sábado, março 15

PERSONALIDADES PÃO-DEAÇUCARENSES – DAMASCENO RIBEIRO

 

Por Etevaldo Amorim

 

João Vieira Damasceno Ribeiro

O poeta João Vieira Damasceno Ribeiro era conhecido como “O Rouxinol do Sertão”. Filho de João Damasceno Ribeiro e Maria das Dores Conceição Vieira. Nasceu em Pão de Açúcar no dia 29 de agosto de 1861 e ali faleceu 26 de julho de 1935.


Fez curso de Humanidades no Rio de Janeiro, tendo também frequentado a Imperial Academia de Belas Artes, onde foi premiado com medalha de prata entre os trabalhos de desenho figurado durante o ano de 1881, solenidade esta que contou com a presença do Imperador D. Pedro II. Em 1882, ganharia outra medalha de prata em desenho histórico.


Em março de 1883, ainda residia no Rio de Janeiro. Tanto que subcreveu uma “manifestação de alagoanos residentes na Corte ao seu distinto comprovinciano Pedro Paulino da Fonseca[i]:


“Os abaixo-assinados, profundamente pesarosos pela exoneração  que teve o distinto e honrado servidor do Estado, Pedro Paulino da Fonseca, do cargo de vedor da casa de corrção da Corte, cargo por ele exercido durante 21 anos, com lourores de muitos notáveis estadistas, a quem há sido confiada a Pasta do Ministério da Justiça, como consta de seus respectivos relatórios ou de seus discursos no corpo legislativo, não podem deixar de manifestar àquele seu conspícuo, inteligente e laborioso comprovinciano os sentimentos da mais profunda estima e da mais alta consideração, convictos de que, quaisquer que sejam as razões que influiram para esta exoneração de um funcionário que conta 37 anos de lourados serviços ao país, não lhe desmecerá ele as simpatias e o elevado apreço de que até hoje lhes há sido credor.


Barão de Maceió, Ladislau Neto, Francisco Calheros da Graça, Francisco de Barros Accioli Vasconcellos, Amarílio Olintho de Vasconcellos, Manoel de Mendonça Guimarães, Guilherme José da Grça, Dr. Luiz de Oliveira Bueno, Modesto B. Lins de Vasconcellos, Antônio Ignácio de Mesquita Neves, Manoel Gonçalves Duarte, Antônio Marinho do Prado, Josué Senador Correia de Mello, Horácio Alexandrino da Costa Santos, Antôno da Costa Moraes, Macário da Costa Moraes, Júlio da Silveira Lobo, Luiz Joaquim da Costa Leite, Francisco Teixeira da Rocha, Aureliano Faria, Possidônio de Carvalho Moreira, Ildefonso Falcão Dias, Antônio Teixeira da Rocha, Francisco de Souza Mello e Netto, Almachio Ferreira Mendes, João Carlos de Vasconcellos, Carlos Jorge Calheiros de Lima, Guilherme Calheiros da Graça, José Rodrigues Leite Imbuzeiro, João Aidano da Costa Imbuzeiro, Manoel Amâncio Chaves, Rozendo Cesar Teixeira de Araújo, José Narciso de Carvalho Moreira, Antônio Leopoldino da Fonseca e Silva, João Francisco de Salles, Antônio Leocádio da Rocha e Silva, Epifânio Vieira Domingues da Silva, José Braziliano Leite de Menezes, Antônio Tavares Bastos, Dr. Pretestado Accioli de Lima, João Emygdio Ramalho, Manoel Alexandrino da Rocha Santos, Enéas da Silva Medeiros, Manoel Teixeira da Rocha, Enéas Elysio de Figueiredo e Mello, José Ferreira de Albuquerque, Antônio Guedes Nogueira, Adalberto Guedes Nogueira, Pedro Paulo da Fonseca Galvão, João Soares Palmeira, J. L. Ferreira Pinto (João Lopes Ferreira Pinto), Adolpho José Ribeiro Lins, Antônio de Aguiar Cascaes Telles, Antônio Cavalcante de Albuquerque, Silvestre Manoel da Silva, Antônio Rodrigues Portugal, Augusto Cincinato de Araújo, Pedro Alexandrino de Medeiros Cabral, Crodigando Mendes Ferreira, Avelino Pereira da Cunha, Antônio da Silva Eustáchio, Ignácio Gabino da Costa, João de Salles Nunes, Ambrósio Antônio de Barros, Júlio Venceslao Carneiro, Alfredo Zeferino de Araújo, Joaquim Vieira de Almeida, Guilherme Thomé de Souza, Aristóteles Souto de Bivar, João Vieira Damasceno Ribeiro, Manoel Sebastião da Rocha Lins, Manoel de Almeida Crispim, Felippe da Fonseca Galvão,

Março, 22 de 1883.”

 

Em 1918, ocupou o cargo de Coletor Estadual em Santana do Ipanema. Em 1924, foi nomeado Promotor Público na Comarca de Pão de Açúcar. Em 1926, é designado Sócio Correspondente do Instituto Histórico Alagoano em Pão de Açúcar.

 

Damasceno Ribeiro foi também próspero produtor rural, e é bem provável que tenha sido o pioneiro na prática de irrigação na região do Baixo São Francisco, no Sítio Pau-ferro, de sua propriedade, bem ali na confluência do riacho de mesmo nome, pouco acima do morro do Cavalete.


O jornal A IDEIA, que se editava em Pão de Açúcar, em sua edição de, 13 de março de 1910, publicou uma notícia com o título:

 

“IRRIGAÇÃO E BENZIMENTO. Na última quinta-feira[ii], a convite de nosso companheiro Damasceno Ribeiro[iii], assistimos à inauguração da bomba, por ele ultimamente adquirida, pra aguar terrenos na margem do nosso caudaloso rio[iv].


Em frente à praça da Matriz[v] aportou a canoa, dentro da qual está montado o belo aparelho, que é ume perfeição mecânica, artisticamente adornada com arcos de folhas verdes e bandeirolas.


Ligados o cano e mangueiras condutoras d’água, tendo a poderosa caldeira pressão bastante para acionar a máquina da bomba, o Referendo Pe. Júlio Albuquerque[vi], estimadíssimo vigário da Paróquia, à frente de doze cavalheiros de nossa melhor sociedade, servindo estes de paraninfos, procedeu à cerimônia do benzimento do aparelho, que logo se moveu elevando acima dos cômoros de areia uma coluna d’água de mais de seis polegadas de diâmetro.


Subiu ao entusiasmo a nossa admiração quando vimos a enorme quantidade d’água atirada longe pela boca da mangueira, e não nos enganaremos talvez afirmando que uma lagoa de boas proporções não comportará a água deste aparelho em poucos dias de trabalho; pois estamos informados que ele deita 2.700 litros por minuto, ou seja, 162 toneladas de água por hora!!


Após a cerimônia e funcionamento da bomba, dirigimo-nos todos à casa do nosso companheiro e, ao servir-se um copo de cerveja, usaram da palavra sobre o assunto de irrigação de terrenos os Srs. Coronel Luiz José, Senador Estadual[vii]; nossos companheiros e estimados redatores desta folha – Álvaro Machado[viii] e Hypólito de Souza[ix]; Capitão Venustiniano Cavalcante[x] e, por fim, nosso companheiro Damasceno Ribeiro, que em um brilhante discurso, digno de seu talento tão conhecido entre nós, respondeu a todos e terminando com dois vivas à laboriosa população de Pão de Açúcar e ao trabalho e ao progresso.”

 

***   ***

NOTA:

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

Tratamento de imagens: Vívia Rodrigues Amorim.



[i] Jornal do Comércio, 30 de março de 1883.

[ii] 10 de março de 1910.

[iv] A primeira bomba a vapor foi consruída em Nova York, em 1840. Essa máquina adquirida por Damasceno Ribeiro assemelhava-se, provavelmente, à que fora inventada por John Ericsson, para ser usada pelo corpo de bombeiros de Londres, ainda em 1828. As autoridades inglesas, no entanto, continuaram a utilizar o sistema manual por mais dois anos, até se convencerem da sua eficácia.

[v] Praça da Matriz, atualmente denominada Praça Moreno Brandão, situada desde o coreto até a rua Ferreira de Novaes, próximo ao Iate Clube Pão de Açúcar.

[vi] Júlio Ferreira de Albuquerque Nasceu a 26 de setembro de 1878, na rua da Igreja, Jaraguá, Maceió-AL e faleceu a 3 de setembro de 1963. Filho de Honório Teixeira de Albuquerque e  Idelfonsa Ferreira de Albuquerque.

[vii] Cel. Luiz José da Silva Melo. Filho de José Pedro de Melo e Francisca Maria da Silva. Foi Deputado Estadual nas legislaturas 1897-98; 99-1900; 1901-02; 03-04; 05-06; 07-08 e 1889-1810; e Senador estadual eleito em 1909 para terminar a legislatura 1909-10 e reeleito para a legislatura 11-12. Fonte: ABC das Alagoas – BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de.

[viii] Álvaro Machado. Filho do Cel. Miguel de Freitas Machado e Cândida Delfina Andrade Freitas. Nasceu em Pão de Açúcar-AL no dia 17 de março de1886 e ali faleceu em 6 de junho de 956, aos 69 anos. Foi casado com Cristina de Freitas Machado, com quem teve os filhos Temístocles, Armando, Carmen, Dolores e Marina.

[ix] João Hypólito de Souza. Nasceu em Pão de Açúcar no dia 16 de setembro de 1886. Filho de Maria da Glória Soares de Souza. Ficou órfão de pai aos 3 anos de idade e ficou ao lado da mãe e seus irmãos: Alfredo, Aurora Carolina, Eduardo, Ismael, Carolina e Esther. Era professor e por muitos anos dirigiu a Escola 16 de Setembro e, juntamente com o Pe. José Soares Pinto, o Colégio Paroquial.

[x] José Venustiniano Cavalcante (pai de Bráulio Cavalcante). Filho de Mariano Joaquim Cavalcante e Valeriana da Conceição.

Um comentário:

  1. Mais uma bela homenagem às ilustres figuras de nossa terra. Parabéns confrade

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia