Por Etevaldo Amorim

Pão de Açúcar, década de 1910. Foto: Adalberto Marroquim, Terra das Alagoas.
Nesse nosso ofício de pesquisar, não
raro nos deparamos com notas de considerável valor histórico, mas que não
trazem qualquer indicação de autoria. Quando muito, vêm assinadas por um falso
nome, o que nos limita e intriga sobremaneira.
É precisamente o caso dessas “Cartas
Íntimas” publicadas no Jornal Gutenberg, edições de 24 e 26 de agosto de
1911, assinadas por um certo João de Deus, de Boca da Caixa.
Boca da Caixa é uma localidade no
município de Marechal Deodoro, Estado de Alagoas (à época denominada
simplesmente Alagoas). Já o “João de Deus”, que diz ter convivido na região do
Baixo São Francisco, não sabemos de quem se trata, pois não há referência
alguma de família, podendo ainda ser um pseudônimo.
O conteúdo é dirigido a um amigo a quem
chama de “Riquète de Christa”, que bem pode ser também um falso nome.
Entretanto, mesmo sem esses requisitos
tão necessários, resolvemos aproveitar as “cartas” pelas referências a pessoas
e lugares da Região do Baixo São Francisco, especialmente de Pão de Açúcar, seus
costumes, seu modo de vida... na esperança de que algum pesquisador mais arguto
os identifique e possa revelar a sua autoria.
As tais “Cartas Íntimas” foram
publicadas em duas partes. Na primeira, o cenário é a região próxima a Penedo
(Ponta Mofina, Saúde, Passagem...). A certa altura, faz referência ao
governador Euclides Malta, que sendo natural de Mata Grande, morou em Penedo,
onde casou, em 19 de maio de 1890, com Maria Gomes Ribeiro, filha do Barão de
Traipu, também ali residente por muitos anos.
Na segunda carta é que o missivista,
por assim dizer, sobe o rio e vai revelando os lugares e pessoas na nossa Pão
de Açúcar e seus arredores. Sobre esta, todo o nosso interesse.
Vamos a elas!
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“CARTAS ÍNTIMAS - I
Amigo Riquète de Christa,
Somente hoje aqui me chegaram os
jornais que Você me mandou para eu ler as suas empoladas cartas íntimas
dirigidas ao nosso bom governador do Estado.
Você me pede opinião acerca das
intimidades alegadas em as suas cartas, quer que eu lhe diga algo sobre o seu
modo de escrever, e ainda me pergunta se eu me recordo do tempo das suas
pescarias de poita[i]
para as bandas da Ponta Mofina ou da Saúde naquela canoinha mal calafetada[ii] do
Chico Veneno.
Homem, para lhe falar a verdade, eu não
entendo dessas coisas, e principalmente depois que me fiz praciano e deixei o
diabo da vida de plantador de arroz lá para os brejos do Capitão Jerônymo[iii] da
Passagem.
Entretanto, amigo RIQUÈTE, como Você
ainda se lembrou de mim, o que tenho a dizer-lhe é que as suas cartas íntimas
me deixaram a fazer o sinal da cruz, pelas suas expressões de macróbio que,
posto já estar velho e macambúzio, ainda não conseguiu dobrar o Cabo da Boa
Esperança da vida.
Macacos me roam quando eu decifrar as
suas charadas; e Você, RIQUÈTE, sabia e sabe que este seu velho camarada nunca
se meteu nessas olhadas de charadistas...
Ora, você chama o Penedo de terra das
piranhas, diz que quando voltava da feira que ainda se faz ali bem defronte das
lojas do Manoel Souto e do José Menezes,[iv] aos
sábados, via o nosso ilustre governador “numa rede, deitado, cismarento, vendo
ao longe as canoas céleres e os sonhos cor-de-rosa”; diz ainda Você, meu
Riquète, que por esse tempo o governador era lente do Liceu Penedense, que
comia ovos de tartaruga com dores e tutti quanti.
Continuando, Você diz na sua carta que
então o governador fazia parte da Assembleia Provincial, que usava umas calças
remendadas nos fundilhos, metendo na sua xaropada, Riquète, umas descobertas à
la diable como os dentes triangulados das piranhas, os macacos da Mata Grande,
aquela história de pedaços esparsos lembrando estranhas lendas de canibais
antropófagos de indômitas plagas serranas e outros inventos, que somente a sua
cachimônia de antigo poiteiro das imediações do Aracaré, quando o Dr. Zé
Guilherme[v] não
estava na lua, poderia sacudir no papel e mandar para as folhas.
Por mais que eu lesse, por mais que eu
sacudisse os olhos esbugalhados em cima das suas cartas, amigo RIQUÈTE, não
consegui pescar os danados dos seus gatafunhos, que só me pareceram um cardume
de mandins sem gordura e sem ovas, daqueles que Você saboreava nas ribeiras do
Brejo Grande, às goladas da boa pinga do Coronel Milício[vi].
Mas voltemos às suas descobertas, amigo
RIQUÈTE. Vejo que Você já não está
regulando certo; é da sua idade já bem avançada e cheia de pecados essa falta
que já se nota na sua conversa.
Porque não posso compreender o meio
como você via o Dr. Euclides a embalar-se numa rede, na sua volta da feira.
Ora, o governador residia então na rua
da Matriz e Você naturalmente subia pela Rua do Convento. O governador morava
num sobrado e Você muito de baixo enxergava o moço dentro da rede, olhando as
canoas correndo rio acima. Isto aqui é charada, amigo RIQUÉTE. Espero,
portanto, o conceito para lhe mandar a decifração. ..
Depois Penedo não é a terra das
piranhas, nem as piranhas têm dentes triangulados, nem há macacos em Mata
Grande, como Você diz nas suas cartas.
Sinto dizer-lhe que o governador nunca
foi deputado à Assembleia Provincial e que o Liceu de Penedo data do Governo
Gabino Besouro e não dos tempos provincianos.
Para mostrar a sua demência, amigo
RIQUÈTE, basta citar aquele prato guisado com ovos de tartaruga, flores e tutti
quanti, que Você diz ter sido da predileção do governador. Esse tempero tutti
quanti é desconhecido em Maceió, e creio mesmo que em todo o Brasil.
Diante, pois, das suas caduquices,
conclui-se que o homem que Você via usar calças com remendos nos fundilhos só
poderia ser o Frei Caputo ou o Elias, que por amor ao decoro das famílias,
ainda tinham o cuidado de remendar os fundilhos das calças, para que as
inconveniências da brisa, lhes não pusessem a nu as redomas brancas das
ceroulas, como sucede a muita gente medida a coisa aí na Capital...
Quanto aos macacos da Mata Grande, isso
são bichos que só se encontram em abundância nos montes da Ilha Grande.
Você escrevendo, amigo RIQUÈTE, é
direito aquele orador dos fonógrafos; quando falta é um esgoto furado: vai tudo
saindo de veneta.
Perdoe que assim lhe fale, mas faça de
conta que nós estamos sozinhos na saudosa poita da Ponta Mofina, pescando noite
a fio, sem ter quem nos perceba, ou então nas praias do Carrapicho à espera que
o dia amanheça para entrarmos nos saborosos pitéus das curimatás gostosas...
Toque aqui nesses ossos - do seu velho
amigo –
João de Deus, Boca da Caixa, 1911.”
___
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Pão de Açúcar-AL, morro do Cavalete, 1939. Foto: Edgard de Cerqueira Falcão
“CARTAS ÍNTIMAS – II
Amigo Riquète de Christa
Continuo hoje a conversar com Você,
muito intimamente, visto como o velho amigo veio despertar a curiosidade de
quem há muitos anos vive retraído dos acontecimentos públicos desta boa terra
dos grandes lagos e das moquecas saborosas, que ainda hoje fazem chegar água ao
bico de muito papagaio velho...
As suas cartas, Riquète, apesar de
indecifráveis, por serem escritas numa linguagem de matemático, contudo me
fizeram algum bem, porque me vieram acordar na memória aquelas variadas cenas
do nosso passado, já bem distante.
Longe embora do nosso amado Sertão, do
S. Francisco ruidoso, como Você, à hora em que leio as suas cartas
charadísticas, Riquète, eu recordo o nosso tempo que se foi, vejo-me ainda com
o bondoso amigo bem na culminância da Pedra da Paciência[vii],
em o nosso Pão de Açúcar lamentoso, depois galgando a encosta do morro do
Soares, para no dia seguinte irmos arrombar a tapagem da Lagoa da Porta,
e nesse mesmo dia irmos bolir com a Maria Doida lá para um canto do Xique-Xique,
ou com o Chico da Zefa, naquele rancho do Campo Grande[viii].
Belos tempos os que se foram!!! As suas
cartas vieram trazer-me lembranças imensas!
Aquela grande feira de Pão de Açúcar,
às segundas, as pinhas deliciosas que os matutos conduziam de Santana do
Ipanema, em grandes caçuás, os araçás-de-moça que as mucamas gordas e quartudas
traziam das Traíras ou do Riacho Grande, os passeios aos domingos
aos Meirus ou ao Abaití do Coronel Tatônio Tavares, as caçadas
aos patos e às paturis[ix],
tudo isso Você veio me lembrar, amigo Riquète, depois de decorrido tanto tempo.
E as goiabas e os mamões do Zé Nico, o
cavalo de macambira[x] do
Antônio Simões[xi],
aquele engraçado ferreiro que morava na Rua da Frente, sempre espirituoso e
pilhérico, a meter na forja dois vinténs de dobrão, e depois de incandescentes,
sacudindo-os na calçada para ver os moleques apanhá-los e chiarem em seguida
pelas queimaduras. Oh! Amigo Riquète, tudo aquilo eu recordei ao ler as suas
cartas sobre o nosso governador, que Você quer a pulso colocar no seu lugar.
Mas Você tem razão: com a velhice vem o
esquecimento, a teimosia, a perda de noção do tempo e do espaço, e dá-se quase
sempre essa inversão de papéis que se deu no caso das suas cartas.
Porque Você não é de Penedo, Riquète,
como eu também não sou.
Às vezes íamos ter ali por aquelas
praias adjacentes, arrastados pela corrente do rio, em noites de pescarias,
quando o sono nos pegara e a canoa ia descendo, descendo até que acordávamos
naquelas redondezas.
Lembre-se que nós nos criamos e vivemos
em Pão de Açúcar. Parece que vejo aquilo tudo: a padaria do Libório, as
célebres bolachas Americanas, o Professor Jovino da Luz[xii]
naquela casa da Rua Augusta[xiii],
o Lessa e os filhos a baterem na sola, a gente galgando de vez em quando os
cimos do Cavalete, perseguindo as cabras que bodejavam lá no alto, com
risco de cair ao rio e outras coisas mais que não posso numerar, as suas cartas
acabam de despertar na memória do seu velho amigo.
Lembro também daquela extensa praia da
cidade, as inúmeras canoas grandes no porto, com os mastros levantados,
parecendo uma floresta, e no meio delas a Meio-Mundo, a Gararu, a Flor do Rio e
tantas outras em que pulávamos para abiscoitarmos as frutas deliciosas que
subiam de Piaçabuçu ou da Ilha dos Bois.
Bons tempos! Depois, no outro dia, após
o almoço, lá íamos à poita, metidos sempre na canoinha do Chico Veneno. Na
volta, eram peixes a valer. Tínhamos gorda manjuba[xiv]
para muitos dias de descanso, que as ribeiras da Caiçara[xv] ou
da Ilha do Ferro[xvi]
deixavam-nos esfalfados. Então, Riquète, sacudíamos os ossos moles naquelas
redes safadas, de que Você fala nas suas cartas, cerca de cinquenta vezes,
atribuindo aquele nosso antigo costume ao governador do Estado.
Lembro-me ainda de uma coisa: a sua
rede era de pano, custara-lhe seis patacas, e por muito suja, porque nunca fora
à fonte, chegara a ficar socada e fedorenta de meter nojo; ao passo que a minha
rede era mais limpa, porque era de corda de tucum, comprada ao velho Noya, em
dia de feira, por duas patacas, se não me engano. Doía-me um pouco no pretérito
o diabo da rede, mas consolava-me porque era minha e não catingava como a sua.
Em suma, vivemos sempre na doce Paz do
Senhor, como bons amigos.
Veio depois a maturidade, os
interesses, as necessidades vitais, maiores e mais sérias, e como pouco tempo
nos separávamos. Foi então que me fiz aos brejos do Capitão Jerônymo, e Você
embrenhou-se no oco do mundo.
Hoje, casualmente nos encontramos, mas
vejo, Riquète, que Você já não é o amigo das poitas e das piabas, porque a
senilidade matou-lhe os cinco sentidos, tornando-o um agravado do tempo e da
idade...Recorra ao Vinho Caramuru, e espere ainda por mim, que tornarei ainda à
sua segunda carta.
Saudades muitas do seu amigo velho e
certo.
João de Deus, Boca da Caixa, 1911”.
***
***
![]() |
| Pão de Açúcar, alto do Humaitá, 1939. Foto: Edgard de C. Falcão. |
Como dissemos no início, são
referências importantes que, embora não mencionem a autoria de quem as fez, nos
trazem informações e memórias de épocas passadas, de lugares e pessoas
conhecidas.
Temos aí a lendária pedra da Paciência,
ponto predileto para os encontros amorosos, no passado. A Lagoa da Porta, localizada
no caminho para o morro do Cavalete (COHAB), hoje propriedade de herdeiros de
Maria Jesuína Soares Pinto; Xique-Xique, região marginal às lagoas, nas
imediações dos campos do Jaciobá e do Internacional.
Menção também se faz à padaria de “seu
Libório”, grande e bem sortida, localizada na Av. Bráulio Cavalcante, 378, na
casa onde morou o tabelião Luiz Vieira de Carvalho (Lula). Libório, de
nacionalidade italiana, era casado com uma senhora da família Carvalho e tinha parentesco
com a família de João Gomes de Carvalho Mello (João Mouco), pai dos
farmacêuticos João Fialho de Mello e Durval Fialho de Mello.[xvii]
Mas há também menção a nomes e lugares completamente
ignorados hoje em dia. É o caso de “morro do Soares”. Que lugar seria esse?
Ou então: “o Abaiti do Coronel
Tatônio Tavares”, referindo-se, talvez, ao Cel. Antônio Luiz da Silva
Tavares, filho do Cap. Luiz da Silva Tavares, dono do Araticum, adquirido de
herdeiros do Morgado do Porto da Folha.
Enfim, como a História é dinâmica,
ficam essas questões em aberto até que ela nos enseje a possibilidade de elucidá-las
por completo.
____
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E
LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes.
Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta
documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão,
solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
[i]
Poita: Objeto pesado que faz as vezes de âncora em embarcações miúdas. Pescaria
de poita é, portanto, aquela que se faz utilizando-se anzol com vara ou linha
de mão, mas com a canoa fixa em poita em local determinado.
[ii]
Calafetar: impedir a passagem da água pela vedação, com massa apropriada e
estopa, de junturas, fendas e frestas de tonéis, pisos, telhados, janelas,
tabiques e embarcações, como no caso citado.
[iii]
Jerônymo Vieira Bastos, do povoado Passagem, localizada no município de Vila
Nova (atual Neópolis), Estado de Sergipe, onde se acha situada uma fábrica de
tecidos Peixoto Gonçalves S/A Indústria e Comércio.
[iv]
Loja de tecido situada na Rua do Comércio, nº 18, em Penedo, constituída na
firma Menezes & Cia, de que era sócio o comendador Manoel Souto. Em janeiro
de 1914, foi adquirida pelo sr. Virgílio Alves da Silva, Fonte: 28 de fevereiro
de 1914.
http://memoria.bn.br/DocReader/761575/206
[v]
Dr. José Guilherme Silva Martins Sobrinho.
[vi]
Coronel Melício de Souza Machado.
[vii]
Pedra da Paciência, eminência de pedras localizada no alto do Humaitá, região
Oeste da cidade.
[viii]
Campo Grande, via compreendida entre a Praça do Bonfim e o Alto do Fonseca,
denominada Avenida José de Freitas Machado, em homenagem ao industrial José de
F. Machado, Zuza.
[ix]
Paturi-preta (Netta erythrophthalma), que tem por habitar a região do Baixo São
Francisco, frequentemente encontradas nas coroas.
[x]
Cavalo de Macambira é um brinquedo artesanal tradicional, um tipo de cavalo de
pau feito a partir da haste floral (pedúnculo) da Macambira-de-flecha
(Encholirium spectabile). Essa planta é uma bromélia rústica que cresce em
afloramentos rochosos (lajedos) na Caatinga. Diferente da macambira comum, ela
produz uma haste longa, leve e resistente quando seca, que se assemelha a uma
"flecha". O brinquedo é feito tomando-se a haste seca, que serve como
o corpo (cabo) do cavalo. A extremidade superior da haste, que muitas vezes
possui uma curvatura natural ou restos da inflorescência, é modelada ou
amarrada para simular a cabeça do animal.
[xi]
Antônio Simões dos Reis. Ferreiro. Casado com Izabel Simões (falecida em 1896).
[xii]
Jovino Pereira da Luz, filho de Justino Pereira da Luz e de Alexandrina Eulália
da Conceição (naturais de Garanhuns-PE), nasceu em Olhos D’Água do Accioly
(atual cidade de Igaci), à época um povoado do município de Palmeira dos
Índios, Estado de Alagoas, no dia 28 de junho de 1855. Faleceu no dia 21 de
abril de 1908, na casa de número 82 da Rua Joaquim Nabuco, na cidade de Penedo,
aos 52 anos.
[xiii]
Rua Augusta, atual R. Padre José Soares Pinto.
[xiv]
Trata-se da famosa Pilombeta, Anchoviella lepidentostole, muito apreciada para
tira-gosto.
[xv]
Caiçara. Região pertencente aos proprietários da Fazenda Belém, de João
Fernandes de Brito (João Porfírio), em histórico litígio com os índios Xocó.
[xvi]
Ilha do Ferro. Povoado situado 12 km acima de Pão de Açúcar, célebre pelo
naufrágio da lancha Moxotó, em 10 de janeiro de 1917, e hoje grande centro de
artesanato.
[xvii]
Informações do jornalista Helio Fialho, a quem agradecemos.

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