sexta-feira, janeiro 30
GRUPO ESCOLAR BRÁULIO CAVALCANTE – UM POUCO DA SUA HISTÓRIA
Por
Etevaldo Amorim
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| O Grupo Escolar Bráulio Cavalcante em 1974. Foto: Elizabeth Gandra |
Desde
a “cadeira de primeiras letras” criada em 6 de julho de 1839, a pioneira
em Pão de Açúcar, as escolas funcionavam em situação precária, nas residências
dos próprios mestres ou em imóveis particulares, cujos donos tinham que ser
tolerantes com o Estado que, por vezes, lhes atrasava o aluguel. (para saber
mais clique AQUI)
As
"cadeiras" foram estabelecidas no Brasil Império (formalizadas pela Lei
de 15 de outubro de 1827, que “Manda criar escolas de primeiras letras em
todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império”) para ensinar
leitura, escrita e aritmética. Ministravam-se noções de geometria prática,
gramática da "língua nacional", princípios da moral cristã e doutrina
católica. Não eram propriamente "escolas" com prédios próprios, mas
sim "cadeiras" (vagas de professor) distribuídas por cidades e vilas.
Um
único professor podia ensinar centenas de alunos simultaneamente. Aqueles mais adiantados
serviam de monitores, auxiliando o mestre no ensino dos iniciantes. Adotava-se
o “Método de Lancaster”, também conhecido como “ensino mútuo”,
que priorizava a memorização, a repetição, forte disciplina e recompensas
morais. Os alunos usavam pequenas lousas individuais de pedra e lápis de
ardósia (pedra-sabão) para exercícios, apagando com pano molhado.
Muitos
anos depois, já sob a República, ante a necessidade de modernizar o país e
alfabetizar a população para consolidar o novo regime, surgiu a ideia dos
grupos escolares.
O modelo
foi oficializado pela "Reforma Paulista da Instrução Pública", em
março de 1893, sob o governo de Bernardino de Campos. A ideia era reunir as
antigas escolas isoladas (que funcionavam em casas de professores)
em um único prédio sob uma única direção. Esse formato tinha por base a “escola
graduada”, um modelo já utilizado nos Estados Unidos e na Europa no final
do século XIX para possibilitar a educação em massa.
Uma nova organização pedagógica introduziu a separação de alunos por séries (nível de conhecimento), o controle rígido do tempo por calendários e o ensino de disciplinas como educação física, moral e cívica.
Outro
avanço significativo se deu, desta feita em 1920, durante o governo de
Washington Luis em São Paulo (01/05/1920 - 01/05/1924), estando à frente da
Secretaria dos Negócios da Justiça e da Segurança Pública o Dr. Antônio de
Sampaio Dória. Com a chamada “Reforma Sampaio Dória”, o funcionamento
dos grupos escolares adquiriu papel fundamental. (para saber mais sobre este
alagoano de Belo Monte, clique AQUI)
Em
Alagoas, a adoção do modelo de grupos escolares se deu por iniciativa do
educador Diegues Junior[i].
Ainda em prédio impróprio, ele reuniu todas as cadeiras do seu distrito em um
só local. A organização foi-se fazendo quase em caráter oficioso. Foi então que
o Govenador Baptista Accioly (12/06/1912-12/06/1915), acatando aquela
experiência exitosa, construiu, na Pajuçara, um prédio para abrigar aquela
escola. Com o nome de Grupo Escolar
Diegues Junior, foi inaugurada oficialmente em 14 de julho de 1917.[ii]
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| O Prefeito Augusto de Freitas Machado |
Quinze
anos depois, surgiu a oportunidade de Pão de Açúcar ter o seu primeiro Grupo
Escolar. Foi na primeira Gestão do prefeito Augusto Machado (09/06/1932 a
14/09/1934).
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| O Interventor Affonso de Carvalho. |
Os recursos
foram conseguidos durante o governo do Interventor Federal Afonso de Carvalho (10/01/1933
a 02/03/1934).[iii]
Àquela época, era Diretor da Instrução Pública (equivalente a Secretário de
Educação) o escritor Graciliano Ramos. Ele teve participação ativa na renovação
do ensino público em Alagoas, desde a sua nomeação em janeiro de 1933 pelo
interventor Capitão Francisco Afonso de Carvalho. Foi mantido no cargo por
Osman Loureiro até março de 1936, quando, após o levante de 1935, suspeito de
simpatias com o movimento, foi preso.[iv]
Recebido
pela reportagem do jornal Diário de Pernambuco, em 18 de janeiro de 1936, ele
forneceu preciosas informações acerca da situação do ensino público no Estado. (DP,
24 de janeiro de 1936).
Não
tendo ainda concluídas as estatísticas referentes ao ano de 1935, ele expõe
para o repórter os dados de 1934. Segundo ele, Alagoas tinha, naquele ano, 607
escolas, das quais 343 estaduais, 100 municipais e 165 particulares. Assinala ainda
que, comparativamente ao ano anterior, verificou-se um aumento significativo,
vez que contávamos com 573; e, em 1932, menos ainda: 491.
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| O Diretor da Instrução Pública Graciliano Ramos |
Sobre
a construção de Grupos Escolares, relata o Sr. Graciliano Ramos:
“Não
nos temos descuidados também da criação de grupos escolares na Capital e no
Interior. Foram inaugurados quatro grupos escolares no interior: Pão de
Açúcar, São José da Lage, Murici e Atalaia; e um na capital: o de Jaraguá.”
A
CONSTRUÇÃO
Recursos
assegurados, passou-se à obra. Os serviços de construção tiveram início no dia 28
de outubro de 1933, adentrando 1934, conforme notícia do Diário da Manhã,
Recife, de 27 de fevereiro de 1934:
“Pão
de Açúcar. Estão em andamento os serviços de construção do Grupo Escolar de Pão
de Açúcar, os quais ficarão concluídos no mês de março próximo.”
O
diário carioca O Jornal, na edição de 22 de maio de 1934, publicou essa notinha
enviada pelo seu correspondente em Maceió:
"GRUPO
ESCOLAR EM PÃO DE AÇÚCAR. Na cidade de Pão de Açúcar estava sendo construído um
Grupo Escolar, já se achando quase concluído."
Os
serviços avançaram em bom ritmo, até a sua conclusão em 27 de abril de 1934, conforme a notícia da Gazeta de
Alagoas, de 28 de abril daquele ano:
“GRUPO ESCOLAR DE PÃO DE AÇÚCAR CONCLUÍDO. Pão de Açúcar, Alagoas, 27. Foi concluído hoje o Grupo Escolar desta cidade para construção da qual a administração passada entregara ao prefeito municipal, Sr. Augusto Machado, a quantia de 30:000$000 (Trinta Contos de Réis). A obra, iniciada em novembro, foi construída dentro da dotação do Governo Estadual.”
A “administração
passada” a que se refere a notícia, era justamente a do Interventor Federal
Afonso de Carvalho, uma vez que, à data da notícia, o Interventor já era
Temístocles Vieira de Azevedo (02/03 a 01/05/1934). E, de fato, a obra coube
perfeitamente dentro da dotação ofertada pelo governo estadual, sendo aplicados
exatos 29:961$200 (Vinte e Nove Contos, Novecentos e Sessenta e Um Mil e Duzentos
Réis)[v].
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| O Governador Osman Loureiro de Farias |
A
edição de 29 de abril de 1934, a GAZETA DE ALAGOAS traz uma notícia mais
detalhada:
“A
CONSTRUÇÃO DO GRUPO ESCOLAR DE PÃO DE AÇÚCAR. Conforme consta do nosso serviço
telegráfico de ontem, foram concluídas anteontem, em Pão de Açúcar, as obras do
Grupo Escolar dali.
Da
distribuição feita pelo Interventor passado[vi]
de crédito para construção de grupos escolares nos municípios do interior do
Estado, a parcela que coube ao adiantado município sertanejo foi carinhosamente
aplicada, o que bem demonstra a auspiciosa notícia de construção dos trabalhos.
É,
talvez se possa afirmar, o único que será construído no Estado dentro da
dotação estimada pelo Estado, da quantia de 30:000$000.
Aos
pão-de-açucarenses é muito grata esta notícia, reconhecendo-se que para isso
muito contribuíram os esforços e a honestidade do prefeito local, Sr. Augusto
Machado.”
À
época da conclusão dos serviços de construção, o município se achava sob a
interinidade do Sr. Luiz Gonzaga Sobrinho[vii]
(13/03 a 11/05/1934), posto que o titular Augusto Machado estava ausente do
Município para trato de assuntos particulares em São Paulo e no Rio de Janeiro.
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| O Grupo Escola Bráulio Cavalcante quando de sua construção em 1934. |
Embora
concluída a construção do prédio em 27 de abril de 1934, a sua inauguração só
veio acontecer no dia 2 de julho de 1935, estando o município já sob a
administração do Capitão Serafim Soares Pinto, e o governo do Estado sob o
comando o governador Osman Loureiro (27/05/1935 a 24/11/1937).
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| O Grupo Escolar Bráulio Cavalcante, em 1934. |
Novamente
a Gazeta de Alagoas, cujo Diretor era Luiz Magalhães da Silveira[viii],
fez preciosa cobertura, que aqui transcrevemos:
“Pão
de Açúcar, 10 de julho de 1935.
Com a
presença do Sr. Padre Soares Pinto, representando o Sr. Governador do Estado;
Sr. Dr. Dermeval Freire de Menezes, Juiz de Direito; Sr. Cel. Serafim Pinto, Prefeito
Municipal; Dr. Arnaldo Lellis da Silva[ix],
Promotor Público; Sr. Antônio de Freitas Machado, Presidente do Tiro de Guerra
656; Sr. Álvaro Machado, Coletor Federal; Dr. Onélio de Carvalho[x];
Sr. Ernesto Soares Vieira[xi],
Presidente da Junta Escolar; D. Rosália Sampaio Bezerra, Diretora do Grupo e
várias pessoas de destaque na sociedade local, efetuou-se, no dia 2 do
corrente, a inauguração do Grupo Escolar “Bráulio Cavalcante”.
“Com
a palavra o Sr. Padre Soares Pinto, após ler um telegrama do Sr. Governador do
Estado para representa-lo naquela solenidade, pronunciou um discurso em torno
do grande melhoramento que vinha de receber Pão de Açúcar, declarando
inaugurado oficialmente o Grupo Escolar.
Ainda
usaram da palavra a Srª Professora D. Rosália Sampaio e o farmacêutico Antônio
de Freitas Machado, este congratulando-se com o povo de Pão de Açúcar.
Em
seguida o Sr. Padre Soares Pinto encerrou a sessão.”
O Sr.
Augusto Machado, prefeito responsável pela construção do prédio, não estava
presente à inauguração. A seu pedido, ele fora exonerado pelo Interventor
Federal Osman Loureiro, por Ato de 6 de setembro de 1934. Para substituí-lo, o
Interventor nomeou o Pe. José Soares Pinto. Até a chegada do Pe. Pinto, o
funcionário João Machado da Costa (Joca) ficou respondendo pelo Expediente da
Prefeitura de 11 a 14 de setembro de 1934.
A
reportagem ainda traz detalhes sobre a situação da escola, cujas aulas se
iniciavam:
“UM
APELO AO GOVERNO
O
Grupo Escolar recentemente inaugurado na cidade de Pão de Açúcar está a merecer
uma atenção mais especial, principalmente quanto ao seu mobiliário, que é
deficiente, e notamos uma certa ausência de mapas e outros utensílios
referentes à boa marcha do ensino. Há, por exemplo, dois salões que estão
completamente desocupados, não tendo o seu mobiliário, quando o Grupo se sente
sobrecarregado de alunos e existem inúmeras crianças que necessitam de
instrução.”
“Por
aí se verifica que os dois salões bem poderiam atender a essa falta, precisando
para isto que fossem nomeadas mais duas professoras, assim como se
providenciasse a mobília para os dois salões.”
“Julgamos,
portanto, que o Sr. Governador do Estado, empenhado, como se encontra, em
difundir a instrução, procurará satisfazer este justo apelo da população de Pão
de Açúcar.”
O vistoso
prédio tinha, na fachada, uma entrada principal projetada para a frente, com
porta larga e em grade de ferro, ladeada por duas janelas estreitas, frontais,
e duas outras laterais. Completando a fachada, duas janelas largas e
retangulares. Nas laterais do prédio, três janelas altas com basculantes.
Em 1951, quando da criação do curso ginasial em Pão de Açúcar, foi nas dependências do "Bráulio" que estudaram os primeiros alunos do Ginásio D. Antônio Brandão.
O
QUADRO FUNCIONAL
Ao tempo
em que concluía a construção, o Governo adotava providências para formar o
primeiro quadro funcional, nomeando as professoras e outros servidores.
Assim
foi que, por Ato de 3 de junho de 1935, o Secretário Geral do Estado, Edgard de
Goes Monteiro, designou as professoras públicas de instrução primária Alcina
Mangueira Canuto (de 1ª classe, da cadeira do sexo masculino) e Rosália Sampaio
Bezerra (de 2ª classe, da cadeira do sexo feminino), para terem exercício, em
comissão, no novo grupo escolar, designando ainda esta última para ser a sua
Diretora. (para saber mais sobre a Professora Rosália, CLIQUE AQUI)
O
corpo docente se completava com as professoras Flora Calheiros Martins (esposa
do médico Dr. José de Cerqueira Cotrim), Helena Calheiros Martins, (irmã da
antecessora), Guiomar Sampaio Bezerra, Angelita Lins de Albuquerque (removida
para Arapiraca em 1941), Maria José de Paula, Pedro de França Reis, Professora
Oraida Campos[xii],
Aurelina Nunes Palmeira, Iracema Vieira Pereira.
O
governador Osman Loureiro, por Ato nº 2.156, de 3 de março de 1936, nomeou a
primeira Guardiã, a Sr.ª Maria Alves Lima e o primeiro Servente o Sr. José
Rodrigues Casado[xiii].
Fora também nomeado para o cargo de Porteiro o Sr. Manoel Correia Duarte, mas
logo em seguida exonerado.
Por
fim, e mesmo sabendo que será impossível relacionar todas as professoras e
funcionários que passaram por essa escola tão marcante na sociedade de Pão de
Açúcar, podemos citar algumas, rendendo a todas o nosso preito de eterna
gratidão: Maria Tavares Pinto, Dona Clélia, Eliete Correia, Valdice Silva, Mercedes Ribeiro
Gomes, Carmelita Melo Machado, Maria Lúcia Pastor, Maria do Socorro Lisboa
(“Socorro de Julinho), Belmira Carvalho dos Santos, Marilena Rodrigues de
Lucena, Ivanise Duarte, Ivalda Duarte, Mirian Pastor, Maria Duarte de Araújo, Maria de Lourdes Machado de Carvalho, Helenira
Silva Fialho de Brito, Maria Gaia, Dona Lourdes (esposa do Sr. Joaquim do Vale), Joana Vieira da Rocha, Mariza Rodrigues de Andrade, Maria Cleide Barbosa, Maria da Glória Campos Tavares, Marilena Bezerra (Galega), Maria Vaderez Machado, Celsa Pires Guimarães.;
e as funcionárias Luzinete Marsiglia, Maria das Dores e Dineuza Belarmino.
(Agradecimentos
a Helio Silva Fialho, Virgínia Silva Fialho, Alcir dos Anjos e Mirya Tavares
Pinto Cardoso Ferro, Álvaro Antônio Melo Machado, Celsa Rodrigues de Andrade, Givago Souza)
___
A
DEMOLIÇÃO
O
velho prédio foi demolido em 1987, na Administração do Prefeito Elísio Maia, deixando
um vazio naquele espaço e no coração dos pão-de-açucarenses. Somente em 2004,
na segunda gestão do prefeito Jorge Dantas, foi o construída a Praça do
Sesquicentenário.
Pouco
antes da sua demolição, em novembro de 1986, serviu de abrigo a muitas Seções
Eleitorais naquela eleição para Governador e Senador /Deputados à Assembleia
Nacional Constituinte, que elaborou a Carta Constitucional de 1888.
A
escola, enquanto Instituição de ensino, atualmente denominada Escola Estadual
Bráulio Cavalcante, funciona em outro prédio construído pelo Estado, dotado de um
ginásio de esportes, na Alameda da Esperança.
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FORMATURA DO CURSO PRIMÁRIO NO G.
E. BRÁULIO CAVALCANTE, 1967. Da esquerda para a direita, a partir da primeira
fila: Dona Lourdes (Professora, esposa do Sr. Joaquim do Vale), João Pedro
Almeida de Carvalho, Alcir dos Anjos, José Saulo Ávila dos Santos, Manoel
Gonzaga (“Seu Mané”, filho do carteiro Geraldo Gonzaga), Augusto dos Anjos
Barbosa (Duta de Sinhô Barbosa), Manoel (filho de Bonfim, que vendia confecções),
Jorge Silva Dantas ( atual Prefeito de Pão de Açúcar), Aécia Campos, Vilma
Campos, Washington Galvão, Humberto Melo Mendonça ( Beto de Vavá Mendonça), Leôncio
( ao lado de Washington), São os colegas de formatura do Grupo Escolar Bráulio
Cavalcante, turma de 1967, que ainda recordo. Foto: Érico Abreu.
____
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como
tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações
históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em
geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica.
Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em
qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas
fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências.
Isso é correto e justo.
[i] Manoel
Balthazar Pereira Diégues Júnior (1852-1922).
[ii]
Revista de Ensino, Ano I, nº 3 – Maio e Junho de 1927.
[iii]
Segundo Lauro Marques em Diário de Pernambuco, 16 de setembro de 1934.
[iv] Fonte:
Revista do Arquivo Público de Alagoas, Vol. nº 2.
[v][v]
MENDONÇA, Aldemar de. PÃO DE AÇÚCAR, HISTÓRIA E EFEMÉRIDES.
[vi]
Affonso de Carvalho. Interventor Federal de 10 de janeiro de 1933 a 2 de março
de 1934. Nasceu no Rio de Janeiro em 18/10/1897 e ali faleceu em 15/06/1953). Interventor federal, deputado
federal, teatrólogo, militar. Filho de Antônio Afonso de Carvalho e Sebastiana
Sales de Carvalho.
[vii]
O Sr. Luiz Gonzaga Sobrinho nasceu a 14 de fevereiro de 1886 e faleceu a 11de
março de 1961. Era filho de Pedro Campos e Maria José Machado Campos. Em 1916,
foi Juiz Distrital no Distrito da Cidade. Em 1926, casa-se com Laureta Etelvina
de Brito Lisboa (após casamento: Laureta Lisboa Campos; faleceu no Recife aos
81 anos no dia 11 de abril de 1983, filha de Firmino Martins Lisboa Filho e
Maria Francisca Brito Lisboa).
[viii]
Luiz Magalhães da Silveira (22/10/1869 – 05/03/1050), Filho de Luiz José da
Silveira e Henriqueta Francisca de Souza Magalhães.
[ix]
Dr. Arnaldo Lellis da Silva (1901-1981), filho de Camilo Lellis da Silva e
Maria Dias da Silva. Casou-se em Traipu-AL com a Srª Marly Houly. Nomeado em 30
de maio de 1933 para o cargo de Promotor Público de Pão de Açúcar. Fonte:
Gazeta de Alagoas, 31 de maio de 1933. Era irmão do famoso Major Bonifácio da
Silveira e de Faustino Magalhães da Silveira (pai de Nise da Silveira).
[x]
Dr. Onélio de Carvalho. Médico pediatra formado na Faculdade do Rio de Janeiro,
em 1927. Era também produtor de cana-de-açúcar. Nasceu em Coruripe em 16 de
agosto de 1902. Filho do Cap. José Higino de Carvalho Linhares e Silvéria
Pureza de Carvalho. Casado com Jumelice Coutinho de Carvalho.
[xi]
Ernesto Soares Vieira. Filho de Inocêncio Soares Vieira e de Maria Anicácia
Vieira. Foi casado com Georgina Cardoso e Belarmina Pastor de Oliveira; avô do
Eng. Agrônomo Afrânio Jorge Vieira, presidente do IAPREV. Membro e presidente
da Junta Escolar do Município de Pão de Açúcar, foi exonerado em 25 de setembro
de 1935, sendo substituído pelo Promotor Público Dr. Arnaldo Lelis da Silva.
Fonte: Gazeta de Alagoas, 26 de setembro de 1935.
[xii]
Oraida Campos de Paula. Nascida em Propriá-SE em 1915, faleceu em Maceió em 20
de julho de 1965. Casada com Vicente de Paula Filho.
[xiii]
José Rodrigues Casado. Esposo de Maria Alves Rodrigues Casado (pai de “Muga” -
Samuel Rodrigues Casado e de dona Marlene Rodrigues Casado.
sábado, janeiro 24
ESCOLAS E SEUS PATRONOS – U. M. E. LINDAURO COSTA
Por Etevaldo Amorim
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| A Unidade Municipal de Ensino Lindauro Costa, em Limoeiro. |
A
Unidade Municipal de Ensino Lindauro Costa está localizada na Vila Limoeiro,
município de Pão de Açúcar. Seu Ato de criação foi a Lei nº 409 de 26 de
fevereiro de 1971.
Em 1974, desmembrada da Escola
Isolada de Alecrim (estadual), a escola passou a ter a denominação de U. M. E
de Alecrim, funcionando com uma turma de 1ª série.
Segundo dados do seu Projeto
Político-pedagógico, nos anos seguintes houve variações na oferta: em 1975
funcionou com 1ª a 4ª séries; em 1976 com 1ª e 2ª séries; em 1977 com 1ª a 3ª
séries; e entre 1978 e 1981 a escola permaneceu paralisada.
Em 1982, retornou com a 1ª série, mantendo-se assim até 1988. Entre 1989 e 1991 funcionou com Cartilha, 1ª e 2ª séries; de 1992 a 1994 voltou a oferecer a 3ª série; em 1995 e 1996 não houve Cartilha; em 1997 a 3ª série foi suspensa e a Cartilha retomada; em 1998 houve o retorno da 3ª série; e em 2000 iniciou-se a oferta da 4ª série.
No ano
de 2001 teve início a Educação de Jovens e Adultos (EJA), representando um
avanço significativo na abrangência da escola.
Funcionou, por muitos anos, em
prédios alugados pela prefeitura municipal e, em alguns períodos, ainda
utilizava espaços da escola estadual. Somente a partir de 2000 passou a
funcionar com turmas completas do 1º ao 4º ano do ensino fundamental, durante a
gestão do prefeito Jorge da Silva Dantas, em atendimento à Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (LDB) nº 9.394/96, que atribuiu aos municípios a
responsabilidade prioritária pelo ensino infantil e fundamental.
Durante todo esse tempo, a Unidade
Municipal de Ensino Lindauro Costa contou com os esforços dos seus servidores,
do seu corpo docente e com a dedicação de várias diretoras que, contribuíram
para seu desenvolvimento, entre elas: Erivan Feitosa Andrade, Antônia Nícia
Dantas, Amanda Maria Feitosa Andrade dos Santos, Wilima da Silva Ferreira
Soares e, atualmente, a gestora Lucimar Dantas da Silva.
Segundo
informação da Diretora Lucimar Dantas, foi na segunda gestão do prefeito
Antônio Carlos Lima Rezende (Cacalo) que foi construído o seu prédio próprio.
Em 31 de dezembro de 2008, ele entregou a chave da escola à comunidade,
praticamente pronta para uso, restando concluir duas salas de aula. O seu sucessor,
prefeito Jasson Silva Gonçalves, a inaugurou oficialmente em 24 de janeiro do
ano seguinte.
Na
terceira gestão do Prefeito Jorge Dantas, a Unidade recebeu reforma e
ampliação, que foram inauguradas no dia 13 de novembro de 2015. Por fim, em
janeiro do ano passado recebeu ações de modernização, com ambientes
climatizados e melhores condições de ensino.
Contando
atualmente com oito professoras, funcionou em 2025 com 106 alunos, com Série/Ano:
Creche, Pré I, Pré II e1º ao 5º. Etapas de Ensino/Modalidade/Integral: Educação
Infantil (tempo integral) /Ensino Fundamental I. Turno de Funcionamento:
Matutino e Vespertino.
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| Placa da inauguração do prédio em 24 de janeiro de 2009. |
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| Placa da Reforma e Ampliação em 13 de novembro de 2015. |
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| Placa comemorativa da modernização em 2025. |
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O PATRONO
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| O Sr. Lindauro Costa |
Lindauro Costa. Filho de
Antônio Luiz da Silva (conhecido por Antônio de Severo) e Maria Custódia da
Silva (conhecida por Cabôca). Seu avô paterno era Severiano José da Costa
(conhecido por "Severo", daí ser seu pai chamado de Antônio de Severo
ou simplesmente "Antônio Severo") e de Maria Madalena dos Prazeres.
Nasceu em Limoeiro, município
de Pão de Açúcar no dia 13 de novembro de 1915.
Casou-se com a Srª Salvelina
Vieira Melo (dona Nêga), em Propriá (SE), no dia 4 de janeiro de 1940. Tiveram
os filhos: Luiz Costa, Lindalvo Silva Costa e Sinval de Melo Costa.
Faleceu em Maceió no dia 9 de
fevereiro de 2003 e foi sepultado em Limoeiro no dia 10 de fevereiro de 2003.
___
Lindauro Costa foi eleito Vereador entre a década de 1960 e 1970, não
podendo assumir o cargo em virtude de ser funcionário público (Agente Postal
dos Correios) (a legislação da época não permitia).
Foi, por muitos anos, responsável pela
agência dos Correios em Limoeiro (Alecrim) até 1970, quando a agência
fechou, passando a ser lotado na agência de Belo Monte.
Militante político de esquerda, ligado ao
Partido Comunista do Brasil (sigla PCB) chegou a ser preso (em 24 de maio de
1964) e processado durante o período da ditadura militar.
Foi
membro do Diretório Estadual do PMDB (sucessor do MDB – Movimento Democrático
Brasileiro) e um dos fundadores do PMDB em Pão de Açúcar, em 1980.
Em
1982, foi candidato a Vice-Prefeito em Chapa encabeçada por Gérson Serafim dos
Mártires (na outra sub-legenda a Chapa era Etevaldo Amorim e Afonso Soares
Pinto).
Com
a legalização do Partido Comunista do Brasil – PCdoB, em 1985, a ele se filiou sem mais pertencer a um outro partido.
A
Vila Alecrim (Limoeiro) sempre teve em Lindauro Costa um defensor intransigente,
fazendo-se seu representante e propugnador das suas maiores causas.
____
NOTA:
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
domingo, janeiro 18
UM AÇUDE PARA JACARÉ
Por Etevaldo Amorim
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| Jacaré dos Homens, Praça José Teófilo Silva. |
Nos nossos sertões, assolados pelo sol inclemente e pela escassez água, as maiores demandas giravam sempre em torno de providências que minimizassem os efeitos da seca, tornando a vida menos sofrida e amarga.
Em Jacaré dos Homens, povoado do município de Pão de Açúcar,
não era diferente. Os seus moradores, ativos e empreendedores, lutavam em
diversas frentes por melhorias, tentando se fazerem ouvir pelos poderes
públicos.
Era, sem dúvida, o mais próspero dos povoados do município de
Pão de Açúcar. Limoeiro tinha sua importância, é verdade; como entreposto
comercial, servindo de porto para a entrada e saída de mercadorias vindas ou
demandando o próprio Jacaré, além de Retiro, Guaribas e outros situados mais ao
centro, quando o fluxo comercial se dava quase que exclusivamente pelo rio São
Francisco. Mas Jacaré dos Homens era diferente. Sua vocação para a produção de
leite e derivados, oferecendo ao mercado produtos de superior qualidade,
conferia àquele pequeno povoado uma importância singular.
Suas lideranças eram ouvidas e respeitadas. Tanto que, na
Sessão de 12 de maio de 1936, da Assembleia Legislativa Estadual, foi lido
Projeto de Lei do deputado Ezechias da Rocha, que autorizava o Governador a
mandar construir um açude em Jacaré dos Homens, município de Pão de Açúcar. Tal
projeto foi aprovado em 2ª discussão na Sessão Ordinária de 20 de maio daquele
ano.
A esse respeito, um de seus líderes políticos, o Sr. Durval
Nery de Araújo, remeteu uma carta à direção da Gazeta de Alagoas, publicada na
edição 3 de julho de 1936.
“Ilmº Sr. Luiz Silveira, digno diretor da Gazeta de
Alagoas.
Cordiais saudações.
Na qualidade de leitor assíduo do vosso conceituado jornal,
venho, de há muito, observando o interesse desse independente órgão a bem da
coletividade e, muito especialmente, em prol do pobre sertanejo que, além de
ser perseguido pelas sucessivas secas, mais ainda pelos bandidos que infestam a
nossa zona, concorrendo par intranquilidade das famílias e o regresso da
economia do Estado.
Agora mesmo, com o ato de justiça que acaba de praticar o Dr.
Osman Loureiro, sancionando o Projeto nº 1.351, de 3 de julho, autorizando um
crédito de 50 contos para a construção de um açude neste povoado, veio levantar
os ânimos de um povo que, apesar do grande heroísmo e um forte espírito para
enfrentar toda sorte de intempéries, estava quase desiludido de receber
qualquer benefício da parte dos poderes públicos.
Mas, Sr. Diretor, não é tão somente de um açude que Jacaré
dos Homens precisa. Precisa de uma estrada de rodagem para melhorar a sua
situação econômica e financeira; precisa de uma agência de correio para
facilitar o meio de correspondência; em suma: precisa ao menos de uma escola
por conta do Estado para a instrução pública.
Por este princípio, meu caro Luiz Silveira, venho em nome do
povo da minha terra, agradecer a essa Folha os serviços prestados a bem da
humanidade, e fazer um apelo para que continue a trabalhar em favor desta pobre
terra, que até então julgávamos fora do mapa de Alagoas.
Ao seu dispor e muito grato, aqui fica um seu amigo e
admirador.
Durval Nery.”
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| O Sr. Durval Nery de Araújo |
Outra carta, à guisa de agradecimento, foi remetida por outra
das mais importantes lideranças locais, publicada no mesmo jornal, 5 de
setembro de 1936:
“Exmº. Sr. Dr. Deputado Ezechias da Rocha[i],
Maceió.
Jacaré dos Homens – Esta povoação plantada em plena “fornalha
dos trópicos”, este lugarejo onde o homem combate, com um entusiasmo comovente,
as investidas diabris das estiagens, vai ter um açude.
É que Vossa Excelência, que de tão perto conhece o
sofrimento, as mil e uma angústias deste povo quando alcançado pelo furor
destrutivo das secas, pediu à Câmara Estadual o melhoramento de que mais
necessitamos para a cessação das nossas lamúrias nas épocas em que o sol,
bebendo a água dos poços, nos atemoriza com a sede – a maior abantesma de nossa
terra.
A Câmara ouviu a tua voz, dando ao pedido de V. Ex.ª a forma
de um decreto que foi sancionado pelo Ex. º Dr. Osman Loureiro.
Vem de anos vibrando na alma inquieta de nosso povo a ânsia
de se antepor uma açudada à periodicidade dos estios dizimadores de árvores e
de rebanhos.
No Império, quando Rebouças afirmou “serem precisos 50 açudes
em Alagoas” para o combate à seca nós aguardamos a esmola de um açude.
E a República nos encontrou bebendo a água salobra das
cacimbas!
O jacarezeiro, como o homem desprotegido do “circo sem teto
da Amazônia”, possui “uma inspiração bramânica” que o “retém no mesmo solo que
o atraiçoa.”
Nós enfrentamos as morbidezas que nos veem com os longos dias
caniculares, sem uma maldição à gleba por “onde passou cantando a alegria de
nossos filhos” e em cujo seio descansa a velhice de nossos antepassados,
revestidos, ainda, daquela coragem quase lendária que Euclides da Cunha kodakizou[ii]
através da aparente lerdeza do sertanejo.
Nunca deixamos, porém, de esperar o amparo, de aguardar os
favores dos governos fisiocráticos – daqueles que enxergando a feracidade de
nossa terra nas épocas hibernais, se compadecem de nós quando a seca – o maior
flagelo meteorológico que nos visita, procura nos afastar de Deus pela
brutalidade das blasfêmias!
No general Gabino Besouro encontramos um homem sensível às
nossas amarguras gritantes. Esse militar nos deu um açude. Não fora a
incompetência do construtor dessa obra, o rosário dos nossos infortúnios não
teria as mil contas dolorosas que a sede tem emprestado à vida desta partícula
de sertão.
Em princípios de 1930, tivemos a felicidade de hospedar o Sr.
Álvaro Paes, então governador do Estado e o mais sertanista de todos os
governadores de Alagoas.
E este homem de coração de santo e de vida pública de uma
pureza de cristal polido, só não nos deu a açudada que lhe pedimos porque a
Revolução o afastou do Palácio dos Martírios.
Agora, V. Ex.ª alcançou para Jacaré dos Homens aquilo que há
mais de cinquenta anos nós esperamos com uma confiança perfeita de Fakir.
E fique certo V. Ex.ª de que os jacarezeiros agradecidos de
que os homens deste sertão tantas vezes ferido pela inclemência das canículas,
saberão render um culto eterno de reconhecimento à beleza de um gesto que marcará
logo o epílogo dos misereres que centenas de bocas entoam sob o pedaço de céu
azul de nossa terra!
V. Ex.ª entrou, desde dias, para a história deste povoado
como o seu maior benfeitor!
Aproveitando a oportunidade, apresento a V. Ex.ª os meus
protestos de estima e muito alta consideração.
Saudações.
José Theophilo Silva
Jacaré dos Homens, 25 de agosto de 1936.”
(Transcrito da Gazeta de Alagoas, 5 de setembro de 1936)
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| O Sr. José Teófilo Silva |
___
Em 1952, projetou-se construir outro açude em Jacaré dos Homens. Para tanto, já se havia escolhido um local, conforme telegrama lido pelo deputado alagoano Mendonça Braga[iii], em Sessão Ordinária da Câmara dos Deputado, de 5 de setembro daquele ano.[iv]
Com efeito, já no ano seguinte, achava-se o açude em
construção, com capacidade para 536.500 m³.
___
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| O Dr. Francisco Araújo Dantas (Dr. Chico) |
Persistiram, entretanto, os danosos efeitos da seca, porquanto
os esforços desprendidos para minimizá-los não se revelaram suficientes.
Muitos anos depois, em 1970, Jacaré dos Homens, como todas as
localidades de Alagoas, sofreu com os efeitos da prolongada estiagem. A revista
O CRUZEIRO ouviu o prefeito Dr. Francisco Araújo Dantas[v].
Na edição de 16 de junho, Dr. Chico fala ao repórter Paulo Granja:
“Eu nasci aqui há 42 anos. Já vi secas, convivi muito com elas
e com suas consequências. Mas a miséria que hoje se espalha por todos os
recantos desta região é inédita.
Se ainda não houve saques nos municípios alagoanos isso se
deve exclusivamente à formação do trabalhador desta região. Ele é um homem que
não está habituado a conseguir aquilo a que não faz jus. Não consta que alguém
esteja orientando este povo a invadir feiras, armazéns, etc. O que há mesmo é
fome.”
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| O Dep. Ezechias da Rocha. Foto: site História de Alagoas |
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| O Deputado Mendonça Braga. Foto: site História de Alagoas |
_____
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema
“HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas
relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com
farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta
razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
[i]
Ezechias Jerônimo da rocha nasceu em Sertãozinho, hoje Major Isidoro-AL no dia
8 de dezembro de 1898 e faleceu no Rio de Janeiro em 8 de abril de 1983. Foi Deputado
Estadual, Senador Federal, médico, compositor. Filho de Isidoro Jerônimo da
Rocha (que dá nome à cidade de Major Isidoro) e Maria Umbelina Souto da Rocha
(solteira, Maria Umbelina de Mello Souto, filha de Manoel Lourenço de Mello
Souto e Antônia Rodrigues da Conceição).
Curso primário na terra
natal, secundário em Maceió, no Colégio 11 de janeiro. Diplomado pela Faculdade
de Medicina da Bahia (1921), especializou-se em clínica médica. De volta ao seu
estado, clinicou e tornou-se catedrático de História Natural na Escola Normal e
no Liceu Alagoano. Chefe de Clínica da Santa Casa de Misericórdia. Diretor da
Saúde Pública, em 1932-33. Posteriormente, tornou-se professor de Medicina
Tropical na Escola de Medicina de Alagoas, da qual foi um dos fundadores. Em
outubro de 1934, candidata-se a deputado estadual em Alagoas e obtém uma
suplência. Assumindo em 1936, permaneceu na Assembleia Legislativa até 10 de
novembro do ano seguinte, quando são fechados os legislativos do país. Em
outubro de 1950, elege-se senador na legenda da UDN, ocupando sua cadeira de
março de 1951 a janeiro de 1959, tendo sido membro da Comissão de Saúde e,
ainda, da Comissão de Redação. Foi delegado brasileiro às conferências
interparlamentares que se reuniram em Viena e Helsinque. Diplomado pela Escola Superior
de Guerra. Foi presidente de Sociedade de Medicina de Alagoas. Membro da AAL,
onde ocupou a cadeira 20. Sócio do IHGAL foi colaborador da revista dessa
última instituição. Pseudônimos: Frei Francisco, Paulo Bruno e Alexandre
Zabelê. Patrono da cadeira nº 22 da Academia Alagoana de Medicina. Fonte: ABC
DAS ALAGOAS – BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de.
[ii]
Derivado da marca Kodak, o verbo era comum no início do século XX e carregava
nuances específicas. No contexto literário, era frequentemente utilizado por
escritores da Belle Époque para descrever a captura de "flagrantes"
da vida cotidiana.
[iii]
José Caralâmpio de Mendonça Braga. Nasceu no Engenho Maranhão, Camaragibe - AL em
16/04 ou 06/1904 e faleceu no Rio de Janeiro - RJ em 07/07/1982). Deputado
federal e estadual, secretário de estado, jornalista, professor, advogado.
Filho de Francisco Rodrigues Braga e Antônia de Mendonça Braga.
[iv] DIÁRIO
DE PERNAMBUCO, 6 de setembro de 1952.
[v] Dr.
Francisco Araújo Dantas. Nasceu em Jacaré dos Homens, município de Pão de
Açúcar, em 10 de setembro de 1929. Filho de Antônio Vieira Filho e Maria Laura
Araújo Dantas. Casado com a Srª Cira Souto Silva, é pai do atual prefeito de
Pão de Açúcar, Jorge Silva Dantas.
A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR
PÃO DE AÇÚCAR
Marcus Vinícius*
Meu mundo bom
De mandacarus
E Xique-xiques;
Minha distante carícia
Onde o São Francisco
Provoca sempre
Uma mensagem de saudade.
Jaciobá,
De Manoel Rego, a exponência;
De Bráulio Cavalcante, o mártir;
De Nezinho (o Cego), a música.
Jaciobá,
Da poesia romântica
De Vinícius Ligianus;
Da parnasiana de Bem Gum.
Jaciobá,
Das regências dos maestros
Abílio e Nozinho.
Pão de Açúcar,
Vejo o exagero do violão
De Adail Simas;
Vejo acordes tão belos
De Paulo Alves e Zequinha.
O cavaquinho harmonioso
De João de Santa,
Que beleza!
O pandeiro inquieto
De Zé Negão
Naquele rítmo de extasiar;
Saudade infinita
De Agobar Feitosa
(não é bom lembrar...)
Pão de Açúcar
Dos emigrantes
Roberto Alvim,
Eraldo Lacet,
Zé Amaral...
Verdadeiros jaciobenses.
E mais:
As peixadas de Evenus Luz,
Aquele que tem a “estrela”
Sem conhecê-la.
Pão de Açúcar
Dos que saíram:
Zaluar Santana,
Américo Castro,
Darras Nóia,
Manoel Passinha.
Pão de Açúcar
Dos que ficaram:
Luizinho Machado
(a educação personificada)
E João Lisboa
(do Cristo Redentor)
A grandiosa jóia.
Pão de Açúcar,
Meu mundo distante
De Cáctus
E águas santas.
______________
Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)
(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937
(+) Maceió (AL), 07.05.1976
Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.
*****
PÃO DE AÇÚCAR
Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.
Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.
Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,
O pó que o vendaval deixou no chão cair.
Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste
O teu profundo sono num divino sorrir.
Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,
Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.
Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.
Teus jardins se parecem com vastos cemitérios
Por onde as brisas passam em brando sussurrar.
Aqui e ali tu tens um alto campanário,
Que dá maior relevo ao pálido cenário
Do teu calmo dormir em noite de luar.
____
Ben Gum, pseudônimo de José Mendes
Guimarães - Zequinha Guimarães.
PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia
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