sábado, janeiro 24
ESCOLAS E SEUS PATRONOS – U. M. E. LINDAURO COSTA
Por Etevaldo Amorim
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| A Unidade Municipal de Ensino Lindauro Costa, em Limoeiro. |
A
Unidade Municipal de Ensino Lindauro Costa está localizada na Vila Limoeiro,
município de Pão de Açúcar. Seu Ato de criação foi a Lei nº 409 de 26 de
fevereiro de 1971.
Em 1974, desmembrada da Escola
Isolada de Alecrim (estadual), a escola passou a ter a denominação de U. M. E
de Alecrim, funcionando com uma turma de 1ª série.
Segundo dados do seu Projeto
Político-pedagógico, nos anos seguintes houve variações na oferta: em 1975
funcionou com 1ª a 4ª séries; em 1976 com 1ª e 2ª séries; em 1977 com 1ª a 3ª
séries; e entre 1978 e 1981 a escola permaneceu paralisada.
Em 1982, retornou com a 1ª série, mantendo-se assim até 1988. Entre 1989 e 1991 funcionou com Cartilha, 1ª e 2ª séries; de 1992 a 1994 voltou a oferecer a 3ª série; em 1995 e 1996 não houve Cartilha; em 1997 a 3ª série foi suspensa e a Cartilha retomada; em 1998 houve o retorno da 3ª série; e em 2000 iniciou-se a oferta da 4ª série.
No ano
de 2001 teve início a Educação de Jovens e Adultos (EJA), representando um
avanço significativo na abrangência da escola.
Funcionou, por muitos anos, em
prédios alugados pela prefeitura municipal e, em alguns períodos, ainda
utilizava espaços da escola estadual. Somente a partir de 2000 passou a
funcionar com turmas completas do 1º ao 4º ano do ensino fundamental, durante a
gestão do prefeito Jorge da Silva Dantas, em atendimento à Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (LDB) nº 9.394/96, que atribuiu aos municípios a
responsabilidade prioritária pelo ensino infantil e fundamental.
Durante todo esse tempo, a Unidade
Municipal de Ensino Lindauro Costa contou com os esforços dos seus servidores,
do seu corpo docente e com a dedicação de várias diretoras que, contribuíram
para seu desenvolvimento, entre elas: Erivan Feitosa Andrade, Antônia Nícia
Dantas, Amanda Maria Feitosa Andrade dos Santos, Wilima da Silva Ferreira
Soares e, atualmente, a gestora Lucimar Dantas da Silva.
Segundo
informação da Diretora Lucimar Dantas, foi na segunda gestão do prefeito
Antônio Carlos Lima Rezende (Cacalo) que foi construído o seu prédio próprio.
Em 31 de dezembro de 2008, ele entregou a chave da escola à comunidade,
praticamente pronta para uso, restando concluir duas salas de aula. O seu sucessor,
prefeito Jasson Silva Gonçalves, a inaugurou oficialmente em 24 de janeiro do
ano seguinte.
Na
terceira gestão do Prefeito Jorge Dantas, a Unidade recebeu reforma e
ampliação, que foram inauguradas no dia 13 de novembro de 2015. Por fim, em
janeiro do ano passado recebeu ações de modernização, com ambientes
climatizados e melhores condições de ensino.
Contando
atualmente com oito professoras, funcionou em 2025 com 106 alunos, com Série/Ano:
Creche, Pré I, Pré II e1º ao 5º. Etapas de Ensino/Modalidade/Integral: Educação
Infantil (tempo integral) /Ensino Fundamental I. Turno de Funcionamento:
Matutino e Vespertino.
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| Placa da inauguração do prédio em 24 de janeiro de 2009. |
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| Placa da Reforma e Ampliação em 13 de novembro de 2015. |
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| Placa comemorativa da modernização em 2025. |
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O PATRONO
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| O Sr. Lindauro Costa |
Lindauro Costa. Filho de
Antônio Luiz da Silva (conhecido por Antônio de Severo) e Maria Custódia da
Silva (conhecida por Cabôca). Seu avô paterno era Severiano José da Costa
(conhecido por "Severo", daí ser seu pai chamado de Antônio de Severo
ou simplesmente "Antônio Severo") e de Maria Madalena dos Prazeres.
Nasceu em Limoeiro, município
de Pão de Açúcar no dia 13 de novembro de 1915.
Casou-se com a Srª Salvelina
Vieira Melo (dona Nêga), em Propriá (SE), no dia 4 de janeiro de 1940. Tiveram
os filhos: Luiz Costa, Lindalvo Silva Costa e Sinval de Melo Costa.
Faleceu em Maceió no dia 9 de
fevereiro de 2003 e foi sepultado em Limoeiro no dia 10 de fevereiro de 2003.
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Lindauro Costa foi eleito Vereador entre a década de 1960 e 1970, não
podendo assumir o cargo em virtude de ser funcionário público (Agente Postal
dos Correios) (a legislação da época não permitia).
Foi, por muitos anos, responsável pela
agência dos Correios em Limoeiro (Alecrim) até 1970, quando a agência
fechou, passando a ser lotado na agência de Belo Monte.
Militante político de esquerda, ligado ao
Partido Comunista do Brasil (sigla PCB) chegou a ser preso (em 24 de maio de
1964) e processado durante o período da ditadura militar.
Foi
membro do Diretório Estadual do PMDB (sucessor do MDB – Movimento Democrático
Brasileiro) e um dos fundadores do PMDB em Pão de Açúcar, em 1980.
Em
1982, foi candidato a Vice-Prefeito em Chapa encabeçada por Gérson Serafim dos
Mártires (na outra sub-legenda a Chapa era Etevaldo Amorim e Afonso Soares
Pinto).
Com
a legalização do Partido Comunista do Brasil – PCdoB, em 1985, a ele se filiou sem mais pertencer a um outro partido.
A
Vila Alecrim (Limoeiro) sempre teve em Lindauro Costa um defensor intransigente,
fazendo-se seu representante e propugnador das suas maiores causas.
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NOTA:
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
domingo, janeiro 18
UM AÇUDE PARA JACARÉ
Por Etevaldo Amorim
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| Jacaré dos Homens, Praça José Teófilo Silva. |
Nos nossos sertões, assolados pelo sol inclemente e pela escassez água, as maiores demandas giravam sempre em torno de providências que minimizassem os efeitos da seca, tornando a vida menos sofrida e amarga.
Em Jacaré dos Homens, povoado do município de Pão de Açúcar,
não era diferente. Os seus moradores, ativos e empreendedores, lutavam em
diversas frentes por melhorias, tentando se fazerem ouvir pelos poderes
públicos.
Era, sem dúvida, o mais próspero dos povoados do município de
Pão de Açúcar. Limoeiro tinha sua importância, é verdade; como entreposto
comercial, servindo de porto para a entrada e saída de mercadorias vindas ou
demandando o próprio Jacaré, além de Retiro, Guaribas e outros situados mais ao
centro, quando o fluxo comercial se dava quase que exclusivamente pelo rio São
Francisco. Mas Jacaré dos Homens era diferente. Sua vocação para a produção de
leite e derivados, oferecendo ao mercado produtos de superior qualidade,
conferia àquele pequeno povoado uma importância singular.
Suas lideranças eram ouvidas e respeitadas. Tanto que, na
Sessão de 12 de maio de 1936, da Assembleia Legislativa Estadual, foi lido
Projeto de Lei do deputado Ezechias da Rocha, que autorizava o Governador a
mandar construir um açude em Jacaré dos Homens, município de Pão de Açúcar. Tal
projeto foi aprovado em 2ª discussão na Sessão Ordinária de 20 de maio daquele
ano.
A esse respeito, um de seus líderes políticos, o Sr. Durval
Nery de Araújo, remeteu uma carta à direção da Gazeta de Alagoas, publicada na
edição 3 de julho de 1936.
“Ilmº Sr. Luiz Silveira, digno diretor da Gazeta de
Alagoas.
Cordiais saudações.
Na qualidade de leitor assíduo do vosso conceituado jornal,
venho, de há muito, observando o interesse desse independente órgão a bem da
coletividade e, muito especialmente, em prol do pobre sertanejo que, além de
ser perseguido pelas sucessivas secas, mais ainda pelos bandidos que infestam a
nossa zona, concorrendo par intranquilidade das famílias e o regresso da
economia do Estado.
Agora mesmo, com o ato de justiça que acaba de praticar o Dr.
Osman Loureiro, sancionando o Projeto nº 1.351, de 3 de julho, autorizando um
crédito de 50 contos para a construção de um açude neste povoado, veio levantar
os ânimos de um povo que, apesar do grande heroísmo e um forte espírito para
enfrentar toda sorte de intempéries, estava quase desiludido de receber
qualquer benefício da parte dos poderes públicos.
Mas, Sr. Diretor, não é tão somente de um açude que Jacaré
dos Homens precisa. Precisa de uma estrada de rodagem para melhorar a sua
situação econômica e financeira; precisa de uma agência de correio para
facilitar o meio de correspondência; em suma: precisa ao menos de uma escola
por conta do Estado para a instrução pública.
Por este princípio, meu caro Luiz Silveira, venho em nome do
povo da minha terra, agradecer a essa Folha os serviços prestados a bem da
humanidade, e fazer um apelo para que continue a trabalhar em favor desta pobre
terra, que até então julgávamos fora do mapa de Alagoas.
Ao seu dispor e muito grato, aqui fica um seu amigo e
admirador.
Durval Nery.”
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| O Sr. Durval Nery de Araújo |
Outra carta, à guisa de agradecimento, foi remetida por outra
das mais importantes lideranças locais, publicada no mesmo jornal, 5 de
setembro de 1936:
“Exmº. Sr. Dr. Deputado Ezechias da Rocha[i],
Maceió.
Jacaré dos Homens – Esta povoação plantada em plena “fornalha
dos trópicos”, este lugarejo onde o homem combate, com um entusiasmo comovente,
as investidas diabris das estiagens, vai ter um açude.
É que Vossa Excelência, que de tão perto conhece o
sofrimento, as mil e uma angústias deste povo quando alcançado pelo furor
destrutivo das secas, pediu à Câmara Estadual o melhoramento de que mais
necessitamos para a cessação das nossas lamúrias nas épocas em que o sol,
bebendo a água dos poços, nos atemoriza com a sede – a maior abantesma de nossa
terra.
A Câmara ouviu a tua voz, dando ao pedido de V. Ex.ª a forma
de um decreto que foi sancionado pelo Ex. º Dr. Osman Loureiro.
Vem de anos vibrando na alma inquieta de nosso povo a ânsia
de se antepor uma açudada à periodicidade dos estios dizimadores de árvores e
de rebanhos.
No Império, quando Rebouças afirmou “serem precisos 50 açudes
em Alagoas” para o combate à seca nós aguardamos a esmola de um açude.
E a República nos encontrou bebendo a água salobra das
cacimbas!
O jacarezeiro, como o homem desprotegido do “circo sem teto
da Amazônia”, possui “uma inspiração bramânica” que o “retém no mesmo solo que
o atraiçoa.”
Nós enfrentamos as morbidezas que nos veem com os longos dias
caniculares, sem uma maldição à gleba por “onde passou cantando a alegria de
nossos filhos” e em cujo seio descansa a velhice de nossos antepassados,
revestidos, ainda, daquela coragem quase lendária que Euclides da Cunha kodakizou[ii]
através da aparente lerdeza do sertanejo.
Nunca deixamos, porém, de esperar o amparo, de aguardar os
favores dos governos fisiocráticos – daqueles que enxergando a feracidade de
nossa terra nas épocas hibernais, se compadecem de nós quando a seca – o maior
flagelo meteorológico que nos visita, procura nos afastar de Deus pela
brutalidade das blasfêmias!
No general Gabino Besouro encontramos um homem sensível às
nossas amarguras gritantes. Esse militar nos deu um açude. Não fora a
incompetência do construtor dessa obra, o rosário dos nossos infortúnios não
teria as mil contas dolorosas que a sede tem emprestado à vida desta partícula
de sertão.
Em princípios de 1930, tivemos a felicidade de hospedar o Sr.
Álvaro Paes, então governador do Estado e o mais sertanista de todos os
governadores de Alagoas.
E este homem de coração de santo e de vida pública de uma
pureza de cristal polido, só não nos deu a açudada que lhe pedimos porque a
Revolução o afastou do Palácio dos Martírios.
Agora, V. Ex.ª alcançou para Jacaré dos Homens aquilo que há
mais de cinquenta anos nós esperamos com uma confiança perfeita de Fakir.
E fique certo V. Ex.ª de que os jacarezeiros agradecidos de
que os homens deste sertão tantas vezes ferido pela inclemência das canículas,
saberão render um culto eterno de reconhecimento à beleza de um gesto que marcará
logo o epílogo dos misereres que centenas de bocas entoam sob o pedaço de céu
azul de nossa terra!
V. Ex.ª entrou, desde dias, para a história deste povoado
como o seu maior benfeitor!
Aproveitando a oportunidade, apresento a V. Ex.ª os meus
protestos de estima e muito alta consideração.
Saudações.
José Theophilo Silva
Jacaré dos Homens, 25 de agosto de 1936.”
(Transcrito da Gazeta de Alagoas, 5 de setembro de 1936)
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| O Sr. José Teófilo Silva |
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Em 1952, projetou-se construir outro açude em Jacaré dos Homens. Para tanto, já se havia escolhido um local, conforme telegrama lido pelo deputado alagoano Mendonça Braga[iii], em Sessão Ordinária da Câmara dos Deputado, de 5 de setembro daquele ano.[iv]
Com efeito, já no ano seguinte, achava-se o açude em
construção, com capacidade para 536.500 m³.
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| O Dr. Francisco Araújo Dantas (Dr. Chico) |
Persistiram, entretanto, os danosos efeitos da seca, porquanto
os esforços desprendidos para minimizá-los não se revelaram suficientes.
Muitos anos depois, em 1970, Jacaré dos Homens, como todas as
localidades de Alagoas, sofreu com os efeitos da prolongada estiagem. A revista
O CRUZEIRO ouviu o prefeito Dr. Francisco Araújo Dantas[v].
Na edição de 16 de junho, Dr. Chico fala ao repórter Paulo Granja:
“Eu nasci aqui há 42 anos. Já vi secas, convivi muito com elas
e com suas consequências. Mas a miséria que hoje se espalha por todos os
recantos desta região é inédita.
Se ainda não houve saques nos municípios alagoanos isso se
deve exclusivamente à formação do trabalhador desta região. Ele é um homem que
não está habituado a conseguir aquilo a que não faz jus. Não consta que alguém
esteja orientando este povo a invadir feiras, armazéns, etc. O que há mesmo é
fome.”
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| O Dep. Ezechias da Rocha. Foto: site História de Alagoas |
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| O Deputado Mendonça Braga. Foto: site História de Alagoas |
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NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema
“HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas
relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com
farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta
razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
[i]
Ezechias Jerônimo da rocha nasceu em Sertãozinho, hoje Major Isidoro-AL no dia
8 de dezembro de 1898 e faleceu no Rio de Janeiro em 8 de abril de 1983. Foi Deputado
Estadual, Senador Federal, médico, compositor. Filho de Isidoro Jerônimo da
Rocha (que dá nome à cidade de Major Isidoro) e Maria Umbelina Souto da Rocha
(solteira, Maria Umbelina de Mello Souto, filha de Manoel Lourenço de Mello
Souto e Antônia Rodrigues da Conceição).
Curso primário na terra
natal, secundário em Maceió, no Colégio 11 de janeiro. Diplomado pela Faculdade
de Medicina da Bahia (1921), especializou-se em clínica médica. De volta ao seu
estado, clinicou e tornou-se catedrático de História Natural na Escola Normal e
no Liceu Alagoano. Chefe de Clínica da Santa Casa de Misericórdia. Diretor da
Saúde Pública, em 1932-33. Posteriormente, tornou-se professor de Medicina
Tropical na Escola de Medicina de Alagoas, da qual foi um dos fundadores. Em
outubro de 1934, candidata-se a deputado estadual em Alagoas e obtém uma
suplência. Assumindo em 1936, permaneceu na Assembleia Legislativa até 10 de
novembro do ano seguinte, quando são fechados os legislativos do país. Em
outubro de 1950, elege-se senador na legenda da UDN, ocupando sua cadeira de
março de 1951 a janeiro de 1959, tendo sido membro da Comissão de Saúde e,
ainda, da Comissão de Redação. Foi delegado brasileiro às conferências
interparlamentares que se reuniram em Viena e Helsinque. Diplomado pela Escola Superior
de Guerra. Foi presidente de Sociedade de Medicina de Alagoas. Membro da AAL,
onde ocupou a cadeira 20. Sócio do IHGAL foi colaborador da revista dessa
última instituição. Pseudônimos: Frei Francisco, Paulo Bruno e Alexandre
Zabelê. Patrono da cadeira nº 22 da Academia Alagoana de Medicina. Fonte: ABC
DAS ALAGOAS – BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de.
[ii]
Derivado da marca Kodak, o verbo era comum no início do século XX e carregava
nuances específicas. No contexto literário, era frequentemente utilizado por
escritores da Belle Époque para descrever a captura de "flagrantes"
da vida cotidiana.
[iii]
José Caralâmpio de Mendonça Braga. Nasceu no Engenho Maranhão, Camaragibe - AL em
16/04 ou 06/1904 e faleceu no Rio de Janeiro - RJ em 07/07/1982). Deputado
federal e estadual, secretário de estado, jornalista, professor, advogado.
Filho de Francisco Rodrigues Braga e Antônia de Mendonça Braga.
[iv] DIÁRIO
DE PERNAMBUCO, 6 de setembro de 1952.
[v] Dr.
Francisco Araújo Dantas. Nasceu em Jacaré dos Homens, município de Pão de
Açúcar, em 10 de setembro de 1929. Filho de Antônio Vieira Filho e Maria Laura
Araújo Dantas. Casado com a Srª Cira Souto Silva, é pai do atual prefeito de
Pão de Açúcar, Jorge Silva Dantas.
quarta-feira, janeiro 14
ESCOLAS E SEUS PATRONOS – U.M.E. SENADOR RUI PALMEIRA
Por Etevaldo Amorim
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| A nova escola Senador Rui Palmeira |
A Unidade Municipal de Ensino
Senador Rui Palmeira funcionou, no ano de 2025, com 310 alunos, em turnos
matutino e vespertino, e uma escola de Educação Infantil ao 5º Ano.
A antiga escola, construída
à época da gestão do prefeito Eraldo Lacet Cruz, foi demolida, dando lugar a um
novo prédio, que apresenta as melhores condições de ensino e aprendizagem.
Localizada na Av. Ferreira
de Novaes, 733, a nova Unidade está edificada sobre um terreno de 1.343,65 m², sendo
1.214,08m² de área construída e 1.228,95m² coberta.
Conta com oito salas de aula,
com dimensões que variam entre 32,79² e 40,88 m²; além de Biblioteca, Sala de
Psicologia, Sala de Informática, Sala de Artes e Música, Sala Multifuncional, Sala
dos Professores; espaço para Administração, Coordenação, Diretoria,
Almoxarifado, Despensa, Sala de Utensílios, Copa e Cozinha.
A solenidade de inauguração,
realizada no dia 26 de novembro de 2025, contou com a presença do neto do
patrono, Rui Palmeira, atual vereador em Maceió[i]. (ex-Deputado
Estadual, ex-Deputado Federal e ex-prefeito de Maceió).
Segundo informações da
diretora Ana Telma da Silva Pereira Leite, funcionará, em 2026, exclusivamente com
o Ensino Fundamental de 1º ao 5º Ano, já com uma estimativa de 500 a 600
alunos, nos turnos matutino e vespertino e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
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| A U. M. E. Rui Palmeira em 2022. |
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| Após a demolição, em 2024, espaço livre para a nova escola. |
** ** **
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| O Senador Rui Palmeira. |
O PATRONO.
Dá nome à escola o Senador Rui
Soares Palmeira. Advogado, jornalista e agropecuarista, nasceu no dia 2 de
março de 1910, no engenho Prata, localizado no município de São Miguel dos
Campos, estado de Alagoas (atualmente em terras do Município de Jequiá da
Praia).
Filho de Miguel Soares
Palmeira e dona Maria Tereza Ferreira Ferro, eram seus avós paternos: Miguel
Soares Palmeira e Julieta Júlia Ferreira Ferro; e, maternos: Guilherme Duarte
Ferreira Ferro e Thereza Teixeira Leite. Com o falecimento de seu pai em 1º de
agosto de 1921, passou à tutela de seu tio Manoel Soares Palmeira.
Estudou o primário na sua
terra natal, no colégio paroquial, dirigido pelo Padre Vasconcelos. Concluiu o
secundário no Ginásio de Maceió.
Por essa época, segundo João
Azevedo no seu livro RUI PALMEIRA – UM HISTÓRICO LIBERAL, reproduzindo depoimento
de Paulo de Castro Silveira, o jovem Rui “morava numa casinha na Pajuçara,
em República compartilhada com o futuro deputado estadual comunista André Papini[ii]
e outros companheiros e vivia, muitas vezes, sem dinheiro, mal havendo comida
para os de casa.”
O acadêmico Silveira
relembra que Papini, “bom nadador, ia até as alvarengas[iii]
abarrotadas de cocos. Trazia dois ou três frutos e, com uma roda de maxixes,
fazíamos uma maxixada que resolvia o problema alimentar de um dia”. (...) “O
bonde de 100 réis nos levava para Maceió.”
Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na
Faculdade de Direito do Pernambuco, em 7 de dezembro de 1933, em uma Turma que
se convencionou chamar de BACHARÉIS DA CONSTITUINTE, em alusão à Assembleia
Nacional que fora eleita naquele ano para, em 1934, promulgar a nova Carta
Magna da República.
Na tarde daquele dia, no
majestoso edifício da Faculdade de Direito do Recife, realizou-se a solenidade
de colação de grau, presidida pelo Diretor Interino Prof. Gervásio Fioravanti.
Foi paraninfo o Professor Aníbal Freire e, como orador da Turma, o bacharelando
Octacílio Alecrim. À noite, nos salões do Club Nacional, teve lugar um grande
baile, oferecido pelos novos bacharéis à sociedade pernambucana.[iv]
A propósito, no jornal
Diário de Pernambuco, de 22 de novembro de 1933, alguém que se assina por “Ariel
Junior”, fez publicar um artigo chamado BACHARÉIS DA CONSTITUINTE[v] –
Rui Soares Palmeira. Ei-lo:
“É natural de Alagoas. Apareceu
um dia no colégio do padre Cícero[vi]
um estranho personagem. Tinha o aspecto de um fantasma. Era o Rui. Os meninos
não o podiam ver porque se assustavam. Porém, dentro em pouco tempo, mostrou
que não se deve julgar as pessoas pelo que apresentam exteriormente. Tornou-se
para todos um bom amigo.
Não pensem que ele possui,
ainda hoje, aquele seu aspecto fantasmagórico. Mudou muito. Até já foi
convidado pelo Rogato[vii]
para ser galã em seus filmes.
Levado pela leitura de “Proezas
de Rufles”[viii],
que lhe emprestava o Luiz Lopes, fundou uma sociedade secreta, tendo reservado
para si o lugar de tesoureiro. Deu o que falar no colégio. Os padres
desconfiavam. Fizeram de Rui o censor. Foi tiro e queda...
Rui parecia um santo.
Confessava-se quase todos os dias, pois somente assim conseguia sair aos
domingos.
No último quartel do curso
de humanidades, aparece o Rui como jornalista a batalhar pela Aliança Liberal. Participou
de comícios em diversas cidades, e principalmente em São Miguel dos Campos, sua
terra natal, onde se lhe revelaram os dons da oratória.
Quando foi vitoriosa a revolução,
Rui Palmeira já era calouro de nossa Faculdade. Convidado para Secretário da
Prefeitura de Maceió, aceitou. Assim, abandonou o nosso colega os corredores do
nosso templo jurídico, só aparecendo aqui em março de cada ano. Porém, este ano
voltou o Rui a conviver conosco. A política o abandonou. Não teve sorte.
Para os colegas, o Rui
diariamente aniversaria. E isto se dá somente para vê-lo dar aquele seu abraço,
que como o de canguru ninguém quer, que o Rui Maranhão denominou – abraço de
choque.
O Rui Palmeira tem uma
vontade louca de casar-se e morar num palacete. Mas até hoje não apareceu a
noiva. E é até muito do metido! São coisas da vida.
Fica moralmente abatido
quando, por ocasião de uma apresentação, dizem: apresento aqui o irmão do Padre
Luiz[ix].
Não pensem que ele seja inimigo do irmão; mas é porque, deste modo, a sua
personalidade fica ofuscada pela do irmão.
Rui Soares Palmeira pretende
iniciar sua carreira no Sul do país. Jovem inteligente, possuidor de uma grande
cultura, jornalista brilhante e agora bacharel, nada mais lhe resta, pois, para
vencer.”
____
Casou-se no dia 2 de março
de 1937, com Maria Gaby Malta Brandão Gracindo, natural da cidade de Atalaia, filha
de Ignácio Brandão Gracindo e Cinira do Couto Malta. Cinira é filha do ex-governador
Joaquim Paulo Vieira Malta e de Zelina Rodrigues do Couto. Desse laço
matrimonial nasceram os seguintes filhos: Guilherme, Moacir, Miguel, Godofredo,
Wladimir e Nadja.
Em sua vida ocupou diversos
cargos oficiais, tais como: Oficial de Gabinete do Prefeito de Maceió, de 1930
a 1932; Secretário da Prefeitura de Maceió, de 1932 a 1933 e 1940; Delegado de
Polícia em Maceió; Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil;
Deputado Federal eleito em 1945 pela União Democrática Nacional – UDN, sendo
reeleito em 1950. Em 1954, foi eleito Senador, sendo reconduzido em 1962.
Como jornalista, fundou e
dirigiu O Estado e o Diário do Povo, em Maceió,
além de colaborar no Jornal de Alagoas, na Gazeta de Alagoas e
no Diário da Manhã, este de Recife.
À época em que foi
Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados, era também Presidente da
Cooperativa dos Banguezeiros e Fornecedores de Cana do Estado de Alagoas.[x]
Fundou o Diretório Estadual
da União Democrática Nacional (UDN), após o fim do pluripartidarismo, filiou à
Aliança Renovadora Nacional (ARENA), representou o Brasil, no Japão, Londres,
Bruxelas, Santiago do Chile, Angola, Roma, Lausanne, Belgrado, Iugoslávia,
Washington, Buenos Aires, Palma de Mallorca, Espanha e Lima no Peru.
Em 1946, era Deputado
Federal, compondo a bancada alagoana com Silvestre Péricles de Gois Monteiro,
Medeiros Neto, Lauro Bezerra Montenegro, Freitas Cavalcanti, Esperidião Lopes
de Farias Junior e Francisco Afonso de Carvalho.
Em 1947, concorreu ao cargo
de Governador do Estado pela coligação UDN-PCB (22.504 votos), sendo superado
por Silvestre Péricles de Gois Monteiro, PSD-PTB (32.394 votos).[xi]
Contando 58 anos de idade, em
pleno exercício do seu mandato de Senador, faleceu às 14:00 h do dia 16 de dezembro
de 1968, em sua residência sita à rua Almirante Guillobel, nº 26, ap. 402, bairro
da Lagoa, Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado das 20:30 h do dia 16 até as
5:00 h do dia seguinte no palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal. Em sua
vaga, assumiu o suplente Mário Gomes de Barros.
Seus restos mortais foram transportados para Alagoas no dia 17, num avião AVRO, das Forças Armadas, e foram sepultados nas terras do Campo Santo da Fazenda Prata, próximo à casa onde nasceu, no atual município de Jequiá da Praia – AL, então pertencente a São Miguel dos Campos. Foi substituído pelo suplente Mário Gomes de Barros.
Em sua homenagem, há mais três escolas com seu nome: em São Miguel dos Campos, Arapiraca
e Maceió, além do município situado no sertão alagoano. Em 13 de maio de 1982,
o antigo distrito de Riacho Grande, transformou-se em Município de SENADOR RUI PALMEIRA.
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| O senador Rui Palmeira em 1968. |
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| Rui Palmeira, 1943. Foto: Diário da Manhã, Recife-PE |
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(Para a composição desta
suscinta biografia, recorremos a diversas fontes, abaixo relacionadas, tendo
por base: Ernande Bezerra de Moura e ABC das Alagoas – BARROS, Francisco
Reynaldo Amorim de)
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NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema
“HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas
relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com
farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta
razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer
trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo
também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é
correto e justo.
[i]
Rui Soares Palmeira. Nasceu em 13 de setembro de 1976, filho de Guilherme
Gracindo Soares Palmeira e Suzana Bandeira Soares Palmeira. advogado, empresário e político, formado em
Direito pela UniCEUB, com Pós-Graduação em direito tributário e finanças
públicas e direito eleitoral. Foi prefeito de Maceió por dois mandatos,
deputado estadual, deputado federal e secretário de Estado da Infraestrutura.
[ii]
André Papini Goes, nasceu em 18 de outubro de 1908, em Brejo Grande-SE, embora
fosse considerado penedense. Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de julho de 1966. É
meio-irmão do radialista Antônio Manoel Goes, bancário aposentado do Banco do
Brasil, que militou por muitos anos em meio às lutas sindicais em Alagoas, hoje
residente no Rio de Janeiro.
[iii]
Alvarenga é um tipo de embarcação de forte construção, de madeira ou ferro,
outrora propulsada a remo, us. no serviço de carga e descarga de navios
fundeados.
[iv]
Diário de Pernambuco, Recife, 9 de dezembro de 1933.
[v]
BACHAREIS DA CONSTITUINTE. O jornal Diário de Pernambuco publicou, às vésperas
da solenidade de Colação de Grau, uma série de artigos com esse título,
assinados por nomes como “Ariel Junior”, falando de Rui Soares Palmeira; “Prometeus”,
José Manuel Pessoa de Melo; “Ayro”, Antônio Taveira de Farias; “Juca”, Napoleão
Abdon da Nóbrega e Lauro de Miranda Lemos; “Inajá”, Luiz de Albuquerque Lopes; “Regis”,
Gil Soares de Araújo; “Benjamim”, Aluísio da Silva Castro; provavelmente escritos
pelos próprios colegas.
[vi]
Monsenhor Cícero Teixeira de Vasconcelos, educador e Senador da República.
[vii]
Guilherme Rogato, fotógrafo e cineasta italiano radicado em Alagoas. Filho
de Antônio Guiseppe Rogato (Antônio José Rogato) e Filomena
Ponte Rogato, Salvatore Guglielmo (Guilherme) Rogato nasceu em 7
de dezembro de 1898 na Itália, mais precisamente na cidade de San
Marco Argentano, região de Consenza, e chegou ao Brasil ainda criança, no
dia 16 de setembro de 1910
[viii] "Proezas de Rafles" é
o título de uma série de revistas de aventura e ficção policial, publicadas no
Brasil no início do século XX pela Empresa de Publicações Modernas, com o subtítulo "Gatuno Amador". A série, que narrava as
histórias do personagem Lord Lister (apelidado de Raffles), se tornou muito
popular e foi traduzida e publicada em diversos países. As publicações eram
geralmente em formato de novela, com textos corridos e algumas gravuras, e se
tornaram objetos de colecionismo.
[ix]
Luiz Soares Palmeira, conhecido por “Padre Palmeira”, nasceu a 25 junho 1906 no
Rio de Janeiro e faleceu 29 de dezembro de 1988 em Salvador-BA.
[x]Jornal
Pequeno, Recife-PE, 4 de março de 1943.
[xi]
A Manhã-RJ, 11 de fevereiro de 1947.
A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR
PÃO DE AÇÚCAR
Marcus Vinícius*
Meu mundo bom
De mandacarus
E Xique-xiques;
Minha distante carícia
Onde o São Francisco
Provoca sempre
Uma mensagem de saudade.
Jaciobá,
De Manoel Rego, a exponência;
De Bráulio Cavalcante, o mártir;
De Nezinho (o Cego), a música.
Jaciobá,
Da poesia romântica
De Vinícius Ligianus;
Da parnasiana de Bem Gum.
Jaciobá,
Das regências dos maestros
Abílio e Nozinho.
Pão de Açúcar,
Vejo o exagero do violão
De Adail Simas;
Vejo acordes tão belos
De Paulo Alves e Zequinha.
O cavaquinho harmonioso
De João de Santa,
Que beleza!
O pandeiro inquieto
De Zé Negão
Naquele rítmo de extasiar;
Saudade infinita
De Agobar Feitosa
(não é bom lembrar...)
Pão de Açúcar
Dos emigrantes
Roberto Alvim,
Eraldo Lacet,
Zé Amaral...
Verdadeiros jaciobenses.
E mais:
As peixadas de Evenus Luz,
Aquele que tem a “estrela”
Sem conhecê-la.
Pão de Açúcar
Dos que saíram:
Zaluar Santana,
Américo Castro,
Darras Nóia,
Manoel Passinha.
Pão de Açúcar
Dos que ficaram:
Luizinho Machado
(a educação personificada)
E João Lisboa
(do Cristo Redentor)
A grandiosa jóia.
Pão de Açúcar,
Meu mundo distante
De Cáctus
E águas santas.
______________
Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)
(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937
(+) Maceió (AL), 07.05.1976
Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.
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PÃO DE AÇÚCAR
Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.
Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.
Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,
O pó que o vendaval deixou no chão cair.
Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste
O teu profundo sono num divino sorrir.
Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,
Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.
Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.
Teus jardins se parecem com vastos cemitérios
Por onde as brisas passam em brando sussurrar.
Aqui e ali tu tens um alto campanário,
Que dá maior relevo ao pálido cenário
Do teu calmo dormir em noite de luar.
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Ben Gum, pseudônimo de José Mendes
Guimarães - Zequinha Guimarães.
PUBLICAÇÕES
Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia
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