quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A PARÓQUIA DE PÃO DE AÇÚCAR - O PRIMEIRO VIGÁRIO

Por Etevaldo Amorim

Padre Mendonça
O Padre Mendonça. Foto do acervo de
Judite Mendonça Silva.


A Freguesia do Sagrado Coração de Jesus, na Vila de Pão de Açúcar, foi criada por uma Resolução da Assembleia Legislativa Provincial de 11 de julho de 1853.

A referida Lei, transcrita abaixo, define também os limites da nova circunscrição eclesiástica, e é assinada pelo Comendador Sobral, que fora nomeado Vice-Presidente da Província em 25 de outubro de 1849, durante a presidência do Dr. José Bento da Cunha Figueiredo – “Visconde do Bom Conselho”.

“LEI Nº 227, DE 11 DE JULHO DE 1853.

Art. 1º Fica criada, no município de Porto da Folha[i], uma nova freguesia, que terá por sede a povoação de Pão de Açúcar.

Art. 2º Dividir-se-á esta nova freguesia com a de Porto da Folha, na margem do Rio São Francisco, pelo riacho denominado Salgado; e para o centro seguirá por este até encontrara com o riacho de nome Jacaré, que continuará a servir de extrema até confinar com a freguesia de Santana.

Art. 3º É desmembrado da freguesia de Mata Grande e pertencente a esta novamente criada, o território compreendido desde o lugar denominado Buraco, pouco além de Piranhas, descendo daí em linha reta à Fazenda do Olho D’Água do Casado, desta em direção ao Sítio Quiribas na margem do riacho Cabaços e, por este, até encontrar com os limites da mencionada freguesia de Santana, que conservará os mesmos limites com a que fora criada.

Art. 4º Ficam revogadas quaisquer Leis e disposições em contrário.

Vice-Presidente Manoel Sobral Pinto

Eesta Secretaria foi publicada a presente Lei em 13 de julho de 1853.

José Alexandrino Dias de Moura”

 A Paróquia contava com cinco capelas filiais em cinco povoações: Limoeiro (dedicada a Jesus, Maria e José), Entremontes (dedicada a Nossa Senhora da Conceição) e Piranhas (dedicada a Santo Antônio), com duas capelas cada uma; Meirus (ou Campo Alegre, sob o orago de Nossa Senhora da Luz), Santo Antônio do Jacaré (ou Jacaré dos Homens, dedicada a Santo Antônio) e Olho D’Água do Casado, com uma capela cada.

Em 1871, sua população era: 5.254 habitantes, sendo 4.644 livres e 610 escravos. Já em 1873, alcançava de 9.010 almas, sendo 8.601 livres e 409 escravos. [ii]

PE. ANTÔNIO JOSÉ SOARES DE MENDONÇA.

O primeiro pároco da nova freguesia foi o Padre Antônio José Soares de Mendonça, nela provido por concurso em 25 de fevereiro de 1854, apresentado por Decreto Imperial de 7 de abril e colado em 2 de junho, tudo do mesmo ano[iii].

Com efeito, o jornal o Liberal Pernambucano, edição de 17 de maio de 1854, na seção “Movimento do Porto”, registra o Padre Mendonça como passageiro, em companhia de um escravo, no vapor “Imperador”, que tinha como destino o Rio de Janeiro e portos intermediários. Provavelmente demandava o porto de Penedo, de onde subiria o São Francisco para assumir a sua paróquia do “Santíssimo Coração de Jesus”, como era denominada à época.

Filho de Antônio José Soares e Antônia de Jesus, nasceu em Penedo a 6 de maio de 1827.

Foi ordenado por Dom João da Purificação Marques Perdigão e por ele nomeado para a Paróquia de Pão de Açúcar, provavelmente em junho ou julho de 1854.

Seu paroquiato durou 51 anos, durante o qual empreendeu significativas reformas ao templo, dotando-o de novas imagens e alfaias.

Em 1868, o Vigário encarregou o Capitão Agostinho José de Neville Brandão de abrir subscrição para coletar donativos para os reparos da Igreja Matriz, cujo corpo ameaçava desabar. Oitocentos e cinquenta e três mil réis foram coletados, tendo-se, com essa quantia, comprado pedra e cal.

Durante a gestão do primeiro vigário, a paróquia recebeu cinco visitas canônicas:

A primeira, em 10 de abril de 1855, pelo Vigário Visitador Francisco d’Hollanda Chacon.

A segunda, feita pelo Rev. Affonso Albuquerque Mello, presbítero secular, cônego da Santa Igreja Catedral de São Sebastião e capelão imperial da Corde da cidade do Rio de Janeiro, visitador das igrejas da Província de Alagoas, delegado por Dom João da Purificação Marques Perdigão, bispo de Pernambuco, acontecida a 2 de setembro do mesmo ano.  A 3 de novembro de 1862, retornava para a terceira visita.

A quarta visita, a 28 de agosto de 1883, foi feita pessoalmente pelo Bispo de Olinda, Dom José Pereira da Silva Barros, que chegou a Pão de Açúcar a bordo do vapor Sinimbu.

O jornal A Aurora, cujo gerente era Martiniano Canuto, em sua edição de 9 de setembro daquele ano, noticia o fato:

Esteve entre nós, durante oito dias, o virtuoso e ilustrado Bispo de Olinda.

Os habitantes desta cidade deram uma robusta prova de seu amor aos dignitários da Igreja Católica, recebendo o virtuoso prelado olindense com a pompa e magnificência que merece tão alto e distinto funcionário da Igreja Católica.

S. Ex.ª Rev.ª, em todos os dias que aqui esteve, administrou o sacramento da Confirmação e à noite explicava os evangelhos com tanta clareza que os ouvintes se não cansavam de ouvi-lo, tal era a lógica de seus argumentos.

Também explicou a veneração das imagens e a instituição e utilizada da confissão auricular, pontos combatidos pelos adversários do catolicismo.

No dia 4 do corrente, seguiu S. Ex.ª Rev.ª para a povoação de Piranhas, e dali para a estação da Pedra, donde partiu para Água Branca.

Da casa da residência para o porto de embarque, foi S. Ex.ª acompanhado por numeroso concurso de povo, tendo sido acompanhado até Piranhas por oitenta e tantos católicos da melhor sociedade.

Fazemos votos ao Todo Poderoso para que S. Ex.ª faça uma viagem próspera e faça uma grande colheita para a vinha do Senhor”.

***   ***

Em 4 de fevereiro de 1896, a Paróquia recebe a quinta visita canônica, desta feita por Jonas de Araújo Batinga, presbítero secular do hábito de São Pedro, vigário encomendado da Freguesia de Nossa Senhora do Ó do Rio de São Miguel dos Campos e Visitador das Paróquias de Alagoas.

Com a criação do Bispado de Alagoas, a 2 de julho de 1900, toma a sua direção o afilhado do Pe. Mendonça, Dom Antônio Brandão, que na tarde do dia 19 de setembro de 1904, adentrou a Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus para celebrar a sua primeira Missa.

No ano de 1866, em escritura lavrada no dia 25 de setembro, o Pe. Mendonça adquire uma casa de Vicente Ferreira Riffa e sua mulher D. Francisca dos Anjos, na rua da Igreja (atual Pe. Soares Pinto), onde foi instalada a Casa Paroquial.

O Padre Antônio Mendonça faleceu em Pão de Açúcar às 23:00 h do dia 16 de março de 1906.[iv]

***   ***   ***

Deixo aqui um agradecimento póstumo a Judite Mendonça, cuja mãe era sobrinha neta do padre. Em 2003, quando eu estava para concluir as pesquisas para o livro TERRA DO SOL, ESPELHO DA LUA, fui recebido em sua casa por ela e seu esposo Jorge Mendes Graça, ocasião em que me cederam a fotografia do Padre Mendonça, que faço publicar nesse artigo.

INTERINIDADE

Com a morte do Padre Mendonça, e tendo como coadjutor o Padre Nicodemos, este passou a reger, interinamente, a Freguesia.[v]

Estando em férias em Pão de Açúcar, monsenhor José de Freitas Machado, que por muitos anos foi chanceler da Cúria Pernambucana, foi provisionado por D. Antônio Manoel de Castilho Brandão, no dia 17 de abril de 1906, cujo Ato foi lido na missa dominical do dia 29 do mesmo mês, para dirigir interinamente a Paróquia.

COADJUTORES

Foram seus coadjutores os padres Mathias José de Santana Brandão; José Nicodemos da Rocha, residindo este na capela de Piranhas, que então pertencia a Pão de Açúcar; Cícero Joaquim de Siqueira Torres; Francisco Maria de Albuquerque, ficando este circunscrito a Belo Monte; o Pe. Manoel dos Santos Curador Filho[vi] e o Padre José de Freitas Machado (Mons. Freitas). – Para saber mais sobre o Monsenhor Freitas, clique aqui:

a.       Pe. Mathias José de Santana Brandão. Nasceu em Mata Grande a 10 de dezembro de 1821 e faleceu em Entremontes (então pertencente a Pão de Açúcar, hoje a Piranhas) a 21 de agosto de 1869. Filho de Anacleto de Jesus Maria Brandão e Maria Francisca da Conceição e, portanto, tio do bispo Dom Antônio Brandão.

b.      Pe. José Nicodemos da Rocha. Celebrou sua primeira missa em Sertãozinho (atual Major Izidoro) no dia 18 de novembro de 1903. Em 1906, depois de ter atuado como coadjutor em Pão de Açúcar e capelão na então Vila de Piranhas, que foi paróquia, criada pela Lei Provincial nº 964, de 20 de julho de 1885, mas não foi instituída canonicamente, continuando sob a administração do vigário de Pão de Açúcar.[vii] Logo pós, foi nomeado pároco da Paróquia de Água Branca. Faleceu em 1936.

Padre José Nicodemos da Rocha


c.       Pe. Cícero Joaquim de Siqueira Torres.

Membro de tradicional família sertaneja, filho do Barão e da Baronesa de Água Branca, Joaquim Antônio de Siqueira Torres e Joana Vieira Sandes, o Padre Cícero Joaquim de Siqueira Torres, divulga, pelas páginas do jornal O Trabalho, que já se editava em Penedo, esse

“MANIFESTO DE GRATIDÃO DIRIGIDO PELO PADRE CÍCERO JOAQUIM DE SIQUEIRA TORRES AOS HABITANTES DA CIDADE DE PÃO DE AÇÚCAR – EM GERAL

Sumamente penhorado pelo bom acolhimento, com que fui aceito, e tratamento lhano que me prodigalizaram em geral os habitantes de Pão de Açúcar durante a minha assistência de Coadjutor naquela Freguesia, não posso deixar de vir ao alto da imprensa para agradecer-lhes do íntimo de meu coração tantas finezas e atenções que generosamente me dispensavam.

Assim, pois, tendo que retirar-me de Pão de Açúcar, aonde exerci o cargo de Coadjutor, por ter sido nomeado Vigário Encomendado da Vila de Água Branca, e achando-me repleto de muitíssimos obséquios, seria inteiramente desreconhecido se, ao ausentar-me de Pão de Açúcar, não dedicasse aos seus distintos habitantes ao menos um exíguo sinal de amizade e gratidão; passaria por incivil e descortês se não rendesse a esse nobre povo um preito de homenagem; cometeria uma falta bem digna de censura, uma laguna irreparável se me separasse do amável povo pão-de-açucarense sem lhe enviar um saudoso adeus de despedida. Deveria mesmo ser acoimado com o repelente epíteto de ingrato, se neste momento não sentisse o palpite de aqui declinar os nomes de ilustres e distintos cavalheiros dos quais bons obséquios recebi.

Bem sei que, dando à publicidade os nomes de tais pessoas, vou ferir a modéstia que abrilhanta a fronte de cada uma delas; mas, como não sou indiferente aos benefícios que se me fazem, me vejo obrigado a lhes pedir licença para escrever aqui os seus ilustres nomes, sentindo não poder esculpi-los em caracteres de ouro, restando-me, porém a satisfação de que serão gravados de uma maneira indelével no meu coração.

Sabem todos, e é corrente entre os homens de bem que a ingratidão é um dos vícios mais asquerosos e hediondos, que denigre a sociedade, assim como a gratidão é uma das virtudes mais aplaudidas e decantadas entre os viventes; é um farol que ilumina as nossas boas intenções nesta senda tortuosa e escabrosa da vida.

Estribado, pois, nesta importante máxima, principio por agradecer cordialmente as maneiras afáveis e joviais com as quais sempre se dignou tratar-me o ilustre e virtuoso Vigário Antônio José Soares de Mendonça; esse distinto levita do Senhor certamente que está acima de todos os elogios, que a pena mais eloquente lhe possa tecer; por isso, deixando de lado de parta as suas raras e excelentes qualidades bem visíveis e salientes aos olhos de todos que tem a distinta honra de conhecê-lo, dele só direi que, como Pastor é tal qual aquele de que nos fala o Divino Mestre nas sacras Escrituras, pois que é muito zeloso da SALVAÇÃO de seu rebanho; sempre esta de atalaia e alegria e alerta para prevenir e repetir os sorrateiros ataques do Lobo voraz, que astuto espreita a ocasião azada para devorar-lhe o rebanho; não se poupa mesmo a esforços e sacrifícios, transpondo vales e montanhas, quando é preciso, e através de serranias  procura ovelha desgarrada do redil, e só descansa quando a faz voltar ao aprisco!!

Eis o verdadeiro e bom Pastor, que tanto nos recomenda NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! ... Eis o verdadeiro cultor da vinha mística do Senhor! ...

Prossegui, ilustre Sacerdote, nessa senda brilhante e admirável, que os vossos esforços e sacrifícios serão caucionados nos tesouros imensos de graças eternas e infinitas; e em remuneração vos aguarda uma eternidade feliz, cuja auréola de glória a começa luzir mesmo cá neste ilusório mundo em vossas boas obras.

Também não posso deixar no ouvido o nome do distinto e prestimoso Cavalheiro, Ilm.º Sr. Coronel João Machado de Novaes Mello, o qual sempre dignou-se nomear-me com a sua amizade, e me cumulou de bons obséquios, dos quais me confesso grato.

Agora, corre-me o dever de mencionar aqui o nome do preclaro e simpático Dr. Jovino de Cerqueira Maia[viii], honra da magistratura brasileira, Juiz honesto e reto, que só sabe vergar em seu corpo a limpa e cândida de prevaricações e corrupções, que infelizmente germinam entre alguns magistrados iníquos desse nosso Brasil. A esse Senhor, Dr. Jovino, devo mil atenções, pois não conhecendo nem a mim nem a minha família, se dignou tratar-me com toda distinção, me tributou particular estima, e até prestou-me muitos favores, dos quais tenho provas não equívocas. É que as pessoas educadas e de almas nobres e generosas assim procedem.

O dever de gratidão também me impele a mencionar o nome do respeitável e honrado Coronel José Gonçalves de Andrade[ix], que sempre se mostrou meu amigo dedicado e me fez grandes favores, com os quais mais me cativou e tornou-me mais obrigado.

O amor de coleguismo e amizade me faz não deixar em silêncio o circunspecto e ilustre Dr. Manoel Ronaldsa Brandão[x], com quem sempre tive de entender firmes relações, e do qual sempre experimentei as melhores provas de amigo constante e generoso. E aproveito o ensejo para agradecer em geral à ilustre família Brandão, que inquestionavelmente compõe-se de membros distintos. Tenho o grande prazer de manifestar que, por esta distinta família, fui tratado com toda distinção e dela recebi boas provas de amizade.

Finalmente agradeço aos bondosos habitantes de Pão de Açúcar, em geral, os benefícios e obséquios que me prestaram generosamente, e as atenções que me dispensaram; a vós todos, pois me confesso eternamente grato; e me retirando saudoso de entre vós, resta-me a consolação de poder dizer como outrora dissera o nosso Redentor aos seus queridos discípulos: Pacem reliquo vobis, pacem meam do vobis.

Nada importante e de valor tenho que vos oferecer em testemunho do meu alto reconhecimento para convosco, porém, este pouco mesmo que possuo ponho a vossa disposição.

Podeis, portanto, dispor como lhes aprouver dos fracos e acanhados préstimos deste obscuro sacerdote e reconhecido amigo.

 

23 de outubro de 1879.

Padre Cícero Joaquim de Siqueira Torres

Ex-Coadjutor de Pão de Açúcar e atual Vigário de Água Branca.”

 

O Padre Cícero Torres, Presbítero Secular do Hábito de São Pedro, tendo alcançado as honras de Cônego da Sé de Olinda, em 1889, faleceu em Penedo-AL, no dia 23 de março de 1898.

Sobre a sua morte, a notícia abaixo, publicada no jornal Cidade do Salvador, Bahia, em 30 de abril de 1898:

 “O Rev. Vigário de Santo Antônio da Glória escreve-nos o seguinte:

No dia 23 de março, às 8 horas da noite, na cidade do Penedo, rendeu alma ao Criador o nosso colega Cônego Cícero Joaquim de Siqueira Torres, vigário colado da freguesia de Água Branca, Estado de Alagoas.

Ele era filho legítimo do Sr. Barão de Água Branca e fora educado no Seminário Pequeno e Grande dessa Diocese, onde fez todo o seu curso com geral estima de seu superiores e condiscípulos.

Seu comportamento foi um exemplo para todos. Ordenado em São Paulo, em 1878, por Dom Lino Deodato, era o modelo dos vigários de Alagoas, e gozava de geral estima. Sua morte inesperada foi uma verdadeira calamidade, sendo chorado por todos, pois nunca teve, em 19 anos de sacerdócio, um só inimigo.

Era músico compositor, e sua flauta aí no Seminário foi admirada.

Tinha apenas 56 anos de idade, e 18 de pároco em sua terra natal.

Deixou-nos inconsoláveis.”

 

Água Branca-Alagoas
O Pe. Cícero Joaquim de Siqueira Torres.
Foto do álbum do Monsenhor Freitas.

d.      Pe. Francisco Maria de Albuquerque.

Dia 23 de abril de 1896, chegou a Belo Monte o Pe. Francisco Maria de Albuquerque. Ele era coadjutor da Paróquia de Pão de Açúcar, nos limites de Belo Monte.

Natural de Alagoas (atual Marechal Deodoro). Filho de José Affonso de Albuquerque e Thereza de Jesus Albuquerque.

Eram seus avós paternos: Affonso de Albuquerque Maranhão e Caetana Lucinda de Albuquerque; e, maternos: José de Azevedo Borba (Português) e Maria Joaquina de Albuquerque (natural de Alagoas).

Foi vigário da Freguesia do Pilar.

e.       Pe. Manoel dos Santos Curador Filho.

Nasceu em Santana do Ipanema a 14 de fevereiro de 1872. Filho de Manoel dos Santos Curador e Ana Maria da Conceição.

Neto paterno de José Maria das Flores e Thereza Maria de Jesus; e, materno, de João Soares da Rocha e Joana Antônia do Espírito Santo. Batizado a 3 de março de 1872.

Foi ordenado no dia 24 de outubro de 1896, na Capela do Paço Episcopal (Olinda).[xi]

Foi vigário da paróquia de Salgueiro, mudando-se pra a de Cabrobó, em 11 de fevereiro de 1903, ambas no Estado de Pernambuco[xii]. Em 1904, transferiu-se para a Paróquia de Alagoas (atual Mal. Deodoro).[xiii]

Em 1916, era Capelão da Fábrica de Tecidos “São Miguel”, em São Miguel dos Campos.[xiv]

Em 1926, era vigário em Piaçabuçu.

f.       Frei José de São Jerônymo.[xv]

De nacionalidade portuguesa, superior do Convento de Santa Maria dos Anjos, de Penedo, Frei José residia no Brasil desde 1840[xvi], e já atuava como coadjutor em Pão de Açúcar por volta de 1860, aparecendo em livros da Igreja de São Pedro do Porto da Folha[xvii].

Antes, por ocasião da visita do Imperador Dom Pedro II a Propriá, Estado de Sergipe, ele compôs o coro de um Te Deum, oficiado pelos Reverendos Nunes (de Vila Nova, hoje Neópolis) e Manoel Francisco de Carvalho, junto com Frei Simplício da Santíssima Trindade e Frei José da Piedade.[xviii]

Em 30 de setembro de 1878, carta do correspondente do Jornal do Penedo em Pão de Açúcar, que assina sob o nome (ou falso nome) de Epaminondas, em edição de 11 de outubro de 1878, informa:

“ENFERMO. Do povoado Campo Alegre, deste Termo, chegou ultimamente nesta cidade o Rev. Frei José de São Jerônymo, que se acha prostrado e gravemente doente; e pelo seu estado melindroso é muito duvidoso que se restabeleça. O Reverendo Fr. José há muito tempo que reside naquele povoado, onde sempre teve uma vida muito regular, e estava construindo ali uma espaçosa capela dedicada a N. S. da Luz, que já vai bastante adiantada.”

Frei José efetivamente faleceu em Penedo no dia 22 de junho de 1883, aos 76 anos.[xix]

***   ***   ***

NOTA:

 

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 

 



[i] Porto da Folha é o antigo nome de Traipu, Estado de Alagoas. Não se refere, evidentemente, ao município sergipano.

[ii] A Nação, Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1873.

[iii] DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 29 de maio de 1865, p. 8.

[iv] Jornal do Recife, 18 de março de 1906.

[v] A Fé Christã, Penedo, 14 de abril de 1906.

[vi] A Província, Recife, 7 de fevereiro de 1904.

[vii] Almanak do Estado de Alagoas - 1891-1894.

[viii] Nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Pão de Açúcar em 13 de setembro de 1876. Foi exonerado, a pedido, em 5 de fevereiro de 1881, sendo nomeado em seu lugar o bacharel Luiz Gonzaga de Almeida Araújo.

[ix] Nasceu a 24 de novembro de 1820 e faleceu em Pão de Açúcar no dia 11 de dezembro de 1880.

[x] Filho de Antônio Manoel de Castilho Brandão e Maria Barbosa da Conceição de Castilho Brandão.

[xi] O Trabalho, Penedo 14 de novembro de 1896.

[xii] Diário de Pernambuco, Recife, 12 de março de 1903.

[xiii] Diário de Pernambuco, Recife, 6 de março de 1904.

[xiv] O Semeador, 31 de outubro de 1916.

[xv] Jornal do Penedo, Penedo-AL, 14 de julho de 1883.

[xvi] SANTOS, Mônica Costa. MISSIONÁRIOS DE LETRAS E VIRTUDES – A PEDAGORIA MORAL DOS FRANCISCANOS EM ALAGOAS NOS SÉCULOS XVIII e XIX. UFAL, 2007.

[xvii] Pronunciamento do Dep. José Carlos Teixeira, MDB-SE. Diário do Congresso Nacional, 28 de novembro de 1978.

[xviii] O Correio da Tarde, Rio de Janeiro, Ano V, 259, 1959.

  

6 comentários:

  1. Belo relato muito bem detalhado que nos ajuda a conhecer pessoas e hábitos de uma Alagoas de outrora. Parabéns!

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  2. ROBERTO MENEZES DE MORAES1 de fevereiro de 2024 às 10:29

    Parabéns, como sempre um texto repleto de conteúdo novo e elegantemente escrito. Impressionante a divulgação da imagem do biografado.

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  3. Excelente comentário sobre a Paroquia de Pão de Açúcar Alagoas e outros estados.
    Vou a proveitar para um Trabalho Histórico Literário.
    Obrigada Antônia Campos

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  4. Parabéns, Etevaldo! História rica de memórias e escrita!!!!

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  5. Um verdadeiro passeio sobre os primórdios da Congregação Católica em nossa terra natal. Parabéns, mais uma vez, meu confrade

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  6. Texto primoroso que resgata, relembra e ensina a história rica de nossa "Jaciobá"! Parabéns, Etevaldo!

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia