quarta-feira, julho 8

PERSONALIDADES PÃO-DE-AÇUCARENSES - DR. PEDRO SOARES VIEIRA

 

Por Etevaldo Amorim


O Dr. Pedro Soares Vieira em foto de 2004.


Filho de Inocêncio Soares Vieira e Otília dos Anjos Vieira, o Dr. Pedro nasceu no Limoeiro, município de Pão de Açúcar, no dia 26 de março de 1928.


Iniciou seus estudos na escola do professor Canuto, em Pão de Açúcar. Depois de prestar o exame de admissão, ingressou no Colégio Guido de Fontgalland, em Maceió, onde cursou o ginasial e o científico, concluído em 1948, período em que também foi Diretor de Publicidade da revista Mocidade.

O menino Pedro (1º sentado à frente, à esquerda) na escola do Pro. Haroldo Canuto, em Pão de Açúcar.


Em 1952, participou do Congresso Regional de Defesa do Petróleo, realizado no Recife, de 5 a 7 de setembro, no Teatro Santa Izabel[i]. Esse movimento, liderado por intelectuais, estudantes e militares, organizados no Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional e na UNE – União Nacional dos Estudantes, se posicionava contra o Projeto de Lei encaminhado por Getúlio Vargas ao Congresso propondo a criação da PETROBRAS. Isso porque o projeto não previa o monopólio estatal do petróleo. Ao final, ante a intensa mobilização, o projeto foi alterado e aprovado em 1953. (Lei nº 2.004, sancionada em 3 de outubro de 1953)


Após exame vestibular, Pedro Soares Vieira ingressou na Faculdade de Direito de Alagoas, onde se formou em 8 de dezembro de 1953.


Em dezembro de 1954, formou-se em Filosofia na primeira Turma da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Maceió[ii]. A colação de grau se deu no dia 12 de dezembro, no Teatro Deodoro, além de missa em ação de graças na Catedral e baile no Clube Fênix Alagoana.


Tendo como paraninfo o Cônego Teófanes de Barros, a Turma homenageou o Arcebispo de Maceió, Dom Ranulfo Farias e o governador Arnon de Mello.


Ainda na capital alagoana, Pedro foi jornalista, escrevendo para os diários Gazeta de Alagoas e Jornal de Alagoas.


Em 1952, foi um dos fundadores do Ginásio Dom Antônio Brandão, em Pão de Açúcar, juntamente com o Dr. Olavo de Freitas Machado e o Professor Antônio de Freitas Machado.


Deixou Alagoas e foi para o Sul, exercendo a advocacia nas cidades paranaenses de Cruzeiro do Oeste e Londrina, de 1955 a 1963.


Em 1957, discursando no lançamento da pedra fundamental do novo prédio da Prefeitura da cidade, sob a administração do prefeito Aparício Teixeira d’Ávila, assim falou sobre Cruzeiro do Oeste, relembrando um trecho de Alcides Carneiro[iii], numa cidadezinha da Paraíba: “que de pequena tornara-se grande, para vingar-se de ser pequenina”.


Ele também estava ele presente na solenidade de instalação da Comarca de Cruzeiro do Oeste, no dia 25 de agosto de 1960, discursando na oportunidade como promotor público.[iv]


Deixou o Paraná e se transferiu para Brasília, onde manteve, por muitos anos, conceituado escritório. Tendo sido um deles, chegou a ser diretor do Clube dos Pioneiros de Brasília.


 

Anúncio do Escritório - Foto: Correio Brasiliense, 07/10/1966..

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Em 15 de dezembro de 1959, casa-se com Alice Rinaldi Vieira, com quem teve os filhos Vanja Rinaldi Vieira Ribeiro, Lincoln Rinaldi Vieira, Ana Lúcia Rinaldi Vieira e Evandro Rinaldi Vieira.


Foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil por mais de vinte anos, período em que também foi presidente da Comissão de Defesa e Assistência dos Advogados.


Representando a OAB, atuou como Examinador em concursos de Juiz de Direito, de Promotor e de Procurador do Trabalho, no Distrito Federal.


Como prova do seu reconhecimento e prestígio nos meios jurídicos, o Dr. Pedro é citado em discurso pronunciado pelo Ministro Humberto Gomes de Barros, feito em homenagem ao Dr. Pedro Accioli[v]:


Estou aqui com porta-voz do Estado em que nasci. Fui convocado pelos meus conterrâneos para manifestar nossa gratidão a Pedro Accioli.


Desconfio de que minhas palavras não chegarão a impressionar os demais integrantes do Tribunal. Só compreende tanto agradecimento quem nasceu em um pequeno rincão, pobre, sem força política, vítima de constantes injúrias e difamações.


Alagoas é assim. Quem lá se cria e lá permanece tem tudo para não dar certo, na disputa por um lugar ao sol, no cenário da Federação.


Para que se avalie a dificuldade do alagoano em se projetar extramuros, basta uma constatação: Pedro Accioli é, na história da República, o primeiro filho de Alagoas a integrar um Tribunal Superior Federal, saindo diretamente do seu Estado natal. Antes dele, o saudoso Amando Sampaio Costa chegou ao Tribunal Federal de Recursos.


Mas a trajetória deste eminente conterrâneo, entre a Província e a Corte Federal, passou por longo estágio no Rio de Janeiro.


Há muito tempo, o Doutor Pedro Soares Vieira, alagoano, tradicional advogado em Brasília, fez uma observação inesquecível:


Um sujeito mal encarado e mal humorado bazofiava, alardeando valentia, por sua origem alagoana. Dizia:


- Eu sou muito macho!


Pedro Vieira o desarmou replicando:


- Você é macho nada! – Macho é o alagoano que fica na Terra. Nós, que emigramos, somos um bando de fujões.


Pois bem! Pedro Accioli não emigrou. Tornou-se magistrado em Alagoas. Lá na Terra, desde Major Isidoro – sua primeira Comarca – até a Justiça Federal, desenvolveu uma carreira exemplar.”


O Dr. Pedro faleceu em Brasília no dia 1º de julho de 2017. A Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou, no dia 2, esta nota oficial:


“Nota de falecimento – Pedro Soares - 02/06/2017


É com pesar que a Seccional comunica o falecimento de Pedro Soares Vieira, um dos advogados pioneiros de Brasília e ex-conselheiro Seccional. O velório será hoje, das 13h às 16h30, na capela 1 do Cemitério Campo da Esperança (916 sul). O sepultamento será em seguida.


Francisco Lacerda Neto, ex-presidente da Seccional de 1989 a 1991, disse que Pedro Soares era advogado brilhante e um dos mais combativos, éticos e de grande cultura jurídica, entre todos os advogados que ele conheceu. “Alagoano, adotou Brasília como sua cidade e a defendia sempre com muito vigor. É uma grande perda para a classe dos advogados, especialmente porque durante todo o período de sua carreira jurídica muito contribuiu com a OAB, sendo conselheiro, presidente de várias comissões, enfim um grande colega. Era parceiro e compadre de outro grande advogado, Humberto Gomes de Barros, ambos conterrâneos”.

 

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NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Representantes de Alagoas: Cônego Teófanes de Barros, Diretor da Faculdade de Filosofia; deputados: Aurélio Viana, Ivan Villa, José Lopes Duarte, Júlio Farias França, Benedito Freitas Melro, Virgílio Barbosa, Ademário Vieira Dantas e Antenor Claudio Costa; médicos: Jaques Azevedo, presidente do Diretório Municipal da UDN; Alberto de Araújo Jorge, Ascânio Jorge; vereadores: José Sebastião de Barros, Wladimir Pedrosa Carvalho, presidente da Câmara Municipal de Maceió; odontólogo Heraldo Calado. Acadêmico Pedro Soares Vieira; jornalista Policarpo Mendonça, professor Albino Dantas, Carlos Miranda, funcionário público; João Lins Uchôa, suplente de vereador. Fonte: Imprensa Popular, RJ, 3 de setembro de 1952.

[ii] Formandos: Antônio Gama Vieira, Eládia Ribeiro de Alencar, Fernando Regis do Amaral, Igor Tenório, Juarez Novais Pontes, Maria Edla de Lima, Maria Tereza Aguiar, Norma Gomes da Silva, Pedro Soares vieira e Waldemar da Silva Menezes.

[iii] Alcides Vieira Carneiro (1906–1976) foi um célebre advogado, magistrado, político, jornalista, poeta e um dos maiores oradores da história do Brasil. A famosa frase mencionada — "que de pequena tornara-se grande, para vingar-se de ser pequenina" — foi proferida por ele em homenagem à sua terra natal, a histórica cidade de Princesa Isabel, no sertão da Paraíba. O trocadilho poético exalta a grandiosidade histórica do município, que ganhou relevância nacional em 1930 ao se declarar um território independente (a República de Princesa) durante as revoltas que antecederam a Revolução de 1930.

[iv] DIÁRIO DO PARANÁ, Curitiba, 26 de agosto de 1960.

[v] SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Coletânea de Julgados e Momentos Jurídicos dos Magistrados no TRF e STF.

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia