domingo, maio 24

PEDRO LÚCIO ROCHA, O CONSTRUTOR DE SONHOS

 

Por Etevaldo Amorim

 

Pedro Lúcio Rocha. Foto: Câmara Municipal de Pão de Açúcar


No último dia 21 de maio, Pão de Açúcar perdeu uma de suas personalidades mais notáveis: Pedro Lúcio Rocha. Figura singular, ele marcou sua passagem pela nossa comunidade como um propulsor do desenvolvimento sociocultural, político e associativo.


Tal singularidade se justifica pelas suas indiscutíveis qualidades de homem público (ativo, dinâmico, empreendedor), mas também pelas suas características pessoais. Pedro foi, pode-se dizer, um autodidata. Entretanto, a limitada instrução formal era suprida por uma incomparável capacidade de formular o seu pensamento. Sua oratória vibrante, de pretensão erudita, o tornava único e inigualável, embora muitos pudessem imitá-lo na forma e no tom. Era comum ouvi-lo evocar a força de Castro Alves, ao proclamar que “a praça é do povo como o céu é do condor”; ou enaltecer Pão de Açúcar como “a terra de Bráulio Cavalcante, de Jovino da Luz e de Moreno Brandão”. Some-se a isso o seu formidável poder de persuasão e a perseverança em tudo quanto dizia respeito ao exercício da sua vocação.


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Pedro nasceu no povoado Agreste (então município de Pão de Açúcar; hoje pertencente a Monteirópolis), no dia 15 de junho de 1938, na humilde morada do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu.


Deixou o pequenino rincão sertanejo e foi para o Rio de Janeiro. Serviu ao Exército, provavelmente no final da década de 1950. Nessa ocasião, como parte de suas atribuições de soldado, teria, supostamente, "carregado a mala de Fidel Castro.” De fato, o emblemático líder da revolução cubana, recém vitoriosa em 1959, esteve em visita ao Brasil naquele ano.


Solenidade na Prefeitura de Pão de Açúcar. A partir da esquerda: Padre José Nascimento, Augusto Machado, Vereador Antônio Alves da Silva, Ronalço dos Anjos e Pedro Lúcio, durante o seu primeiro mandato.


Voltando a Pão de Açúcar, aproximou-se dos homens influentes da época: Augusto Machado e Elísio Maia. Atraído pela política, candidatou-se a Vereador nas Eleições de 1965. Eleito, cumpriu o mandato até 1969. Neste mesmo ano, por meio de Projeto de sua autoria, foram instituídos os Símbolos Oficiais do Município (hino, brasão e bandeira), frutos da colaboração dos amigos Maestro Passinha (na música) e do Padre José Nascimento (na letra), sendo aprovados pela Lei Municipal nº 394.


Foi novamente eleito no pleito de 1969, para a Legislatura 1970-1972. Já nas Eleições de 1972, ficou na primeira suplência. Acabou assumindo o mandato em face do trágico falecimento do vereador Germínio de Araújo Costa, em 21 de abril de 1979, permanecendo até 1982.


Em 1988, mesmo sem deter mandato eletivo, Pedro Lúcio destacou-se na articulação que buscava a ampliação de uma frente de oposição no município. Esta união consolidou-se na 'Coligação Muda Pão de Açúcar' por meio do partido que fundara e presidia, o PMB (Partido Municipalista Brasileiro), que, ao lado do PCdoB e do PSB, formou a chapa Cacalo/Jorge Dantas – prefeito e vice-prefeito, respectivamente

 

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ASSOCIATIVISMO


Concomitante ao exercício do mandato de vereador, Pedro iniciou-se no caminho do sindicalismo. Em 3 de janeiro de 1972, foi fundador e primeiro Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pão de Açúcar, cuja sede ficava no número 225 da Rua Pe. José Soares Pinto (antiga Rua Augusta). Para isso teve a colaboração do Padre Heliomar Queiróz Mafra.


Como era comum no período, a entidade operou sob a tutela do Ministério do Trabalho durante os regimes ditatoriais. Contudo, a liderança de Pedro Lúcio foi, aos poucos, evoluindo para uma defesa mais autêntica e combativa das causas dos trabalhadores rurais, sobretudo após o advento da Nova República, que pôs fim a 21 anos de regime militar.


A evidência dessa nova postura confirmou-se em abril de 1987[i], quando o ministro Dante de Oliveira assinou a portaria que incluiu Pedro Lúcio na Comissão Agrária de Alagoas. Ele passou a integrar o órgão como porta-voz da categoria, compondo a representação ao lado de José Caetano da Silva e José de Souza Neto.


Ainda no campo do associativismo, Pedro Lúcio fundou e foi o primeiro presidente da Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Estado de Alagoas (FIECIA) e teve papel fundamental na organização de movimentos populares no semiárido alagoano.


Em 2001, passou a ser membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), atuando ativamente na proteção do "Velho Chico".


Pedro Lúcio foi também um hábil articulador e promotor social, organizando palestras e festivais de cultura, atraindo para Pão de Açúcar personalidades destacadas da sociedade alagoana, propiciando aos locais - sobretudo aos jovens - a oportunidade de acesso à cultura e ao saber.


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COMUNICAÇÃO


No mesmo ano em que fundou o Sindicato, precisamente em 16 de setembro de 1972, Pedro criou o Jornal A PÁTRIA. Era um jornalzinho pertencente à Associação Pão-de-açucarense de Jornalismo e Comunicação, e impresso nas oficinas do Colégio São Vicente. Ali estavam Massilon Ferreira da Silva, Álvaro Antônio Melo Machado, Érico Melo de Abreu, Erivaldo Caldeira de Souza (Guri) e Etevaldo Alves Amorim. Depois chegaram outros jovens que também tiveram oportunidade de despertar para as vocações literárias: José Carlos Lima, Gilvan Abreu, Yvan Silva Fialho e Helio Silva Fialho, Darival Lira.



Também nessa época, ele ativou o serviço de alto-falantes e a emissora de rádio Antena Municipal de Pão de Açúcar, “dando, assim, oportunidade para alguns membros da juventude pão-de-açucarense fazerem trabalhos de locução e sonoplastia, incentivando-os a ingressar no mundo da comunicação como radialistas e jornalistas.” – diz o jornalista Helio Fialho em discurso pronunciado em homenagem aos seus 80 anos.


HOMENAGENS


Como reflexo da sua intensa atuação, Pedro Lúcio foi alvo de diversas homenagens. Entre as mais destacadas:


A Comenda do Mérito Educativo Alagoano, honraria destinada a reconhecer e homenagear educadores e personalidades que tenham prestado relevantes serviços à Educação no Estado de Alagoas, concedida em 17 de dezembro de 2008, no Auditório do Palácio República dos Palmares, por ocasião do 46º aniversário do Conselho Estadual de Educação.


Comenda 200 Anos de Alagoas, oferecida pela Câmara Municipal de Pão de Açúcar no dia 22 de setembro de 2017, por ocasião das comemorações alusivas aos 200 anos de emancipação política do nosso Estado.


Pedro Lúcio Rocha foi Sócio honorário da Academia de Letras de Pão de Açúcar (ALEPA), fundada em 22 de setembro de 2017, e foi homenageado com um livro de cordel intitulado "Pedro Lúcio Rocha - Um homem à frente do seu tempo", do poeta e escritor Giovanni Fialho.


Outra singela, mas significativa homenagem, lhe foi prestada na noite do dia 15 de novembro de 2014, no Bar do Madureira, em Pão de Açúcar. Alguns dos amigos com os quais conviveu em suas lides sindicais e jornalísticas — Massilon Silva, Érico e Gilvan Abreu, Lindalvo Costa, Etevaldo Amorim e Reginaldo Lira o brindaram com uma placa contendo os dizeres: “PEDRO LÚCIO ROCHA – CONSTRUTOR DE SONHOS. Homenagem de seus amigos por sua coragem, trabalho e sabedoria na luta."


Flagrante da homenagem a Pedro Lúcio em 15 de novembro de 2014.

Pedro Lúcio recebendo a placa em sua homenagem.


Aliás, por ocasião das tratativas para a homenagem, foi criado um Grupo de WhatsApp, idealizado por Érico Abreu, que perdura até hoje, do qual participam: Érico, Gilvan, Schumann, Massilon, Júlio César, Etevaldo, Álvaro Antônio, Lindalvo e Edberto.


E para não ficar sozinho nesta tentativa de dizer o quanto Pedro Lúcio foi importante para Pão de Açúcar, recorro a alguns depoimentos de membros desse Grupo.


Júlio César Lima Dias relata que, buscando melhorias para o seu povoado (Ilha do Ferro), no caso um simples abrigo para a TV Pública, buscou o apoio de Pedro Lúcio, então dirigente da FIECIA – Federação Intermunicipal das Entidades Comunitárias do Interior de Alagoas. Diz ele que “Pedro Lúcio, ao perceber naquele jovem a busca sincera por direitos sociais, acolheu-me com dignidade e respeito. Esse gesto elevou minha autoestima: de um simples matuto do interior, passei a enxergar-me como alguém capaz de contribuir para transformar a realidade e ajudar outras pessoas”.


O pleito daquele jovem de 17 anos foi atendido: a Prefeitura construiu uma estrutura em praça pública e todos passaram a desfrutar da programação da TV Pública. E Júlio César continua: “Aquilo me deixou, de certo modo, empoderado. E Pedro Lúcio, como exímio garimpador de ‘talentos militantes’ levou-me para trabalhar no STR e na FIECIA. Lá aprendi muito e ficava impressionado com sua capacidade de redigir, apenas ditando. Além de nossa família, outras pessoas têm influência definidora nas nossas vidas e, na minha, Pedro Lúcio foi um desses agentes atuadores.”


De Álvaro Antônio Melo Machado, temos o seguinte depoimento:


Pão de Açúcar perdeu um dos personagens mais identificados com sua história. Perdeu, fisicamente, Pedro Lúcio Rocha. E apenas assim, pois na História de Pão de Açúcar, daqui para frente, Pedro Lúcio será sempre lembrado pelo muito que fez pela nossa terra.


De origem humilde, nascido na caatinga do sertão, Pedro Lúcio lutou contra todas as formas de preconceitos e discriminação e, por seu único e exclusivo mérito, venceu e foi longe, bem além do que muitos letrados não conseguiram chegar.


A Pedro Lúcio, Pão de Açúcar deve o exemplo aguerrido do líder sindical, que estruturou e deu força ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais na difícil época da ditadura; o exemplo do líder nato que ficou à frente dos projetos que uniam o social e o cultural. Foi assim na criação do jornal A Pátria, na organização de festivais e músicas e de poesias, nos esportes, na radiofonia.


Tornou realidade dois dos maiores símbolos de Pão de Açúcar: a bandeira do município e o nosso hino oficial.


Participou, de forma singular, de momentos políticos marcantes na história de Pão de Açúcar.


Vai-se, além do grande líder sindical, um amigo muito querido, com quem muito aprendi e muito compartilhei lutas e iniciativas em prol de Pão de Açúcar, de Alagoas e do Brasil.


Deus me proporcionou a alegria de, no último mês de dezembro, participar da bela homenagem que a ALEPA – Academia de Letras de Pão de Açúcar, prestou a Pedro Lúcio. E o meu presidente Helio Fialho honrou-me sobremaneira, me escolhendo para fazer a saudação ao homenageado, em nome da nossa Academia.  Foi nosso último momento juntos, em meio a tantos e tantos que marcaram nossa vida e nossa trajetória. Que Deus o receba em Sua Glória!


E, por fim, as palavras de Massilon Ferreira da Silva:


“O VIAJANTE DAS ESTRELAS OU O AJUDANTE DE DEUS


Ele tinha uma irmã [começo por aqui]; uma freira que anualmente o visitava e aos pais de ambos, num distante povoado dos confins de Alagoas. Daí talvez terá nascido seu apego aos padres, à igreja e às coisas divinas. Um católico fervoroso que, antes da conversão, desfilou pela Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, em homenagem a Che Guevara, comunista e ateu de carteirinha. Era recruta do Exército Brasileiro e não tinha escolha.


Um dia aportou por aqui, não se sabe como, e foi então que aquele irmão de freira ‘fez o diabo’. Ajudou na missa, acompanhou procissão, fundou sindicato, jornal, rádio, time de futebol, escreveu letra de hino, foi político e amigo acima de tudo.


Hoje, ‘como veio partiu não se sabe pra onde’, para citar Chico Buarque. Para citar, de outra banda, os ufólogos modernos, viajou com destino a um Exoplaneta, situado num sistema qualquer de uma galáxia distante, cujos habitantes estão precisando de uma ‘mãozinha’, a mão amiga de Pedro Lúcio Rocha, o irmão da freira que o espera na próxima estrela para encorajá-lo a começar tudo de novo."


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Pedro vinha, há algum tempo, muito doente. Nos últimos dias, achava-se internado no hospital de Pão de Açúcar.


Na véspera de sua morte - relata Lindalvo – eu e Gilvan o visitamos. Tinha acabado de tomar morfina e estava descansando. Acordou depois, sentou-se, mas não falou nada, apenas olhou para nós e voltou a dormir.


Dormiu para a eternidade. E, por tudo o que fez em sua vida de 88 anos, tornando realidade as suas aspirações e os anseios de muitos, bem merece a frase cunhada por Érico Abreu: PEDRO LÚCIO ROCHA foi um CONSTRUTOR DE SONHOS.

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Nossos sentimentos sua esposa Lizete Alves Rocha e seus filhos Eliane, Giovanni, Clayton e Edjane.

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NOTA

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Portaria assinada pelo Ministro da Reforma Agrária, Dante de Oliveira, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 1987.

3 comentários:

  1. Além de tudo isso, Pedro Lúcio tinha a rara habilidade transitar por espaços políticos diversos, às vezes antagônicos, sem incomodar. E ao contrário de muitos, sempre recorreu a articulação como ferramenta de luta, nunca ao ódio.

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  2. Conheci o lendário Pedro Lúcio nos anos de chumbo . Figurava entre ideologias contrárias ,sem dificuldades . Nos cedeu a sede do sindicato dos trabalhadores rurais de Pão de Açúcar por mais de uma vez, onde fazíamos debates acalorados contra o regime vigente ,mesmo contrariando muitos de seus aliados . . Bela homenagem de Ethevaldo . .Paz e luz para você , Pedro Lucio

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  3. Uma justa, merecida e oportuna homenagem a esse personagem político social e humanista. Aprendi muito com seus conselhos e excelentes prosas

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia