Por Etevaldo Amorim
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| Avião semelhante ao "Bráulio Cavalcante". Foto ilustração - Fonte: portal História de Alagoas. |
Ao entrar para a História, o nosso conterrâneo Bráulio
Cavalcante foi merecedor de diversas homenagens: nome de avenida e de escola em
sua terra, nome de rua em Palmeira dos Índios e no Recife, nome de praça em
Maceió, bustos em praça pública em Pão de Açúcar e na capital do Estado. Mas,
em meio a essas merecidas honrarias, há uma que o eleva, literalmente, aos céus:
o batismo de um avião com seu nome.
Isso aconteceu em 24 de julho de 1947, no Calabouço[i],
Rio de Janeiro, quando foram batizados seis novos aparelhos de treinamento, no âmbito
da Campanha Nacional de Aviação, sob o lema “Deem asas ao Brasil”.[ii]
Estavam presentes o tenente coronel Armando de Menezes, chefe do Gabinete do
Estado Maior da Aeronáutica, e o major aviador Ruthênio Carneiro da Cunha, também
do Estado Maior da Aeronáutica. Presidiu a solenidade o senador Salgado Filho.
O avião, modelo Neiva P-56 C, conhecido como
"Paulistinha", que seria destinado ao Aeroclube de Alagoas, foi
paraninfado pelo Brigadeiro Ajalmar Mascarenhas[iii],
um alagoano de Anadia, que conheceu Bráulio e a sua luta.
Antes de derramar champagne sobre a hélice do avião, ele pronunciou
o seguinte discurso:
“Este avião, que a Campanha Nacional de Aviação destinou ao
aeroclube de Alagoas, se ilustra com o nome do ardoroso tribuno, do jornalista
de escol, do maior poeta alagoano, que se chamou Bráulio Cavalcante.
Bráulio Cavalcante, filho de José Venustiniano Cavalcante,
nasceu na cidade de Pão de Açúcar a 14 de março de 1887.
Desde criança – dizem-nos seus biógrafos – revelava ‘grande
lucidez de espírito, privilegiada inteligência, servido ainda por uma
excepcional faculdade de assimilação que muito contribuiu para a aquisição do
vasto tesouro de cultura que, num espaço de tempo limitado, conseguiu acumular.’
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do
Recife, onde se diplomou a 11 de dezembro de 1911, Bráulio hipotecou sua pena e
sua palavra à causa da liberdade e da justiça, na imprensa e na tribuna de sua
terra, em dias de intensa agitação política.
Seu verbo inflamado, a vastidão de sua cultura e a
impenitência de seu idealismo arrastavam multidões a ouvi-lo cantar:
‘Alagoas, terra verde, feliz aberta em flores, cheia
Dos lagos de alumínio e verdes coqueirais!
Terra onde o São Francisco majestoso ondeia
E a Paulo Afonso atroa mil fanfarras reais!’
A 10 de março de 1912, justo três meses depois de sua
formatura, e quando ia em meio uma campanha de libertação de brancos, Bráulio,
no pedestal da estátua de Floriano, batalha desigual com o espírito da
intolerância, invocando a Constituição Federal na defesa de seu direito de
manifestação de pensamento em praça pública.
Eram suas armas a palavra fluente, a lógica da razão, a
confiança no simples, o estoicismo do moço e... as garantias constitucionais.
Não havia Bráulio vivido bastante para perceber que o preço
da liberdade seria o holocausto da sua própria vida.
Bráulio tombou à sombra da estátua do Marechal de Ferro, ao
cair de uma tarde que seria igualmente o cair da tarde de uma tirania.
As forças da reação apagavam aquela vida que, aos 25 anos, se
fazia a bandeira de um povo oprimido; e as forças da reação se extinguiram com
o sacrifício daquele bravo.
E desde então Bráulio começou a viver, no coração de seu
povo, a vida dos imortais.
Os “lagos de alumínio” cantam seus versos; os “verdes
coqueirais” sussurram seus poemas.
Trinta e cinco anos depois, este pequeno avião se enobrece
com o nome e o espírito do poeta mártir; suas asas irão encher os céus de minha
terra da harmonia de seus versos; e irão também lembrar aos moços de hoje que
esse moço morreu por um ideal de liberdade.
Pilotos do “Bráulio Cavalcante”, sede dignos de Bráulio como
ele o foi de sua querida Alagoas!”

O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas quando discursava ao lado do Sen. Salgado Filho. Foto: O Jornal.
Em seu discurso, nessa mesma cerimônia, Assis Chateaubriand, jornalista
e dono do maior império das comunicações do país, ele próprio um dos grandes
incentivadores da Campanha, assim se referiu à homenagem a Bráulio:
“Um major-brigadeiro, soldado da ordem, paraninfando um poeta
dos coqueirais da Pajuçara em Alagoas e um rebelado lutador contra as
oligarquias do Nordeste.”[iv]
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| Bráulio Cavalcante, o homenageado. |
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O brigadeiro Ajalmar Mascarenhas é irmão de “Linda
Mascarenhas” (Laurinda Vieira Mascarenhas) a famosa “Dama do Teatro Alagoano”. Aliás,
o DIA DO TEATRO ALAGOANO é comemorado no dia 14 de maio, em alusão ao
nascimento dela.
A data foi instituída oficialmente pela Lei Estadual nº
6.243, de 2 de julho de 2001, cujo Projeto teve a autoria do deputado estadual
pão-de-açucarense Antônio Carlos Lima Rezende (Cacalo), atendendo a sugestão da
ATA – Associação Teatral das Alagoas, por intermédio do ator Ronaldo de
Andrade.
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NOTA
Caro
leitor,
Deste
Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de
informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita
pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência
bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse
para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior
proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a
citação das referências. Isso é correto e justo.
[i] Antigo
campo de pouso situado no local onde hoje se encontra o Aeroporto Santos Dumont.
[ii]
O Jornal, RJ, 29 de julho de 1947.
[iii]
Ajalmar Vieira Mascarenhas. (Anadia - AL
13/08/1897- Rio de Janeiro 18/10/1964). Militar. Filho de Manoel Cesário
Mascarenhas e Lourença Vieira Mascarenhas. Estudou no Colégio Diocesano e no
Liceu Alagoano. Em 1914, juntamente com Romeu de Avelar, José Portugal Ramalho,
José Guedes Quintela e Amarílio dos Santos, lançou a revista Frou-Frou. Nesse
período, usava o pseudônimo de Berilo Prates. Ainda em 1914, participou da
criação do jornal Diário do Norte.Sentou praça em agosto de 1915, ingressando
na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Cursou a Escola de Aviação
Militar, ainda no Rio de Janeiro, integrando, no ano seguinte, a primeira turma
de observadores aéreos. Ocupou diversos cargos durante sua vida militar, tais
como: comandante da Escola de Aviação Militar; comandante da então IV Zona
Aérea, sediada em Porto Alegre, e Chefe da Diretoria de Pessoal da Aeronáutica.
Integra, em dezembro do mesmo ano, a comitiva do ministro da Aeronáutica, em
visita ao front italiano, durante a Segunda Guerra Mundial. Comanda a II ZA, com
sede em Recife; membro do Estado-Maior Geral, órgão precursor do Estado-Maior
das Forças Armadas (EMFA), na condição de subchefe da Aeronáutica, tendo sido,
um mês depois, promovido a major-brigadeiro-do-ar. Em 1955, presidiu, na
condição de chefe da delegação brasileira, a Comissão Militar Mista
Brasil-Estados Unidos. Foi nomeado adido aeronáutico à embaixada brasileira em
Washington. Promovido a tenente-brigadeiro em dezembro do ano seguinte, voltou
a chefiar o EMAER entre julho de 1962 e dezembro do mesmo ano. Ainda em
dezembro de 1962, recebeu a patente de marechal-do-ar. Membro da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Sócio do IHGAL. Fonte: ABC DAS
ALAGOAS.
[iv]
O Jornal, RJ, 15 de agosto de 1947.


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