domingo, novembro 4

HOJE NA HISTÓRIA

PRÊMIO DEUTSCH PARA SANTOS DUMONT


Por Etevaldo Amorim

Há 111 anos, o brasileiro Santos Dumont foi oficialmente declarado vencedor do Prêmio Deutsch, oferecido pelo Aero Club de París, após seu voo com o dirigível N-6 em torno da Torre Eiffel.
O concurso foi promovido pelo milionário Deutsch de la Meurthe, empresário ligado à exploração e refino de petróleo e fazia parte das comemorações da virada do século. O desafio consistia em pilotar um dirigível ou aeroplano que contornasse a torre Eiffel, saindo do campo de Saint-Cloud, sobrevoando o rio Sena, o campo de Bagatelle e retornando ao pondo de partida em, no máximo, 30 minutos. No dia 19 de outubro, Santos Dumont concluiu o percurso em 30 minutos e 29 segundos.
Houve grande discussão em torno do resultado da prova. Foi então que, sob a presidência do Príncipe Rolando Bonaparte, a Comissão Julgadora, por 13 votos contra 9, conferia o prêmio a Santos Dumont. Para essa decisão muito contribuíram as opiniões dos membros do Instituto de France que, na comissão Cailletet, Bouquet de Lagrye, E. Moscart e Julio Violle.
Santos Dumont recebeu, no dia 5, 100 mil francos e, conforme havia anunciado, os distribuiu assim: 50 mil francos para os pobres de Paris, 20 mil francos para o seu secretário e infatigável companheiro  de trabalho Emmanuel Aimé e os 30 mil restantes aos operários que o ajudaram naquela empreitada.

domingo, outubro 14

44 ANOS SEM MANOEL BANDEIRA

No dia 13 de outubro de 1968, depois de vários dias no Hospital Samaritano no Rio de Janeiro, morria, aos 82 anos, o poeta pernambucano Manuel Bandeira. Foi sepultado no dia seguinte, no Mausoleu dos Acadêmicos, no Cemitério São João Batista.
Manuel Bandeira nasceu no Recife em 19 de abril de 1886. Desde 1940, pertencia à Academia Brasileira de Letras, quando foi eleito para a vaga de Luz Guimarães Filho, na Cadeira nº 24, que tem como patrono Júlio Ribeiro.

Um de seus últimos poemas:

PREPARAÇÃO PAR A MORTE

A vida é um milagre
Cada flor
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.

Cada pássaro com
sua plumagem, seu vôo, seu canto.
Cada pássaro é um milagre.

O espaço infinito,
O espaço é um milagre,
O tempo infinito,
O tempo é um milagre,
Tudo, menos a morte.
___________
Disponível em: memoria.br.br

quarta-feira, outubro 3

SONETO (a Fernando Ferreira de Loanda)


                                                  Lêdo Ivo¹

À doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude eu me abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros.

Versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.

Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião

Irei, levando uma mulher comigo.
E serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo
____________________

 Poema publicado no suplemento dominical do
   jornal carioca A MANHÃ, em 10 de março de 1946.
   Disponível em: memória.br.br



¹ Ledo Ivo, poeta alagoano nascido em Maceió
   Em 18 de fevereiro de 1924.


  .

sábado, setembro 15

SEMINÁRIO - CENTENÁRIO RENATO DE MENDONÇA


Participe do Seminário em comemoração do centenário do diplomada alagoano RENATO DE MENDONÇA, nos dias 3 e 4 de outubro próximos.

Local: Casa do Patrimônio do IPHAN
Rua Sá e Albuquerque, 157 - Jaraguá
MACEIÓ - AL
INSCRIÇÃO GRATUITA




quinta-feira, setembro 6

O SEQUESTRO DO EMBAIXADOR AMERICANO

No dia 9 de setembro os jornais estampam a notícia de novo Ato Institucional. Era uma resposta do Regime à bem sucedida ação das organizações de esquerda. Entrava em vigor o AI-13, instituindo a pena de BANIMENTO, que era inaugurada exatamente pelos presos políticos enviados para o México, libertados que foram em troca do Embaixador.



Há exatos 43 anos, a Ditadura Militar libertava 15 presos políticos em troca do embaixador dos Estados Unidos da América Charles Elbrick.
A imprensa do então Estado da Guanabara exibe farto noticiário.
No dia 6 de setembro de 1969, o Correio da Manhã, Diário da Noite e Diário de Notícias trazem a relação dos presos que deveriam ser libertados:

Gregório Bezerra, Vladimir Gracindo Soares Palmeira, José Ibraim, João Leonardo Silva Rocha, Ivens Marchetti do Monte Lima, Flávio Aristides Freitas Tavares, Ricardo Villas Boas de Sá Rego, Mário Roberto Galhardo Zaconato, Rolande Fratti, Ricardo Zaratini, Onofre Pinto, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Agnaldo Pacheco da Silva, Luiz Gonzaga Travassos da Rosa e José Dirceu de Oliveira e Silva.

Os jornais do dia 7 e 8 de setembro noticiam a partida dos libertados para o México.








Disponível em: memoria.bn.br.


sábado, agosto 11

AS MÃOS DO MEU PAI


Mário Quintana


As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
 — como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento? Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
________________


sábado, agosto 4

CORTAR O TEMPO

                                                          Carlos Drumond de Andrade

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui prá diante vai ser diferente.

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia