Em 1950, novamente candidato pelo PST – Partido Social Trabalhista, obteve 1.881 votos, sendo eleito para a Legislatura 1951-1955.


Em 1954, ainda pelo PSD, conseguiu 1.572 votos, sendo eleito para a Legislatura 1955-1959.


Nas Eleições de 1958, concorrendo pela coligação Frente Democrática Trabalhista: PSD-PTB-PRP, tendo 1.116 sufrágios, ficou como Suplente na Legislatura 1959-1963.


Por último, nas Eleições de 1962, concorreu pelo PSD e obteve 415 votos, ficando na Suplência para a Legislatura 1963-1967.



Augusto de Freitas Machado foi nomeado Membro do Conselho de Finanças no dia 30 de novembro de 1960, por Ato do Governador Sebastião Marinho Muniz Falcão, tendo sua publicação no Diário de 1º de dezembro de 1960, em vacância do cargo de Otacílio Silveira Cavalcanti.


Nessa época, os membros da Comissão de Finanças (atual Tribunal de Contas Estadual) tinham a denominação de “Ministro”. Com a promulgação da Constituição Estadual, em 5 de outubro de 1989, obedecendo aos preceitos da Constituição Federal de 1988, eles passaram a ser chamados de Conselheiros, reservando-se a antiga nomenclatura apenas para os membros do Tribunal de Contas da União (TCU).


Aposentou-se por Ato do mesmo governador do Estado em 14 de dezembro de 1960 (publicado em 15/12/1960).


Faleceu em Maceió no dia 19 de janeiro de 1987.


É patrono da Cadeira nº 32 da ALEPA -Academia de Letras de Pão de Açúcar.

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Nossos agradecimentos a Marisa Lira, do Tribunal de Contas Estadual, pelas informações prestadas; bem como à diretora Jany Carla.

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NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

domingo, maio 24

PEDRO LÚCIO ROCHA, O CONSTRUTOR DE SONHOS

 

Por Etevaldo Amorim

 

Pedro Lúcio Rocha. Foto: Câmara Municipal de Pão de Açúcar


No último dia 21 de maio, Pão de Açúcar perdeu uma de suas personalidades mais notáveis: Pedro Lúcio Rocha. Figura singular, ele marcou sua passagem pela nossa comunidade como um propulsor do desenvolvimento sociocultural, político e associativo.


Tal singularidade se justifica pelas suas indiscutíveis qualidades de homem público (ativo, dinâmico, empreendedor), mas também pelas suas características pessoais. Pedro foi, pode-se dizer, um autodidata. Entretanto, a limitada instrução formal era suprida por uma incomparável capacidade de formular o seu pensamento. Sua oratória vibrante, de pretensão erudita, o tornava único e inigualável, embora muitos pudessem imitá-lo na forma e no tom. Era comum ouvi-lo evocar a força de Castro Alves, ao proclamar que “a praça é do povo como o céu é do condor”; ou enaltecer Pão de Açúcar como “a terra de Bráulio Cavalcante, de Jovino da Luz e de Moreno Brandão”. Some-se a isso o seu formidável poder de persuasão e a perseverança em tudo quanto dizia respeito ao exercício da sua vocação.


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Pedro nasceu no povoado Agreste (então município de Pão de Açúcar; hoje pertencente a Monteirópolis), no dia 15 de junho de 1938, na humilde morada do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu.


Deixou o pequenino rincão sertanejo e foi para o Rio de Janeiro. Serviu ao Exército, provavelmente no final da década de 1950. Nessa ocasião, como parte de suas atribuições de soldado, teria, supostamente, "carregado a mala de Fidel Castro.” De fato, o emblemático líder da revolução cubana, recém vitoriosa em 1959, esteve em visita ao Brasil naquele ano.


Solenidade na Prefeitura de Pão de Açúcar. A partir da esquerda: Padre José Nascimento, Augusto Machado, Vereador Antônio Alves da Silva, Ronalço dos Anjos e Pedro Lúcio, durante o seu primeiro mandato.


Voltando a Pão de Açúcar, aproximou-se dos homens influentes da época: Augusto Machado e Elísio Maia. Atraído pela política, candidatou-se a Vereador nas Eleições de 1965. Eleito, cumpriu o mandato até 1969. Neste mesmo ano, por meio de Projeto de sua autoria, foram instituídos os Símbolos Oficiais do Município (hino, brasão e bandeira), frutos da colaboração dos amigos Maestro Passinha (na música) e do Padre José Nascimento (na letra), sendo aprovados pela Lei Municipal nº 394.


Foi novamente eleito no pleito de 1969, para a Legislatura 1970-1972. Já nas Eleições de 1972, ficou na primeira suplência. Acabou assumindo o mandato em face do trágico falecimento do vereador Germínio de Araújo Costa, em 21 de abril de 1979, permanecendo até 1982.


Em 1988, mesmo sem deter mandato eletivo, Pedro Lúcio destacou-se na articulação que buscava a ampliação de uma frente de oposição no município. Esta união consolidou-se na 'Coligação Muda Pão de Açúcar' por meio do partido que fundara e presidia, o PMB (Partido Municipalista Brasileiro), que, ao lado do PCdoB e do PSB, formou a chapa Cacalo/Jorge Dantas – prefeito e vice-prefeito, respectivamente

 

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ASSOCIATIVISMO

Pedro Lúcio Rocha


Concomitante ao exercício do mandato de vereador, Pedro iniciou-se no caminho do sindicalismo. Em 3 de janeiro de 1972, foi fundador e primeiro Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pão de Açúcar, cuja sede ficava no número 225 da Rua Pe. José Soares Pinto (antiga Rua Augusta). Para isso teve a colaboração do Padre Heliomar Queiróz Mafra.


Como era comum no período, a entidade operou sob a tutela do Ministério do Trabalho durante os regimes ditatoriais. Contudo, a liderança de Pedro Lúcio foi, aos poucos, evoluindo para uma defesa mais autêntica e combativa das causas dos trabalhadores rurais, sobretudo após o advento da Nova República, que pôs fim a 21 anos de regime militar.


A evidência dessa nova postura confirmou-se em abril de 1987[i], quando o ministro Dante de Oliveira assinou a portaria que incluiu Pedro Lúcio na Comissão Agrária de Alagoas. Ele passou a integrar o órgão como porta-voz da categoria, compondo a representação ao lado de José Caetano da Silva e José de Souza Neto.


Ainda no campo do associativismo, Pedro Lúcio fundou e foi o primeiro presidente da Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Estado de Alagoas (FIECIA) e teve papel fundamental na organização de movimentos populares no semiárido alagoano.


Em 2001, passou a ser membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), atuando ativamente na proteção do "Velho Chico".


Pedro Lúcio foi também um hábil articulador e promotor social, organizando palestras e festivais de cultura, atraindo para Pão de Açúcar personalidades destacadas da sociedade alagoana, propiciando aos locais - sobretudo aos jovens - a oportunidade de acesso à cultura e ao saber.


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COMUNICAÇÃO


No mesmo ano em que fundou o Sindicato, precisamente em 16 de setembro de 1972, Pedro criou o Jornal A PÁTRIA. Era um jornalzinho pertencente à Associação Pão-de-açucarense de Jornalismo e Comunicação, e impresso nas oficinas do Colégio São Vicente. Ali estavam Massilon Ferreira da Silva, Álvaro Antônio Melo Machado, Érico Melo de Abreu, Erivaldo Caldeira de Souza (Guri) e Etevaldo Alves Amorim. Depois chegaram outros jovens que também tiveram oportunidade de despertar para as vocações literárias: José Carlos Lima, Gilvan Abreu, Yvan Silva Fialho e Helio Silva Fialho, Darival Lira.



Também nessa época, ele ativou o serviço de alto-falantes e a emissora de rádio Antena Municipal de Pão de Açúcar, “dando, assim, oportunidade para alguns membros da juventude pão-de-açucarense fazerem trabalhos de locução e sonoplastia, incentivando-os a ingressar no mundo da comunicação como radialistas e jornalistas.” – diz o jornalista Helio Fialho em discurso pronunciado em homenagem aos seus 80 anos.


HOMENAGENS


Como reflexo da sua intensa atuação, Pedro Lúcio foi alvo de diversas homenagens. Entre as mais destacadas:


A Comenda do Mérito Educativo Alagoano, honraria destinada a reconhecer e homenagear educadores e personalidades que tenham prestado relevantes serviços à Educação no Estado de Alagoas, concedida em 17 de dezembro de 2008, no Auditório do Palácio República dos Palmares, por ocasião do 46º aniversário do Conselho Estadual de Educação.


Comenda 200 Anos de Alagoas, oferecida pela Câmara Municipal de Pão de Açúcar no dia 22 de setembro de 2017, por ocasião das comemorações alusivas aos 200 anos de emancipação política do nosso Estado.


Pedro Lúcio Rocha foi Sócio honorário da Academia de Letras de Pão de Açúcar (ALEPA), fundada em 22 de setembro de 2017, e foi homenageado com um livro de cordel intitulado "Pedro Lúcio Rocha - Um homem à frente do seu tempo", do poeta e escritor Giovanni Fialho.


Outra singela, mas significativa homenagem, lhe foi prestada na noite do dia 15 de novembro de 2014, no Bar do Madureira, em Pão de Açúcar. Alguns dos amigos com os quais conviveu em suas lides sindicais e jornalísticas — Massilon Silva, Érico e Gilvan Abreu, Lindalvo Costa, Etevaldo Amorim e Reginaldo Lira o brindaram com uma placa contendo os dizeres: “PEDRO LÚCIO ROCHA – CONSTRUTOR DE SONHOS. Homenagem de seus amigos por sua coragem, trabalho e sabedoria na luta."


Flagrante da homenagem a Pedro Lúcio em 15 de novembro de 2014.

Pedro Lúcio recebendo a placa em sua homenagem.


Aliás, por ocasião das tratativas para a homenagem, foi criado um Grupo de WhatsApp, idealizado por Érico Abreu, que perdura até hoje, do qual participam: Érico, Gilvan, Schumann, Massilon, Júlio César, Etevaldo, Álvaro Antônio, Lindalvo e Edberto.


E para não ficar sozinho nesta tentativa de dizer o quanto Pedro Lúcio foi importante para Pão de Açúcar, recorro a alguns depoimentos de membros desse Grupo.


Júlio César Lima Dias relata que, buscando melhorias para o seu povoado (Ilha do Ferro), no caso um simples abrigo para a TV Pública, buscou o apoio de Pedro Lúcio, então dirigente da FIECIA – Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Interior de Alagoas. Diz ele que “Pedro Lúcio, ao perceber naquele jovem a busca sincera por direitos sociais, acolheu-me com dignidade e respeito. Esse gesto elevou minha autoestima: de um simples matuto do interior, passei a enxergar-me como alguém capaz de contribuir para transformar a realidade e ajudar outras pessoas”.


O pleito daquele jovem de 17 anos foi atendido: a Prefeitura construiu uma estrutura em praça pública e todos passaram a desfrutar da programação da TV Pública. E Júlio César continua: “Aquilo me deixou, de certo modo, empoderado. E Pedro Lúcio, como exímio garimpador de ‘talentos militantes’ levou-me para trabalhar no STR e na FIECIA. Lá aprendi muito e ficava impressionado com sua capacidade de redigir, apenas ditando. Além de nossa família, outras pessoas têm influência definidora nas nossas vidas e, na minha, Pedro Lúcio foi um desses agentes atuadores.”


De Álvaro Antônio Melo Machado, temos o seguinte depoimento:


Pão de Açúcar perdeu um dos personagens mais identificados com sua história. Perdeu, fisicamente, Pedro Lúcio Rocha. E apenas assim, pois na História de Pão de Açúcar, daqui para frente, Pedro Lúcio será sempre lembrado pelo muito que fez pela nossa terra.


De origem humilde, nascido na caatinga do sertão, Pedro Lúcio lutou contra todas as formas de preconceitos e discriminação e, por seu único e exclusivo mérito, venceu e foi longe, bem além do que muitos letrados não conseguiram chegar.


A Pedro Lúcio, Pão de Açúcar deve o exemplo aguerrido do líder sindical, que estruturou e deu força ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais na difícil época da ditadura; o exemplo do líder nato que ficou à frente dos projetos que uniam o social e o cultural. Foi assim na criação do jornal A Pátria, na organização de festivais e músicas e de poesias, nos esportes, na radiofonia.


Tornou realidade dois dos maiores símbolos de Pão de Açúcar: a bandeira do município e o nosso hino oficial.


Participou, de forma singular, de momentos políticos marcantes na história de Pão de Açúcar.


Vai-se, além do grande líder sindical, um amigo muito querido, com quem muito aprendi e muito compartilhei lutas e iniciativas em prol de Pão de Açúcar, de Alagoas e do Brasil.


Deus me proporcionou a alegria de, no último mês de dezembro, participar da bela homenagem que a ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar, prestou a Pedro Lúcio. E o meu presidente Helio Fialho honrou-me sobremaneira, me escolhendo para fazer a saudação ao homenageado, em nome da nossa Academia.  Foi nosso último momento juntos, em meio a tantos e tantos que marcaram nossa vida e nossa trajetória. Que Deus o receba em Sua Glória!


E, por fim, as palavras de Massilon Ferreira da Silva:


“O VIAJANTE DAS ESTRELAS OU O AJUDANTE DE DEUS


Ele tinha uma irmã [começo por aqui]; uma freira que anualmente o visitava e aos pais de ambos, num distante povoado dos confins de Alagoas. Daí talvez terá nascido seu apego aos padres, à igreja e às coisas divinas. Um católico fervoroso que, antes da conversão, desfilou pela Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em homenagem a Che Guevara, comunista e ateu de carteirinha. Era recruta do Exército Brasileiro e não tinha escolha.


Um dia aportou por aqui, não se sabe como, e foi então que aquele irmão de freira ‘fez o diabo’. Ajudou na missa, acompanhou procissão, fundou sindicato, jornal, rádio, time de futebol, escreveu letra de hino, foi político e amigo acima de tudo.


Hoje, ‘como veio partiu não se sabe pra onde’, para citar Chico Buarque. Para citar, de outra banda, os ufólogos modernos, viajou com destino a um Exoplaneta, situado num sistema qualquer de uma galáxia distante, cujos habitantes estão precisando de uma ‘mãozinha’, a mão amiga de Pedro Lúcio Rocha, o irmão da freira que o espera na próxima estrela para encorajá-lo a começar tudo de novo."


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Pedro vinha, há algum tempo, muito doente. Nos últimos dias, achava-se internado no hospital de Pão de Açúcar.


Na véspera de sua morte - relata Lindalvo – eu e Gilvan o visitamos. Tinha acabado de tomar morfina e estava descansando. Acordou depois, sentou-se, mas não falou nada, apenas olhou para nós e voltou a dormir.


Dormiu para a eternidade. E, por tudo o que fez em sua vida de 88 anos, tornando realidade as suas aspirações e os anseios de muitos, bem merece a frase cunhada por Érico Abreu: PEDRO LÚCIO ROCHA foi um CONSTRUTOR DE SONHOS.

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Nossos sentimentos sua esposa Lizete Alves Rocha e seus filhos Eliane, Giovanni, Clayton e Edjane.

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NOTA

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[i] Portaria assinada pelo Ministro da Reforma Agrária, Dante de Oliveira, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 1987.

sexta-feira, maio 15

“BRÁULIO CAVALCANTE” – O AVIÃO

 

Por Etevaldo Amorim


Avião semelhante ao "Bráulio Cavalcante". Foto ilustração - Fonte: portal História de Alagoas.


Ao entrar para a História, o nosso conterrâneo Bráulio Cavalcante foi merecedor de diversas homenagens: nome de avenida e de escola em sua terra, nome de rua em Palmeira dos Índios e no Recife, nome de praça em Maceió, bustos em praça pública em Pão de Açúcar e na capital do Estado. Mas, em meio a essas merecidas honrarias, há uma que o eleva, literalmente, aos céus: o batismo de um avião com seu nome.


Isso aconteceu em 24 de julho de 1947, no Calabouço[i], Rio de Janeiro, quando foram batizados seis novos aparelhos de treinamento, no âmbito da Campanha Nacional de Aviação, sob o lema “Deem asas ao Brasil”.[ii] Estavam presentes o tenente coronel Armando de Menezes, chefe do Gabinete do Estado Maior da Aeronáutica, e o major aviador Ruthênio Carneiro da Cunha, também do Estado Maior da Aeronáutica. Presidiu a solenidade o senador Salgado Filho.


O avião, modelo Neiva P-56 C, conhecido como "Paulistinha", que seria destinado ao Aeroclube de Alagoas, foi paraninfado pelo Brigadeiro Ajalmar Mascarenhas[iii], um alagoano de Anadia, que conheceu Bráulio e a sua luta.


Antes de derramar champagne sobre a hélice do avião, ele pronunciou o seguinte discurso:


“Este avião, que a Campanha Nacional de Aviação destinou ao aeroclube de Alagoas, se ilustra com o nome do ardoroso tribuno, do jornalista de escol, do maior poeta alagoano, que se chamou Bráulio Cavalcante.


Bráulio Cavalcante, filho de José Venustiniano Cavalcante, nasceu na cidade de Pão de Açúcar a 14 de março de 1887.


Desde criança – dizem-nos seus biógrafos – revelava ‘grande lucidez de espírito, privilegiada inteligência, servido ainda por uma excepcional faculdade de assimilação que muito contribuiu para a aquisição do vasto tesouro de cultura que, num espaço de tempo limitado, conseguiu acumular.


Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do Recife, onde se diplomou a 11 de dezembro de 1911, Bráulio hipotecou sua pena e sua palavra à causa da liberdade e da justiça, na imprensa e na tribuna de sua terra, em dias de intensa agitação política.


Seu verbo inflamado, a vastidão de sua cultura e a impenitência de seu idealismo arrastavam multidões a ouvi-lo cantar:


‘Alagoas, terra verde, feliz aberta em flores, cheia

Dos lagos de alumínio e verdes coqueirais!

Terra onde o São Francisco majestoso ondeia

E a Paulo Afonso atroa mil fanfarras reais!’


A 10 de março de 1912, justo três meses depois de sua formatura, e quando ia em meio uma campanha de libertação de brancos, Bráulio, no pedestal da estátua de Floriano, batalha desigual com o espírito da intolerância, invocando a Constituição Federal na defesa de seu direito de manifestação de pensamento em praça pública.


Eram suas armas a palavra fluente, a lógica da razão, a confiança no simples, o estoicismo do moço e... as garantias constitucionais.


Não havia Bráulio vivido bastante para perceber que o preço da liberdade seria o holocausto da sua própria vida.


Bráulio tombou à sombra da estátua do Marechal de Ferro, ao cair de uma tarde que seria igualmente o cair da tarde de uma tirania.


As forças da reação apagavam aquela vida que, aos 25 anos, se fazia a bandeira de um povo oprimido; e as forças da reação se extinguiram com o sacrifício daquele bravo.


E desde então Bráulio começou a viver, no coração de seu povo, a vida dos imortais.


Os “lagos de alumínio” cantam seus versos; os “verdes coqueirais” sussurram seus poemas.


Trinta e cinco anos depois, este pequeno avião se enobrece com o nome e o espírito do poeta mártir; suas asas irão encher os céus de minha terra da harmonia de seus versos; e irão também lembrar aos moços de hoje que esse moço morreu por um ideal de liberdade.


Pilotos do “Bráulio Cavalcante”, sede dignos de Bráulio como ele o foi de sua querida Alagoas!”


 

O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas quando discursava ao lado do Sen. Salgado Filho. Foto: O Jornal.

Em seu discurso, nessa mesma cerimônia, Assis Chateaubriand, jornalista e dono do maior império das comunicações do país, ele próprio um dos grandes incentivadores da Campanha, assim se referiu à homenagem a Bráulio:


“Um major-brigadeiro, soldado da ordem, paraninfando um poeta dos coqueirais da Pajuçara em Alagoas e um rebelado lutador contra as oligarquias do Nordeste.”[iv]


Bráulio Cavalcante, o homenageado.


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O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas é irmão de “Linda Mascarenhas” (Laurinda Vieira Mascarenhas) a famosa “Dama do Teatro Alagoano”. Aliás, o DIA DO TEATRO ALAGOANO é comemorado no dia 14 de maio, em alusão ao nascimento dela.


A data foi instituída oficialmente pela Lei Estadual nº 6.243, de 2 de julho de 2001, cujo Projeto teve a autoria do deputado estadual pão-de-açucarense Antônio Carlos Lima Rezende (Cacalo), atendendo a sugestão da ATA – Associação Teatral das Alagoas, por intermédio do ator Ronaldo de Andrade.

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[i] Antigo campo de pouso situado no local onde hoje se encontra o Aeroporto Santos Dumont.

[ii] O Jornal, RJ, 29 de julho de 1947.

[iii] Ajalmar Vieira Mascarenhas.  (Anadia - AL 13/08/1897- Rio de Janeiro 18/10/1964). Militar. Filho de Manoel Cesário Mascarenhas e Lourença Vieira Mascarenhas. Estudou no Colégio Diocesano e no Liceu Alagoano. Em 1914, juntamente com Romeu de Avelar, José Portugal Ramalho, José Guedes Quintela e Amarílio dos Santos, lançou a revista Frou-Frou. Nesse período, usava o pseudônimo de Berilo Prates. Ainda em 1914, participou da criação do jornal Diário do Norte.Sentou praça em agosto de 1915, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola de Aviação Militar, ainda no Rio de Janeiro, integrando, no ano seguinte, a primeira turma de observadores aéreos. Ocupou diversos cargos durante sua vida militar, tais como: comandante da Escola de Aviação Militar; comandante da então IV Zona Aérea, sediada em Porto Alegre, e Chefe da Diretoria de Pessoal da Aeronáutica. Integra, em dezembro do mesmo ano, a comitiva do ministro da Aeronáutica, em visita ao front italiano, durante a Segunda Guerra Mundial. Comanda a II ZA, com sede em Recife; membro do Estado-Maior Geral, órgão precursor do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), na condição de subchefe da Aeronáutica, tendo sido, um mês depois, promovido a major-brigadeiro-do-ar. Em 1955, presidiu, na condição de chefe da delegação brasileira, a Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos. Foi nomeado adido aeronáutico à embaixada brasileira em Washington. Promovido a tenente-brigadeiro em dezembro do ano seguinte, voltou a chefiar o EMAER entre julho de 1962 e dezembro do mesmo ano. Ainda em dezembro de 1962, recebeu a patente de marechal-do-ar. Membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Sócio do IHGAL. Fonte: ABC DAS ALAGOAS.

[iv] O Jornal, RJ, 15 de agosto de 1947.

sábado, maio 9

TOCAIA – UM CONTO DE BRÁULIO CAVALCANTE

 

Bráulio Cavalcante


Dentro da noite, naquela segunda-feira aziaga, pela vereda sombria, marginada de frondosas baraúnas, de umbuzeiros sinistros que lembravam fantasmas, soturno vinha o desgraçado vaqueiro, vezes pensando na carestia dos gêneros na feira da Vila, sonhando outras vezes com o grande roçado, que o sol de outubro estivera a comburir flamando. E, no silêncio daquela mesma noite, uma sombra diabólica, tendo uma grande faca nua na mão, dentro da caatinga, esperava de tocaia o vaqueiro. E o vaqueiro vinha.


Resplandecia-lhe na alma a pureza dos martírios obscuros, que à vida inteira vão, sem um dia de festa, sem um consolo único, a não ser o trabalho.


Era um caboclo de seus trinta e tantos anos, o olhar afogueado pelos sóis de verão, a pele enegrecida pela canícula das pachorrentas estiagens.


Nascera em Amargosa, um lugarejo misérrimo que ficava muito longe. Viera de lá quando 77 surgira tirano, com aquele sol implacável, impiedoso, devastando, flagelando campos e cidades...


Ah 77, a grande seca! ...


Numa véspera de São João, quase morrera o desgraçado de uma explosão de sal de Bertholet e súlfur. Fora suficiente a pressão de uma pedra sobre a matéria para que esta se inflamasse, com um pavoroso estampido, atirando para os ares o infeliz, que veio arrebentar na queda a tíbia direita, deslocando a clavícula, deslocando falanginhas e falangetas.  


Surdo e cego, gemia o desventurado, se amparando ao ombro do velho Manoel Jerônymo, que acudira ao ruido pavoroso, sinistro.


Mas escapara desta vez...


Entretanto, havia naquela segunda-feira aziaga, quando voltava do trabalho honrado, em busca da esposa e dos filhos, encontrar numa tocaia do caminho o braço traiçoeiro, covarde...


Em 1888, viajava pelo norte do Estado, acompanhando um protetor que nada lhe podia dar, exceto a rigidez inquebrantável dos martírios do trabalho honesto, a pureza dos bons princípios e os parcos rendimentos de uma fazenda de vacas.


Não fora uma vida sem aventuras. Fora uma vida de lágrimas, de desespero, de sangue. Diziam que assassinara, em caminho da Viçosa, um vaqueiro.


Anoitecera em uma espessa mata; perdera-se, não sabia como dela sair. Zumbia entristecedoramente nos labirintos sombrios dos parênquimas, dos caules, ou dos troncos, a orquestra isócrona dos homópteros; e, repentinamente, o frio torturante da noite hibernal começara a arrepiar inclemente as carnes. Vezes parecia cachoar, batendo na mata com uma impertinência aborrida, a chuva de inverno. Calavam-se os homópteros... Quando cessava, a chuva era terrível, e desolador aquele dédalo!


Dormia pelos barrancos negros da terra, pelas ribanceiras dos riachos, ganhando anfractuosidades, o fantasma sombrio da Solidão.


Dentro da mata, seria impossível apreciar uma estrela que estivesse no céu. E o viajante como que se asfixiava, sentindo n’alma um terror incrível. Montado numa égua passeira, podia furar o mundo, em outras circunstâncias, porém ali parecia que o próprio animal não tinha mais coragem para dar um passo. Então maior receio feria o viajante.


Sonhava que de dentro da mata vinha os olhos de fogo, aquele horroroso Pedro Botelho, o rei dos infernos...


Despertava-lhe na psiquê o tumultuar sombrio dos prejuízos hereditários, o medo do sobrenatural... E se lembrava de uma história horrenda que a Rita do Antônio Joaquim lhe contara, história de arrepiar cabelos...


Não receava onças, que lá como que não havia onças! Não receava homens, porque destes nunca fugira em ocasiões de perigo... Porém, de coisas outras tinha medo...


Parecia-lhe que aquele engano, aquela transição desconhecida na má viagem, era uma cilada que os demônios lhe estavam armando. Desorientado, suava gelo. A égua ferida pelo chicote, crivada pela espora, escorregava, perdia-se dédalo da mata a dentro.


E as coisas passadas, os dias de Amargosa, únicos dias quase felizes de sua vida, quando menino ele era, vezes despontavam-lhe no cérebro como fossem um relampado de março numa caverna sombria.


Súbito, no meio da vereda surge-lhe um vulto, agarrando a rédea do animal, escarrando ao peito do cavaleiro uma grande pistola que lhe pareceu pedra de fogo. Porém, o viajante desviou o braço do ladrão, e com a pistola que também trazia, disparou-lhe um balaço rápido, certeiro, terrível. Então rugiu como o latido estranho de uma fera, quebradas a dentro, o eco pavoroso, medonho, do tiro. Subindo pelas galhadas dos itapicurus, turibulava o aroma enjoado de súlfur e nitro combustos.


E a vítima rouquejava lugubremente, estortegava horrendamente, no meio da mata, no coração negro da noite. O viajante, numa disparada febril, desaparecia assombrado em cima da besta assombrada, fugia sem saber para onde no intrincado da mata, se afundando na treva...


E, alguns dias depois, batia à porta de casa, chamava pela esposa... Era quando estava abrolhando uma esplendorosa alvorada.


- Isabel!   Isabel!!


E a mulher foi recebe-lo, assustando-se perante aquela feição cheia de pavores, de remorsos... E ele contou o acontecimento à esposa, confusamente, nervosamente... Estava ainda mais queimado pelo sol, ainda mais roto, mais pobre, mais desgraçado.


Porém, escapara desta vez ainda. Não escaparia, entanto, naquela segunda-feira aziaga, quando dentro da noite, soturno vinha pela vereda sombria, marginada de baraúnas frondosas, de umbuzeiros que lembravam fantasmas...


Numa volta do triste caminho aquela visão diabólica, o Manoel Ângelo, o bandido, o assassino, o degenerado, vibrou-lhe traiçoeiramente uma facada que o fez tombar quase morto...


Tomara, na Vila, o infeliz vaqueiro um pouco de aguardente... O Avelino lhe retrucara na taverna do Fortunato:


- Caboclo, não bebas mais! Olha, tu vais sozinho de noite para o Mundo-Novo... O ditado diz “quem tem inimigo não dorme”...


- Avelino, poderás me encontrar morto, porém, não desfeitado.


E com aquele entusiasmo de sertanejo honesto, dizendo adeus, se retirara da taverna. Agora, estava morto, o corpo trespassado de faca, o sangue porejando por mil feridas... 


E a noite, somente a desolada noite, confidenciara das suas derradeiras angústias. ...


***   ***


Hoje, porém, o veredo está interdito pelas galhas que o vento das trovoadas derriba. E o povo rústico abandonou por completo o veredo sinistro, porém, ninguém se encoraja perante os fantasmas que gostam de aparecer junto das cruzes.


- Consequências mesológicas, de hereditariedade, não se vencem de modo tão rápido e o povo é o pobre povo da superstição, do atraso...


À noite, olhando a serra desolada, a casa do infeliz vaqueiro, os currais da fazenda caindo, as cercas arruinadas, a capoeira do roçado rebentando numa fertilidade espantosa...

 

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NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 

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Conto de Bráulio Cavalcante[i], transcrito do jornal O MONITOR, Penedo-AL, edições de 10 e 17 de maio de 1909 (de propriedade de Moreno Brandão).

 

 



[i] Bráulio Guatimozim Cavalcante. Filho do Capitão José Venustiniano Cavalcante e de D. Maria Olympia. Nasceu em Pão de Açúcar-AL, no dia 14 de março de 1887, na casa nº 23 da rua da Matriz (hoje Avenida Bráulio Cavalcante, nº 209). Faleceu em 10 de março de 1912, na Praça dos Martírios, em Maceió, de um ferimento penetrante na linha axilar posterior direita, no quarto intercostal, recebido quando realizava um comício em prol das candidaturas do Cel. Clodoaldo da Fonseca e do Dr. Fernandes Lima.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

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Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


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PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

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Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia