Por Etevaldo Amorim
![]() |
| O Presidente José Bento da Cunha Figueiredo Junior e sua comitiva em Pão de Açúcar |
Iniciava-se o ano de 1869. O Brasil, compondo a Tríplice
Aliança, achava-se envolvido no maior conflito armado do continente
sul-americano: a Guerra do Paraguai. Tamandaré e Barroso, que tinham estado em
Pão de Açúcar acompanhando Dom Pedro II, se tornariam figuras de destaque das
nossas Forças Armadas.
No dia 5 de janeiro, dois dias depois de as tropas
brasileiras tomarem a capital paraguaia, prenunciando o fim da guerra, chegava
à então Vila do Pão de Açúcar o Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior[i]
acompanhado de numerosa comitiva. Durante o seu governo, foram enviados aos
campos de batalha 277 homens, sendo 232 recrutas para o Exército, 28 recrutas
para a Armada (Marinha) e 17 menores como aprendizes.
Tendo sido nomeado por Carta Imperial de 22 de agosto de 1868
e tomado posse em 2 de outubro do mesmo ano, este pernambucano logo daria
mostras da profícua administração que faria, levando a cabo importantes obras,
sobretudo na capital da Província, apesar do curto espaço de tempo, pois
deixaria o governo em 28 de agosto de 1871, mesmo que para tanto onerasse os
cofres provinciais, comprometendo futuras administrações.
Do Relatório dessa viagem ao baixo São Francisco, pudemos
colher significativas informações sobre a promissora “Vila do Pão d’Açúcar”,
pernoite obrigatório para tantos quantos se aventuravam pelos sertões
sanfranciscanos.
A bordo do vapor Jaguaribe, pertencente à Companhia
Pernambucana e sob o comando de Manoel Rodrigues dos Santos Moura, o Presidente
se fez acompanhar de numerosa comitiva, com a qual se deixou fotografar por
Abílio Coutinho, um dos pioneiros da fotografia no Brasil, diante de uma das
pedras que compõem o hoje denominado “Parque da Paciência”.
No vapor Jequiá, da mesma Companhia, viajava o seu gerente,
Sr. Francisco Ferreira Borges.
De Penedo em diante, o Presidente e comitiva passaram a
utilizar os vapores da Companhia Baiana, cedidos pelo gerente, Sr. Luiz Campos.
Aliás, as duas empresas disputavam o privilégio de explorar a navegação no rio
São Francisco, sendo que a Baiana já gozava de subvenção dos governos de
Alagoas e Sergipe.
Assim, no dia 5 de janeiro, já a bordo do vapor Paulo Afonso,
comandado pelo Sr. João de Souza Reis, o Presidente José Bento e sua comitiva
alcançavam as terras do sertão. Do seu Relatório, escrito por Olympio Eusébio
de Arroxelas Galvão e José Antônio de Magalhães Basto, retiramos o seguinte
relato:
“Antes de chegar-se a Pão de Açúcar, deixamos à direita o
Araticum e a ilha de São Pedro, residência do virtuoso Frei Doroteu; a Tapera e
o Saco Grande; e, à esquerda, a povoação de Lagoa Funda, com uma pequena
capelinha, contendo 80 casas de telha, e é distrito de uma subdelegacia,
pertencente ao Termo de Traipu e tem uma aula de instrução pública primária
para o sexo masculino, dista 6 léguas daquela Vila e 4 abaixo do Pão de Açúcar.”
“Um pouco mais acima deste povoado confina a Comarca de
Penedo com a de Mata Grande, pelo rio; adiante a povoação do Limoeiro, com uma
capela de excelente construção e alegante, dedicada a Jesus, Maria e José, 2
ruas com mais de 60 casas, pertencente já ao Termo de Pão de Açúcar, de que
dista 3 léguas; mais além, povoado Jacarezinho, Santiago, riacho e morro do
Faria.”
Precisamente às 15:25 h, fundeava o vapor Paulo Afonso e,
logo em seguida, o Jequitaia, onde foram recebidos por grande número de
pessoas. Foguetes no ar, bandeiras em terra e tiros de bateria saudaram os
ilustres visitantes.
E prossegue a narrativa:
“Sua Excelência foi logo convidada com sua comitiva para
jantar em terra. A bordo, foi cumprimentado pelo Estado Maior da Guarda
Nacional. Ao saltar em terra, toda a oficialidade uniformizada, a Câmara
Municipal em corporação, revestida em suas insígnias, empregados públicos,
delegado, subdelegado, muitos outros cavalheiros e particulares acompanhavam a
S. Exª até o sobrado da residência do Ilustríssimo Senhor Dr. Juiz de Direito
Paes Barreto (ausente), ricamente preparado para esse fim.”
“O presidente da Câmara Municipal dirigira uma breve alocução
oral, a que S. Excelência respondeu logo agradecendo.”
“O jantar foi profuso e variadíssimo. Nessa recepção,
distinguiram-se entre outros os senhores Major Cunha Figueiredo, Major Machado
Novaes, Mariano Cavalcante, etc.”
“À tardinha, S. Excelência visitava a Matriz, único templo e
não acabado dessa importante e florescente Vila, o cemitério, etc.”
“Tem mais de trezentas casas de telha, em geral bem
construídas e altas. As ruas paralelas com o rio, exceto uma, para a frente da
qual olha a principal, que é bastante extensa: são as da Matriz, Flores,
Aurora, Feira Velha e Senzala.”
“A da Matriz é notável por ser reta, longa e muito larga,
devendo-se a alguns particulares um ensaio de arborização, tão necessária à boa
higiene dos habitantes e como meio de mitigar a ação do calor abrasador, que
ali reina na estação calmosa, aumentado por enorme quantidade de pó, que se
levanta durante o dia, e próprio do terreno que é areiento.”
“A Vila edificada num belo e espaçoso plano, que lhe dá linda
perspectiva e ministra-lhe ainda bastante espaço de terreno para alargar-se e
desenvolver-se, devendo sua denominação ao morro do Pão de Açúcar, um pouco
acima, a Sudoeste e à distância de um tiro de canhão: pequeno e rotundo, de
forma cônica, bem merecedor do nome que lhe dão, e é conhecido também por Morro
do Cavalete. Duas léguas atrás, em rumo setentrional, fica a importante e
majestosa Serra do Pão de Açúcar”.
“Contém um comércio que tende a prosperar; e 3 mil
habitantes, devendo ter, a Freguesia e o Município, 7 a 8 mil almas, pouco mais
ou menos.”
“A freguesia tem por invocação o Sagrado Coração de Jesus.”
“Na Vila existem fábricas de vapor para descaroçar algodão e
mais de 20 casas de comércio.”
“O terreno é de criação e agrícola, dando riquíssimo e
abundante algodão, mas acaba de ser assolado pela seca.”
“Na Vila residem o Juiz de Direito e o promotor da Comarca, o
Juiz Municipal e o Delegado do Termo, o Subdelegado, vigário, um professor e
uma professora de instrução pública primária, um Inspetor Paroquial, um gerente
dos correios, coletores de rendas gerais e provinciais, Câmara Municipal, etc.,
e dá 18 eleitores apenas. Dista 24 léguas do Penedo e 61 da Capital.”
“Toda a comitiva pernoitou em terra, sendo S. Excelência
constantemente visitado em Palácio, onde a música marcial, de bordo, tocou à
porta lindas peças.”
“Às 6 horas da manhã do dia 6, os vapores da navegação
fluvial se encaminharam para o termo de sua viagem a Piranhas.”
Concluída a viagem a Piranhas, o Presidente e comitiva
iniciaram o retorno. Assim, no mesmo dia, o relatório registra:
“Voltou o Paulo Afonso, que às 5 horas fundeava outra vez em
Pão de Açúcar, onde à tarde Sua Excelência e oito pessoas da comitiva passearam
a cavalo pelas ruas da Vila, várzeas e lagoas adjacentes, e foram ao morro do
Cavalete, onde subiram até certa altura, conseguindo, posto que temerariamente,
o Sr. Dr. Carlos de Mornay chegar ao seu cume, montado.” “Pernoitou-se ainda em
terra, em Palácio, tocou-se e cantou-se bastante.”
“Na manhã do dia seguinte, às 7 horas, a comitiva e S.
Excelência deram um belo passeio a pé a uma aprazível eminência de pedras, que
fica atrás das ruas da Vila, donde se descortina magnífico panorama. Esse belo
quadro foi tirado pela máquina fotográfica, graças à habilidade e trabalhos do
Sr. Abílio Coutinho.”
“Às 9 horas, despedia-se de nós a importante Vila e o
generoso povo de Pão de Açúcar.”
____
AS PRIMEIRAS IMAGENS DE PÃO DE AÇÚCAR E LIMOEIRO
Dessa importante passagem do Presidente da Província, ficaram-nos como herança os primeiros registros fotográficos de nossa terra.
FOTO DA COMITIVA
O Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Junior (Presidente da
Província, no alto, de cartola preta); Sr. Manoel Rodrigues dos Santos Moura
(comandante do vapor “Jaguaribe”, da Cia. Pernambucana); Sr. Ildefonso
Cantidiano da Silva (Oficial de Gabinete); Sr. Francisco Ferreira Borges (gerente
da Companhia Pernambucana); Dr. João Batista Pinheiro Côrte Real (Juiz
Municipal de Penedo); Sr. João de Souza Reis (comandante do vapor Paulo
Afonso); Srª Angélica Arnoud Coutinho (esposa do fotógrafo Abílio Coutinho);
Alferes José de Mello Passos (Ajudante de Ordens de Pessoa); Dr. Manoel Joaquim
dos Santos Patury (Promotor Público de Mata Grande); Dr. José da Costa Carvalho
Guimarães Junior; Dr. Manoel Sobral Pinto; Srª Luiza Mendonça (esposa do Major
Luiz José de Mendonça); Carlos de Mornay (engenheiro da Província); Major João
Machado de Novaes Mello (futuro Barão de Piaçabuçu, de cartola branca); Major
Cunha Figueiredo; Dr. José Antônio de Magalhães Basto; Dr. Jorge Dornellas Ribeiro Pessoa[ii];
Major Luiz José de Mendonça; Cap. Bezerra Góis de Sant’Ana; Alferes Manoel
Gonzaga; Tenente João Alberto Ribeiro e o Dr. Olympio Eusébio de Arroxellas
Galvão.
___

Pão de Açúcar, Rua da Praia, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA DA FRENTE
Principal porta de entrada da Vila, esta fotografia mostra a
região do porto, com pessoas e algumas canoas ancoradas com seus panos
enluvados. Uma delas, claramente, é uma canoa de tolda, munida de um par de
velas latinas unidas por um único mastro e postado diante da tolda,
popularmente chamado de pano-de-asa.
Em primeiro plano, vemos uma caverna, peça de madeira
arqueada com que se armavam as canoas em sua construção.
À direita, entre o casario simples, destacam-se dois
sobrados: o primeiro, velho conhecido nosso, hospedou D. Pedro II, em 1859, e
está atualmente em reforma. O segundo foi demolido pelos seus proprietários,
herdeiros do Dr. Erasmo Rodrigues Lima.
___

Pão de Açúcar, Rua do Meio, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA DO MEIO, ATUAL AV. BRÁULIO CAVALCANTE
Aqui temos a região central da cidade: a Rua do Meio, depois
chamada Av. Rio Branco e, por fim, Avenida Bráulio Cavalcante.
Tomada, provavelmente, das imediações da Prefeitura, a
fotografia mostra o trato de terra — esse combro imenso —, tendo como limite ao
fundo o Morro do Cavalete e o serrote que se estende para a direita.
Ao centro, em meio a um princípio de arborização, notam-se
buracos no meio da rua, por certo decorrentes da retirada de material para
construção.
À esquerda, veem-se habitações humildes e animais que se
abrigam à sombra das árvores.
À direita, vemos um sobrado que não mais existe e, logo a
seguir, a esquina com a então Rua Pedro Paulino, atualmente chamada Coronel
Manoel Antônio Machado. Mais adiante, podemos identificar a velha igreja
matriz, em plano diferente do que vimos na foto anterior, prolongando-se o
arruamento até o ponto onde, em 1877, se iniciaria a construção da Cadeia
Pública."

Rua Augusta, atual Pe. José Soares Pinto, 1860. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DA RUA AUGUSTA, ATUAL PE. JOSÉ SOARES PINTO
Temos aqui uma vista da Rua Augusta, já há muito tempo,
denominada Padre José Soares Pinto. Bastante larga, ela vai se estreitando na
saída para a então Rua do Meio (atual Avenida Bráulio Cavalcante). Atualmente,
essa largura é disfarçada pelas calçadas que se projetam para muito além do
alinhamento das casas.
A rua larga e espaçosa dava lugar a um início de arborização.
Ao fundo, à esquerda, vemos a igreja matriz em sua forma original, sem torres,
depois reformada segundo o projeto de Frei Cassiano de Comachio, cuja obra foi concluída
em 1877. Ainda à esquerda, pessoas sentadas no batente das portas ou em
cadeiras, abrigadas à sombra formada pela manhã ensolarada, parecendo conversar
tranquilamente, em meio a animais soltos na rua.
À direita, casas de duas águas, cobertas com telha canal, com
cumeeira e pé-direito altos; o detalhe das fachadas das casas demonstra a moda
de portas partidas ao meio, abrindo-se apenas a parte de cima e mantendo
fechada a parte de baixo. Entre uma casa e outra, uma peça que parece um pilão.
Vê-se ainda uma das residências em construção no formato de sobrado.
___

Pão de Açúcar, "Cavalete", 1860. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DO CAVALETE
O álbum que compõe o relatório da viagem do Dr. José Bento
anota esta foto como sendo do “Cavalete”, sem, no entanto, mostrar o morro de
mesmo nome. Presume-se que seja a “Rua da Senzala”, também referida no
documento da viagem, composta de moradias de escravizados.
____

Pão de Açúcar, povoação do Limoeiro, 1869. Foto: Abílio Coutinho
FOTO DO LIMOEIRO
Essa foto, certamente tomada das proximidades da barra da
lagoa da igreja, mostra um Limoeiro em formação. Tomando-se como base a igreja,
que não era senão uma pequena capela, cuja construção data de 1787, a povoação
teria aproximadamente oitenta anos. Vê-se apenas duas ruas: a atual Mário
Vieira, que sobe do porto de baixo para a igreja; e a Bráulio Cavalcante (rua
de Baixo), que só tinha um lado. Não havia nenhuma das casas das que hoje fazem
fundo para o rio. Em primeiro plano, temos a cerca de pau-a-pique, a porteira e
uma árvore, que bem pode ser a velha marizeira que ainda existia até meados da
década de 1980, e que servia de abrigo a canoas em construção ou conserto. Por
detrás dela, vemos o casarão que pertenceu ao meu avô João Amorim, onde
atualmente há um Clube.
____
Pão
de Açúcar, assim como outras localidades alagoanas da região do Baixo São
Francisco, devem a Abílio Coutinho a possibilidade de terem imagens de sua
formação e do seu desenvolvimento, 148 anos atrás.
Mas,
afinal, quem é Abílio Coutinho?
Abílio
de Souza Coutinho era português. Jornais do Rio de Janeiro, noticiando o
movimento do porto, registram a sua chegada no patacho português Maria, no dia
11 de janeiro de 1856, vindo de Loanda.
Essa seria, provavelmente, a data de sua chegada ao Brasil.
No
dia 2 de janeiro de 1859, casa-se com Angélica Arnaud. A cerimônia foi
realizada na Capela Imperial, tendo como padrinhos Leopoldina Frolik e
Guilherme Froik, por parte da noiva; e o Sr. João Valentim, do noivo.
De
origem italiana, procedente de Nápoles, dona Angélica era Irmã do maestro
Genaro Arnaud e de Carlo Arnaud, Giácomo Arnaud, Achilles Arnaud, Carmella
Arnaud Tostivin e Michele Arnaud, este falecido em 20 de abril de 1860 no Rio
de Janeiro.
Em
1865, já tinham dois filhos: Achilles Arnaud Coutinho e Guilherme Arnaud
Coutinho.
Dona
Angélica (Maria Angelica Concetta Arnaud), uma das duas mulheres que aparecem
na foto de Pão de Açúcar, nasceu no bairro San Ferdinando, Nápoli, Itália, a 16
de janeiro de 1837. Residindo na Rua Ferreira Viana, 119, no Rio de Janeiro,
faleceu no dia 26 de dezembro de 1885 e foi sepultado no Cemitério São João
Batista.
Em
1861 e 1862, o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro
registra Abílio Coutinho como “negociante”. Em outras fontes, aparece como
empreiteiro de obras públicas, inclusive em Alagoas, durante a presidência do
Dr. José Bento.[iii]
*** ***
***
NOTA:
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”,
constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens
são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da
competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso
sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso
tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de
autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.
[i]
Formado em Direito pela Faculdade do Recife. Filho de José Bento da Cunha
Figueiredo (Visconde de Bom Conselho) e de Rosa Valeriana Duarte, nasceu em
Pernambuco em 29 de novembro de 1839. Faleceu em Lorena, São Paulo, a 3 de
agosto de 1885.
[ii]
Filho de Jacinto Dornellas Pessoa e Brígida Maria Dornellas Pessoa, nasceu em
Olinda em 23 de abril de 1934 e faleceu no Rio de Janeiro em 26 de dezembro de
1890. Formado em Direito pela Faculdade do Recife.
[iii]
Fontes: Jornal do Comércio, RJ, 12 de
março de 1856, p. 3; Correio Mercantil, RJ, 12 de março de 1856.

No decorrer dos fatos narrados, temos a oportunidade de saborear uma bela descrição da então Vila de Pão de Açúcar. Fatos pitorescos, com figuras ilustres em nível nacional, reforçam a importante localização desse nosso rincão. Excelente artigo
ResponderExcluirMuito interessante esse artigo. Muita história e essas fotos nos leva a imaginar como era Pão de Açúcar.Ótimo trabalho!!!
ResponderExcluir