quarta-feira, outubro 7

PROTESTANTISMO EM PÃO DE AÇÚCAR - AS ORIGENS

Por Etevaldo Amorim

O vapor Maceió, da Companhia Pernambucana, cumprindo a viagem regular de todas as semanas, aporta em Pão de Açúcar no dia 19 de julho de 1887 trazendo entre os passageiros o Reverendo John Rockwell Smith com sua esposa e filhos, entre eles o pequeno James, de 5 anos. Desembarca na jovem cidade do sertão sanfranciscano com a mesma disposição com que desembarcara no Recife catorze anos antes.
O tempo decorrido no percurso entre o porto e a cidade, caminhando sobre o extenso areal, teria sido suficiente para relembrar o seu desembarque do paquete a vapor Ontário, em 15 de janeiro de 1873, depois de uma viagem de trinta e três dias. O jovem missionário de 27 anos, nascido em Lexington, Kentucky, EUA, a 29 de dezembro de 1846, fora graduado pelo Union Theological Seminary, na Virginia, dois anos antes.  Ainda a bordo, fez pregação para a tripulação e passageiros, inclusive para um grupo de náufragos do "EIRE" (navio irmão do "ONTARIO"), que naufragara a 60 milhas da costa na madrugada do dia 2 de janeiro de 1873.
Na Capital pernambucana, residindo num sobrado de número 31 da Rua do Imperador (hoje 15 de novembro), enfrentou muitas dificuldades, inclusive com a novo idioma, mas foi aos poucos lançando a semente da Igreja Evangélica no Nordeste. Sua atuação obteve credibilidade, a ponto de conseguir o reconhecimento das autoridades do Governo de Pernambuco, conforme se lê nessa edição de A Província, Recife, 11 de abril de 1878, p. 4:

“EDITAL

4ª Secção – Secretaria da Presidência de Pernambuco, 6 de abril de 1878.
Por esta Secretaria, se faz público, de conformidade com o Aviso do Ministério dos Negócios do Império, de 10 de fevereiro de 1864, que, nos termos dos Artigos 52 e 58 do Decreto nº 3.068, de 17 de abril e Aviso Circular nº 483, de 10 de outubro de 1863, foi registrado hoje nesta Repartição o título de Ministro da Religião Evangélica, conferido ao Reverendo John Rockwell Smith.
O Secretário Interino
Francisco Amynthas de Carvalho Moura”

Agora estava ele naquela pequena cidade do Sertão de Alagoas, e já no dia 18 de agosto procederam à organização da Igreja. Nesse dia o Rev. Smith pregou sobre Mateus, Capítulo 28, Versículo 18:

“18. E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: ‘Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra’.
19. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20. Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. ”

Amparado nessas palavras, o Rev. José Francisco Primênio da Silva[i], que compunha a comitiva evangelizadora, batizou 16 adultos e 13 menores. Logo mais, à noite, o Dr. Smith batizou mais três adultos e mais três menores na noite seguinte. A organização da Igreja em Pão de Açúcar foi noticiada pelo jornal A Imprensa Evangélica – São Paulo, edição de 22 de outubro de 1887:
“Nova igreja. Na cidade de Pão de Assúcar, Província das Alagoas, acaba de ser inaugurada, pelos rvds. Smith e José Primênio, uma igreja evangélica com 35 membros, sendo 18 adultos e 17 menores. ”

Entretanto, a palavra dos protestantes não era de todo desconhecida dos pão-de-açucarenses. O Jornal do Penedo, em sua edição de 18 de outubro de 1878, p. 4, já advertia os católicos da Região sobre o “perigo” protestante:
           
“AVISO AOS CATÓLICOS. Consta-nos, com toda a certeza, que a Bíblia anunciada à venda nesta cidade é protestante, cuja herética seita, inimiga acérrima do catolicismo, não cessa de esforçar-se para perturbar-nos na pacífica posse da verdadeira Religião; vimos avisar aos Católicos que se previnam contra os esforços dessa malévola propaganda, não lendo nem comprando os seus livros heréticos que não podem ser incorridos sem incorrer na grave censura de excomunhão maior. Penedo, 10 de setembro de 1878. Um católico. ”
           
Em 14 de junho de 1879, o mesmo jornal penedense estampava em primeira página:

“PREVINAM-SE OS PROPRIAENSES. Soubemos, por intermédio de pessoa fidedigna, que um emissário protestante, munido de seus raquíticos folhetos e bíblias truncadas, partiu ultimamente desta cidade para a de Propriá, a fim de fazer ali propaganda. Os habitantes daquela leal cidade previnam-se com tempo e entreguem ao devido desprezo o lobo vestido em peles de cordeiro. ”

Em 25 de julho do mesmo ano, a imprensa regional dava grande repercussão à presença de pregadores evangélicos, como nessa nota do Jornal do Penedo, edição de 25 de julho de 1879, p. 2, citando O Paulo Affonso, publicado em Pão de Açúcar:

“PROTESTANTISMO. Sob esta epígrafe, noticiou O Paulo Affonso (um dos órgãos da imprensa moralizada do País), haver aportado à Pão de Açúcar um hóspede perigoso, enviado pela SEITA protestântica, curvado ao peso de suas Bíblias falsificadas, que embalde procurou ali impingir como ortodoxas. E acrescenta a mesma Gazeta que o povo pão-de-açucarense, fino como lagoya, não se deixou facilmente pregar o mono por aquele audaz emissário, repelindo suas artimanhas com a devida energia, segundo lhes ditava a própria consciência de verdadeiros crentes.
Saudando, pois, cordial e sinceramente aos nobres católicos daquela ilustre cidade, e em modo especial ao seu digníssimo Pároco, que tão bem se houve nesta conjuntura, ajuntaremos o que mais de uma vez temos repetido: Triste e inglória é a missão do lobo vestido em peles de cordeiro! ”

Assim também o jornal pão-de-açucarense O PAULO AFFONSO, em sua edição de 6 de julho de 1879, p. 4 anunciava:

“PROTESTANTISMO. Ultimamente esteve nesta cidade um enviado da seita protestante procurando vender bíblias falsas e distribuindo “memorandos” que negam os dogmas mais santos da nossa religião. Felizmente, esse correio do erro, percorrendo duas vezes as ruas, voltou para casa por não ter encontrado quem o assistisse.
É digno de louvor a atitude dos católicos desta cidade, repelindo, como repelirão as artimanhas daquele discípulo de Luthero.
O nosso Pároco, por sua vez, na ocasião da missa conventual, avisou aos seus paroquianos para que se prevenisse e não fizessem compras das ditas Bíblias, em vista do anátema que pesa sobre a pessoa que a lê. ”

O Jornal do Penedo, edição de 21 de maio de 1880, diz que os protestantes eram Martiniano e Jerônymo. Este último, hospedado em casa do Tenente José Rodrigues da Cruz, promovia cultos evangélicos aos domingos.              O pároco concitou os fiéis católicos a que “fugissem do Jerônymo e não quisessem saber de seus livros malditos”. E relata o correspondente, de nome Fontenelle:

“Porém esses, de que já falamos, com outros, entenderam que essas falsas noções daquele enviado deviam destruir a fé que pelos nossos antepassados nos foi legada; e dessa maneira, fazendo eles uma guerra acérrima, deram lugar a que uma certa parte da população tenham encarregado-se em número de duzentas e às vezes de mais de trezentas pessoas, nos dias de culto, a toque de zabumba e pífanos, de embaraçá-los em suas infernais orações. Ainda no domingo último, o povo que tinha à frente aquela música campestre, cheio de prazer ou delírio, ao troar de numerosos foguetes e dando vivas a nossa Santa Religião, saiu pelas ruas à procura dos Luteranos, a fim de embaraçarem a celebração do culto e tomarem seus livros para exterminá-los. Finalmente encontraram os tais pregadores em casa do Sr. Vicente Patrício de onde esses puderam evadir-se para a casa do Sr. Cel. João Machado; e graças à prudência de diversas pessoas gradas desta cidade, deixou aquela noite de haver um sério conflito. ”

O Jerônymo seria, por certo, Jerônymo Lucas Acácio de Oliveira, que militou na região do São Francisco; e o coronel João Machado era João Machado de Novaes Mello, o Barão de Piaçabuçu.
Já em janeiro de 1884, aconteciam cultos evangélicos, os únicos em Alagoas, inclusive com depósitos de Escrituras Sagradas, conforme anúncios estampados no jornal “Imprensa Evangélica”, órgão oficial da Igreja Presbiteriana, editado em São Paulo, com publicação no primeiro e no terceiro sábado de cada mês. Notícias de jornal, com esta do Gutenberg, de 5 de outubro de 1887, p. 3, dão conta de que, já àquela época, havia cultos evangélicos em Maceió, na Rua São José nº 2; em Quebrangulo e em Pão de Açúcar, “nos Meirus – Sítio Amorim”.  Também havia cultos na Igreja Presbiteriana, Rua da Água Negra, na Levada. Em 1905, na Rua do Bom Conselho, 58, também na Levada. Depois, já em 1909, situava-se na Rua Barão de Maceió, 101.
A reação às novas doutrinas se espalharam pelo país. No jornal O Apóstolo, folha católica publicada no Rio de Janeiro, edição de 2 de outubro de 1887, reproduz notícia de O Trabalho, publicado em Pão de Açúcar, nos seguintes termos:

“PROTESTANTISMO. Na cidade de Pão de Açúcar (Alagoas), acha-se um ministro protestante tão perverso quanto ignorante. Abusando da boa fé do povo, perturbando as consciências e pregando as mais perigosas doutrinas, tem arrebanhado alguns tolos que, acreditando nas palavras do filho de Luthero, têm sido rebatizados por aquele lobo voraz. E continua: Esse procedimento é a última palavra da abjuração daqueles que haviam recebido, desde o berço, o cunho da fé segundo as doutrinas da nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Abjuraram o batismo da igreja de seus pais. Sua alma, sua palma. ”

Segundo Vicente Themudo Lessa[ii], durante a permanência dos missionários em Pão de Açúcar, a intolerância se fez sentir na pitoresca cidade do S. Francisco. Relata ele, nos Anais da 1ª Igreja Presbiteriana de São Paulo:

“Contava-me D. Carolina Smith que, à noite, se via obrigada a proteger com toldos e coberturas o leito dos seus meninos para resguardá-los das pedras que varavam o telhado. ”

Ficaram hospedados na própria Casa de Orações, na Rua da Praia 54, hoje Av. Ferreira de Novaes.  A Madame Susan Carolina Porter Smith, para não ver o esposo ser hostilizado na rua, sempre o acompanhava, atitude esta que inibia a ação de intolerantes.

Ainda segundo Vicente Themudo Lessa:

"Possuía o Dr. Smith vasta cultura teológica. seus conhecimentos se fortaleciam na sua rica biblioteca, acrescida constantemente. No púlpito, instruía os fiéis em sermões profundamente doutrinários. O pecado e suas consequências era um dos seus temas prediletos. Calvinista rígido. Figura empolgante.Olhos de foto como os do reformador... Pregava longos sermões, de cinquenta minutos pelo menos".

A atuação da Igreja Presbiteriana[iii] em Pão de Açúcar teve prosseguimento com a chegada do Reverendo Juventino Marinho da Silva, em dezembro de 1891. Partindo do Recife “com o fim de tomar conta da igreja ali, na qualidade de evangelista, conforme resolveu o presbitério de Pernambuco, ali permaneceu até o início de 1894[iv]. O jornal Imprensa Evangélica, reproduzindo notícia de O Trabalho, de Pão de Açúcar, da conta da chegada do novo pastor, que substituiria Francisco Philadelpho Pontes.
No dia 15 de outubro de 1899, conforme notícia do jornal O Puritano, editado no Rio de Janeiro em 9 de janeiro de 1902, foi fundada uma Sociedade Auxiliadora das Senhoras da Igreja Presbiteriana de Pão de Açúcar. Por convocação do Reverendo Lourenço de Barros[v] e dos irmãos Major Emílio de Moraes e José Corrêa de Albuquerque, reuniram-se trinta e duas senhoras, que elegeram a seguinte Diretoria: Presidente: Aurora de Souza Albuquerque; Vice-Presidente: Carolina Damasceno Ribeiro; 1ª Secretária: Olívia Augusta de Campos; 2ª Secretária: Benvinda da Silva Rabelo; Tesoureira: Esther de Campos; Oradora Oficial: Euridyce de Moraes; e Oradora Substituta: Eliza Campos. Nesse mesmo ano, a 17 de novembro, um domingo, foi batizada a senhora Laurinda da Luz, esposa de Antônio Pereira da Luz.
Somente a 10 de março de 1903 aconteceu a leitura dos Estatutos da Igreja (já então denominada Presbyteriana Independente), organizado pelo Reverendo Martinho de Oliveira, que se encontrava em visita a Pão de Açúcar desde o dia 2 daquele mês. Nessa ocasião, foram batizadas as crianças: Elyseu, Perolina,  Carolina e Aurelina, filho e filhas do diácono João Bezerra Lima Filho; Emílio, Antônio e Elisa, filhos e filha do diácono Antônio Damasceno Ribeiro; e Aurora, filha do presbítero Corrêa. No dia 22 de janeiro, o missionário Marinho embarcou para Penedo no vapor Sinimbu.
No dia 9 de maio de 1903, aconteceu o primeiro casamento na Igreja Presbiteriana de Pão de Açúcar (O Puritano, edição de 4 de junho de 1903). Casaram-se, na residência dos pais da noiva, Júlio Rabello da Silva e Olívia de Campos, tendo como oficiante o presbítero Emílio de Moraes, e como testemunhas, pela noiva: o diácono Antônio Damasceno Ribeiro e Eliza de Campos e, pelo noivo: o presbítero José Corrêa de Albuquerque e Alice Damasceno Moraes. O correspondente Odilon Moraes conclui informando que, no dia 11, seguiu o jovem casal para Belém do Pará.
Já no início da década de 1920, existia um templo construído em Pão de Açúcar. Essa notinha do jornal Diário de Pernambuco (17 de setembro de 1922, p. 6), falando do Reverendo J. R. Smith e da disseminação da doutrina protestante em Alagoas, citando algumas cidades como Pão de Açúcar, Vitória (atual Quebrangulo), Rio Largo e Maceió, assim se refere:

“Nos outros lugares citados e notadamente em Pão de Açúcar, onde há o mais belo e amplo dos templos evangélicos de Alagoas, também a congregação dos fiéis vai aumentando consideravelmente, graças a um trabalho pertinaz de propaganda oral e escrita fartamente subsidiada pelo ouro dos yankees.”

Desde então, muitas outras Igrejas se instalaram em Pão de Açúcar, com designações as mais diversas, tais como: Assembleia de Deus; Igreja Batista; Igreja Universal do Reino de Deus; Salão do Reino das Testemunhas de Jeová; Ministério Pentecostal Celebrai ao Senhor; e a Igreja Pentecostal Refúgio Contra Ventos e Tempestades.
Denominações à parte, todas elas devem àqueles pioneiros o direito à livre manifestação religiosa, conquistado à custa desses primeiros esforços de evangelização.


Rev. J. R. Smith

Susan Carolina Porter

Juventino Marinho

Francisco José Primênio

Emílio José de Moraes


Antônio Damasceno Ribeiro
(Acervo de Roberto Menezes de Moraes)

Emílio Damasceno Ribeiro
(Acervo de Roberto Menezes de Moraes)

Odilon Damasceno Ribeiro

Vicente Themudo Lessa

Templo da Igreja Presbiteriana Independente. Pão de Açúcar, 1946.
(Foto: João Damasceno Lisboa)

Um encontro no Rio de Janeiro. Em pé. 1. Nicolau Covino, casado com Eurydice Damasceno de Moraes; 2. Laurindo; 3. Emílio Damasceno Ribeiro; 4. Presbitero Paulo Provenza; 5. Otoniel Amaral; 6. Não identificado. Sentados: 1. Reverendo Walter; 2. Revdo. Vicente Themudo Lessa; 3. Reverendo Odilon de Moraes; 4. Else Gravestein Borges de Moraes, mulher de Odilon de Moraes; 5 e 6: dois pastores estrangeiros. (Acervo de Roberto Menezes de Moraes)












[i] Ex-professor público em Alagoas. Filho Francisco José da Silva (falecido em 9 de junho de 1881) e de Anna Joaquina, nascida a 2 de maio de 1819 na vila de Taquaritinga , Capitania de Pernambuco e falecida a 17 de janeiro de 1892. Era filha do Capitão José Quaresma Cavalcante e neta paterna do velho judeu português Francisco Quaresma de Mafra (Imprensa Evangélica, 27 de fevereiro de 1892, p. 8). Primênio, em 1884 já ministrava conferências em Maceió, como uma anunciada para a Rua Boa Vista, nº 103, no jornal Diário da Manhã, edição de 14 de dezembro de 1884, p. 3.
[ii] Vicente Rêgo Themudo Lessa, pastor protestante nascido no engenho Estrela do Norte, município de Palmares-PE em 22 de janeiro de 1874 e falecido 19 de novembro de 1939, era pai do escritor Orígenes Lessa (autor do romance O Feijão e o Sonho, que virou novela das seis na Globo em 1978) e avô do jornalista Ivan Lessa, que atuou por muito tempo no jornal alternativo O Pasquim.
[iii] MEMBROS DA IGREJA PRESBITERIANA INDEPENDENTE DE PÃO DE AÇÚCAR DESDE SUA FUNDAÇÃO: José Antônio da Silva; Maria José dos Santos; Emílio José de Moraes – Presbítero; João Bezerra Lima – Presbítero; José Correia de Albuquerque – Presbítero; Antônio Damasceno Ribeiro – Diácono; João Bezerra Lima Filho – Diácono; Emygdio Bezerra Lima – Diácono; Carolina Damasceno Moraes; Aline Damasceno Moraes; Eurydice Damasceno Moraes; Odilon Damasceno Moraes; Hercílio Damasceno Moraes; Giralcina Damasceno Moraes; Maria da Glória S. de Souza; Aurora de Souza de Albuquerque; Carolina Aurelina de Souza; Regisvinda Marques de Albuquerque; Joaquina Bezerra Lima; Libânia Bezerra Lima; Thereza de Jesus Lyra; Olívia Augusta de Campos; Elisa Campos; Esther Campos; Maria Rosa Leal; Hermelinda Leal; José Rodrigues da Cruz; Maria Bárbara; Maria Bezerra Lima; João Damasceno Moraes; Antônio Damasceno Ribeiro; Osias Damasceno Ribeiro; Maria Ignez de Lima (Maria Ignez C. da Silva), esposa de Emydio B. Lima; Neomésia de Moraes Leal; Elyseu de Moraes Leal; Esther de A. Souza; João Hipólito de Souza; Gedálio Bezerra Lima; Antônia Rosa de Albuquerque; Delfina Rosa de Moraes Ribeiro, batizada por Tehemudo Lessa em 1904; Mathilde Duarte de Albuquerque; Antônio Pereira da Luz; Laurinda da Luz; Sabina Rabello; Bemvinda Rabello; Maria da Glória Rabello; Ernestina Rabello; Laura Bezerra Lima; Otília Bonfim; Athayde José dos Santos; Isabel Soares Pinto; Miguel Gonçalves Lima; Jugurta Gonçalves Lima; José Venâncio Filho; Palmira Oliveira; Odilon Rodrigues de Melo; Antônio Alves da Silva; Maria Luiza da Silva; Temístocles Costa; Amélia Costa Sarmento; Antônia Duarte de Albuquerque.
[iv] Imprensa Evangélica, edição de 5 de dezembro de 1891.
[v] No dia 21 de julho de 1902 partia o Reverendo Lourenço de Barros de Pão de Açúcar para Manaus, deixando a família em Pão de Açúcar.


sábado, setembro 19

A POESIA DE SEBASTIÃO DE ABREU

AS CARTAS

Sebastião de Abreu


As tuas cartas, flor, os teus segredos,
Sei com desvelo e amor sempre guardá-las:
- Mentiras que disseste nos silvedos
E espalhas, à toa, pelas salas.

Falam das ilusões e dos teus medos
Naquela graça com que em sonho embalas,
Dos idílios à sombra de arvoredos...
Logo, é justo que devo conservá-las.

São as flores do sonho desfolhadas,
E, embora sejam simples e erradas,
Dizem, contudo, do que em mim tu leste,

São a esperança morta de um noivado,
E ainda têm todo o aroma do passado...
São mentiras gentis que me escreveste”

___________
Publicado em Novidade, Nº 19, 1931.


SEBASTIÃO DE ABREU nasceu em Maceió a 20 de janeiro de 1883. Vítima de pneumonia, segundo diagnóstico do médico que o assistiu, Dr. Eraldo Passos, faleceu aos 26 anos de idade, no dia 22 de fevereiro, às 8 ½ da manhã, em sua residência à rua Cincinato Pinto. Deixou um livro inédito intitulado Angelus. (Fonte: Gutenber, 24/02/1909).
Filho do major Felippe Sant'Iago de Abreu, voluntário da Guerra do Paraguaia (onde fez toda a campanha, recebendo distinções e honoríficas em consequência de sua bravura), e de Epifânia de Pontes Abreu.Do consórcio de seus pais nasceram, ainda, Emygdio José de Abreu, compositor e músico; J. Rosalvo de Abreu; e Rita de Abreu, professora, escritora e poetisa, conhecida pelo pseudônimo de Rosália Sandoval. Fez os estudos primários em Maceió, no entanto não chegou a concluir os preparatórios. Segundo sua irmã, Sebastião de Abreu era estudioso, mas não tinha ânimo para prestar exames. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo, escrevendo crônicas e artigos para diversos jornais da capital alagoana. (Fonte: Site Alagoanidades. Disponível em: http://www.alagoanidades.com.br/?p=1133.

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Sebastião de Abreu (O Pyrausta-Ano I-Nº 2 - 14/02/1917)


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terça-feira, setembro 15

NA PARTIDA


 Olympio Fernandes

Ficas e eu parto. O coração tristonho
Recorda um cemitério abandonado
Onde foi o cadáver do meu sonho
Na tumba de outro sonho sepultado.

Ficas e eu parto. E o teu viver inconho
Faz recordar um céu todo nublado
Onde rebrame um temporal medonho
O nosso Amor, querida, enclausurado.

Ficas e eu parto. E pela vida em fora
Vou caminhando louco e em desatino
Em busca de uma noite sem Aurora

Ficas e eu parto. E a minha Dor, querida,
Assemelha-se a um barco sem destino
Sulcando o negro mar da nossa Vida.
_______________
Extraído de O Jornal, Maranhão, 9 de agosto de 1918, p. 2.
Disponível em:



____________
OLYMPIO FERNANDES
Olympio Fernandes da Silva, natural de Capela, Alagoas. Formou-se, em 1908, pela Faculdade de Direito do Recife. Em 1911, entrou para a Magistratura, tendo ocupado o cargo de Juiz de Direito nas comarcas de Grajaú, Loreto, São Francisco, Pinheiro, Brejo, Viana, Picos, no Estado do Maranhão. Em 25 de julho de 1912, casa-se, no Rio de Janeiro, na Matriz do Engenho Velho, com a Srtª Carmen da Rocha Santos, filha do Sr. Pedro Pinto dos Santos e Amélia da Rocha Santos. Ela faleceu aos 30 anos de idade, em 3 de novembro de 1916. Estranho, porém, que as notas de falecimento publicadas nos jornais da época não mencionam o nome do marido. Publicou: Entre Árvores, pela Imprensa Industrial, Recife.

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segunda-feira, setembro 14

NOVA AMANTE

Fernandes Tavares*

Essa que vive me seguindo agora
Com um olhar de amor, apaixonado,
Veio avisar o meu amor fanado,
Veio lembrar-me as ilusões de outrora.

Lírio do vale que às ilusões enflora,
Lembra Marina, o meu amor passado;
Quando me olha co’um um olhar pausado
Nele diviso o resplendor d’aurora.

Filha do céu – ela é irmã dos anjos,
Dos loiros querubins e dos arcanjos,
Tem de Vênus o rubido semblante.

Oh! Que ventura agora eu vou sentindo...
Sorri minh’alma e eu também vou rindo...
Bendita seja a minha casta amante!...

___________
Extraído de O Trocista, Maceió, 20 de abril de 1902, p. 3.
Disponível em:


___________
* BRÁULIO FERNANDES TAVARES era filho do Cel. Bellarmino Fernandes da Silva Tavares e irmão de: José Belarmino Tavares, Belarmino Tavares Filho, João Fernandes Tavares, Ananias Tavares e Francisco Lopes Tavares. Casou-se em 19 de julho de 1909 com Clotilde Pereira Tavares. Faleceu em Olinda, na Rua Joaquim Cavalcante, 283, às 16:00 horas do dia 27 de dezembro de 1946. Foi sepultado às 16:00 h do dia seguinte. Deixou viúva e sete filhos, entre eles Claudio Tavares (jornalista), Nilo Tavares e Stélio Tavares. Fonte: Jornal Pequeno, 28/12/1946.

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sexta-feira, setembro 11

CLEÓPATRA


Sabino Romariz

Cleópatra era só. Seu pensamento
Voava todo à luta doidivana;
De quando em vez tremia a soberana,
Fitando o azul do egípcio firmamento.

Das nuvens a sangrenta caravana
Seguia o sol na frouxa imensidade,
E uma dúvida, uma ânsia, uma saudade
Boiava-lhe nos olhos de sultana.

Mal a noite caiu sobe a cidade,
Soou perto o clarim... Roma vencia!
E a rainha, com toda a majestade,

Erguida a fronte, o rosto contrafeito,
Desceu pela marmórea escadaria
Ao túmulo, com um áspide no peito!

_______________
Transcrito do jornal Correio Paulistano,
8 de setembro de 1899, p. 2.

domingo, setembro 6

O TEU RISO

Cyridião Durval

Expira a madrugada: o céu micante
Desata um sorriso extenso de alegria...
A natureza acorda e principia
Um concerto de amor, febricitante.

A luz — de suas asas espaneja
O pó doirado, quente e penetrante,
E nos gratos eflúvios desse instante,
Tudo sente calor, tudo viceja...

A rosa entorna o cálix perfumoso...
A planta cresce... o pássaro mimoso
Destila o doce mel dos cantos seus...

Mas, dentro da minh’alma enternecida,
Só há prazer e só palpita a vida
Ao se entreabrir a flor dos lábios teus.
________________

Cyridião Durval — Filho de Rogério José de Sant’Anna e de dona Theotonia Maria de Sant’Anna Durval e nascido em Tatuamunha, termo de Porto de Pedras e comarca de Porto Calvo, no Estado de Alagoas, a 3 de março de 1860. Bacharel em ciências sociais e jurídicas pela faculdade do Recife, e juiz substituto na capital da Bahia. No ano seguinte ao de sua formatura iniciou, em fevereiro de 1886, a carreira da magistratura, como promotor público da comarca de Ilhéus, Bahia, tendo, logo na estreia, de sustentar renhida luta na tribuna judiciaria, no célebre processo instaurado contra o tenente-coronel Gentil José de Castro e seus irmãos que tinham por defensores os notáveis advogados, conselheiro A. Carneiro da Rocha, e Brs. Affonso Celso Júnior e Izaias Guedes de Mello. Por motivo de moléstia, em 1887, pediu remoção para a comarca de Villa Nova da Rainha, sertão do dito Estado da Bahia, da qual passou ao lugar que exerce. Cultor das letras desde muito jovem, e poeta inspirado, colaborou no Diário de Pernambuco, no Jornal do Recife, Província, Repórter e outros órgãos de publicidade durante o curso de direito e redigiu: — Revista de Pernambuco. Recife —Teve por companheiro na redação o inditoso poeta alagoano Antônio José Figueiredo Júnior. — A Republica: órgão do Club Republicano Acadêmico. Recife...— Teve outros companheiros de redação — Depois de bacharelado colaborou no Jornal de Notícias da Bahia, onde tem publicado várias poesias, e onde em 1886 publicou em vários artigos uma crítica ao primoroso livro Cavatínas, do festejado poeta bahiano, o infortunado acadêmico de direito Francisco de Salles Barbosa. Escreveu mais: — Alagoas: (fragmento) versos. Pernambuco, 1881, 16 pags. in-8°. — Ruínas: poesias. Pernambuco, 1884, in-8». — Versos (de Cyridião Durval e Francisco Peixoto de Lacerda Wernek). Pernambuco, 1885, in-8°. — Acordes: poesias. Bahia, 1890, 313 pags. in-88 — Neste volume acha-se o poemeto « Alagoas » de que o autor publicara em 1881 um fragmento e, encerrando o livro, o poemeto « Catastrophe do Taboão » que é o triste idílio das cenas lúgubres e lutuosas, que em 1889 encheram de consternação todos os habitantes da Bahia. Não é para uma pena qualquer o esboço de tão negros horrores, e o Dr. Durval o fez como melhor não seria possível. Sei que ele tem inéditos: — Sem título: coleção de poesias. — Currente calamo : escritos diversos. Faleceu em Salvador, em 17 de agosto de 1895.

Fonte: Dicionário Bibliográfico Brasileiro, Sacramento Blake.
Disponível em: www.brasiliana.usp.br
E, também site Antônio Miranda. Disponível em:
www.antoniomiranda.com.br.


Cyridião Durval


sábado, setembro 5

JOSÉ AMARAL, UM EMPREENDEDOR

Por Etevaldo Amorim

José Moura Amaral nasceu em Maruim, Estado de Sergipe, no dia 30 de janeiro de 1926. Filho mais velho de Nilo Amaral, também natural de Maruim, e de Odete Moura Amaral, nascida em Nossa Senhora das Dores, foi levado por estes para residir em Aracaju quando ainda tinha três anos de idade.
Na capital sergipana, iniciou como funcionário público estadual, no cargo de Operador, na Rádio Educativa, PRJ-6.
Chegou a Pão de Açúcar em 1949. No ano seguinte, instalou o famoso Bar e Sorveteria Rex, a famosa Galeria Rex, no ponto central da cidade, onde hoje se localiza a Casa da Construção. Para não depender da energia elétrica do precário sistema existente, instalou um gerador próprio, que lhe permitia iluminar também as esquinas adjacentes. Foi ele quem instalou a primeira lâmpada fluorescente em Pão de Açúcar.
Em 25 de setembro de 1938, foi inaugurado o Cine Teatro Pax, ex-Cine Teatro Moderno, que durante muito tempo foi propriedade da CEIL, Companhia de Energia Elétrica, de Joaquim Rezende e seu sócio Lauro Veiga. Quando José Amaral chegou, em 1949, o velho projetor estava quebrado e ele, que também entendia muito dessas coisas, foi logo contratado para consertá-lo, o que acabou por fixa-lo na cidade, tornando-se sócio naquele empreendimento. Tempos depois, esse cinema foi adquirido por Jurandir Gomes e passou a se chamar Cine Teatro Palace, passando depois à propriedade do Sr. Elísio Maia.
Mais tarde, em 16 de junho de 1963, em prédio adaptado, na rua Cel. Manoel Antônio Machado, 195, ele inaugura o CINE GLOBO. Algum tempo depois, o Sr. Nozinho Andrade lhe ofereceu o prédio onde se acha agora a Loja Mobilhar. Amaral construiu a marquise, adaptou o piso, enfim, criou as condições para um cinema de verdade.
O Cine Globo, de Amaral, mudou de nome quando passou a ser propriedade de Augusto César Andrade Cruz, hoje renomado radialista, empresário e agropecuarista.
Em novembro de 1953, organiza o Serviço de Autofalante denominado Departamento Publicitário Jaciobá, que fez o maior sucesso. Localizado na Av. Bráulio Cavalcante, retransmitia o noticiário da rádio Tupy, com as mais importantes notícias do Brasil e do mundo. Foi por ele, por exemplo, que os pão-de-açucarenses ficaram sabendo do suicídio do Presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, poucas horas depois do trágico acontecimento. Sua potência era tal, que chegava a ser ouvido, sobretudo à noite, até no povoado Ilha do Ferro. E com tal nitidez que as pessoas se davam ao luxo de mandar recados para os moradores de lá, na voz possante do locutor Raimundo dos Anjos, filho de D. Otília, do Caboclo.
Do seu casamento com Dona Iolanda, teve os filhos Célia, Murilo, Antônio, Mozart, Volney, Ilma, José e Diná.
De outro relacionamento, teve mais seis filhos: Reinaldo, Jâmisson, Aldo, Jakson, Leila e Lílian.
José Amaral atuou também na política, tendo sido eleito Vereador em 1961. Por duas vezes foi candidato a Vice-Prefeito pela UDN (União Democrática Nacional), em 1959, na Chapa do Sr. Ródio Machado Gonçalves, e em 1965, na do Sr. Jurandir Gomes. Naquela época, o Vice era votado nominalmente e Amaral quase vence o candidato de “seu” Elísio.
Foi ainda professor de Mecanografia, na Escola Técnica de Comércio de Pão de Açúcar.
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Extraído do livro Terra do Sol – Espelho da Lua, de Etevaldo Amorim, Ecos Gráfica e Editora, Maceió, 2004.

José Amaral, ainda nos tempos da Rádio Educativa, em Aracaju. (foto cedida pelo próprio, em 2004)

José Moura Amaral, professor em Pão de Açúcar. (foto Quadro de Formatura do Curso de Comércio)

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

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Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


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PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

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Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia