sábado, março 28

ESCOLAS E SEUS PATRONOS – U.M.E. MONSENHOR LYRA

 

Por Etevaldo Amorim


A Unidade Municipal de Ensino Mons. Lyra, em Lagoa de Pedra.


A Unidade Municipal de Ensino do povoado Lagoa de Pedra foi fundada em fevereiro de 1968, segundo o seu diretor Prof. Gildácio Silva Pinto. Desde então, tem formado inúmeras gerações de meninos e meninas, muitos dos quais alcançaram destacadas posições na sociedade.


Em julho de 2023, sob a gestão do prefeito Jorge Dantas, a escola passou por uma grande reforma, e agora conta com seis salas de aula, uma secretaria, sala de recursos, almoxarifado, cozinha, lavanderia, quatro banheiros, pátio aberto e pátio coberto.


Atualmente tem 190 alunos matriculados, oriundos do próprio povoado de Lagoa de Pedra e de outras localidades circunvizinhas: Entroncamento, Tupã, Quibanzê, Serrinha, Serraria e Assentamento Marí.


O Corpo Funcional é composto ainda por Vivianne de Oliveira Pinto (Coordenação); Silvaneide da Cruz Feitosa (Articulação) e as Assistentes Administrativas Izadora Lisboa da Rocha e Izabela de Campos Alcântara.


Na Creche, a professora Gislane Silva Pinto; no Pré-Escolar I, Zilvaneide Vieira da Silva; no Pré-Escolar II, Jéssica Ferreira Lisboa.


No 1º Ano, Eliane Oliveira Pinto; 2º Ano, Mayara de Alcântara; 3º Ano, Barbara Mariana de Alcântara; 4º Ano, Raquel da Silva Sampaio; 5º Ano, Cléssia Souza da Cruz Rodrigues.


No EJA (Educação de Jovens e Adultos), Solange Alves da Silva e Zilvaneide Vieira da Silva.


Completam o Quadro os professores: Silvestre da Rocha Lyra e Wemerson Gouveia Oliveira; os Cuidadores: André Rocha Sampaio, Gleize Cristina Souza Nunes, Hemylle Isabele Alcântara, Joseilma de Oliveira, Renan Farias dos Santos; os agentes do PMAC[i]: Delane Farias Santos Silva, Jaqueline Souza da Silva, Rejane Alcântara Lira Santos e Willian Lisboa da Silva; as Auxiliares de Sala: Hannely Oliveira do Nascimento, Ingrid Lisboa da Rocha e Samara Ferreira da Silva; os Vigias Lídio Simões de Oliveira Filho, Renan Santos Oliveira e Gabriel da Rocha Amaral; as Cozinheiras Rafaela Farias Santos e Lívia da Silva Oliveira; e os Auxiliares de Serviços Gerais: Jandeccly Antônio Bezerra, Victor Manoel Costa Farias.


A Escola antes da reforma de 2023. Foto: arquivo da U. M. E.



Placa alusiva à reforma empreendida em 2023.

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O PATRONO


O Cônego Fernando Lyra.

Fernando Alves da Rocha Lyra. Segundo Aldemar de Mendonça, nasceu no povoado Lagoa de Pedra, município de Pão de Açúcar, onde ainda residem muitos dos membros da família Lira.


Segundo muitas fontes, nasceu no dia 29 de maio de 1886[ii]. Segundo outras, teria nascido em 30 de maio.


Filho do casal Higino da Rocha Lyra e Francisca Cavalcanti Alves, tinha como avós paternos: José da Rocha Lyra e Francisca das Chagas de Jesus; e, maternos: Antônio Luiz Vieira Rego Alves e Genoveva Cavalcanti.


Seu pai era “Solicitador” - profissional do Direito que atuava como intermediário entre a parte (o cliente) e o tribunal ou o advogado- atuando em Penedo, onde residia[iii], e em outras comarcas do baixo São Francisco. Por vezes, atuava também como advogado, embora não tivesse formação jurídica.


CARREIRA ECLESIÁSTICA


Em 1903, aos 17 anos, ele ingressou no Seminário Diocesano de Maceió,[iv] cumprindo plenamente os requisitos para o início da sua carreira. No dia 20 de novembro de 1905, em solenidade realizada na Catedral Metropolitana de Maceió, recebeu a prima tonsura[v], executada pelo Bispo Diocesano Dom Antônio Brandão, tendo como diáconos assistentes o Cônego Octávio Costa (pão-de-açucarense) e o presbítero Mons. Silva Lessa. Foram diáconos da missa os presbíteros José Omena e José Pimentel, que viriam a ser vigário e coadjutor da Paróquia de Pão de Açúcar, respectivamente. O subdiácono recém-ordenado Achilles Mello (também pão-de-açucarense) cantou a Epístola da missa.


No dia 8 de dezembro de 1909, em missa celebrada às 9 horas da manhã, na Catedral Metropolitana, o Bispo Dom Antônio Brandão conferiu a ordem de presbítero aos diáconos Antônio Tobias da Costa e Fernando da Rocha Lyra[vi].[vii]


Assim, devidamente ordenado, o jovem clérigo celebrou a primeira missa na igreja de Nossa Senhora do Livramento no dia 10 daquele mês e ano.[viii]


Em junho de 1911, o bispo Dom Manoel Antônio de Oliveira Lopes - que houvera tomado posse em 13 de março de 1911, sucedendo Dom Antônio Brandão – o nomeou para dirigir a paróquia de Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá. Sucedia, assim, o seu conterrâneo Pe. José Soares Pinto, que ali pontificara entre 1909 e 1910.[ix] Permaneceu no cargo até 1935, quando foi sucedido pelo Pe. Antônio Monteiro.


O bispo Dom Manoel Lopes, que nomeou  o Pe. Fernando Lyra para a paróquia de Jaraguá.


Foi durante a sua passagem pela paróquia de Nossa Senhora Mãe do Povo, que foi construída a nova matriz de Jaraguá, cujas obras atravessaram anos e contou com a colaboração de diversos setores da sociedade. Registre-se que, em maio de 1917, a pedido do Cônego, o governador Baptista Accioly mandou pagar 4 contos de réis dos 8.500 que a matriz de Jaraguá tinha depositado no Tesouro Estadual, prometendo pagar o resto em duas prestações nos meses de junho e julho próximos.[x] Mais tarde, em 1921, o Intendente de Maceió, Firmino de Vasconcellos, foi autorizado por Lei a entregar 1 conto de réis ao Padre Fernando Lyra para auxiliar nas obras da igreja de Jaraguá.[xi]


A nova Matriz se fez sobre a primeira capela, cuja construção se iniciou no ano de 1820, em homenagem a Nossa Senhora Mãe do Povo e concluída em 1º de agosto de 1827.[xii]


Por fim, no dia 29 de abril de 1923, foi solenemente inaugurada a nova matriz de Jaraguá. O ponto culminante foi a missa solene, iniciada às 9:30 h, celebrada pelo Cônego Antônio Tobias, com a participação do Padre José Soares Pinto, ex-vigário daquela paróquia.


A velha Matriz de Jaraguá ao tempo do Côneto Lyra. Foto O Malho, 27.03.1915.


A Matriz de N. S. Mãe do Povo nos dias atuais.


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Em agosto de 1918, foi ao Recife para receber o hábito da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.[xiii]


No dia 24 de agosto de 1922, abençoou a jangada Independência, pouco antes da partida para a épica jornada até o Rio de Janeiro, como parte das solenidades de comemoração do centenário da independência do Brasil.[xiv]


Em 1931, chefiou uma delegação de peregrinos alagoanos que, a exemplo de tantas outra de todas as partes do país, foram ao Rio de Janeiro para a inauguração do monumento ao Cristo Redentor, sendo recebidos, no dia 9 de outubro, pelo Sr. Getúlio Vargas, Presidente da República.[xv]


Em 1933, enquanto secretário do Arcebispado, era diretor do jornal católico O SEMEADOR,[xvi] que tinha como Redator-Chefe Emilio de Maya, e como Diretor-Gerente o Cônego João Lessa.


Aliás, “O Semeador era um jornal de caráter católico e um dos canais de propagação dos pensamentos da Liga Eleitoral Católica – LEC[xvii], uma organização de caráter conservador e que mantinha ligações com o integralismo. O Cônego Lyra era, portanto, “lecista”: denominação dos adeptos da referida Liga.


Em 1937, era Presidente de Honra do Grêmio Ronald de Carvalho, fundado em 1936 pelos alunos do Colégio Diocesano.[xviii]Em 1938, foi nomeado Inspetor do Ensino Secundário no Estado de Alagoas.[xix]


Em 1945 o Cônego Lyra era capelão do colégio Arquidiocesano,[xx] e, em 1947, por Ato de 21 de maio, o governador Silvestre Péricles o nomeou Capitão-Capelão dos serviços religiosos da Polícia Militar do Estado de Alagoas.[xxi]


Cônego Fernando Alves da Rocha Lyra faleceu no dia 25 de abril de 1961, depois de mais de 50 anos dedicados ao sacerdócio, sendo a maior parte desse tempo à frente da Paróquia de Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá, onde se tornou uma das figuras mais influentes da sociedade alagoana de sua época.

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Além de dar nome à escola do povoado Lagoa de Pedra, ele recebeu outra homenagem. No bairro do Trapiche da Barra, em Maceió, há uma rua que leva o seu nome, por força da Lei Municipal nº 1.825, de 30 de junho de 1971, assinada pelo Prefeito João Sampaio. Essa rua é paralela à Avenida Siqueira Campos, onde está localizado o Hospital Escola Hélvio Auto.


Mesa Diretora do Primeiro Congresso Médico de Alagoas. Ao centro, o Interventor Federal Cap. Affonso de Carvalho; à sua esquerda, o Dr. Orlando Araújo (prefeito de Maceió); o Cônego Fernando Lyra, Secretário do Arcebispado; Dr. Ezequias da Rocha, Diretor de Saúde Pública do Estado; e o Dr. José Maria Correia das Neves, Titular Interino da Secretaria Geral do Estado. À direita do Interventor, os médicos José Carneiro, Sebastião da Hora e Abelardo Duarte. Foto: Revista da Semana, RJ, 22 de julho de 1933, capturada do site História de Alagoas.


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NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] PMAC – Programa Municipal de Agentes da Cidadania. O programa tem o objetivo de incentivar a participação social e o protagonismo juvenil ou comunitário. O programa recruta moradores para atuar como agentes de transformação em suas comunidades, recebendo em troca uma bolsa-auxílio.

[ii] Gazeta de Alagoas, Maceió-AL, 29 de maio de 1934.

[iii] Sua residência em Penedo foi onde nasceu o General Gabino Besouro. Fonte: Diário do Povo, Maceió-AL, reproduzindo matéria de A Semana, jornal penedense, de propriedade de Joaquim Mazoni.

[iv] A Fé Cristã, Penedo-AL, 28 de novembro de 1903.

[v] A “prima tonsura” era o rito litúrgico e a cerimônia inicial na Igreja Católica que marcava o ingresso no estado clerical, onde o bispo cortava simbolicamente uma parte do cabelo do ordinando, criando uma coroa. Representava a renúncia às vaidades do mundo e a conformidade com Cristo. Em 15 de agosto de 1972, o Papa Paulo VI, através do documento Motu proprio Ministeria quaedam, suprimiu a prima tonsura na Igreja de rito romano.

[vi] Evolucionista, Maceió-AL, 20 de novembro de 1905.

[vii] Jornal Gutenberg, Maceió-AL, 8 de dezembro de 1909.

[viii] Jornal Gutenberg, Maceió-AL, 10 de dezembro de 1909.

[ix] Jornal Gutenbert, Maceió-al, 7 de junho de 1911.

[x] Jornal do Comércio, RJ, 24 de maio de 1917.

[xi] Jornal do Recife, 9 de junho de 1921.

[xii] A Paróquia de Jaraguá e suas matrizes culturais. Disponível em: PARÓQUIA MÃE DO POVO.

https://paroquiamaedopovo.wixsite.com/website/contact.

[xiii] DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 16 de agosto de 1918. A Ordem Terceira do Carmo (OTC), formalmente conhecida como Ordem Secular Carmelitana da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, é uma associação de fiéis leigos da Igreja Católica que buscam viver o carisma carmelita no cotidiano de suas vidas seculares.

[xiv] Jornal do Recife, 7 de setembro de 1922.

[xv] A CRUZ, RJ, 18 de outubro de 1931.

[xvi] Gazeta de Alagoas, Maceió-AL, 2 de março de 1935.

[xvii] NERI, Gustavo Nunes Costa. A AÇÃO INTEGRALISTA BRASILEIRA EM TERRAS ALAGOANAS – 1930  1937,  UFAL, 2014.

[xviii] Gazeta de Alagoas, Maceió-AL, 9 de abril de 1937.

[xix] Diário da Manhã, Recife-PE, 26 de fevereiro de 1938.

[xx] A CRUZ, RJ, 18 de fevereiro de 1945.

[xxi] Gazeta de Alagoas, Maceió-AL, 23 de maio de 1947.

Um comentário:

  1. Excelente relato histórico! Parabéns, confrade e amigo Etevaldo!

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia