Por Etevaldo Amorim
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| O Sr. Perdiliano Gomes de Carvalho Mello. Foto: acervo da família Fialho. |
PERDILIANO
GOMES DE CARVALHO MELLO nasceu em São Brás, Estado de Alagoas, em 10 de janeiro
de 1876 e faleceu no dia 5 de julho de 1952. Filho de Francisco Gomes de
Carvalho Mello e Maria Victória da Purificação.
Em 2 de julho de 1901, já residindo em Pão de Açúcar, casou-se com ANA EXALTA PEREIRA DE MELO (“Doninha”), que passou a ser conhecida por “Doninha de Perdiliano”. Filha de Manoel Francisco Pereira e Belarmina dos Santos, nasceu em Pão de Açúcar em 20 de maio de 1884. Sobre ela assim falou Aldemar de Mendonça:
“Dama da alta sociedade. Estatura mediana. Gorda como quase todos os Pereira. Epiderme morena e um sorriso perene a iluminar-lhe o rosto, anulando a feiura de um bigodinho.
Neste trabalho, feito com o objetivo de retirar do esquecimento os nossos maiorais, que, por qualquer motivo se evidenciaram, não podia olvidar Doninha de Perdiliano, como era mais conhecida.
E se quiserem saber qual a porta pela qual aqui entrou Doninha, direi
simplesmente: a da Bondade.”
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| A Srª Anna Exalta, "Doninha de Perdiliano". Foto: acervo Aldemar de Mendonça. |
Ficando viúvo em 17 de agosto de 1922, seu Perdiliano casou-se com Felisbela Pereira de Mello (28/10/1898 – 04/10/1961, filha de Ismael Pereira de Mello e Severiana Maria dos Santos).
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ATIVIDADES
O
Sr. Perdiliano era forte comerciante em Pão de Açúcar. Como tal, e como era
comum para o transporte de mercadorias, possuía uma canoa de tolda denominada
Minas Gerais. Essa embarcação, por motivo que desconhecemos, era conhecida por
“Jumenta”[i].
Estabeleceu-se
no comércio local com a MERCEARIA ESTRELA, sob a firma “Perdiliano Mello &
Cia”, no ramo de estivas, miudezas, ferragens com departamentos de óleos,
tintas, louças, etc, com vendas em atacado e a varejo.
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| A MERCEARIA ESTRELLA, de Perdiliano Gomes de Carvalho Mello. Fonte: MARROQUIM, Adalberto. TERRA DAS ALAGOAS, Editori Maglione & Strini, Succ. E. Loescher Roma, 1922. |
Essa foto mostra um prédio que até hoje conserva as mesmas características: 14 porta
s altas emolduradas por relevos, sendo 4 voltadas para a avenida Bráulio
Cavalcante e 10 alinhadas simetricamente para a rua Cel. Manoel Antônio
Machado.
A
fachada ostenta detalhes geométricos nas laterais, sendo o topo do edifício
arrematado por uma robusta platibanda decorada, que oculta o telhado, ganhando
um frontão arqueado e imponente exatamente no chanfro da esquina.
Essa
fotografia está entre as onze imagens de Pão de Açúcar estampadas no livro
TERRA DAS ALAGOAS, de Adalberto Marroquim, impresso em 1922, em Roma.
Nota-se,
na parte superior da fachada lindeira à rua Cel. Manoel Antônio Machado, um
toldo (fechado), cujo manejo se dava por meio de um mecanismo composto por uma
caixa de engrenagens helicoidais. A partir dela, uma haste vertical de ferro
transmitia o movimento até as peças de sustentação superior, permitindo abrir
ou fechar a estrutura conforme se girava a manivela acoplada ao sistema.
Lembro-me
de que, nesse ponto, entre os anos finais da década de 1960 e os iniciais da de
1970, funcionava uma loja de tecidos do Sr. Lucilo José Ribeiro[ii],
que viria a ser prefeito de São José da Tapera anos depois. Mais tarde, e por
muitos anos, abrigou o "Bar do Petronilo", conhecido pelas suas
famosas mesas de sinuca.
Atualmente,
funciona o “Arquivo Central Armando de Freitas Machado. As últimas 4 portas, lá
no fundo, são entradas para outros tipos de comércio.
Na
foto não aparece o nome da casa comercial, mas um anúncio publicado no Almanak
Laemmert de 1913 revela a identidade do local.
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| Anúncio da Mercearia Estrella no Almanak Laemmert, 1913. |
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VIDA
PÚBLICA
Não
conseguimos saber, com precisão, quando o Sr. Perdiliano iniciou a sua vida
pública. O registro mais antigo que encontramos está no JORNAL DO COMÉRCIO
(RJ), de 21 de novembro de 1911. Trata-se de um telegrama enviado ao Coronel
Clodoaldo da Fonseca comunicando a fundação, em Pão de Açúcar, da Liga
Pró-Clodoaldo da Fonseca. Datado de 15 de novembro de 1911, diz o telegrama:
“Acabamos
de fundar “Liga pró-Clodoaldo” propaganda vossa candidatura. Recebei nossas
felicitações data hoje e pela escolha vosso nome salvador Alagoas. – Manoel Pereira, Perdiliano Mello,
Venustiniano Cavalcante, João Luiz, João Pereira, Bráulio Cavalcante, Aurélio
Cavalcante, Ismael Mello, Luiz Paulo, Alfredo Almeida, Pereira Filho, Lucillo
Mello.”
Aqui
estão José Venustiniano e Aurélio, pai e irmão de Bráulio Cavalcante, que seria
morto no dia 10 de março de 1912, justamente no auge da campanha do Cel.
Clodoaldo.
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Em
1916, o Sr. Perdiliano era Comissário de Polícia[iii],
tendo como suplentes José de Freitas Machado, Joaquim Campos e Olegário Simas.[iv]
Em
5 de outubro de 1917, assinou o Manifesto da Assembleia Popular recomendando o apoio
à candidatura do Gal. Gabino Besouro, tendo como candidato a Vice-Governador o
Bel. Antônio de Mello Machado,[v]
para as eleições que se realizariam no dia 12 de março do ano seguinte.
Notícia
do correspondente do jornal Diário de Pernambuco, datada de 6 de novembro de
1917, publicada na edição de 10 daquele mês e ano, dá conta da fundação de um “Centro
Cívico Pró Gabino Besouro”, tendo como Presidente de Honra o Sr. Perdiliano
Mello; efetivo: Pedro Souto; Secretários: Olegário Simas e Theodoro Barbosa; orador:
Dr. Manoel Lyra; tesoureiro: Euclides Souza.
Ainda
em 1917, quando da viagem do candidato pelas localidades ribeirinhas do São
Francisco, hospedou o Gal. Gabino Besouro e sua comitiva.
O
Diário de Pernambuco, na edição de 26 de novembro de 1917, descreve a recepção
ao general Gabino Besouro.
“Pão
de Açúcar, 16. Diário do Povo. O General Gabino Besouro aqui chegou de Piranhas,
no belo paquete “Siminbu” que estava todo embandeirado. Assinalado essa
embarcação ainda no horizonte, afluiu à vasta praia enorme multidão impaciente
por testemunhar ao ínclito republicano a sua solidariedade e estima.
Numerosas
canoas embandeiradas sulcaram o rio repletas de populares e pessoas gradas, aguardando
o ancoramento do “Sinimbu”, o que se realizou às 16 horas, entre vivas e
aclamações. Ao saltar o general Gabino Besouro, essas aclamações reboaram estrepitosamente
entre salvas de rojões e as harmonias de uma banda musical.
Formou-se
imediatamente um numeroso e entusiástico préstito que entre constantes e
fervorosos vivas penetrou na cidade até a praça da matriz em busca da
residência do Cel. Perdiliano Mello, onde Sua Excelência se hospedou com sua
comitiva.
Enquanto
pessoas gradas aí cumprimentavam S Exª, enorme multidão estacionava em frente à
aprazível residência do Cel. Perdiliano, aclamando o general em verdadeiro
delírio.
Saudaram
S. Exª em belos discursos o Dr. Luiz Ignácio de Figueiredo, juiz substituto, e
Octávio Brandão, funcionário federal[vi],
discursos que o general agradeceu comovidamente.
Após
algum descanso, seguiu-se lauto banquete durante o qual saudaram ao general os
Drs. Antônio Arecippo, juiz de direito – e Ildefonso Cantidiano, promotor
público. Sua Excelência o General agradeceu num brinde eloquente, no qual
enalteceu o valor do povo panassucarense[vii],
bem como os serviços dos prestigiosos políticos Cônego Soares Pinto e Cel.
Perdiliano Mello. O Dr. Carlos Pontes[viii],
numa oração cívica, agradeceu ao povo o seu concurso precioso, a sua dedicação
à candidatura verdadeiramente popular.
O
general Gabino Besouro retribuiu os cumprimentos do cônego Soares Pinto,
vigário da cidade, sendo servido champagne na residência deste, orando nessa
ocasião o ilustre chefe conservador Cel. Luiz José[ix].
O general agradeceu em magnífico improviso concitando os bons alagoanos a
trabalharem pelos interesses da sua terra.
O
general seguirá hoje mesmo depois de assistir um jantar na residência do cônego
Soares. Toda a cidade exulta em ruidosas festas. Nas ruas, lindamente
enfeitadas, a multidão não cessa de aclamar o general Besouro como futuro
governador de Alagoas.
À
noite, a fina flor da sociedade panassucarense oferecerá a Sua Excelência um
baile que será animadíssimo. – Correspondente.”
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| O Gal. Gabino Besouro. |
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| Bacharel Antônio de Mello Machado. |
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Dez
anos depois, em 1927, seu nome era anunciado como candidato a Prefeito de Pão
de Açúcar no Diário de Pernambuco, de 13 de setembro de 1927.
Realizado
o pleito, conseguiu 136 votos, sendo superado pelo seu opositor, o Padre José
Soares Pinto, que obteve 189 sufrágios.[x]
Depois
disso, anota Gervásio Francisco dos Santos em seu livro UM LUGAR NO PASSADO, o
Sr. Perdiliano Mello “afastou-se definitivamente da política”, passando a
cuidar apenas dos seus negócios.
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NOTA
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos
repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado
de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente
referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu
interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o
maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e
a citação das referências. Isso é correto e justo.
[i]
SANTOS, Gervásio Francisco dos. UM LUGAR NO PASSADO. Rio de Janeiro, 1976.
[ii]
Lucilo José Ribeiro faleceu em 1976 em acidente automobilístico na recém
inaugurada, em asfalto, Rodovia AL-130.
[iii]
Comissário era o operador direto da segurança pública, com subordinação ao
delegado de polícia.
[iv]
Fonte: Mensagens do Governador de Alagoas, João Baptista Accioly Junior, para a
Assembleia (1890-1930).
[v]
Fonte: Diário do Povo, órgão do Partido Republicano Conservador. 9 de outubro
de 1917.
[vi]
Octávio Brandão de Oliveira. Funcionário dos Correios no período de 1º de maio
de 1917 a 4 de setembro de 1920. Casou-se em 9 de maio de 1917 com Maria Rosa
de Oliveira Veiga (filha de Manoel Pastor da Veiga e Anna Rosa de Oliveira
Veiga).
[vii]
Uma curiosidade: naquela época, registrava-se o gentílico “panassucarense”, por
aglutinação a partir da grafia Pão de Assúcar.
[viii]
Carlos Pontes Marques de Almeida, Deputado estadual, advogado, jornalista.
Filho de Avelino Marques de Almeida e Escolástica Pontes de Almeida. Nasceu em Olhos
d’Água do Acioli (atual Igaci), então município de Palmeira dos Índios – AL, em
27/04/1887 e faleceu no Rio de Janeiro – DF, em 19/04/1957.
[ix]
Cel. Luiz José da Silva Mello.
[x] Diário de Pernambuco, 17 de novembro de 1927.






Excelente matéria com ricas narrativas a respeito de um renomado personagem que muito contribuiu com a história de pao de Açúcar. Perdiliano Gomes de Carvalho foi um homem que atuou como um conceituado comerciante na terra de Jaciobá. Parabéns nobre amigo e confrade Etevaldo Amorim por mais um valioso registro histórico
ResponderExcluirParabém pelo excelente texto, Etevaldo Amorim! Como sempre, rico em detalhes e curiosidades sobre a história de Pão de Açúcar
ResponderExcluirHistória de um passado distante , porém bastante interessante. Parabéns amigo .
ResponderExcluirParabéns amigo por trazer para dias de hoje , essa interessante história do passado do nosso sertão alagoano.
ResponderExcluirObrigado por mais essa pérola das suas pesquisas. Fiquei curioso para saber quem era Olegário Simas.
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