segunda-feira, outubro 26
HISTÓRIA DO PRÉDIO-SEDE DA PREFEITURA DE PÃO DE AÇÚCAR
Por Etevaldo Amorim
Na esquina da Avenida Bráulio Cavalcante com a Rua Dr.
Luiz Machado, com a fachada voltada para o sul, está localizado o prédio-sede
da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar.
É possível que ali mesmo já viesse funcionando o Poder
Executivo Municipal, mas a aquisição do imóvel e a reforma foram empreendidas
pelo intendente Cel. Manoel Antônio Machado (pai do Sr. Augusto Machado), sendo
inaugurada a nova sede em 7 de janeiro de 1916.
Interessante notar que, na Mensagem com que encaminhou
ao Conselho Municipal o Projeto de Lei Orçamentária para o Exercício de 1914, o
intendente já anunciava:
“Não menos esforços empregarei a fim de conseguir a
aquisição por compra de um prédio onde possam funcionar, com a decência
compatível com os recursos do Município, a Intendência e o Conselho Municipal.
Raro é hoje, no Estado de Alagoas, o Município que não
possui um próprio para aquele fim, só o nosso, por um descaso injustificável de
seus passados administradores, esqueceu até aqui de prover essa grande e
iniludível necessidade.
Conto, pois, com o vosso apoio e auxílio para dotar o
Município com esse melhoramento, na consecução do qual ponho o maior empenho de
minha administração.”
Com efeito, a LEI Nº 60, de 18 de novembro de 1913,
que “Orça a Receita e fixa a Despesa do município de Pão de Açúcar para o
Exercício de 1914, já preconizava, em seu:
“Art. 6º Fica o intendente autorizado:
...
§ 4º A adquirir um prédio, onde possam funcionar a
Intendência e o Conselho Municipal, precedendo acordo da maioria do Conselho.”
Assim, para o fiel cumprimento do dispositivo legal, o
procedimento administrativo foi autorizado pelo Conselho Municipal, que fazia
as vezes de Câmara de Vereadores, publicado em 25 de março de 1914, com o
seguinte teor:
“EDITAL Nº 72 - LEI Nº 62
O Conselho Municipal de Pão de Açúcar decreta o
seguinte:
Art. 1º Fica o intendente do Município autorizado a
desapropriar por utilidade municipal o prédio sito à Avenida Bráulio
Cavalcante, antiga Rua Visconde do Rio Branco[i],
nº 56, com dezoito portas em duas frentes, em que o mesmo município já possui
metade, mediante prévia indenização na forma estabelecida por Lei do Estado.
Art. 2º Pelo mesmo motivo fica o intendente autorizado
a desapropriar a casa contígua ao prédio acima mencionado, com uma porta e uma
janela, de propriedade do cidadão Pedro Pereira Simas, precedendo ainda a
indenização na forma estabelecida por Lei.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das Sessões do Conselho Municipal de Pão de
Açúcar, 24 de março de 1914.
José Venustiniano Cavalcante, Presidente; Dr. Luiz
Machado de Andrade; Manoel Soares de Campos; João Pereira de Mello; Aprígio
Antônio de Carvalho.
Secretaria da Intendência Municipal de Pão de Açúcar,
25 de março de 1914.
J. Evangelista – Secretário.”
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Note-se que a desapropriação do prédio deveria ser
feita conforme a Lei Estadual. Essa legislação era a própria Constituição do
Estado de Alagoas (de 11 de junho de 1891), que espelhava a Constituição
Federal promulgada em 24 de fevereiro de 1891. O dispositivo central dizia:
“O direito de propriedade conserva-se em toda a sua
plenitude, salvando-se a desapropriação por necessidade ou utilidade pública,
mediante prévia indenização.”
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| A nova sede da Intendência adquirida e reformada pelo Cel. Manoel Antônio Machado. Foto: João Lisboa, tratada por IA. |
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| A nova sede da Intendência vista por outro ângulo. Foto: João Lisboa, acervo de sua filha Suely Lisboa, tratada por IA. |
Essas e outras ações empreendidas no seu período administrativo demonstram a disposição do intendente Cel. Manoel Antônio Machado em fazer cumprir o que prometera na referida Mensagem:
“Na distribuição das despesas procurarei afastar-me
daquele fatal regime de filhotismo, de tão longa prática neste Município e tão
contrário aos interesses da comunidade para, de preferência, cuidar dos
melhoramentos indispensáveis e inadiáveis de que havemos mister.”
Com uma Despesa orçada em 9:686$000 (Nove Contos,
Seiscentos e Oitenta e Seis Mil Réis) para o Exercício de 1914, o Orçamento
registrava 180$000 (Cento e oitenta mil réis) de gastos com aluguel da casa do
Conselho; 96$000 (Noventa e seis mil réis) para Aluguel da casa da Intendência,
e reservava 2:000$000 (Dois milhões de réis, ou Dois Contos de Réis) para
aquisição de um prédio para o Conselho.
Efetivamente, o prédio passou a abrigar, não só a
Intendência (depois Prefeitura), mas o Conselho Municipal (depois Câmara de
Vereadores), esta, na parte posterior, com acesso pela Rua Dr. Luiz Machado, onde
também se realizavam as Sessões do Júri.
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| A sala onde se realizavam as sessões do júri. Foto: Diário de Pernambuco, 1934, melhorada por IA> |
Na foto acima, podemos ver o ambiente organizado para
esse fim. Ao centro, destaca-se um guarda-corpo circular feito de madeira
trabalhada (balaústres), que delimita o espaço reservado aos operadores do
direito (magistrados, jurados, acusação e defesa), isolando a área técnica da
assistência e do público comum.
Nota-se uma mesa principal ao fundo com cadeiras
imponentes destinadas à presidência dos trabalhos (magistratura) e assentos
laterais reservados ao Conselho de Sentença (o júri).
À frente desse conjunto, centralizada em primeiro
plano sobre um pequeno estrado, vê-se uma cadeira isolada voltada para o
tribunal, que servia para posicionar o réu ou as testemunhas de maneira que
ficassem plenamente visíveis a todos os participantes do julgamento.
Ao fundo, fixada na parede em posição de destaque, a
imagem de um santo, provavelmente Santo Ivo, o padroeiro do direito e da
justiça, de presença frequente nos tribunais daquela época.
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| O prédio da Prefeitura em 1970 em solenidade de hasteamento da bandeira, na gestão do prefeito Dr. Pascoal. |
A Biblioteca Pública Rachel de Queiróz igualmente
funcionou na sala contígua, do lado nascente.
O edifício permaneceu com suas características originais até a gestão do prefeito Eraldo Lacet Cruz (1977-1982), quando as duas portas centrais foram substituídas por uma única porta larga e de vidro. Além disso, a base das janelas foi elevada, deixando-as mais altas.
As sessões do Júri passaram para o prédio central da
antiga SUVALE, na Praça Dr. José Cloves de Andrade, no Forum Dr. Ariston
Padilha.
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| O prédio da Prefeitura após a reforma do prefeito Eraldo Cruz, 1977/78. Foto: IBGE. |
Finalmente, no segundo semestre de 1992, a Câmara e o
Forum passaram ao novo prédio construído na gestão do prefeito Elísio Sávio
Maia, no local onde funcionou por muitos anos o Açougue Público, aliás,
construído pelo mesmo intendente Cel. Manoel Antônio Machado.
O Prédio Sede do Executivo Municipal só viria a ter
nova reforma em 2001, na gestão do prefeito Jorge Silva Dantas, mantendo-se a
fachada, mas adaptando a área interna com divisórias, formando salas para
diversos setores. Depois disso, em 2019, na administração do prefeito Flávio
Almeida da Silva Junior.
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| Placa de inauguração da reforma durante a gestão do prefeito Jorge Dantas, 2001. Foto: Joelma Mártires. |
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| Placa de inauguração da reforma na gestão do prefeito Flávio Almeida da Silva Jr. Foto: Joelma Mártires. |
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| A Prefeitura Municipal em foto recente. |
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As duas fotografias mais antigas, de autoria de João
Damasceno Lisboa, não são da época da aquisição e reforma (1916), mas feitas
durante a primeira gestão do prefeito Augusto Machado (09/06/1932 – 14/09/1934).
Ele imprimiu a Lei Orçamentária da época de seu pai, em que constam as
referidas fotos.
Prova disso é a presença de um poste de iluminação pública serviço cuja implantação teve início apenas em 1926.
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| O Intendente Cel. Manoel Antônio Machado. |
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA
E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes.
Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta
documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão,
solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas que faça também
o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e
justo.
[i]
José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Brando (1819–1880). foi uma das
figuras políticas, diplomáticas e intelectuais mais importantes do Império do
Brasil. É pai do Barão do Rio Branco, de mesmo nome, o “pai da diplomacia
brasileira” e o responsável por consolidar as fronteiras modernas do Brasil.
domingo, outubro 18
A PAVIMENTAÇÃO DA AL-130 — 50 ANOS
Por Etevaldo Amorim
Outrora rota de tropeiros, nos tempos em que as mercadorias
eram transportadas em lombos de burros, esse era o caminho de Pão de Açúcar
para o interior. Tendo o rio São Francisco como via principal do intercâmbio de
comércio de toda a região sertaneja, os produtos que desembarcavam no porto
eram carreados para o centro por meio de animais e carros-de-boi, em processo
lento, penoso e desgastante.
E assim se deu por muitos e muitos anos. Até que, em 1929, sobre
esse caminho foi aberta uma "estrada real", durante a gestão do
Prefeito Padre José Soares Pinto. O seu período administrativo contribuiu
consideravelmente com o governo estadual — então liderado pelo Dr. Álvaro
Corrêa Paes — na ampliação da malha viária do Estado.
O jornal Diário de Pernambuco, em sua edição de 13 de outubro
de 1929, destaca que o Governo de Álvaro Paes “pôs em comunicação franca a
metrópole do Estado com o extremo Norte, abrindo uma rodovia, que é geralmente
louvada pelos serviços que presta a uma região de difícil acesso”.
E prossegue: “Dessas estradas de interesse local se
salientam pela perfeição de seu acabamento a que se dirige de Pão de Açúcar
para Santana do Ipanema e a que vai desta para Palmeira dos Índios.” Para
depois concluir: “Os gabos que se fazem a essas rodovias são unânimes e
recaem sobre os prefeitos que as fizeram: o Padre Soares Pinto, de Pão de
Açúcar; e Graciliano Ramos, de Palmeira dos Índios.”
Cabe salientar, conforme Mensagem do Governador Álvaro Paes
ao Congresso Legislativo, em 19 de novembro de 1929, que coube ao Prefeito de
Santana do Ipanema, Sr. Ormindo Barros, a construção das referidas estradas nos
trechos incluídos em seu território, isto é, da cidade até Olho D’Água das
Flores e, por outro lado, da Sede até o limite com Palmeira dos Índios,
totalizando aqui 14 km.
Não temos notícia de como se deu a construção do trecho Pão
de Açúcar – Olho d’Água. Mas, sobre a parte que coube à prefeitura de Palmeira
dos Índios (na futura BR-316), o prefeito Graciliano Ramos destaca em um de seus
famosos relatórios:
"O serviço de estradas exigiu cuidado e despesa.
Uma via de comunicação que se abre é, incontestavelmente,
fator de progresso; mas as estradas que encontrei, construídas a eito, sem
plano, estragavam os veículos e consumiam tempo. [...]
Na estrada de Palmeira a Sant’Ana, numa extensão de 25
quilômetros, trabalha-se desde maio. Já ali se eliminaram ladeiras quase
impraticáveis, romperam-se piçarras, aterraram-se pântanos e construíram-se
bueiros. Está quase pronta. Falta apenas um quilômetro de aterro, no lugar
denominado Lagoa do Canto. [...]
Não há aqui engenheiros: a locação é feita a olho, por mim ou
pelos fiscais, o que não impede que as estradas saiam retas e com declives
suaves. Os operários trabalham por tarefa, o que é mais econômico e evita a
moleza das diárias.
Gastei na estrada de Sant’Ana a quantia de 17:152$500, o que
dá uma média de 686$100 por quilômetro[i].
Quem conhecer o terreno, que é acidentado e duro, concordará em que o dinheiro
foi bem empregado."
___
Os mais velhos se lembram como era penoso viajar para Maceió naqueles
tempos. Ainda em meados da década de 1970, gastava-se, no mínimo, oito horas
nos velhos ônibus da Viação Progresso, passando por Santana do Ipanema (AL-130),
para depois pegar a BR-316 e passar por Dois Riachos e Cacimbinhas, até chegar
em Palmeira dos índios, onde começava o asfalto, que existia desde 1950,
construído pelo governador Arnon de Mello.
Finalmente, durante o primeiro governo de Divaldo Suruagy, tivemos
a pavimentação.
O financiamento da obra só foi possível devido a uma complexa
operação de crédito internacional aprovada em 20 de maio de 1976 pelo Senado
Federal.
Autorizado pela Resolução nº 25, o Governo de Alagoas
realizou operação de crédito externo no valor de US 10.000.000,00 (DEZ MILHÕES
DE DOLARES), para financiar projetos rodoviários.
Eis o teor da Resolução:
“Faço saber que o SENADO FEDERAL aprovou, nos termos do
artigo 42, inciso IV, da Constituição, e eu, JOSÉ MAGALHÃES PINTO, PRESIDENTE,
promulgo a seguinte:
RESOLUÇÃO Nº 25, DE 1976
Autoriza o Governo do Estado de Alagoas a realizar operação
de empréstimo externo no valor de US$ 10.000,000,00 (dez milhões de dólares),
para financiar projetos rodoviários naquele estado.
Art. 1º. É o Governo do Estado de
Alagoas autorizado a realizar uma operação de empréstimo externo no valor de
US$10.000.000,00 (dez milhões de dólares), ou o equivalente em outras moedas,
de principal, com grupo financiador a ser indicado, sob a orientação do
Ministério da Fazenda e do Banco Central do Brasil, mediante outorga de
garantia do Tesouro Nacional, se necessário, destinado a auxiliar o
financiamento dos investimentos previstos na construção das Rodovias AL-220;
AL-130; AL-120; e AL-225, naquele Estado.
Art. 2º. A operação de empréstimo
realizar-se-á nos termos aprovados pelo Poder Executivo Federal, à taxa de
juros, despesas operacionais, acréscimos, prazos e demais condições admitidas
pelo Banco Central do Brasil para registro de empréstimos da espécie obtidos no
exterior, obedecidas as demais exigências dos órgãos encarregados da execução
da política econômico-financeira do Governo Federal, e, ainda, as disposições
da Lei nº 3.479, de 25 de novembro de 1975, da Assembleia Legislativa do Estado
de Alagoas, publicada no Diário Oficial do Estado no dia subsequente.
Art. 3º. Esta Resolução entra em vigor
na data de sua publicação.
SENADO FEDERAL, 20 de maio de 1976.
JOSÉ DE MAGALHÃES PINTO - PRESIDENTE.
(Texto publicado no Diário Oficial da União - Seção 1 - 21/05/1976,
Página 7231 (Publicação Original) e Diário Oficial da União - Seção 1 - 15/06/1976,
Página 8399 (Retificação)”
____
A AL-220 inicia no município de Barra de São Miguel (no
entroncamento com a AL-101 Sul – atualmente BR-349), passando por São Miguel
dos Campos e por diversos municípios, tais como Campo Alegre, Limoeiro de
Anadia, Arapiraca, Craíbas, Girau do Ponciano, Jaramataia, Batalha, Jacaré dos
Homens, Monteirópolis, Olho d'Água das Flores, São José da Tapera, até Delmiro
Gouveia.
A AL-120 inicia no entroncamento com a AL-220, passa por
Major Isidoro e vai até Cacimbinhas (BR 316).
A AL-130 liba Pão de Açúcar a Santana do Ipanema, passando
por Olho d’Água das Flores, quando cruza a AL-220.
A AL-225 liga o centro histórico de Piranhas a Olho d'Água do Casado.
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Entrementes, ainda em um dia do mês de março ou abril de 1976,
a bordo do avião modelo CESSNA AIRCRAFT 182P, de prefixo PT-KIS, o governador
Divaldo Suruagy e sua comitiva chegaram a Pão de Açúcar para o ato de
assinatura do contrato com a empreiteira que implantaria a pavimentação da
estrada.
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| O avião em que chegou o governador Divaldo Suruagy e sua comitiva. |
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| O governador Divaldo Suruagy ao desembarcar. |
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| O governador Divaldo Suruagy assinando o contrato, vendo-se à direita o Sr. Elísio Maia. |
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| Desconhecido (possivelmente o empreiteiro) assinando o contrato, vendo-se à mesa: Divaldo Suruagy, o prefeito Augusto Machado e o Deputado Estadual Humberto Melo Souza (natural de Pão de Açúcar). |
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| O Dr. Carlos Fortes Melro, do DER, assinando o contrato, vendo-se Pedro Ferreira e Divaldo Suruagy. |
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| O deputado Pedro Ferreira assinando o contrato, tendo a seu lado Divaldo Suruagy e Humberto Souza. |
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| O prefeito Augusto Machado lendo seu discurso, tendo à sua direita o governador Divaldo Suruagy e à esquerda o Dep. Humberto Souza e Elísio Maia. |
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| O governador Divaldo Suruagy. |
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Como registro desse fato, há um discurso do Deputado Federal
Antônio Ferreira, publicado no Diário da Câmara dos Deputados (Seção I), 24 de abril
de 1976)
“O SR. ANTÔNIO FERREIRA (ARENA - AL. Pronuncia o seguinte
discurso.)
- Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Estado de Alagoas vive
instantes de grande euforia pelas obras que realiza o Governo Divaldo Suruagy,
sempre procurando solucionar antigos problemas e vencer todas as dificuldades.
Assisti, com satisfação, à solenidade de assinatura dos
contratos para início das obras de asfaltamento da ligação rodoviária. entre
Pão de Açúcar e Olho d'Água das Flores. Igualmente, foi assinado contrato que
manda construir a ligação Olho d'água das Flores a Santana do Ipanema, por via
asfáltica. Estas obras, que já foram iniciadas, refletem o interesse do
Governador em proporcionar ao Estado de Alagoas perfeitas condições de
comunicação entre as suas regiões, facilitando o trânsito da produção agrícola,
melhorando o intercâmbio entre as comunidades alagoanas.
O asfalto que vai ligar Pão de Açúcar a Santana do Ipanema
vem no momento em que o Estado estava carecendo desta estrada em perfeitas
condições de uso, ao longo do rio São Francisco, outra importante ligação que
integra Alagoas e faz o seu território um todo.
Secretaria de Viação e Obras Públicas do Estado de Alagoas
tem servido como fator preponderante para incrementar o progresso e levar o
desenvolvimento a todo o Estado, dentro das metas aprovadas pelo Governador
Divaldo Suruagy, apresentadas pelo Secretário Vinicius Maia Nobre. Não nos
cansamos de apontar o acerto do Governador na escolha deste ilustre Secretário,
Vinicius Maia Nobre, que realmente tem sabido se conduzir à frente de sua
Secretaria, trabalhando incansavelmente, mudando o Estado e dando-lhe nova
feição, desde as regiões sertanejas ao litoral progressista. Igualmente não
podemos desconhecer o muito que vem fazendo o Diretor do Departamento de
Estradas de Rodagem, Dr. Carlos Fortes, que completa esta extraordinária equipe
de Governo que, em pouco tempo, fez Alagoas acompanhar as maiores Unidades da
Federação em índice de desenvolvimento.
Vale ainda ressaltar, Sr. Presidente, que nas obras de
ligação asfáltica entre Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, o Governador de
Alagoas vem prestigiando os políticos locais, pois, a Aliança Renovadora
Nacional tem representantes das cidades mencionadas nos legislativos estadual e
federal, nas pessoas cios ilustres companheiros Pedro Ferreira, Humberto Mello,
Geraldo Bulhões e este que agora lhes fala. Portanto, desta tribuna, quero
agradecer ao Governador Divaldo Suruagy pelo seu esforço em dar à região que
represento e ao Estado que nos mandou a esta Casa o melhor em estradas e
rodovias, fator de integração e desenvolvimento, principalmente em Alagoas.
Era o que tinha a dizer.”
___
Nota-se aqui um aparente descompasso cronológico entre a
autorização legislativa e o início dos trabalhos. A explicação pode ser obtida,
entre outras, pelo fluxo administrativo da época.
Em que pese a Resolução nº 25 do Senado Federal ter sido
promulgada apenas em 20 de maio de 1976, os bastidores políticos e operacionais
da obra já caminhavam em ritmo acelerado. Prova disso é o discurso do deputado
Antônio Ferreira, publicado no Diário do Congresso quase um mês antes, em 24 de
abril de 1976, no qual o parlamentar celebrava a assinatura dos contratos com
as empreiteiras e o início imediato dos primeiros serviços.
Longe de ser uma contradição cronológica, essa defasagem de
datas reflete a dinâmica administrativa da época: com o aval técnico do
Ministério da Fazenda e do Banco Central praticamente assegurado, devido ao
alinhamento político entre o governador Divaldo Suruagy e o regime federal, o Estado
antecipou a assinatura dos contratos e os trabalhos preliminares de campo.
A subsequente aprovação pelo Senado funcionou, portanto, como
a chancela jurídica e o aval financeiro definitivo do Tesouro Nacional,
garantindo o fluxo subsequente dos dez milhões de dólares que sustentariam as
medições de grande porte das rodovias nos meses seguintes.
No dia 11 de novembro de 1976, o governador Divaldo Suruagy
recebeu no Palácio Floriano Peixoto o Ministro da Fazenda Mário Henrique
Simonsen e o Monsieur Pierre Mendras, Diretor de Negócios Internacionais do Banco
Nacional de Paris, para a assinatura do contrato-empréstimo no valor 10 milhões
de dólares para o "Programa de estradas alimentadoras da Produção do
Estado de Alagoas, recursos estes que seriam aplicados na pavimentação de 150
km de estradas, nas áreas produtoras de leite, arroz, feijão, milho, mandioca e
algodão.
Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado, o objetivo do
Programa de Estradas Alimentadoras da Produção era "propiciar o
atendimento das necessidades de transporte em vários segmentos da malha
rodoviária do Estado, gerando benefícios diretos de 45 milhões de dólares".
A Secretaria de Planejamento da Presidência da República
considerou o Programa prioritário, tendo o ministério da Fazenda, a Comissão de
Empréstimo Externo do Banco central autorizado a operação com o banco francês,
enquanto o Senado Federal também aprovou por unanimidade. O empréstimo seria
pago em cinco anos, com três de carência, com o aval do Tesouro Nacional. (Diário
de Pernambuco, 26 de novembro de 1976.)
___
Em 7 de novembro de 1976, com a inauguração da pavimentação
asfáltica da rodovia AL-130 — cujas obras haviam sido concluídas quatro dias
antes —, consolidou-se a integração da bacia leiteira e do comércio ribeirinho
do Rio São Francisco em Pão de Açúcar.
Hoje, passados 50 anos, podemos comemorar e afirmar que a
ligação asfáltica reduziu drasticamente o tempo de viagem entre as cidades
beneficiadas e a capital, Maceió, superando os antigos obstáculos logísticos da
região.
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| Descerramento da placa de inauguração. Foto: acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. |
____
Fotos do acervo da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar. Evento realizado no auditório do Colégio São Vicente. Nelas aparecem diversas outras pessoas da cidade, algumas das quais conseguimos reconhecer. Deixamos aos leitores a tarefa de identificá-las e postar aqui nos comentários. Grato.
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”,
constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens
são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da
competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso
sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso
tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de
autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.
[i]
Essas quantias equivalem a Dezessete Contos, Cento e Cinquenta e Dois Mil e Quinhentos
Réis (17:152$500), e Seiscentos e Oitenta e Seis Mil e Cem Réis (686$100),
respectivamente.
quinta-feira, outubro 8
O PRESIDENTE JOSÉ BENTO EM PÃO DE AÇÚCAR – IMAGENS DA VILA
Por Etevaldo Amorim
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| O Presidente José Bento da Cunha Figueiredo Junior e sua comitiva em Pão de Açúcar |
Iniciava-se o ano de 1869. O Brasil, compondo a Tríplice
Aliança, achava-se envolvido no maior conflito armado do continente
sul-americano: a Guerra do Paraguai. Tamandaré e Barroso, que tinham estado em
Pão de Açúcar acompanhando Dom Pedro II, se tornariam figuras de destaque das
nossas Forças Armadas.
No dia 5 de janeiro, dois dias depois de as tropas
brasileiras tomarem a capital paraguaia, prenunciando o fim da guerra, chegava
à então Vila do Pão de Açúcar o Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior[i]
acompanhado de numerosa comitiva. Durante o seu governo, foram enviados aos
campos de batalha 277 homens, sendo 232 recrutas para o Exército, 28 recrutas
para a Armada (Marinha) e 17 menores como aprendizes.
Tendo sido nomeado por Carta Imperial de 22 de agosto de 1868
e tomado posse em 2 de outubro do mesmo ano, este pernambucano logo daria
mostras da profícua administração que faria, levando a cabo importantes obras,
sobretudo na capital da Província, apesar do curto espaço de tempo, pois
deixaria o governo em 28 de agosto de 1871, mesmo que para tanto onerasse os
cofres provinciais, comprometendo futuras administrações.
Do Relatório dessa viagem ao baixo São Francisco, pudemos
colher significativas informações sobre a promissora “Vila do Pão d’Açúcar”,
pernoite obrigatório para tantos quantos se aventuravam pelos sertões
sanfranciscanos.
A bordo do vapor Jaguaribe, pertencente à Companhia
Pernambucana e sob o comando de Manoel Rodrigues dos Santos Moura, o Presidente
se fez acompanhar de numerosa comitiva, com a qual se deixou fotografar por
Abílio Coutinho, um dos pioneiros da fotografia no Brasil, diante de uma das
pedras que compõem o hoje denominado “Parque da Paciência”.
No vapor Jequiá, da mesma Companhia, viajava o seu gerente,
Sr. Francisco Ferreira Borges.
De Penedo em diante, o Presidente e comitiva passaram a
utilizar os vapores da Companhia Baiana, cedidos pelo gerente, Sr. Luiz Campos.
Aliás, as duas empresas disputavam o privilégio de explorar a navegação no rio
São Francisco, sendo que a Baiana já gozava de subvenção dos governos de
Alagoas e Sergipe.
Assim, no dia 5 de janeiro, já a bordo do vapor Paulo Afonso,
comandado pelo Sr. João de Souza Reis, o Presidente José Bento e sua comitiva
alcançavam as terras do sertão. Do seu Relatório, escrito por Olympio Eusébio
de Arroxelas Galvão e José Antônio de Magalhães Basto, retiramos o seguinte
relato:
“Antes de chegar-se a Pão de Açúcar, deixamos à direita o
Araticum e a ilha de São Pedro, residência do virtuoso Frei Doroteu; a Tapera e
o Saco Grande; e, à esquerda, a povoação de Lagoa Funda, com uma pequena
capelinha, contendo 80 casas de telha, e é distrito de uma subdelegacia,
pertencente ao Termo de Traipu e tem uma aula de instrução pública primária
para o sexo masculino, dista 6 léguas daquela Vila e 4 abaixo do Pão de Açúcar.”
“Um pouco mais acima deste povoado confina a Comarca de
Penedo com a de Mata Grande, pelo rio; adiante a povoação do Limoeiro, com uma
capela de excelente construção e alegante, dedicada a Jesus, Maria e José, 2
ruas com mais de 60 casas, pertencente já ao Termo de Pão de Açúcar, de que
dista 3 léguas; mais além, povoado Jacarezinho, Santiago, riacho e morro do
Faria.”
Precisamente às 15:25 h, fundeava o vapor Paulo Afonso e,
logo em seguida, o Jequitaia, onde foram recebidos por grande número de
pessoas. Foguetes no ar, bandeiras em terra e tiros de bateria saudaram os
ilustres visitantes.
E prossegue a narrativa:
“Sua Excelência foi logo convidada com sua comitiva para
jantar em terra. A bordo, foi cumprimentado pelo Estado Maior da Guarda
Nacional. Ao saltar em terra, toda a oficialidade uniformizada, a Câmara
Municipal em corporação, revestida em suas insígnias, empregados públicos,
delegado, subdelegado, muitos outros cavalheiros e particulares acompanhavam a
S. Exª até o sobrado da residência do Ilustríssimo Senhor Dr. Juiz de Direito
Paes Barreto (ausente), ricamente preparado para esse fim.”
“O presidente da Câmara Municipal dirigira uma breve alocução
oral, a que S. Excelência respondeu logo agradecendo.”
“O jantar foi profuso e variadíssimo. Nessa recepção,
distinguiram-se entre outros os senhores Major Cunha Figueiredo, Major Machado
Novaes, Mariano Cavalcante, etc.”
“À tardinha, S. Excelência visitava a Matriz, único templo e
não acabado dessa importante e florescente Vila, o cemitério, etc.”
“Tem mais de trezentas casas de telha, em geral bem
construídas e altas. As ruas paralelas com o rio, exceto uma, para a frente da
qual olha a principal, que é bastante extensa: são as da Matriz, Flores,
Aurora, Feira Velha e Senzala.”
“A da Matriz é notável por ser reta, longa e muito larga,
devendo-se a alguns particulares um ensaio de arborização, tão necessária à boa
higiene dos habitantes e como meio de mitigar a ação do calor abrasador, que
ali reina na estação calmosa, aumentado por enorme quantidade de pó, que se
levanta durante o dia, e próprio do terreno que é areiento.”
“A Vila edificada num belo e espaçoso plano, que lhe dá linda
perspectiva e ministra-lhe ainda bastante espaço de terreno para alargar-se e
desenvolver-se, devendo sua denominação ao morro do Pão de Açúcar, um pouco
acima, a Sudoeste e à distância de um tiro de canhão: pequeno e rotundo, de
forma cônica, bem merecedor do nome que lhe dão, e é conhecido também por Morro
do Cavalete. Duas léguas atrás, em rumo setentrional, fica a importante e
majestosa Serra do Pão de Açúcar”.
“Contém um comércio que tende a prosperar; e 3 mil
habitantes, devendo ter, a Freguesia e o Município, 7 a 8 mil almas, pouco mais
ou menos.”
“A freguesia tem por invocação o Sagrado Coração de Jesus.”
“Na Vila existem fábricas de vapor para descaroçar algodão e
mais de 20 casas de comércio.”
“O terreno é de criação e agrícola, dando riquíssimo e
abundante algodão, mas acaba de ser assolado pela seca.”
“Na Vila residem o Juiz de Direito e o promotor da Comarca, o
Juiz Municipal e o Delegado do Termo, o Subdelegado, vigário, um professor e
uma professora de instrução pública primária, um Inspetor Paroquial, um gerente
dos correios, coletores de rendas gerais e provinciais, Câmara Municipal, etc.,
e dá 18 eleitores apenas. Dista 24 léguas do Penedo e 61 da Capital.”
“Toda a comitiva pernoitou em terra, sendo S. Excelência
constantemente visitado em Palácio, onde a música marcial, de bordo, tocou à
porta lindas peças.”
“Às 6 horas da manhã do dia 6, os vapores da navegação
fluvial se encaminharam para o termo de sua viagem a Piranhas.”
Concluída a viagem a Piranhas, o Presidente e comitiva
iniciaram o retorno. Assim, no mesmo dia, o relatório registra:
“Voltou o Paulo Afonso, que às 5 horas fundeava outra vez em
Pão de Açúcar, onde à tarde Sua Excelência e oito pessoas da comitiva passearam
a cavalo pelas ruas da Vila, várzeas e lagoas adjacentes, e foram ao morro do
Cavalete, onde subiram até certa altura, conseguindo, posto que temerariamente,
o Sr. Dr. Carlos de Mornay chegar ao seu cume, montado.” “Pernoitou-se ainda em
terra, em Palácio, tocou-se e cantou-se bastante.”
“Na manhã do dia seguinte, às 7 horas, a comitiva e S.
Excelência deram um belo passeio a pé a uma aprazível eminência de pedras, que
fica atrás das ruas da Vila, donde se descortina magnífico panorama. Esse belo
quadro foi tirado pela máquina fotográfica, graças à habilidade e trabalhos do
Sr. Abílio Coutinho.”
“Às 9 horas, despedia-se de nós a importante Vila e o
generoso povo de Pão de Açúcar.”
____
AS PRIMEIRAS IMAGENS DE PÃO DE AÇÚCAR E LIMOEIRO
Dessa importante passagem do Presidente da Província, ficaram-nos como herança os primeiros registros fotográficos de nossa terra.
FOTO DA COMITIVA
O Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior (Presidente da
Província, no alto, de cartola preta); Sr. Manoel Rodrigues dos Santos Moura
(comandante do vapor “Jaguaribe”, da Cia. Pernambucana); Sr. Ildefonso
Cantidiano da Silva (Oficial de Gabinete); Sr. Francisco Ferreira Borges (gerente
da Companhia Pernambucana); Dr. João Batista Pinheiro Côrte Real (Juiz
Municipal de Penedo); Sr. João de Souza Reis (comandante do vapor Paulo
Afonso); Srª Angélica Arnoud Coutinho (esposa do fotógrafo Abílio Coutinho);
Alferes José de Mello Passos (Ajudante de Ordens de Pessoa); Dr. Manoel Joaquim
dos Santos Patury (Promotor Público de Mata Grande); Dr. José da Costa Carvalho
Guimarães Junior; Dr. Manoel Sobral Pinto; Srª Luiza Mendonça (esposa do Major
Luiz José de Mendonça); Carlos de Mornay (engenheiro da Província); Major João
Machado de Novaes Mello (futuro Barão de Piaçabuçu, de cartola branca); Major
Cunha Figueiredo; Dr. José Antônio de Magalhães Basto; Dr. Jorge Dornellas Ribeiro Pessoa[ii];
Major Luiz José de Mendonça; Cap. Bezerra Góis de Sant’Ana; Alferes Manoel
Gonzaga; Tenente João Alberto Ribeiro e o Dr. Olympio Eusébio de Arroxellas
Galvão.
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Pão de Açúcar, Rua da Praia, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA DA FRENTE
Principal porta de entrada da Vila, esta fotografia mostra a
região do porto, com pessoas e algumas canoas ancoradas com seus panos
enluvados. Uma delas, claramente, é uma canoa de tolda, munida de um par de
velas latinas unidas por um único mastro e postado diante da tolda,
popularmente chamado de pano-de-asa.
Em primeiro plano, vemos uma caverna, peça de madeira
arqueada com que se armavam as canoas em sua construção.
À direita, entre o casario simples, destacam-se dois
sobrados: o primeiro, velho conhecido nosso, hospedou D. Pedro II, em 1859, e
está atualmente em reforma. O segundo foi demolido pelos seus proprietários,
herdeiros do Dr. Erasmo Rodrigues Lima.
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Pão de Açúcar, Rua do Meio, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA DO MEIO, ATUAL AV. BRÁULIO CAVALCANTE
Aqui temos a região central da cidade: a Rua do Meio, depois
chamada Av. Rio Branco e, por fim, Avenida Bráulio Cavalcante.
Tomada, provavelmente, das imediações da Prefeitura, a
fotografia mostra o trato de terra — esse combro imenso —, tendo como limite ao
fundo o Morro do Cavalete e o serrote que se estende para a direita.
Ao centro, em meio a um princípio de arborização, notam-se
buracos no meio da rua, por certo decorrentes da retirada de material para
construção.
À esquerda, veem-se habitações humildes e animais que se
abrigam à sombra das árvores.
À direita, vemos um sobrado que não mais existe e, logo a
seguir, a esquina com a então Rua Pedro Paulino, atualmente chamada Coronel
Manoel Antônio Machado. Mais adiante, podemos identificar a velha igreja
matriz, em plano diferente do que vimos na foto anterior, prolongando-se o
arruamento até o ponto onde, em 1877, se iniciaria a construção da Cadeia
Pública."

Rua Augusta, atual Pe. José Soares Pinto, 1860. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA AUGUSTA, ATUAL PE. JOSÉ SOARES PINTO
Temos aqui uma vista da Rua Augusta, já há muito tempo,
denominada Padre José Soares Pinto. Bastante larga, ela vai se estreitando na
saída para a então Rua do Meio (atual Avenida Bráulio Cavalcante). Atualmente,
essa largura é disfarçada pelas calçadas que se projetam para muito além do
alinhamento das casas.
A rua larga e espaçosa dava lugar a um início de arborização.
Ao fundo, à esquerda, vemos a igreja matriz em sua forma original, sem torres,
depois reformada segundo o projeto de Frei Cassiano de Comachio, cuja obra foi concluída
em 1877. Ainda à esquerda, pessoas sentadas no batente das portas ou em
cadeiras, abrigadas à sombra formada pela manhã ensolarada, parecendo conversar
tranquilamente, em meio a animais soltos na rua.
À direita, casas de duas águas, cobertas com telha canal, com
cumeeira e pé-direito altos; o detalhe das fachadas das casas demonstra a moda
de portas partidas ao meio, abrindo-se apenas a parte de cima e mantendo
fechada a parte de baixo. Entre uma casa e outra, uma peça que parece um pilão.
Vê-se ainda uma das residências em construção no formato de sobrado.
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Pão de Açúcar, "Cavalete", 1860. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DO CAVALETE
O álbum que compõe o relatório da viagem do Dr. José Bento
anota esta foto como sendo do “Cavalete”, sem, no entanto, mostrar o morro de
mesmo nome. Presume-se que seja a “Rua da Senzala”, também referida no
documento da viagem, composta de moradias de escravizados.
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Pão de Açúcar, povoação do Limoeiro, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DO LIMOEIRO
Essa foto, certamente tomada das proximidades da barra da
lagoa da igreja, mostra um Limoeiro em formação. Tomando-se como base a igreja,
que não era senão uma pequena capela, cuja construção data de 1787, a povoação
teria aproximadamente oitenta anos. Vê-se apenas duas ruas: a atual Mário
Vieira, que sobe do porto de baixo para a igreja; e a Bráulio Cavalcante (rua
de Baixo), que só tinha um lado. Não havia nenhuma das casas das que hoje fazem
fundo para o rio. Em primeiro plano, temos a cerca de pau-a-pique, a porteira e
uma árvore, que bem pode ser a velha marizeira que ainda existia até meados da
década de 1980, e que servia de abrigo a canoas em construção ou conserto. Por
detrás dela, vemos o casarão que pertenceu ao meu avô João Amorim, onde
atualmente há um Clube.
____
Pão
de Açúcar, assim como outras localidades alagoanas da região do Baixo São
Francisco, devem a Abílio Coutinho a possibilidade de terem imagens de sua
formação e do seu desenvolvimento, 148 anos atrás.
Mas,
afinal, quem é Abílio Coutinho?
Abílio
de Souza Coutinho era português. Jornais do Rio de Janeiro, noticiando o
movimento do porto, registram a sua chegada no patacho português Maria, no dia
11 de janeiro de 1856, vindo de Loanda.
Essa seria, provavelmente, a data de sua chegada ao Brasil.
No
dia 2 de janeiro de 1859, casa-se com Angélica Arnaud. A cerimônia foi
realizada na Capela Imperial, tendo como padrinhos Leopoldina Frolik e
Guilherme Froik, por parte da noiva; e o Sr. João Valentim, do noivo.
De
origem italiana, procedente de Nápoles, dona Angélica era Irmã do maestro
Genaro Arnaud e de Carlo Arnaud, Giácomo Arnaud, Achilles Arnaud, Carmella
Arnaud Tostivin e Michele Arnaud, este falecido em 20 de abril de 1860 no Rio
de Janeiro.
Em
1865, já tinham dois filhos: Achilles Arnaud Coutinho e Guilherme Arnaud
Coutinho.
Dona
Angélica (Maria Angelica Concetta Arnaud), uma das duas mulheres que aparecem
na foto de Pão de Açúcar, nasceu no bairro San Ferdinando, Nápoli, Itália, a 16
de janeiro de 1837. Residindo na Rua Ferreira Viana, 119, no Rio de Janeiro,
faleceu no dia 26 de dezembro de 1885 e foi sepultado no Cemitério São João
Batista.
Em
1861 e 1862, o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro
registra Abílio Coutinho como “negociante”. Em outras fontes, aparece como
empreiteiro de obras públicas, inclusive em Alagoas, durante a presidência do
Dr. José Bento.[iii]
*** ***
***
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”,
constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens
são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da
competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso
sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso
tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de
autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.
[i]
Formado em Direito pela Faculdade do Recife. Filho de José Bento da Cunha
Figueiredo (Visconde de Bom Conselho) e de Rosa Valeriana Duarte, nasceu em
Pernambuco em 29 de novembro de 1839. Faleceu em Lorena, São Paulo, a 3 de
agosto de 1885.
[ii]
Filho de Jacinto Dornellas Pessoa e Brígida Maria Dornellas Pessoa, nasceu em
Olinda em 23 de abril de 1934 e faleceu no Rio de Janeiro em 26 de dezembro de
1890. Formado em Direito pela Faculdade do Recife.
[iii]
Fontes: Jornal do Comércio, RJ, 12 de
março de 1856, p. 3; Correio Mercantil, RJ, 12 de março de 1856.
A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR
PÃO DE AÇÚCAR
Marcus Vinícius*
Meu mundo bom
De mandacarus
E Xique-xiques;
Minha distante carícia
Onde o São Francisco
Provoca sempre
Uma mensagem de saudade.
Jaciobá,
De Manoel Rego, a exponência;
De Bráulio Cavalcante, o mártir;
De Nezinho (o Cego), a música.
Jaciobá,
Da poesia romântica
De Vinícius Ligianus;
Da parnasiana de Bem Gum.
Jaciobá,
Das regências dos maestros
Abílio e Nozinho.
Pão de Açúcar,
Vejo o exagero do violão
De Adail Simas;
Vejo acordes tão belos
De Paulo Alves e Zequinha.
O cavaquinho harmonioso
De João de Santa,
Que beleza!
O pandeiro inquieto
De Zé Negão
Naquele rítmo de extasiar;
Saudade infinita
De Agobar Feitosa
(não é bom lembrar...)
Pão de Açúcar
Dos emigrantes
Roberto Alvim,
Eraldo Lacet,
Zé Amaral...
Verdadeiros jaciobenses.
E mais:
As peixadas de Evenus Luz,
Aquele que tem a “estrela”
Sem conhecê-la.
Pão de Açúcar
Dos que saíram:
Zaluar Santana,
Américo Castro,
Darras Nóia,
Manoel Passinha.
Pão de Açúcar
Dos que ficaram:
Luizinho Machado
(a educação personificada)
E João Lisboa
(do Cristo Redentor)
A grandiosa jóia.
Pão de Açúcar,
Meu mundo distante
De Cáctus
E águas santas.
______________
Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)
(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937
(+) Maceió (AL), 07.05.1976
Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.
*****
PÃO DE AÇÚCAR
Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.
Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.
Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,
O pó que o vendaval deixou no chão cair.
Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste
O teu profundo sono num divino sorrir.
Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,
Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.
Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.
Teus jardins se parecem com vastos cemitérios
Por onde as brisas passam em brando sussurrar.
Aqui e ali tu tens um alto campanário,
Que dá maior relevo ao pálido cenário
Do teu calmo dormir em noite de luar.
____
Ben Gum, pseudônimo de José Mendes
Guimarães - Zequinha Guimarães.
PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia
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