Por Etevaldo
Amorim
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João Vieira Damasceno Ribeiro |
O poeta João Vieira Damasceno Ribeiro era conhecido como “O Rouxinol do Sertão”. Filho de João Damasceno Ribeiro e Maria das Dores Conceição Vieira. Nasceu em Pão de Açúcar no dia 29 de agosto de 1861 e ali faleceu 26 de julho de 1935.
Fez curso de Humanidades no Rio de Janeiro, tendo
também frequentado a Imperial Academia de Belas Artes, onde foi premiado com medalha
de prata entre os trabalhos de desenho figurado durante o ano de 1881,
solenidade esta que contou com a presença do Imperador D. Pedro II. Em 1882,
ganharia outra medalha de prata em desenho histórico.
Em março de 1883, ainda residia no Rio de Janeiro.
Tanto que subcreveu uma “manifestação de alagoanos residentes na Corte ao
seu distinto comprovinciano Pedro Paulino da Fonseca”[i]:
“Os abaixo-assinados, profundamente pesarosos pela
exoneração que teve o distinto e honrado
servidor do Estado, Pedro Paulino da Fonseca, do cargo de vedor da casa de
corrção da Corte, cargo por ele exercido durante 21 anos, com lourores de
muitos notáveis estadistas, a quem há sido confiada a Pasta do Ministério da
Justiça, como consta de seus respectivos relatórios ou de seus discursos no
corpo legislativo, não podem deixar de manifestar àquele seu conspícuo, inteligente
e laborioso comprovinciano os sentimentos da mais profunda estima e da mais
alta consideração, convictos de que, quaisquer que sejam as razões que influiram
para esta exoneração de um funcionário que conta 37 anos de lourados serviços
ao país, não lhe desmecerá ele as simpatias e o elevado apreço de que até hoje lhes
há sido credor.
Barão de Maceió, Ladislau Neto, Francisco Calheros
da Graça, Francisco de Barros Accioli Vasconcellos, Amarílio Olintho de
Vasconcellos, Manoel de Mendonça Guimarães, Guilherme José da Grça, Dr. Luiz de
Oliveira Bueno, Modesto B. Lins de Vasconcellos, Antônio Ignácio de Mesquita
Neves, Manoel Gonçalves Duarte, Antônio Marinho do Prado, Josué Senador Correia
de Mello, Horácio Alexandrino da Costa Santos, Antôno da Costa Moraes, Macário
da Costa Moraes, Júlio da Silveira Lobo, Luiz Joaquim da Costa Leite, Francisco
Teixeira da Rocha, Aureliano Faria, Possidônio de Carvalho Moreira, Ildefonso
Falcão Dias, Antônio Teixeira da Rocha, Francisco de Souza Mello e Netto,
Almachio Ferreira Mendes, João Carlos de Vasconcellos, Carlos Jorge Calheiros
de Lima, Guilherme Calheiros da Graça, José Rodrigues Leite Imbuzeiro, João
Aidano da Costa Imbuzeiro, Manoel Amâncio Chaves, Rozendo Cesar Teixeira de
Araújo, José Narciso de Carvalho Moreira, Antônio Leopoldino da Fonseca e
Silva, João Francisco de Salles, Antônio Leocádio da Rocha e Silva, Epifânio
Vieira Domingues da Silva, José Braziliano Leite de Menezes, Antônio Tavares
Bastos, Dr. Pretestado Accioli de Lima, João Emygdio Ramalho, Manoel
Alexandrino da Rocha Santos, Enéas da Silva Medeiros, Manoel Teixeira da Rocha,
Enéas Elysio de Figueiredo e Mello, José Ferreira de Albuquerque, Antônio Guedes
Nogueira, Adalberto Guedes Nogueira, Pedro Paulo da Fonseca Galvão, João Soares
Palmeira, J. L. Ferreira Pinto (João Lopes Ferreira Pinto), Adolpho José
Ribeiro Lins, Antônio de Aguiar Cascaes Telles, Antônio Cavalcante de
Albuquerque, Silvestre Manoel da Silva, Antônio Rodrigues Portugal, Augusto
Cincinato de Araújo, Pedro Alexandrino de Medeiros Cabral, Crodigando Mendes
Ferreira, Avelino Pereira da Cunha, Antônio da Silva Eustáchio, Ignácio Gabino
da Costa, João de Salles Nunes, Ambrósio Antônio de Barros, Júlio Venceslao
Carneiro, Alfredo Zeferino de Araújo, Joaquim Vieira de Almeida, Guilherme
Thomé de Souza, Aristóteles Souto de Bivar, João
Vieira Damasceno Ribeiro, Manoel Sebastião da Rocha
Lins, Manoel de Almeida Crispim, Felippe da Fonseca Galvão,
Março, 22 de 1883.”
Em 1918, ocupou o cargo de Coletor Estadual em
Santana do Ipanema. Em 1924, foi nomeado Promotor Público na Comarca de Pão de
Açúcar. Em 1926, é designado Sócio Correspondente do Instituto Histórico
Alagoano em Pão de Açúcar.
Damasceno Ribeiro foi também próspero produtor
rural, e é bem provável que tenha sido o pioneiro na prática de irrigação na
região do Baixo São Francisco, no Sítio Pau-ferro, de sua propriedade, bem ali na
confluência do riacho de mesmo nome, pouco acima do morro do Cavalete.
O jornal A IDEIA, que se editava em Pão de Açúcar,
em sua edição de, 13 de março de 1910, publicou uma notícia com o título:
“IRRIGAÇÃO E BENZIMENTO. Na última quinta-feira[ii], a convite de nosso companheiro
Damasceno Ribeiro[iii],
assistimos à inauguração da bomba, por ele ultimamente adquirida, pra aguar
terrenos na margem do nosso caudaloso rio[iv].
Em frente à praça da
Matriz[v] aportou a canoa, dentro da
qual está montado o belo aparelho, que é ume perfeição mecânica, artisticamente
adornada com arcos de folhas verdes e bandeirolas.
Ligados o cano e
mangueiras condutoras d’água, tendo a poderosa caldeira pressão bastante para
acionar a máquina da bomba, o Referendo Pe. Júlio Albuquerque[vi], estimadíssimo vigário da
Paróquia, à frente de doze cavalheiros de nossa melhor sociedade, servindo
estes de paraninfos, procedeu à cerimônia do benzimento do aparelho, que logo
se moveu elevando acima dos cômoros de areia uma coluna d’água de mais de seis
polegadas de diâmetro.
Subiu ao entusiasmo a
nossa admiração quando vimos a enorme quantidade d’água atirada longe pela boca
da mangueira, e não nos enganaremos talvez afirmando que uma lagoa de boas
proporções não comportará a água deste aparelho em poucos dias de trabalho; pois
estamos informados que ele deita 2.700 litros por minuto, ou seja, 162
toneladas de água por hora!!
Após a cerimônia e
funcionamento da bomba, dirigimo-nos todos à casa do nosso companheiro e, ao
servir-se um copo de cerveja, usaram da palavra sobre o assunto de irrigação de
terrenos os Srs. Coronel Luiz José, Senador Estadual[vii]; nossos companheiros e
estimados redatores desta folha – Álvaro Machado[viii] e Hypólito de Souza[ix]; Capitão Venustiniano
Cavalcante[x]
e, por fim, nosso companheiro Damasceno Ribeiro, que em um brilhante discurso,
digno de seu talento tão conhecido entre nós, respondeu a todos e terminando
com dois vivas à laboriosa população de Pão de Açúcar e ao trabalho e ao
progresso.”
*** ***
NOTA:
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
Tratamento
de imagens: Vívia Rodrigues Amorim.
[i] Jornal do Comércio, 30 de março de 1883.
[ii] 10 de março de 1910.
[iv] A primeira bomba a vapor foi consruída em Nova York, em 1840. Essa máquina adquirida por Damasceno Ribeiro assemelhava-se, provavelmente, à que fora inventada por John Ericsson, para ser usada pelo corpo de bombeiros de Londres, ainda em 1828. As autoridades inglesas, no entanto, continuaram a utilizar o sistema manual por mais dois anos, até se convencerem da sua eficácia.
[v] Praça da Matriz, atualmente denominada Praça Moreno Brandão, situada desde o coreto até a rua Ferreira de Novaes, próximo ao Iate Clube Pão de Açúcar.
[vi] Júlio Ferreira de Albuquerque Nasceu a 26 de setembro de 1878, na rua da Igreja, Jaraguá, Maceió-AL e faleceu a 3 de setembro de 1963. Filho de Honório Teixeira de Albuquerque e Idelfonsa Ferreira de Albuquerque.
[vii] Cel. Luiz José da Silva Melo. Filho de José Pedro de Melo e Francisca Maria da Silva. Foi Deputado Estadual nas legislaturas 1897-98; 99-1900; 1901-02; 03-04; 05-06; 07-08 e 1889-1810; e Senador estadual eleito em 1909 para terminar a legislatura 1909-10 e reeleito para a legislatura 11-12. Fonte: ABC das Alagoas – BARROS, Francisco Reynaldo Amorim de.
[viii] Álvaro Machado. Filho do Cel. Miguel de Freitas Machado e Cândida Delfina Andrade Freitas. Nasceu em Pão de Açúcar-AL no dia 17 de março de1886 e ali faleceu em 6 de junho de 956, aos 69 anos. Foi casado com Cristina de Freitas Machado, com quem teve os filhos Temístocles, Armando, Carmen, Dolores e Marina.
[ix] João Hypólito de Souza. Nasceu em Pão de Açúcar no dia 16 de setembro de 1886. Filho de Maria da Glória Soares de Souza. Ficou órfão de pai aos 3 anos de idade e ficou ao lado da mãe e seus irmãos: Alfredo, Aurora Carolina, Eduardo, Ismael, Carolina e Esther. Era professor e por muitos anos dirigiu a Escola 16 de Setembro e, juntamente com o Pe. José Soares Pinto, o Colégio Paroquial.
[x]
José Venustiniano Cavalcante (pai de Bráulio Cavalcante). Filho de Mariano
Joaquim Cavalcante e Valeriana da Conceição.
Mais uma bela homenagem às ilustres figuras de nossa terra. Parabéns confrade
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