quinta-feira, outubro 8

O PRESIDENTE JOSÉ BENTO EM PÃO DE AÇÚCAR – IMAGENS DA VILA

 

Por Etevaldo Amorim


O Presidente José Bento da Cunha Figueiredo Junior e sua comitiva em Pão de Açúcar


Iniciava-se o ano de 1869. O Brasil, compondo a Tríplice Aliança, achava-se envolvido no maior conflito armado do continente sul-americano: a Guerra do Paraguai. Tamandaré e Barroso, que tinham estado em Pão de Açúcar acompanhando Dom Pedro II, se tornariam figuras de destaque das nossas Forças Armadas.


No dia 5 de janeiro, dois dias depois de as tropas brasileiras tomarem a capital paraguaia, prenunciando o fim da guerra, chegava à então Vila do Pão de Açúcar o Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior[i] acompanhado de numerosa comitiva. Durante o seu governo, foram enviados aos campos de batalha 277 homens, sendo 232 recrutas para o Exército, 28 recrutas para a Armada (Marinha) e 17 menores como aprendizes.


Tendo sido nomeado por Carta Imperial de 22 de agosto de 1868 e tomado posse em 2 de outubro do mesmo ano, este pernambucano logo daria mostras da profícua administração que faria, levando a cabo importantes obras, sobretudo na capital da Província, apesar do curto espaço de tempo, pois deixaria o governo em 28 de agosto de 1871, mesmo que para tanto onerasse os cofres provinciais, comprometendo futuras administrações.


Do Relatório dessa viagem ao baixo São Francisco, pudemos colher significativas informações sobre a promissora “Vila do Pão d’Açúcar”, pernoite obrigatório para tantos quantos se aventuravam pelos sertões sanfranciscanos.


A bordo do vapor Jaguaribe, pertencente à Companhia Pernambucana e sob o comando de Manoel Rodrigues dos Santos Moura, o Presidente se fez acompanhar de numerosa comitiva, com a qual se deixou fotografar por Abílio Coutinho, um dos pioneiros da fotografia no Brasil, diante de uma das pedras que compõem o hoje denominado “Parque da Paciência”.


No vapor Jequiá, da mesma Companhia, viajava o seu gerente, Sr. Francisco Ferreira Borges.


De Penedo em diante, o Presidente e comitiva passaram a utilizar os vapores da Companhia Baiana, cedidos pelo gerente, Sr. Luiz Campos. Aliás, as duas empresas disputavam o privilégio de explorar a navegação no rio São Francisco, sendo que a Baiana já gozava de subvenção dos governos de Alagoas e Sergipe.


Assim, no dia 5 de janeiro, já a bordo do vapor Paulo Afonso, comandado pelo Sr. João de Souza Reis, o Presidente José Bento e sua comitiva alcançavam as terras do sertão. Do seu Relatório, escrito por Olympio Eusébio de Arroxelas Galvão e José Antônio de Magalhães Basto, retiramos o seguinte relato:


“Antes de chegar-se a Pão de Açúcar, deixamos à direita o Araticum e a ilha de São Pedro, residência do virtuoso Frei Doroteu; a Tapera e o Saco Grande; e, à esquerda, a povoação de Lagoa Funda, com uma pequena capelinha, contendo 80 casas de telha, e é distrito de uma subdelegacia, pertencente ao Termo de Traipu e tem uma aula de instrução pública primária para o sexo masculino, dista 6 léguas daquela Vila e 4 abaixo do Pão de Açúcar.”


“Um pouco mais acima deste povoado confina a Comarca de Penedo com a de Mata Grande, pelo rio; adiante a povoação do Limoeiro, com uma capela de excelente construção e alegante, dedicada a Jesus, Maria e José, 2 ruas com mais de 60 casas, pertencente já ao Termo de Pão de Açúcar, de que dista 3 léguas; mais além, povoado Jacarezinho, Santiago, riacho e morro do Faria.”


Precisamente às 15:25 h, fundeava o vapor Paulo Afonso e, logo em seguida, o Jequitaia, onde foram recebidos por grande número de pessoas. Foguetes no ar, bandeiras em terra e tiros de bateria saudaram os ilustres visitantes.


E prossegue a narrativa:


“Sua Excelência foi logo convidada com sua comitiva para jantar em terra. A bordo, foi cumprimentado pelo Estado Maior da Guarda Nacional. Ao saltar em terra, toda a oficialidade uniformizada, a Câmara Municipal em corporação, revestida em suas insígnias, empregados públicos, delegado, subdelegado, muitos outros cavalheiros e particulares acompanhavam a S. Exª até o sobrado da residência do Ilustríssimo Senhor Dr. Juiz de Direito Paes Barreto (ausente), ricamente preparado para esse fim.”


“O presidente da Câmara Municipal dirigira uma breve alocução oral, a que S. Excelência respondeu logo agradecendo.”


“O jantar foi profuso e variadíssimo. Nessa recepção, distinguiram-se entre outros os senhores Major Cunha Figueiredo, Major Machado Novaes, Mariano Cavalcante, etc.”


“À tardinha, S. Excelência visitava a Matriz, único templo e não acabado dessa importante e florescente Vila, o cemitério, etc.”


“Tem mais de trezentas casas de telha, em geral bem construídas e altas. As ruas paralelas com o rio, exceto uma, para a frente da qual olha a principal, que é bastante extensa: são as da Matriz, Flores, Aurora, Feira Velha e Senzala.”


“A da Matriz é notável por ser reta, longa e muito larga, devendo-se a alguns particulares um ensaio de arborização, tão necessária à boa higiene dos habitantes e como meio de mitigar a ação do calor abrasador, que ali reina na estação calmosa, aumentado por enorme quantidade de pó, que se levanta durante o dia, e próprio do terreno que é areiento.”


“A Vila edificada num belo e espaçoso plano, que lhe dá linda perspectiva e ministra-lhe ainda bastante espaço de terreno para alargar-se e desenvolver-se, devendo sua denominação ao morro do Pão de Açúcar, um pouco acima, a Sudoeste e à distância de um tiro de canhão: pequeno e rotundo, de forma cônica, bem merecedor do nome que lhe dão, e é conhecido também por Morro do Cavalete. Duas léguas atrás, em rumo setentrional, fica a importante e majestosa Serra do Pão de Açúcar”.


“Contém um comércio que tende a prosperar; e 3 mil habitantes, devendo ter, a Freguesia e o Município, 7 a 8 mil almas, pouco mais ou menos.”


“A freguesia tem por invocação o Sagrado Coração de Jesus.”


“Na Vila existem fábricas de vapor para descaroçar algodão e mais de 20 casas de comércio.”


“O terreno é de criação e agrícola, dando riquíssimo e abundante algodão, mas acaba de ser assolado pela seca.”


“Na Vila residem o Juiz de Direito e o promotor da Comarca, o Juiz Municipal e o Delegado do Termo, o Subdelegado, vigário, um professor e uma professora de instrução pública primária, um Inspetor Paroquial, um gerente dos correios, coletores de rendas gerais e provinciais, Câmara Municipal, etc., e dá 18 eleitores apenas. Dista 24 léguas do Penedo e 61 da Capital.”


“Toda a comitiva pernoitou em terra, sendo S. Excelência constantemente visitado em Palácio, onde a música marcial, de bordo, tocou à porta lindas peças.”


“Às 6 horas da manhã do dia 6, os vapores da navegação fluvial se encaminharam para o termo de sua viagem a Piranhas.”


Concluída a viagem a Piranhas, o Presidente e comitiva iniciaram o retorno. Assim, no mesmo dia, o relatório registra:


“Voltou o Paulo Afonso, que às 5 horas fundeava outra vez em Pão de Açúcar, onde à tarde Sua Excelência e oito pessoas da comitiva passearam a cavalo pelas ruas da Vila, várzeas e lagoas adjacentes, e foram ao morro do Cavalete, onde subiram até certa altura, conseguindo, posto que temerariamente, o Sr. Dr. Carlos de Mornay chegar ao seu cume, montado.” “Pernoitou-se ainda em terra, em Palácio, tocou-se e cantou-se bastante.”


“Na manhã do dia seguinte, às 7 horas, a comitiva e S. Excelência deram um belo passeio a pé a uma aprazível eminência de pedras, que fica atrás das ruas da Vila, donde se descortina magnífico panorama. Esse belo quadro foi tirado pela máquina fotográfica, graças à habilidade e trabalhos do Sr. Abílio Coutinho.”


“Às 9 horas, despedia-se de nós a importante Vila e o generoso povo de Pão de Açúcar.”

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AS PRIMEIRAS IMAGENS DE PÃO DE AÇÚCAR E LIMOEIRO


Dessa importante passagem do Presidente da Província, ficaram-nos como herança os primeiros registros fotográficos de nossa terra.


FOTO DA COMITIVA


O Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior (Presidente da Província, no alto, de cartola preta); Sr. Manoel Rodrigues dos Santos Moura (comandante do vapor “Jaguaribe”, da Cia. Pernambucana); Sr. Ildefonso Cantidiano da Silva (Oficial de Gabinete); Sr. Francisco Ferreira Borges (gerente da Companhia Pernambucana); Dr. João Batista Pinheiro Côrte Real (Juiz Municipal de Penedo); Sr. João de Souza Reis (comandante do vapor Paulo Afonso); Srª Angélica Arnoud Coutinho (esposa do fotógrafo Abílio Coutinho); Alferes José de Mello Passos (Ajudante de Ordens de Pessoa); Dr. Manoel Joaquim dos Santos Patury (Promotor Público de Mata Grande); Dr. José da Costa Carvalho Guimarães Junior; Dr. Manoel Sobral Pinto; Srª Luiza Mendonça (esposa do Major Luiz José de Mendonça); Carlos de Mornay (engenheiro da Província); Major João Machado de Novaes Mello (futuro Barão de Piaçabuçu, de cartola branca); Major Cunha Figueiredo; Dr. José Antônio de Magalhães Basto; Dr. Jorge Dornellas Ribeiro Pessoa[ii]; Major Luiz José de Mendonça; Cap. Bezerra Góis de Sant’Ana; Alferes Manoel Gonzaga; Tenente João Alberto Ribeiro e o Dr. Olympio Eusébio de Arroxellas Galvão.

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Pão de Açúcar, Rua da Praia, 1869. Foto: Abílio Coutinho


FOTO DA RUA DA FRENTE


Principal porta de entrada da Vila, esta fotografia mostra a região do porto, com pessoas e algumas canoas ancoradas com seus panos enluvados. Uma delas, claramente, é uma canoa de tolda, munida de um par de velas latinas unidas por um único mastro e postado diante da tolda, popularmente chamado de pano-de-asa.


Em primeiro plano, vemos uma caverna, peça de madeira arqueada com que se armavam as canoas em sua construção.


À direita, entre o casario simples, destacam-se dois sobrados: o primeiro, velho conhecido nosso, hospedou D. Pedro II, em 1859, e está atualmente em reforma. O segundo foi demolido pelos seus proprietários, herdeiros do Dr. Erasmo Rodrigues Lima.

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Pão de Açúcar, Rua do Meio, 1869. Foto: Abílio Coutinho


FOTO DA RUA DO MEIO, ATUAL AV. BRÁULIO CAVALCANTE


Aqui temos a região central da cidade: a Rua do Meio, depois chamada Av. Rio Branco e, por fim, Avenida Bráulio Cavalcante.


Tomada, provavelmente, das imediações da Prefeitura, a fotografia mostra o trato de terra — esse combro imenso —, tendo como limite ao fundo o Morro do Cavalete e o serrote que se estende para a direita.


Ao centro, em meio a um princípio de arborização, notam-se buracos no meio da rua, por certo decorrentes da retirada de material para construção.


À esquerda, veem-se habitações humildes e animais que se abrigam à sombra das árvores.


À direita, vemos um sobrado que não mais existe e, logo a seguir, a esquina com a então Rua Pedro Paulino, atualmente chamada Coronel Manoel Antônio Machado. Mais adiante, podemos identificar a velha igreja matriz, em plano diferente do que vimos na foto anterior, prolongando-se o arruamento até o ponto onde, em 1877, se iniciaria a construção da Cadeia Pública."

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Rua Augusta, atual Pe. José Soares Pinto, 1860. Foto: Abílio Coutinho


FOTO DA RUA AUGUSTA, ATUAL PE. JOSÉ SOARES PINTO


Temos aqui uma vista da Rua Augusta, já há muito tempo, denominada Padre José Soares Pinto. Bastante larga, ela vai se estreitando na saída para a então Rua do Meio (atual Avenida Bráulio Cavalcante). Atualmente, essa largura é disfarçada pelas calçadas que se projetam para muito além do alinhamento das casas.


A rua larga e espaçosa dava lugar a um início de arborização. Ao fundo, à esquerda, vemos a igreja matriz em sua forma original, sem torres, depois reformada segundo o projeto de Frei Cassiano de Comachio, cuja obra foi concluída em 1877. Ainda à esquerda, pessoas sentadas no batente das portas ou em cadeiras, abrigadas à sombra formada pela manhã ensolarada, parecendo conversar tranquilamente, em meio a animais soltos na rua.


À direita, casas de duas águas, cobertas com telha canal, com cumeeira e pé-direito altos; o detalhe das fachadas das casas demonstra a moda de portas partidas ao meio, abrindo-se apenas a parte de cima e mantendo fechada a parte de baixo. Entre uma casa e outra, uma peça que parece um pilão. Vê-se ainda uma das residências em construção no formato de sobrado.

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Pão de Açúcar, "Cavalete", 1860. Foto: Abílio Coutinho

FOTO DO CAVALETE

O álbum que compõe o relatório da viagem do Dr. José Bento anota esta foto como sendo do “Cavalete”, sem, no entanto, mostrar o morro de mesmo nome. Presume-se que seja a “Rua da Senzala”, também referida no documento da viagem, composta de moradias de escravizados.

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Pão de Açúcar, povoação do Limoeiro, 1869. Foto: Abílio Coutinho


FOTO DO LIMOEIRO


Essa foto, certamente tomada das proximidades da barra da lagoa da igreja, mostra um Limoeiro em formação. Tomando-se como base a igreja, que não era senão uma pequena capela, cuja construção data de 1787, a povoação teria aproximadamente oitenta anos. Vê-se apenas duas ruas: a atual Mário Vieira, que sobe do porto de baixo para a igreja; e a Bráulio Cavalcante (rua de Baixo), que só tinha um lado. Não havia nenhuma das casas das que hoje fazem fundo para o rio. Em primeiro plano, temos a cerca de pau-a-pique, a porteira e uma árvore, que bem pode ser a velha marizeira que ainda existia até meados da década de 1980, e que servia de abrigo a canoas em construção ou conserto. Por detrás dela, vemos o casarão que pertenceu ao meu avô João Amorim, onde atualmente há um Clube.

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Pão de Açúcar, assim como outras localidades alagoanas da região do Baixo São Francisco, devem a Abílio Coutinho a possibilidade de terem imagens de sua formação e do seu desenvolvimento, 148 anos atrás.


Mas, afinal, quem é Abílio Coutinho?


Abílio de Souza Coutinho era português. Jornais do Rio de Janeiro, noticiando o movimento do porto, registram a sua chegada no patacho português Maria, no dia 11 de janeiro de 1856, vindo de Loanda.  Essa seria, provavelmente, a data de sua chegada ao Brasil.


No dia 2 de janeiro de 1859, casa-se com Angélica Arnaud. A cerimônia foi realizada na Capela Imperial, tendo como padrinhos Leopoldina Frolik e Guilherme Froik, por parte da noiva; e o Sr. João Valentim, do noivo.


De origem italiana, procedente de Nápoles, dona Angélica era Irmã do maestro Genaro Arnaud e de Carlo Arnaud, Giácomo Arnaud, Achilles Arnaud, Carmella Arnaud Tostivin e Michele Arnaud, este falecido em 20 de abril de 1860 no Rio de Janeiro.


Em 1865, já tinham dois filhos: Achilles Arnaud Coutinho e Guilherme Arnaud Coutinho.


Dona Angélica (Maria Angelica Concetta Arnaud), uma das duas mulheres que aparecem na foto de Pão de Açúcar, nasceu no bairro San Ferdinando, Nápoli, Itália, a 16 de janeiro de 1837. Residindo na Rua Ferreira Viana, 119, no Rio de Janeiro, faleceu no dia 26 de dezembro de 1885 e foi sepultado no Cemitério São João Batista.


Em 1861 e 1862, o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro registra Abílio Coutinho como “negociante”. Em outras fontes, aparece como empreiteiro de obras públicas, inclusive em Alagoas, durante a presidência do Dr. José Bento.[iii]

 

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NOTA:


Caro leitor,


Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Formado em Direito pela Faculdade do Recife. Filho de José Bento da Cunha Figueiredo (Visconde de Bom Conselho) e de Rosa Valeriana Duarte, nasceu em Pernambuco em 29 de novembro de 1839. Faleceu em Lorena, São Paulo, a 3 de agosto de 1885.

[ii] Filho de Jacinto Dornellas Pessoa e Brígida Maria Dornellas Pessoa, nasceu em Olinda em 23 de abril de 1934 e faleceu no Rio de Janeiro em 26 de dezembro de 1890. Formado em Direito pela Faculdade do Recife.

[iii] Fontes:   Jornal do Comércio, RJ, 12 de março de 1856, p. 3; Correio Mercantil, RJ, 12 de março de 1856.

2 comentários:

  1. No decorrer dos fatos narrados, temos a oportunidade de saborear uma bela descrição da então Vila de Pão de Açúcar. Fatos pitorescos, com figuras ilustres em nível nacional, reforçam a importante localização desse nosso rincão. Excelente artigo

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  2. Muito interessante esse artigo. Muita história e essas fotos nos leva a imaginar como era Pão de Açúcar.Ótimo trabalho!!!

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

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Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


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PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia