quarta-feira, setembro 23

PERSONALIDADES PÃO-DE-AÇUCARENSES – FRANCISCO FIALHO

 

Por Etevaldo Amorim

 

O Sr. Francisco Gonçalves Fialho. Foto: acervo de Helio Fialho.


Esse é um legítimo pão-de-açucarense, que se inscreve no rol daqueles que deixaram a terra natal para brilhar em outras plagas.


FRANCISCO GONÇALVES FIALHO nasceu em Pão de Açúcar, Estado de Alagoas, no ano de 1886, filho de José Targino Gonçalves Fialho (que até 1882 ocupara o cargo de agente do Correio na povoação de Piranhas[i], estabelecido em Pão de Açúcar com a Farmácia Popular.[ii]) e Maria Francisca de Lacerda.


Era tio do saudoso farmacêutico João Fialho de Mello (Joãozinho Fialho) e do seu irmão Durval Fialho, personalidades queridas que se estabeleceram firmemente em Pão de Açúcar e deixaram em nossa cidade uma numerosa e estimada descendência.


Em 1904, seu nome aparece como Escrivão[iii] na cidade de Anajás, Estado do Pará, de onde enviava charadas para o Almanak de Pernambuco. A propósito, há registro de viagem dele em companhia de sua mãe Maria Francisca de Lacerda, viajando do Pará para o Recife,[iv] dando a entender que a família passara algum tempo naquele Estado.


O fato é que, entre 1907 e 1910, dizendo-se de Pão de Açúcar, seu nome aparece numa lista de “decifradores” no Almanak de Pernambuco, sugerindo que retornara a Pão de Açúcar. Tanto que, no dia 18 de janeiro de 1908, aos vinte e dois anos, casou-se com a Srtª Aurora de Aragão Lisboa, filha de Manoel Martins de Aragão Lisboa e Francisca Vieira de Aragão Lisboa.


A mãe de Aurora, Francisca Vieira de Aragão Lisboa, era filha de Cel. Gonçalo Martins Lisboa e de Ana Vieira da Conceição Lisboa, e, portanto, irmã do Cel. João Vieira Lisboa (que foi prefeito de Pão de Açúcar).


Uma nota na revista O Malho, de 15 de fevereiro de 1908, registra o fato:


“Tenente Francisco Gonçalves Fialho - Pão de Açúcar, Alagoas. Agradecidíssimos pela gentil participação do seu casamento. Deus faça que a vida do feliz casal tenha sempre a doçura da localidade, e lhe dê muitos Fialhinhos.” De fato, desse consórcio, nasceram os “Fialhinhos”: Lienarde, Danúbio, Mozart, Hélio, Danúbio, Lanúsia, Masaix e Lectícia.


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ATIVIDADE COMERCIAL


Sua atividade no comércio se iniciou em Penedo. Em 1909, na “capital do Baixo São Francisco”, era agente da Casa Standard, que vendia os famosos e caríssimos cronômetros Royal, os pianos Ritter Halle (de origem alemã) e as máquinas de escrever norte-americanas Smith Premier, pelo sistema de clubs[v], similar aos atuais consórcios.


Com sede na Rua do Ouvidor, 93-95 (depois transformado em 106), no Rio de Janeiro, a Standard foi uma das mais importantes importadoras e revendedoras de relógios e gramofones no Brasil no início do século XX, adquirindo fama ao popularizar esses itens de luxo.


Os cronômetros “Royal” eram um modelo da fábrica suíça Vacheron & Constantin, sediada em Genebra. Em 1910, o próprio Francisco foi contemplado com um desses, proclamado como “o 1º relógio do mundo”, conforme publicação no jornal A Imprensa (RJ), no dia 30 de outubro daquele ano.

A Casa Standard no dia se dia de sua inauguração em 1907. Foto O Malho, com IA

Exemplar do famoso relógio de bolso Royal.


Transferiu-se depois para Maceió, onde se tornou “próspero comerciante, reconhecido por sua atuação no comércio de charque e cereais em Maceió, abastecendo tanto o atacado quanto o varejo na região. Sua casa comercial ficava localizada no Jaraguá.”[vi]


Em 1917, dirigia uma agência de importação, Rosa Borges & Cia, de Pernambuco, para vendas de farinha de trigo e outros artigos de estiva, estabelecida na Rua da Alfândega, 113, em Jaraguá.[vii]


Ao que parece, suas atividades comerciais se alternavam entre Maceió e Penedo. Tanto que, em 9 de abril de 1920, ele subscreve um abaixo-assinado firmado por comerciantes, industriais, agricultores, imprensa e outras classes produtoras de Penedo, dirigido ao presidente do Banco do Brasil (José Joaquim Monteiro de Andrade), de que foi portador o deputado Clementino do Monte, reivindicando a criação de uma filial naquela cidade.[viii]


Em 1921, foi eleito um dos Diretores Mensais da Associação Comercial de Maceió, ao lado de Iona & Cia, Teixeira Basto & Cia, e outros.[ix]


Em 1922, estabelecido no comércio de Penedo, Francisco G. Fialho matricula-se na Junta Comercial de Alagoas.[x]


Em 1923, era agente, em Penedo, a Companhia Cervejaria Brahma. O jornal PENEDO ESPORTIVO, de 22 de abril de 1923, anuncia que “São as melhores cervejas, águas e gasosas”.


Em 1926, representava, em Penedo-AL, a firma Bromberg & Cia, que negociava com produtos tipográficos. Fonte: O Progresso, Penedo-AL, 31 de outubro de 1926.


Fundada por Martin Bromberg, foi uma das mais importantes empresas de importação e comércio de origem alemã no Brasil, operando principalmente entre 1863 e 1932.


Nesse mesmo ano, dirigia e mantinha às suas custas, o jornal espírita A LUZ, de circulação semanal.[xi]

 

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FILANTROPIA E TRAJETÓRIA ESPÍRITA


Segundo informações do farmacêutico e sobrinho João Fialho de Mello, fornecidas pelo seu filho Helio, Francisco Fialho costumava visitar os hospícios, em Maceió, para exercitar a caridade.


Na capital alagoana, onde já estava em 1910, segundo registro nos jornais da época, Francisco Fialho já exercitava sua atividade filantrópica, cooperando com a LIGA CUPON BENEFICENTE.[xii] Esta entidade foi fundada, em Maceió, no dia 23 de agosto de 1910. A instituição se propunha angariar “cupons” da Companhia Alagoana Trilhos Urbanos, a fim de concorrer aos prêmios pecuniários que pela mesma companhia fossem entregues a quem apresentar maior número deles. A importância arrecadada teria a seguinte destinação: Aos pobres: 3%; à Sociedade São Vicente de Paula: 10%; à Auxiliadora dos Cristãos: 10%; ao Asilo de Mendicidade: 10%; à Caixa Escolar: 10%; à biblioteca da Perseverança: 1%; e para a manutenção da Liga: 20%.[xiii]


Em 1923, em sessão do dia 13 de maio, Francisco Fialho foi eleito Tesoureiro do Centro Espírita Alagoano Mello Maia, para o biênio 1923-1924. Em sessão de 17 de maio de 1926, foi eleito Vice-Presidente, sob a presidência de João Lício de Almeida Marques.[xiv]


Aliás, João Lício Marques, juntamente com sua esposa Noemi de Carvalho Marques, mantinham, na Pajuçara, a Escola Tibúrcio de Carvalho, que abrigava cerca de cento e cinquenta crianças pobres, que ali recebiam material didático e merenda.


A Escola Tibúrcio de Carvalho, na Pajuçara. Foto: Aurora, 1920.


O historiador Craveiro Costa, em visita à escola, narrou assim o seu sentimento:


"Um grupo de crianças vagabundas, num dia de chuva, despertou no formoso coração da senhora João Lício o desejo de educar aquela meninada vadia, solta na rua; entregue à natureza áspera e ao destino incerto.


A 7 de fevereiro de 1920, em sua própria casa, ela mesma, a mestra, a senhora João Lício, abria à frequência pública a escola "Tibúrcio de Carvalho". Apenas três alunos, filhos de um pescador. No mês seguinte, o número de alunos subiu a 70. Foi adquirida uma casa, convenientemente mobiliada e contratada uma professora - Rosália Sandoval, eleita das Musas, professora provecta, mais por vocação do que mesmo pelas exigências infungíveis da vida.


A intolerância clerical - porque o casal João Lício professa as doutrinas kardecistas - combateu ferozmente a escola, apontando-a como casa de corrupção. Entretanto, o ensino da doutrina espírita ali não era nem obrigatório. E que o fosse, não havia mal nem crime. A escola despovoou-se.


Passada a rajada de hostilidade contra uma obra meritória, as ovelhas desgarradas voltaram ao aprisco, atraídas pela piedade cristã da senhora João Lício.


Hoje, ali, em Pajuçara, existe uma vasta obra de benemerência, mantida sem estardalhaço pela caridade do casal. Um curso diurno frequentado por 58 meninas e 50 meninos, e um curso noturno, principalmente para adultos, com 95 alunos.”[xv]


Em 1920, a escola já tinha um hino, composto pela professora Rosália Sandoval (pseudônimo de Rita de Abreu, brilhante poetisa alagoana).[xvi]

 

HINO DA ESCOLA TIBÚRCIO DE CARVALHO


Operários da estrada infinita
que percorre as esferas do Além.
Adiante! A oficina é bendita
e o trabalho é bendito também!

Tenhamos constância
em nosso lidar.
Passemos a infância
a estudar, a estudar!

Rouxinóis saídos da noite trevosa
para a escola que é dia, que é luz,
aprendemos na bíblia formosa
dos ensinos, do amor de Jesus.

Tenhamos constância, etc...

Nós seríamos sempre esquecidos
pobrezinhos sem lar e sem pão
se não fôsseis buscar os falidos
para dar-lhes amor e instrução.

Tenhamos Constância, etc...

As estrelas se miram nos lagos,
nossas almas se miram no céu,
caridade, teus doces afagos
nos envolve em lúcido véu.

Tenhamos constância, etc...

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Em 1924, Francisco Fialho foi eleito presidente do Grupo Espírita Dr. Manoel Antônio da Cruz, sendo reeleito sucessivamente em 1925 e 1927. A ESCOLA ESPÍRITA criada pelo Grupo, em Jaraguá, para oferecer educação às crianças pobres, tinha dele ajuda substancial.[xvii]


Foi nesse período que o Grupo recebeu a visita de Viriato Corrêa,[xviii] destacado homem de letras e adepto do espiritismo.


No dia 9 de dezembro de 1924, em passagem por Maceió, o Dr. Viriato Corrêa aceitou um convite para visitar o Grupo Espírita Manoel Antônio da Cruz, que funcionava no número 86 da antiga Praça do Rayol, em Jaraguá. O seu diretor, Francisco Fialho relata esse encontro na edição de 16 de março de 1925, do jornal A AURORA, que se publicava no Rio de Janeiro.


“Ali já se encontrava numerosa assistência que aguardava a visita do talentoso espírita e o início dos trabalhos da sessão de evangelização que sempre se realiza às terças e quintas-feiras, naquela seara cristã.


Aberta a sessão, lido e ouvido religiosamente, naquele ambiente de paz, o ponto do Evangelho aberto após a concentração, surgiu à tribuna o nosso confrade Dr. Theodoro Palmeira que, num improviso, disse que sua missão era bem difícil naquele momento, pois tinha diante de si a figura do eminente homem de letras que era uma notabilidade literária do país, e para apresenta-lo a seus amigos sob este ponto de vista, o momento lhe traía os bons intentos, o apoucamento espiritual fugia-lhe à vontade, apesar da admiração e estima fraternal que votava ao eminente irmão.


Falava, porém, como espírita, como partidário decidido da Nova Revelação científico-espiritualista, e, como tal, erguia em nome da coletividade espírita seus braços de irmão e, num amplexo de amor, harmonia e paz, dizia ao querido itinerante: Viriato Corrêa, os teus irmãos te saúdam no recinto deste templo; eles aqui se acham, como tu, à procura desse ideal superior de regeneração pelo amor, pela renúncia, pela fé em nosso Divino Mestre em quem depositamos todas as nossas esperanças.


Tua visita tem para nós todos uma significação importantíssima, e para o mundo que te vê agora adestrado romeiro do caminho da verdade.


O Espiritismo, que nada mais é do que o restabelecimento da verdadeira doutrina ensinada pelo Divino Mestre, muito espera de ti, do ouro do teu talento, do teu coração e da tua nova fé.


Após o breve discurso do nosso irmão Dr. Theodoro Palmeira, ergueu- se o Dr. Viriato Corrêa e, com sua palavra meiga e sincera, disse que nada mais era do que um humildo converso da doutrina espírita; sentia-se bem naquele recinto cheio de paz, repleto de amor, onde havia afinidades espirituais.


Era um iniciado, porém sua convicção já estava formulada sobre preciosas bases.


No Evangelho de Jesus Cristo, explicado em espírito e verdade pelo Espiritismo, encontrara a fonte onde ia beber a inspiração de seu espírito. Disse que tudo vinha a tempo, tudo tinha o seu dia.


Ele fora um desinteressado do Espiritismo; muito tempo andou assim, até que um dia, abrindo casualmente um livro de Kardec, por um impulso que a si próprio encheu de admiração, seus olhos demoraram pela primeira vez em letras espíritas, e então aquilo que para ele parecia intolerável, assumiu importância capital.


Viu então que seu descaso não tinha justificação em frente a argumentação raciocinada da filosofia espírita, a concisão perfeita da ideia discutida e provada. Desde então tornou-se ele um adepto do Espiritismo. Hoje sentia-se feliz ao lado daqueles que formavam nas fileiras espíritas.


A conferência do ilustre itinerante foi bordada de fatos interessantes pelos quais procurou demonstrar a ação positiva e protetora do invisível sobre si, em diversos momentos da sua vida.


As últimas palavras do ilustre conferencista foram cobertas por uma salva de palmas. O nosso irmão Coronel Manoel Zeferino também produziu eloquente oração, cumprimentando o notável conferencista, exprimindo-lhe um voto ardente de fé, sua grande satisfação por ver naquela doce comunhão espiritual a presença ilustre do notável homem de letras e valioso adepto do Espiritismo.


O Dr. Viriato agradeceu da tribuna a atenção com que seus amigos e irmãos receberam sua visita e suas palavras.

Com a excelentíssima família, o Dr. Viriato Corrêa seguiu para o Rio.

(a(a) Francisco Fialho – Diretor.”

 

Em 1928, participava da Sociedade Espírita Discípulos de Jesus; e em 1929, foi eleito presidente do GRUPO UNIÃO ESPÍRITA. Em 1930, era delegado da Federação Espírita Portuguesa no Estado de Alagoas.

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Francisco Gonçalves Fialho faleceu em Maceió em 8 de março de 1930, sendo sepultado no dia seguinte, no cemitério de Jaraguá, cujo registro foi feito pelo também pão-de-açucarense, o Cônego Fernando Alves Lyra.


A essa época dirigia também a Escola Santo Ambrósio, para crianças pobres.[xix]


Em 26 de março de 1943, tendo como um dos principais fundadores a Srª Virgínia Gusmão (dona Pio)[xx], foi criado o Centro Espírita Francisco Fialho, que funcionou provisoriamente na Rua Santo Antônio, 335, na Ponta Grossa. Em 1954, passou para a sede própria, inaugurada no dia 1º de setembro daquele ano, na Av. Silvestre Péricles, 1690, conhecida como “rua Formosa” e que, àquela época se chamava Gabino Besouro.

O Centro Espírita Francisco Fialho na Rua Silvestre Péricles, antiga rua Formosa.


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Sua esposa o sucedeu nos negócios. A firfma VIÚVA FRANCISGO G. FIALHO, estabelecida à Rua Barão de Jaraguá, 219, era distribuidora dos bombons e caramelos da fábrica Beija-Flor, sediada no Recife.[xxi]


Atuava como agente da Empresa Construtora Universal Ltda, com sede Rua Líbero Badaró, 46-A, em São Paulo, que operava com um modelo de negócios pioneiro para a época: o sistema de poupança mútua por meio de Títulos de Capitalização e Sorteios Imobiliários.


Era também representante, em Alagoas, da Companhia Ítalo-Brasileira de Seguros Gerais, precursora da atual Itaú Seguradora.

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NOTA


Caro leitor,


Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Diário da Manhã, Maceió-AL, 21 de maio de 1882.

[ii][ii] Almanak do Estado de Alagoas, 1891.

[iii] Almanak Laemert, 1904.

[iv] Jornal do Recife, 22 de maio de 1906.

[v] Modelo de vendas precursor dos atuais consórcios. A diferença é que o membro sorteado ficava isento das prestações seguintes. Fonte: O Monitor, Penedo-AL, 28 de junho de 1909.

[vi] Depoimento de Helio Fialho.

[vii] Fonte: DIÁRIO DO POVO, Maceió, 14 de abril de 1917.

[viii] Revista de Comércio e Indústria, publicação oficial da Associação Comercial de São Paulo. Ano VI – Número 67, julho de 1920.

[ix] Fonte: Diário de Pernambuco, 1º de setembro de 1921.

[x] Correio Paulistano, 9 de julho de 1922.

[xi] Fonte: O Progresso, Penedo-AL, 29 de novembro de 1926.

[xii] A primeira Diretoria era assim constituída: Presidente: José Augusto Cabral; Vice-Presidente: Dr. Odilon Auto; 1º Secretário: Synval P. de C. Gama; 2º Secretário: Américo P. G. Filho; Tesoureiro: Alceu Andrade; Orador: Dr. Barreto Cardoso. Fonte: Gutenberg, 3 de setembro de 1910.

[xiii] Ao comprar a passagem de bonde, o cidadão pagava o valor total estipulado pela companhia de trilhos urbanos. Uma fração predeterminada daquela tarifa (ou o valor correspondente àquele "selo/cupom" específico anexo ao bilhete) era reservada pela empresa para fins filantrópicos. O Papel do Passageiro: A caridade dependia da ação do passageiro (ou de quem juntava os bilhetes) de não jogar o cupom fora após a viagem. Era necessário destacar o cupom beneficente e entregá-lo nas urnas das estações, em jornais parceiros ou diretamente às instituições.

[xiv] Aurora (RJ) 1º de junho de 1923.

[xv] O JORNAL, 7 de fevereiro de 1923.

[xvi] Aurora, 3 de outubro de 1920.

[xvii] Fonte: JORNAL DO RECIFE, 26 de janeiro de 1924.

[xviii] Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho. Jornalista, político, escritor e dramaturgo. Nasceu em 23 de janeiro de 1884 em Pirapemas, Maranhão. Faleceu no Rio de Janeiro em 10 de abril de 1967 aos 83 anos. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, sendo o terceiro ocupante da cadeira 32.[3] Foi eleito em 14 de julho de 1938, na sucessão de Ramiz Galvão, tendo sido recebido por Múcio Leão em 29 de outubro de 1938.

[xix] Gazeta de Alagoas, 8 de março de 1942.

[xx] Dona Pio faleceu em 21 de junho de 1950, conforme nota na Gazeta de Alagoas de 2 de julho daquele ano.

[xxi][xxi][xxi] Conhecida como Renda-Priori, foi fundada em 1926 pelo imigrante italiano Pedro Renda e seu cunhado Luiz Priori. Fonte: Memória Gráfica Pernambucana, Jarbas Espíndola Agra Jr.

3 comentários:

  1. Excelente matéria, parabéns nobre amigo, confrade Etevaldo Amorim por esse belo registro histórico

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  2. Um registro precioso da memória de Pão de Açúcar! A expressão “muitos Fialhinhos”, tão própria da linguagem de outros tempos, acabou se tornando uma verdadeira profecia familiar. Os filhos vieram e, com eles, a continuidade de um nome que passou a fazer parte da história e da memória desta terra. São documentos assim, singelos em sua forma, mas ricos em significado, que ajudam a reconstruir a história das famílias e, por consequência, a própria história de Alagoas.

    Reproduzo aqui o comentário de Jorge Luiz Abreu Duarte

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  3. Excelente homenagem e um merecido registro histórico desse ilustre ascendente da família Fialho. Família essa centenária em nosso Município e que tanto vem ajudando na evolução político-social-educacional e artística de nosso querido rincão.

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A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia