Por Etevaldo Amorim
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| Mestre Nozinho. Foto: Acervo da família. |
Prosseguimos com as publicações sobre as personalidades pão-de-açucarenses, procurando evidenciar o quanto fizeram de bom e produtivo para a nossa sociedade. Relembremos: o critério que utilizamos não está, propriamente, em exaltar apenas os feitos daqueles que são naturais, mas também em considerar aqueles que, radicando-se, deixaram uma extensa lista de serviços prestados à terra que os adotou.
É esse o caso de Manoel Victorino
Barbosa Filho, o conhecidíssimo Mestre Nozinho. Filho de Manoel Victorino
Barbosa e Olympia Maria de Jesus Castro, ele nasceu na Vila Nova (atual
Neópolis), Estado de Sergipe, no dia 17 de outubro de 1895, tendo como avós
maternos: Nicácio Severino de Castro e Maria Joaquina de Melo. Eram seus
irmãos: Genny de Castro Barbosa, Américo de Castro Barbosa, José de Castro
Barbosa (Duda) e Lydia Maria de Castro.
Em 27 de novembro de 1920, aos 25 anos de idade, seu Nozinho
casou-se com a Srª Florina Carvalho Mello (01/10/1902 – 16/05/1951), filha de
Alípio Gomes de Carvalho Mello e de Maria Regina de Carvalho Mello. Desse
consórcio nasceram os filhos Humberto, Antônio (Tonho do Mestre) e Lucy (esposa
do Dr. Waldemar da Guia).
Alfaiate de profissão, mantinha uma bem montada oficina de
costura, a “Alfaiataria Oriente”, frequentada por jovens aprendizes que ali se
iniciavam no seu ofício. Na música, foi um benemérito; formando inúmeras
gerações de músicos.
Foi “exímio executante do trompete, violão e violino. De
1917 até a sua morte, foi o fundador, mestre e regente e o mantenedor da
Filarmônica Guarany, de Pão de Açúcar. Em 1922 criou o Conjunto de
Choro A Batuta e o Jazz Band Independente, além de um coral
sacro orquestrado. Participava de festas religiosas, recreativas e
cívicas. As retretas costumavam acontecer aos domingos após a celebração da
santa missa. Fundou a Sociedade Musical Guarany de Pão de Açúcar. Composições: Nozinho (choro), o
Hino do Tiro de Guerra e o Hino ao bispo Dom Fernando.” Fonte: ABC DAS ALAGOAS, BARROS, Francisco
Reynaldo Amorim de.
Faleceu em Maceió, no dia 18 de abril de 1960. Sobre a sua
personalidade, transcrevemos o artigo do Dr. Adherbal de Arecippo, publicado na
Gazeta de Alagoas em 28 de abril de 1960[i]:
“Não sei quantos homens, nascidos e vividos no interior do
Estado, tenham sido tão uteis como o musicista Manoel Victorino Filho, que,
inesperadamente, faleceu nesta capital, depois de mais de quarenta dias de
franca e magnífica convalescença de uma operação realizada. Nozinho, como todos
nós o chamávamos, foi o mestre inconfundível e incansável de dezenas de rapazes
que se dedicaram ao estudo da música. Terra de gente nascida para a arte de
Carlos Gomes, o meu saudoso pai, magistrado Antônio Arecippo, dizia, de vez em
quando: “Em Pão de Açúcar, todo mundo é músico.” E era um ponto de vista exato.
Não só os rapazes, como também as moças.
E os vocacionados para a mais bela das artes tinham em
Nozinho o professor competente, idealista e, mais do que isto: o desinteressado
pela remuneração financeira. Sim, porque o mestre Nozinho, como lhe chamavam os
queridos discípulos, vivia das funções de alfaiate, bem como comprando, no Sul,
tecidos para o seu estabelecimento.
Jamais deixou ele de manter uma banda de música, enfrentando
obstáculos dos mais variados, inclusive de ordem monetária. Mas, às suas
próprias custas, comprava instrumentos, mantinha a banda e igualmente uma
orquestra com mais de quinze figuras, que tocava nos bailes de Pão de Açúcar e
dos outros municípios, através de franco sucesso. A última tocata foi em São
José da Lage, neste último carnaval.
Não existe exagero em afirmar que inúmeros rapazes, ao
atingirem um adiantado grau de conhecimento e passando a sentirem haver se
tornado pequeno o meio musical pão-de-açucarense, rumaram para Maceió, Recife,
Rio de Janeiro e São Paulo, ingressando nas bandas de músicas militares das
referidas capitais, sem grandes esforços. E por isso mesmo, pela evolução dos
tempos, Nozinho, há vários anos, só tinha aprendizes cooperando consigo, porque
os atingidos a um nível de conhecimentos musicais, de logo despediram-se do
mestre, da família, dos amigos e da terra natal, rumando para as cidades
adiantadas.
Nozinho deixou dois irmãos possuidores da mesma vocação: os
musicistas Américo de Castro Barbosa, muito conhecido em Maceió, e José de
Castro Barbosa, ambos residindo no Rio de Janeiro.
Desaparecido aquele fazedor de músicos, quase impossível
dizer-se quem virá substituí-lo. E todos os pão-de-açucarenses esperam que o
seu nome seja sempre lembrado. Jamais esquecido.
O seu retrato necessita ser posto em mais de uma casa
pública, uma rua precisa ter o seu nome, uma escola municipal requer tê-lo como
seu patrono.
Os serviços musicais prestados por Manoel Victorino Filho não
duraram dez ou quinze anos apenas, mas teve um círculo de quarenta e cinco
anos, aproximadamente. Nesta crônica em que presto esta sincera homenagem,
embora modesta a Nozinho, quero, pelo pensamento transmitir ao querido amigo a
afirmativa de que jamais o esquecerei e, sobretudo, registrando-o no livro do
meu coração, como um dos homens mais úteis e mais necessários no seio da cidade
de Pão de Açúcar.”
Sobre as recomendações de Adherbal de Arecippo, podemos
informar que há, Conjunto José Gonçalves de Andrade (COHAB), em Pão de Açúcar,
uma rua com seu nome. Seu retrato bem poderá estar afixado no futuro espaço
cultural a ser instalado no sobrado onde se hospedou Dom Pedro II, que a
Administração Municipal cuida de reformar. Seu nome foi lembrado para ser patrono
da cadeira nº 20 da ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar.
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Fonte: TOCANDO AMOR E TRADIÇÃO – A BANDA DE MÚSICA EM
ALAGOASA, de Wilson Lucena (site www.noticiaquente.com.br).
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NOTA
Caro leitor,
Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”,
constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens
são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da
competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso
sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso
tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de
autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.


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