quarta-feira, fevereiro 7

A PARÓQUIA DE PÃO DE AÇÚCAR – O SEGUNDO VIGÁRIO

Por Etevaldo Amorim

 

PE. JOSÉ CASTILHO DE OMENA.

 

O Padre Omena. Foto: arquivo de Aldemar de Mendonça.


O segundo vigário da Freguesia do Sagrado Coração de Jesus, de Pão de Açúcar, nasceu em Alagoas (atual Marechal Deodoro), a 17 de março de 1882, onde foi batizado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a 28 de maio de 1882, pelo então vigário Antônio Manoel de Castilho Brandão.

Com o nome de batismo de José Wenceslau de Omena[i], o filho do professor Miguel Wenceslau de Omena e Eugênia Maria de Omena tinha por avós paternos: Carlos José de Omena e Ana Francisca de Leão; e, maternos: Manoel Fernandes de Medeiros e Mariana Francisca de Borges. Seu pai, além de professor, foi também membro do Conselho Municipal de Maceió, pelo Partido Democrata.[ii]

Eram seus irmãos: o Dr. Miguel Omena, advogado e militante político na era Maltina, assassinado em Ponta Grossa-PR no dia 21 de agosto de 1911 (para saber mais clique aqui); o padre João Edmundo de Omena, que faleceu em 1891 quando era vigário de São Lourenço da Mata, em Pernambuco; Olympia, que faleceu em 1913; Pedro Venceslau de Omena, major-médico do Exército, falecido em 11 de fevereiro de 1920; Ana Amélia, casada com o Major Benigno Mello, que foi Administrador do Mercado Público de Maceió; Maria Pastora; Maria Emília, casada com o comerciante português Manuel da Silva Nogueira; Eugênia de Omena Filha; Deomídia; e Antônio Venceslau de Omena, advogado formado pela Faculdade do Recife, que também morreu assassinado em Jaraguá, na noite de 13 de março de 1888, por Alfredo Torres, filho de Justino da Silva Torres, por motivos de ciúme.

Igreja Matriz de N. S. da Conceição, Marechal Deodoro-AL,
onde foi batizado o menino José Omena.
Foto: https://www.historiadealagoas.com.br/marechal-deodoro-a-antiga-vila-da-madalena-do-sumauma.html


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Ordenado pelo bispo D. Antônio Brandão em 1904, foi nomeado para a Paróquia de Pão de Açúcar em 30 de abril de 1906, tomando posse a 3 de maio do mesmo ano.

Em 5 de maio, o jornal A Fé Christã, já informava a sua passagem por Penedo, demandando Pão de Açúcar, a fim de ser investido no seu cargo, assinalando que se tratava de “um sacerdote moço, inteligente e piedoso”, que há pouco havia atuado na paróquia de Jaraguá, havendo-se muito bem.

Uma das primeiras atividades do novo pároco foi participar da Festa de Santo Antônio, em Jacaré, no dia 13 de junho de 1906, uma quarta-feira, onde assistiu monsenhor Freitas em missa cantada, cujo sermão foi desenvolvido pelo Padre Antônio Soares de Mello, pároco de Belo Monte.[iii]

Em seguida, durante a festa do Coração de Jesus, foi instalado o Apostolado da Oração, precisamente a 22 de junho de 1906, com a presença do bispo de Alagoas, Dom Antônio Brandão, que celebrou o primeiro pontifical, ocupando a tribuna um dos maiores oradores sacros do nosso Estado, o Cônego João Machado de Mello. Entre as nove fundadoras destacavam-se: Ana Rosa Souto Canuto, Presidente; Maria Amélia Fialho[iv], Secretária; e Maria Oliva de Mello Pinto[v], Tesoureira.

No dia 28 de novembro daquele mesmo ano, em celebração bastante concorrida, o Pe. Omena recebeu o Pe. José dos Anjos, que ali rezou a sua primeira missa.[vi]

A 21 de janeiro de 1907, o vigário de Pão de Açúcar participa das comemorações do primeiro aniversário de instalação do Apostolado do S. Coração de Jesus, em São Brás,[vii] congregação fundada pelo vigário Pe. José Dionísio de Medeiros. Na ocasião, o Pe. Omena oficiou o sermão em missa solene.

O dinamismo que marcou a sua passagem foi observado pela imprensa da época. O jornal A Fé Christã, de Penedo, em edição de 16 de junho de 1906, assim se manifestou:

 

PÃO DE AÇÚCAR. Essa localidade está passando por uma transformação digna de nota.

O espírito religioso que ali estava arrefecido há tantos anos, agora com a chegada do novo pároco, o Padre José Omena, que há sido vantajosamente auxiliado pela bondade e zelo do Monsenhor José de Freitas. Tem tomado um impulso admirável.

A importante cidade, uma das mais importantes da margem do S. Francisco, privada há vinte e tantos anos do exercício do Mês Mariano, teve agora a felicidade de ver reencetado o belo e universal tributo às glórias de Maria Santíssima.

Os dois ilustres sacerdotes, desde que ali chegaram, têm movimentado as práticas religiosas e vivem diariamente entregues aos trabalhos do confessionário. No dia da festa de maio compareceu ao banquete eucarístico o elevado e significativo número de duzentas pessoas entre homens, mulheres e crianças!

Informa-nos que foi um ato deslumbrante e edificante.

No dia 22, haverá a festa do Coração de Jesus, orago da freguesia. Há indizível animação e regozijo.

O povo de Pão de Açúcar, identificado com o novo estado de coisas, exulta de contentamento pela nova era de felicidade que se lhes depara.

Nós também de coração nos regozijamos com o progresso religioso de Pão de Açúcar, essa importante localidade pela qual temos grande afeição.”

 

Da mesma forma, quando da sua retirada da Paróquia, recebeu o Pe. Omena essa significativa referência no jornal O Monitor, editado em Penedo, de propriedade do professor e historiador Moreno Brandão, em 25 de janeiro de 1909:

 

Recebemos e agradecemos uma brilhante polianteia[viii], na qual são dignamente celebrados os méritos do piedoso ex-pároco de Pão de Açúcar, Pe. José Castilho de Omena, a quem deve a religião naquela freguesia os mais belos exemplos de suave bondade evangélica.

Efetivamente, a passagem do jovem e virtuoso sacerdote pela vigararia da bela cidade sanfranciscana ficará eternamente assinalada por atos imorredouros nas crônicas locais, não sendo, portanto, de estranhar que os sentimentos dos pão-de-açucarenses se expressassem para com o simpático e bondoso cura de uma forma tão eloquente e justa.

Estivemos naquela terra, depois de prolongada ausência, e pudemos apreciar, não só os benefícios feitos à matriz completamente remodelada, como também o muito acatamento que de todos merecia o Pe. Castilho de Omena.

Subscrevemos, portanto, cordialmente todos os conceitos da bem escrita e bem impressa polianteia.”

 

Coube a ele, ainda, importantes obras de remodelação da Matriz.[ix]

O segundo vigário esteva à frente da Paróquia até 4 de janeiro de 1909, estabelecendo entre os seus paroquianos elos de profunda amizade, a exemplo do Capitão Manoel Rego, em cujo álbum encontramos uma foto, já esmaecida, e que nos foi cedida pela sua neta Juraci Rego, a quem, mais uma vez agradecemos.

Quando foi removido para uma paróquia na Bania, assumiu interinamente o Pe. José Soares Pinto, cuja provisão foi lida em 17 de janeiro daquele ano.

Naquele Estado, já no ano seguinte, já era vigário da paróquia do “Porto de Santa Maria” (atual Santa Maria da Vitória).

Entre 1911 e 1917, vigário da paróquia de Santana dos Brejos (atual Santana).

Entre 1917 e 1926, vigário da paróquia de São José do Riacho da Casa Nova (atual Casa Nova), da diocese de Barra do Rio Grande.

Em 1931, era vigário da catedral do Bom Jesus, na cidade de Barra do Rio Grande, atual Barra.

Estando na Barra, nos primeiros dias do mês de dezembro de 1929, como Secretário-Geral do Arcebispado e Fiscal do governo no Colégio Santa Eufrásia, o Padre Omena comemorou suas bodas de prata, em “grande banquete... que ofereceu aos seus amigos e autoridades”, conforme notícia do jornal A Noite, de 10 de dezembro de 1929.

Em 1917, já como Cônego, era capelão da Igreja de São José, da Companhia União Mercantil, em Fernão Velho.

Em 1932, era vigário da Paróquia de Bebedouro, em Maceió.

Em sua homenagem, há duas ruas com seu nome em Maceió: uma no bairro do Barro Duro e outra no Distrito de Fernão Velho. Empresta seu nome também a um Centro de Educação Especial, em Viçosa.

Depois de cumprir sua gloriosa jornada, plenamente reconhecida por todos nos lugares por onde passou, ali faleceu em 29 de setembro de 1952, sendo sepultado no cemitério Santíssimo Sacramento, onde está o mausoléu de religiosos.[x]


O Pe. José Omena. Foto: Revista Vida Doméstica.



Diocese da Barra-Bahia

O túmulo do Pe. José Omena no cemitério Santíssimo
Sacramento, na cidade da Barra-Bahia.


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Durante esse paroquiato, foi Coadjutor o Pe. José Moreira Pimentel, que nasceu a 11 de novembro de 1881, em Viçosa-AL, onde foi batizado no dia 11 de dezembro do mesmo ano.

Era filho de Nuno Moreira Pimentel e Maria Rosa dos Santos Pimentel. Seus avós paternos eram: Nuno Moreira Pimentel e Maria Rosa Chaves Pimentel; e, maternos: José de Paiva Coelho e Maria de Sá Santa Rosa.

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NOTA:

 

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 



[i] O nome “Castilho” talvez tenha sido adotado após a sua ordenação por Dom Antônio Manoel de CASTILHO Brandão.

[ii] Cruzeiro do Norte, Maceió-AL, 28 de outubro de 1892.

[iii] A Fé Christã, Penedo, 23 de junho de 1906.

[iv] Maria Amélia Gonçalves Fialho, filha de José Targino Gonçalves Fialho e Maria Rosa de Mello. Nasceu no Recife em 1874 e faleceu no Rio de Janeiro a 9 de dezembro de 1968. Foi casada com João Gomes de Carvalho Mello, com que teve dez filhos, entre estes: João Fialho de Mello e Durval Fialho de Mello.

[v] Filha do Major Achilles Balbino de Leles Mello e de Maria Idalina de Souza, e esposa do Cap. Serafim Soares Pinto.

[vi] A Fé Christã, Penedo-AL, 1º de dezembro de 1906.

[vii]  A Fé Christão, Penedo-AL, 26 de janeiro de 1907.

[viii] Antologia de obras de um homem ilustre, organizada em sua homenagem. Antologia referente a algum evento notável.

[ix] O Monitor, Penedo, 25 de janeiro de 1909.

[x] OLIVEIRA, Paulo. A VELHA NECRÓPOLE DA BARRA. MEUS SERTÕES, 27 de setembro de 2017. Disponível em https://meussertoes.com.br/2017/09/27/a-velha-necropole-de-barra/.

  

quinta-feira, fevereiro 1

A PARÓQUIA DE PÃO DE AÇÚCAR - O PRIMEIRO VIGÁRIO

Por Etevaldo Amorim

Padre Mendonça
O Padre Mendonça. Foto do acervo de
Judite Mendonça Silva.


A Freguesia do Sagrado Coração de Jesus, na Vila de Pão de Açúcar, foi criada por uma Resolução da Assembleia Legislativa Provincial de 11 de julho de 1853.

A referida Lei, transcrita abaixo, define também os limites da nova circunscrição eclesiástica, e é assinada pelo Comendador Sobral, que fora nomeado Vice-Presidente da Província em 25 de outubro de 1849, durante a presidência do Dr. José Bento da Cunha Figueiredo – “Visconde do Bom Conselho”.

“LEI Nº 227, DE 11 DE JULHO DE 1853.

Art. 1º Fica criada, no município de Porto da Folha[i], uma nova freguesia, que terá por sede a povoação de Pão de Açúcar.

Art. 2º Dividir-se-á esta nova freguesia com a de Porto da Folha, na margem do Rio São Francisco, pelo riacho denominado Salgado; e para o centro seguirá por este até encontrara com o riacho de nome Jacaré, que continuará a servir de extrema até confinar com a freguesia de Santana.

Art. 3º É desmembrado da freguesia de Mata Grande e pertencente a esta novamente criada, o território compreendido desde o lugar denominado Buraco, pouco além de Piranhas, descendo daí em linha reta à Fazenda do Olho D’Água do Casado, desta em direção ao Sítio Quiribas na margem do riacho Cabaços e, por este, até encontrar com os limites da mencionada freguesia de Santana, que conservará os mesmos limites com a que fora criada.

Art. 4º Ficam revogadas quaisquer Leis e disposições em contrário.

Vice-Presidente Manoel Sobral Pinto

Eesta Secretaria foi publicada a presente Lei em 13 de julho de 1853.

José Alexandrino Dias de Moura”

 A Paróquia contava com cinco capelas filiais em cinco povoações: Limoeiro (dedicada a Jesus, Maria e José), Entremontes (dedicada a Nossa Senhora da Conceição) e Piranhas (dedicada a Santo Antônio), com duas capelas cada uma; Meirus (ou Campo Alegre, sob o orago de Nossa Senhora da Luz), Santo Antônio do Jacaré (ou Jacaré dos Homens, dedicada a Santo Antônio) e Olho D’Água do Casado, com uma capela cada.

Em 1871, sua população era: 5.254 habitantes, sendo 4.644 livres e 610 escravos. Já em 1873, alcançava de 9.010 almas, sendo 8.601 livres e 409 escravos. [ii]

PE. ANTÔNIO JOSÉ SOARES DE MENDONÇA.

O primeiro pároco da nova freguesia foi o Padre Antônio José Soares de Mendonça, nela provido por concurso em 25 de fevereiro de 1854, apresentado por Decreto Imperial de 7 de abril e colado em 2 de junho, tudo do mesmo ano[iii].

Com efeito, o jornal o Liberal Pernambucano, edição de 17 de maio de 1854, na seção “Movimento do Porto”, registra o Padre Mendonça como passageiro, em companhia de um escravo, no vapor “Imperador”, que tinha como destino o Rio de Janeiro e portos intermediários. Provavelmente demandava o porto de Penedo, de onde subiria o São Francisco para assumir a sua paróquia do “Santíssimo Coração de Jesus”, como era denominada à época.

Filho de Antônio José Soares e Antônia de Jesus, nasceu em Penedo a 6 de maio de 1827.

Foi ordenado por Dom João da Purificação Marques Perdigão e por ele nomeado para a Paróquia de Pão de Açúcar, provavelmente em junho ou julho de 1854.

Seu paroquiato durou 51 anos, durante o qual empreendeu significativas reformas ao templo, dotando-o de novas imagens e alfaias.

Em 1868, o Vigário encarregou o Capitão Agostinho José de Neville Brandão de abrir subscrição para coletar donativos para os reparos da Igreja Matriz, cujo corpo ameaçava desabar. Oitocentos e cinquenta e três mil réis foram coletados, tendo-se, com essa quantia, comprado pedra e cal.

Durante a gestão do primeiro vigário, a paróquia recebeu cinco visitas canônicas:

A primeira, em 10 de abril de 1855, pelo Vigário Visitador Francisco d’Hollanda Chacon.

A segunda, feita pelo Rev. Affonso Albuquerque Mello, presbítero secular, cônego da Santa Igreja Catedral de São Sebastião e capelão imperial da Corde da cidade do Rio de Janeiro, visitador das igrejas da Província de Alagoas, delegado por Dom João da Purificação Marques Perdigão, bispo de Pernambuco, acontecida a 2 de setembro do mesmo ano.  A 3 de novembro de 1862, retornava para a terceira visita.

A quarta visita, a 28 de agosto de 1883, foi feita pessoalmente pelo Bispo de Olinda, Dom José Pereira da Silva Barros, que chegou a Pão de Açúcar a bordo do vapor Sinimbu.

O jornal A Aurora, cujo gerente era Martiniano Canuto, em sua edição de 9 de setembro daquele ano, noticia o fato:

Esteve entre nós, durante oito dias, o virtuoso e ilustrado Bispo de Olinda.

Os habitantes desta cidade deram uma robusta prova de seu amor aos dignitários da Igreja Católica, recebendo o virtuoso prelado olindense com a pompa e magnificência que merece tão alto e distinto funcionário da Igreja Católica.

S. Ex.ª Rev.ª, em todos os dias que aqui esteve, administrou o sacramento da Confirmação e à noite explicava os evangelhos com tanta clareza que os ouvintes se não cansavam de ouvi-lo, tal era a lógica de seus argumentos.

Também explicou a veneração das imagens e a instituição e utilizada da confissão auricular, pontos combatidos pelos adversários do catolicismo.

No dia 4 do corrente, seguiu S. Ex.ª Rev.ª para a povoação de Piranhas, e dali para a estação da Pedra, donde partiu para Água Branca.

Da casa da residência para o porto de embarque, foi S. Ex.ª acompanhado por numeroso concurso de povo, tendo sido acompanhado até Piranhas por oitenta e tantos católicos da melhor sociedade.

Fazemos votos ao Todo Poderoso para que S. Ex.ª faça uma viagem próspera e faça uma grande colheita para a vinha do Senhor”.

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Em 4 de fevereiro de 1896, a Paróquia recebe a quinta visita canônica, desta feita por Jonas de Araújo Batinga, presbítero secular do hábito de São Pedro, vigário encomendado da Freguesia de Nossa Senhora do Ó do Rio de São Miguel dos Campos e Visitador das Paróquias de Alagoas.

Com a criação do Bispado de Alagoas, a 2 de julho de 1900, toma a sua direção o afilhado do Pe. Mendonça, Dom Antônio Brandão, que na tarde do dia 19 de setembro de 1904, adentrou a Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus para celebrar a sua primeira Missa.

No ano de 1866, em escritura lavrada no dia 25 de setembro, o Pe. Mendonça adquire uma casa de Vicente Ferreira Riffa e sua mulher D. Francisca dos Anjos, na rua da Igreja (atual Pe. Soares Pinto), onde foi instalada a Casa Paroquial.

O Padre Antônio Mendonça faleceu em Pão de Açúcar às 23:00 h do dia 16 de março de 1906.[iv]

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Deixo aqui um agradecimento póstumo a Judite Mendonça, cuja mãe era sobrinha neta do padre. Em 2003, quando eu estava para concluir as pesquisas para o livro TERRA DO SOL, ESPELHO DA LUA, fui recebido em sua casa por ela e seu esposo Jorge Mendes Graça, ocasião em que me cederam a fotografia do Padre Mendonça, que faço publicar nesse artigo.

INTERINIDADE

Com a morte do Padre Mendonça, e tendo como coadjutor o Padre Nicodemos, este passou a reger, interinamente, a Freguesia.[v]

Estando em férias em Pão de Açúcar, monsenhor José de Freitas Machado, que por muitos anos foi chanceler da Cúria Pernambucana, foi provisionado por D. Antônio Manoel de Castilho Brandão, no dia 17 de abril de 1906, cujo Ato foi lido na missa dominical do dia 29 do mesmo mês, para dirigir interinamente a Paróquia.

COADJUTORES

Foram seus coadjutores os padres Mathias José de Santana Brandão; José Nicodemos da Rocha, residindo este na capela de Piranhas, que então pertencia a Pão de Açúcar; Cícero Joaquim de Siqueira Torres; Francisco Maria de Albuquerque, ficando este circunscrito a Belo Monte; o Pe. Manoel dos Santos Curador Filho[vi] e o Padre José de Freitas Machado (Mons. Freitas). – Para saber mais sobre o Monsenhor Freitas, clique aqui:

a.       Pe. Mathias José de Santana Brandão. Nasceu em Mata Grande a 10 de dezembro de 1821 e faleceu em Entremontes (então pertencente a Pão de Açúcar, hoje a Piranhas) a 21 de agosto de 1869. Filho de Anacleto de Jesus Maria Brandão e Maria Francisca da Conceição e, portanto, tio do bispo Dom Antônio Brandão.

b.      Pe. José Nicodemos da Rocha. Celebrou sua primeira missa em Sertãozinho (atual Major Izidoro) no dia 18 de novembro de 1903. Em 1906, depois de ter atuado como coadjutor em Pão de Açúcar e capelão na então Vila de Piranhas, que foi paróquia, criada pela Lei Provincial nº 964, de 20 de julho de 1885, mas não foi instituída canonicamente, continuando sob a administração do vigário de Pão de Açúcar.[vii] Logo pós, foi nomeado pároco da Paróquia de Água Branca. Faleceu em 1936.

Padre José Nicodemos da Rocha


c.       Pe. Cícero Joaquim de Siqueira Torres.

Membro de tradicional família sertaneja, filho do Barão e da Baronesa de Água Branca, Joaquim Antônio de Siqueira Torres e Joana Vieira Sandes, o Padre Cícero Joaquim de Siqueira Torres, divulga, pelas páginas do jornal O Trabalho, que já se editava em Penedo, esse

“MANIFESTO DE GRATIDÃO DIRIGIDO PELO PADRE CÍCERO JOAQUIM DE SIQUEIRA TORRES AOS HABITANTES DA CIDADE DE PÃO DE AÇÚCAR – EM GERAL

Sumamente penhorado pelo bom acolhimento, com que fui aceito, e tratamento lhano que me prodigalizaram em geral os habitantes de Pão de Açúcar durante a minha assistência de Coadjutor naquela Freguesia, não posso deixar de vir ao alto da imprensa para agradecer-lhes do íntimo de meu coração tantas finezas e atenções que generosamente me dispensavam.

Assim, pois, tendo que retirar-me de Pão de Açúcar, aonde exerci o cargo de Coadjutor, por ter sido nomeado Vigário Encomendado da Vila de Água Branca, e achando-me repleto de muitíssimos obséquios, seria inteiramente desreconhecido se, ao ausentar-me de Pão de Açúcar, não dedicasse aos seus distintos habitantes ao menos um exíguo sinal de amizade e gratidão; passaria por incivil e descortês se não rendesse a esse nobre povo um preito de homenagem; cometeria uma falta bem digna de censura, uma laguna irreparável se me separasse do amável povo pão-de-açucarense sem lhe enviar um saudoso adeus de despedida. Deveria mesmo ser acoimado com o repelente epíteto de ingrato, se neste momento não sentisse o palpite de aqui declinar os nomes de ilustres e distintos cavalheiros dos quais bons obséquios recebi.

Bem sei que, dando à publicidade os nomes de tais pessoas, vou ferir a modéstia que abrilhanta a fronte de cada uma delas; mas, como não sou indiferente aos benefícios que se me fazem, me vejo obrigado a lhes pedir licença para escrever aqui os seus ilustres nomes, sentindo não poder esculpi-los em caracteres de ouro, restando-me, porém a satisfação de que serão gravados de uma maneira indelével no meu coração.

Sabem todos, e é corrente entre os homens de bem que a ingratidão é um dos vícios mais asquerosos e hediondos, que denigre a sociedade, assim como a gratidão é uma das virtudes mais aplaudidas e decantadas entre os viventes; é um farol que ilumina as nossas boas intenções nesta senda tortuosa e escabrosa da vida.

Estribado, pois, nesta importante máxima, principio por agradecer cordialmente as maneiras afáveis e joviais com as quais sempre se dignou tratar-me o ilustre e virtuoso Vigário Antônio José Soares de Mendonça; esse distinto levita do Senhor certamente que está acima de todos os elogios, que a pena mais eloquente lhe possa tecer; por isso, deixando de lado de parta as suas raras e excelentes qualidades bem visíveis e salientes aos olhos de todos que tem a distinta honra de conhecê-lo, dele só direi que, como Pastor é tal qual aquele de que nos fala o Divino Mestre nas sacras Escrituras, pois que é muito zeloso da SALVAÇÃO de seu rebanho; sempre esta de atalaia e alegria e alerta para prevenir e repetir os sorrateiros ataques do Lobo voraz, que astuto espreita a ocasião azada para devorar-lhe o rebanho; não se poupa mesmo a esforços e sacrifícios, transpondo vales e montanhas, quando é preciso, e através de serranias  procura ovelha desgarrada do redil, e só descansa quando a faz voltar ao aprisco!!

Eis o verdadeiro e bom Pastor, que tanto nos recomenda NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! ... Eis o verdadeiro cultor da vinha mística do Senhor! ...

Prossegui, ilustre Sacerdote, nessa senda brilhante e admirável, que os vossos esforços e sacrifícios serão caucionados nos tesouros imensos de graças eternas e infinitas; e em remuneração vos aguarda uma eternidade feliz, cuja auréola de glória a começa luzir mesmo cá neste ilusório mundo em vossas boas obras.

Também não posso deixar no ouvido o nome do distinto e prestimoso Cavalheiro, Ilm.º Sr. Coronel João Machado de Novaes Mello, o qual sempre dignou-se nomear-me com a sua amizade, e me cumulou de bons obséquios, dos quais me confesso grato.

Agora, corre-me o dever de mencionar aqui o nome do preclaro e simpático Dr. Jovino de Cerqueira Maia[viii], honra da magistratura brasileira, Juiz honesto e reto, que só sabe vergar em seu corpo a limpa e cândida de prevaricações e corrupções, que infelizmente germinam entre alguns magistrados iníquos desse nosso Brasil. A esse Senhor, Dr. Jovino, devo mil atenções, pois não conhecendo nem a mim nem a minha família, se dignou tratar-me com toda distinção, me tributou particular estima, e até prestou-me muitos favores, dos quais tenho provas não equívocas. É que as pessoas educadas e de almas nobres e generosas assim procedem.

O dever de gratidão também me impele a mencionar o nome do respeitável e honrado Coronel José Gonçalves de Andrade[ix], que sempre se mostrou meu amigo dedicado e me fez grandes favores, com os quais mais me cativou e tornou-me mais obrigado.

O amor de coleguismo e amizade me faz não deixar em silêncio o circunspecto e ilustre Dr. Manoel Ronaldsa Brandão[x], com quem sempre tive de entender firmes relações, e do qual sempre experimentei as melhores provas de amigo constante e generoso. E aproveito o ensejo para agradecer em geral à ilustre família Brandão, que inquestionavelmente compõe-se de membros distintos. Tenho o grande prazer de manifestar que, por esta distinta família, fui tratado com toda distinção e dela recebi boas provas de amizade.

Finalmente agradeço aos bondosos habitantes de Pão de Açúcar, em geral, os benefícios e obséquios que me prestaram generosamente, e as atenções que me dispensaram; a vós todos, pois me confesso eternamente grato; e me retirando saudoso de entre vós, resta-me a consolação de poder dizer como outrora dissera o nosso Redentor aos seus queridos discípulos: Pacem reliquo vobis, pacem meam do vobis.

Nada importante e de valor tenho que vos oferecer em testemunho do meu alto reconhecimento para convosco, porém, este pouco mesmo que possuo ponho a vossa disposição.

Podeis, portanto, dispor como lhes aprouver dos fracos e acanhados préstimos deste obscuro sacerdote e reconhecido amigo.

 

23 de outubro de 1879.

Padre Cícero Joaquim de Siqueira Torres

Ex-Coadjutor de Pão de Açúcar e atual Vigário de Água Branca.”

 

O Padre Cícero Torres, Presbítero Secular do Hábito de São Pedro, tendo alcançado as honras de Cônego da Sé de Olinda, em 1889, faleceu em Penedo-AL, no dia 23 de março de 1898.

Sobre a sua morte, a notícia abaixo, publicada no jornal Cidade do Salvador, Bahia, em 30 de abril de 1898:

 “O Rev. Vigário de Santo Antônio da Glória escreve-nos o seguinte:

No dia 23 de março, às 8 horas da noite, na cidade do Penedo, rendeu alma ao Criador o nosso colega Cônego Cícero Joaquim de Siqueira Torres, vigário colado da freguesia de Água Branca, Estado de Alagoas.

Ele era filho legítimo do Sr. Barão de Água Branca e fora educado no Seminário Pequeno e Grande dessa Diocese, onde fez todo o seu curso com geral estima de seu superiores e condiscípulos.

Seu comportamento foi um exemplo para todos. Ordenado em São Paulo, em 1878, por Dom Lino Deodato, era o modelo dos vigários de Alagoas, e gozava de geral estima. Sua morte inesperada foi uma verdadeira calamidade, sendo chorado por todos, pois nunca teve, em 19 anos de sacerdócio, um só inimigo.

Era músico compositor, e sua flauta aí no Seminário foi admirada.

Tinha apenas 56 anos de idade, e 18 de pároco em sua terra natal.

Deixou-nos inconsoláveis.”

 

Água Branca-Alagoas
O Pe. Cícero Joaquim de Siqueira Torres.
Foto do álbum do Monsenhor Freitas.

d.      Pe. Francisco Maria de Albuquerque.

Dia 23 de abril de 1896, chegou a Belo Monte o Pe. Francisco Maria de Albuquerque. Ele era coadjutor da Paróquia de Pão de Açúcar, nos limites de Belo Monte.

Natural de Alagoas (atual Marechal Deodoro). Filho de José Affonso de Albuquerque e Thereza de Jesus Albuquerque.

Eram seus avós paternos: Affonso de Albuquerque Maranhão e Caetana Lucinda de Albuquerque; e, maternos: José de Azevedo Borba (Português) e Maria Joaquina de Albuquerque (natural de Alagoas).

Foi vigário da Freguesia do Pilar.

e.       Pe. Manoel dos Santos Curador Filho.

Nasceu em Santana do Ipanema a 14 de fevereiro de 1872. Filho de Manoel dos Santos Curador e Ana Maria da Conceição.

Neto paterno de José Maria das Flores e Thereza Maria de Jesus; e, materno, de João Soares da Rocha e Joana Antônia do Espírito Santo. Batizado a 3 de março de 1872.

Foi ordenado no dia 24 de outubro de 1896, na Capela do Paço Episcopal (Olinda).[xi]

Foi vigário da paróquia de Salgueiro, mudando-se pra a de Cabrobó, em 11 de fevereiro de 1903, ambas no Estado de Pernambuco[xii]. Em 1904, transferiu-se para a Paróquia de Alagoas (atual Mal. Deodoro).[xiii]

Em 1916, era Capelão da Fábrica de Tecidos “São Miguel”, em São Miguel dos Campos.[xiv]

Em 1926, era vigário em Piaçabuçu.

f.       Frei José de São Jerônymo.[xv]

De nacionalidade portuguesa, superior do Convento de Santa Maria dos Anjos, de Penedo, Frei José residia no Brasil desde 1840[xvi], e já atuava como coadjutor em Pão de Açúcar por volta de 1860, aparecendo em livros da Igreja de São Pedro do Porto da Folha[xvii].

Antes, por ocasião da visita do Imperador Dom Pedro II a Propriá, Estado de Sergipe, ele compôs o coro de um Te Deum, oficiado pelos Reverendos Nunes (de Vila Nova, hoje Neópolis) e Manoel Francisco de Carvalho, junto com Frei Simplício da Santíssima Trindade e Frei José da Piedade.[xviii]

Em 30 de setembro de 1878, carta do correspondente do Jornal do Penedo em Pão de Açúcar, que assina sob o nome (ou falso nome) de Epaminondas, em edição de 11 de outubro de 1878, informa:

“ENFERMO. Do povoado Campo Alegre, deste Termo, chegou ultimamente nesta cidade o Rev. Frei José de São Jerônymo, que se acha prostrado e gravemente doente; e pelo seu estado melindroso é muito duvidoso que se restabeleça. O Reverendo Fr. José há muito tempo que reside naquele povoado, onde sempre teve uma vida muito regular, e estava construindo ali uma espaçosa capela dedicada a N. S. da Luz, que já vai bastante adiantada.”

Frei José efetivamente faleceu em Penedo no dia 22 de junho de 1883, aos 76 anos.[xix]

***   ***   ***

NOTA:

 

Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.

 

 



[i] Porto da Folha é o antigo nome de Traipu, Estado de Alagoas. Não se refere, evidentemente, ao município sergipano.

[ii] A Nação, Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1873.

[iii] DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 29 de maio de 1865, p. 8.

[iv] Jornal do Recife, 18 de março de 1906.

[v] A Fé Christã, Penedo, 14 de abril de 1906.

[vi] A Província, Recife, 7 de fevereiro de 1904.

[vii] Almanak do Estado de Alagoas - 1891-1894.

[viii] Nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Pão de Açúcar em 13 de setembro de 1876. Foi exonerado, a pedido, em 5 de fevereiro de 1881, sendo nomeado em seu lugar o bacharel Luiz Gonzaga de Almeida Araújo.

[ix] Nasceu a 24 de novembro de 1820 e faleceu em Pão de Açúcar no dia 11 de dezembro de 1880.

[x] Filho de Antônio Manoel de Castilho Brandão e Maria Barbosa da Conceição de Castilho Brandão.

[xi] O Trabalho, Penedo 14 de novembro de 1896.

[xii] Diário de Pernambuco, Recife, 12 de março de 1903.

[xiii] Diário de Pernambuco, Recife, 6 de março de 1904.

[xiv] O Semeador, 31 de outubro de 1916.

[xv] Jornal do Penedo, Penedo-AL, 14 de julho de 1883.

[xvi] SANTOS, Mônica Costa. MISSIONÁRIOS DE LETRAS E VIRTUDES – A PEDAGORIA MORAL DOS FRANCISCANOS EM ALAGOAS NOS SÉCULOS XVIII e XIX. UFAL, 2007.

[xvii] Pronunciamento do Dep. José Carlos Teixeira, MDB-SE. Diário do Congresso Nacional, 28 de novembro de 1978.

[xviii] O Correio da Tarde, Rio de Janeiro, Ano V, 259, 1959.

  

quinta-feira, janeiro 25

A PROFESSORA ROSÁLIA SAMPAIO BEZERRA

 Por Etevaldo Amorim

Blog do Etevaldo

Pão de Açúcar-AL. Década de 1920. A Professora Rosália e seus alunos. Georgina de Carvalho Mello, filha de Alípio Gomes de Carvalho Mello e Maria Regina de Carvalho Mello, avó de Maria Rocha, é a terceira da direita para a esquerda, da segunda fila de cima para baixo.


Por mais de quarenta anos ela estimulou o raciocínio de muitas gerações de crianças de Pão de Açúcar. Como Professora do Ensino Primário, ensinou-as a ler e contar, libertando-as da escuridão da ignorância.

Pouco se sabe a respeito de Rosália Sampaio Bezerra. Seu nome, entretanto, está imortalizado porquanto dá nome a uma de nossas ruas e a uma Escola Estadual. 

Falecida já há mais de 53 anos (30 de dezembro de 1957), não sendo de Pão de Açúcar e não tendo deixado descendência, resta-nos apenas informações vagas colhidas de familiares de alguns de seus alunos.

Recentemente, encontrei no perfil de uma pessoa amiga numa rede social da internet, uma foto identificada como sendo da “Professora Rosália e seus alunos”. 

Surpresa!!! Temos, enfim, uma imagem da famosa Mestra.

Essa amiga, a também professora Maria Rocha, conseguiu da sua avó octogenária algumas informações: não era casada; veio para Pão de Açúcar com mais dois irmãos, que também moravam com ela: Rodolpho e Osvalda. Disse também que ela criou uma pessoa chamada Ivone, e que o irmão dela ensinava, às escondidas, as tarefas aos alunos, através do corredor da sala.

Sobre Rodolpho de Fraga Bezerra, pudemos apurar que ele estava, em 1904, no 1º Ano da Faculdade de Direito do Recife. Ainda como acadêmico, foi nomeado pelo Vice-Governador Antônio Máximo da Cunha Rego (no exercício do cargo de Governador) Juiz Substituto de Anadia. Gutenberg, Maceió, 9 de março de 1906.

Foi tão longa a atividade da Professora Rosália, que ela chegou a ensinar a sucessivas gerações da família de Maria Rocha: primeiro a avó Georgina (filha de Alípio Gomes de Carvalho Mello e Maria Regina de Carvalho Mello), na década de 1920; depois a mãe Norma, na década de 1930 e a tia Solange, na década de 1940.

Desde antes da construção do Grupo Escolar Bráulio Cavalcante, cujas aulas iniciaram em 2 de julho de 1935 e do qual foi sua primeira Diretora, D. Rosália lecionava na sala de sua própria residência. Aliás, ela foi nomeada para lecionar naquela Escola e designada para sua Diretora por Ato do Secretário do Interior, Educação e Saúde, em 

É muito pouco o que temos, considerando a sua importância para a Educação em nossa terra. Rogo, então, aos que mais souberem para que deixem aqui o seu recado e, assim, contribuam para a constituição de uma biografia digna da Grande Mestra.

***   ***

O texto acima é um resgate da postagem feita em 26 de janeiro de 2011. 

Decorridos treze anos, logramos conseguir mais alguma informação.

Rosália Sampaio Bezerra nasceu em 1881, provavelmente em Murici, já que sua irmã Guiomar, que também foi professora em Pão de Açúcar, apenas um ano mais nova que ela, ali nasceu em 24 de setembro de 1882. 

Era filha do Capitão Ramiro da Fraga Bezerra e da Srª Maria Sampaio Bezerra; neta paterna de Gilberto Bezerra e Maria Bezerra. 

Seu pai, quando faleceu em 1921, era 1º Escriturário do Tesouro do Estado de Alagoas.

Em 27 de junho de 1905, ele foi nomeado para 3º Suplente do Comissário de Polícia da Capital. Foi Subdelegado no Distrito de Santo Antônio da Boa Vista, em Muricy, onde também foi Delegado Literário e, em 1891, compunha a 6ª Companhia do 17º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional naquele Município.

Além de Guiomar, Rodolpho e Osvalda, tinha um irmão: Antão da Fraga Ribeiro, nascido em Camaragibe-AL, em 13 de janeiro de 1887 e falecido no Rio de Janeiro em 7 de maio de 1946.

Por volta de 1899, a família residia em São Luis do Quitunde. 

Rosália Sampaio Bezerra formou-se professora no Lyceu Alagoano, tendo sido aprovada no primeiro ano com distinção no curso de Pedagogia, em 1905.

Antes de Pão de Açúcar, lecionou no povoado Olhos D’Água do Accioly, município de Palmeira dos Índios, atual cidade de Igaci. Por Decreto de 19 de fevereiro de 1915, foi removida para a Cadeira de Mar Vermelho, então município de Anadia. 

Não conseguimos precisar a data em que ela iniciou sua atuação em Pão de Açúcar. Entretanto, somos levados a crer que chegou junto com sua irmã Guiomar, que veio removida de Cajueiro (município de Paraíba, atual Capela), por Ato de 22 de janeiro de 1915, para a 2ª cadeira do sexo feminino de Pão de Açúcar. 

Ademais, sua assinatura consta em um Registro de Casamento realizado em Pão de Açúcar, na residência do Sr. Perdiliano Gomes de Carvalho Mello, no dia 25 de abril de 1918, em que constam como nubentes: Orlando Monteiro de Oliveira (natural do Rio Grande do Sul) e Anália de Souza (natural de Pão de Açúcar), filha de Maria Francisca de Souza. 

Por esse tempo, passaram por Pão de Açúcar: Maria Felicíssima Possidônio dos Santos, Joana Amélia Romeiro, Alice Menezes de Mesquita (esposa do Sr. Lucilo Mesquita), Cecília Maria dos Anjos Campos, Agripina Melo (nos Torrões, que pertencia a Pão de Açúcar); Ernesto Pereira Mello, em Meirus; e João Gomes da Silva (em Jacarezinho).

O nome da Professora Rosália aparece nos Almanaques e Relatórios entre 1929 e 1931. Por essa época, atuavam no município: Ana Vieira Conde, José Bento Lima, Annete de Mesquita Cavalcante, Alba de Mesquita, estas, filhas de José Venustiniano Cavalcante Filho e Theonilla de Mesquita Cavalcante e, portanto, sobrinhas de Bráulio Cavalcante; Alzira de Almeida e Astéria Melo e Maria da Glória Lyra (em Meirús).

Já nos tempos do Grupo Escolar Bráulio Cavalcante, e sob sua direção, lecionavam as professoras: Flora Calheiros Martins (esposa do Dr. José Cotrim, que atendia no Posto de Saúde), Helena Calheiros Martins (irmã de Flora), Angelita Lins de Albuquerque e Alcina Mangabeira Canuto. Esta última também lecionou no Limoeiro, além de Diomédia Prazeres dos Santos, em 1923; Joana Coelho da Silva, em 1924, Maria do Céu Damasceno (Dona Céu), em 1929; e Maria José Feitosa (Sinharinha Feitosa), irmã do Sr. Juca Feitosa, já em 1937.

Na Ilha do Ferro, entre 1929 e 1937, ensinavam: Manoel Alves da Costa Lima (que dá nome à Escola Municipal ali existente); Juracy Lima e Regina Emirantina Bello. 

A professora Rosália Sampaio Bezerra faleceu em Pão de Açúcar no dia 30 de dezembro de 1957.

Digna de todas as homenagens, pela trajetória de absoluto devotamento à causa do ensino e à formação de cidadãos, ela mereceu dos pão-de-açucarenses a denominação de uma Escola Pública estadual e uma via pública.

Assim, por força da Lei Municipal nº 270, de 12 de junho de 1958, a rua Santa Maria passou a ter o nome de “Rua Professora Rosália Bezerra”. Essa via faz a ligação entre a Rua Cônego Jasson Souto (precisamente defronte à Unidade Municipal de Ensino Profª Maria Tavares Pinto, antigo Ginásio Dom Antônio Brandão) e a Praça Darcy Gomes.

Já a Escola Estadual, o antigo Grupo Escolar Rosália Sampaio Bezerra, está situada na Av. José de Freitas Machado, nº 300, próxima à Praça do Bonfim. Cabe observar que o cidadão que dá nome a essa rua é o Sr. José de Freitas Machado, conhecido por Zuza Machado, e não o seu primo José de Freitas Machado (Zeca), farmacêutico e químico, fundador da Escola Nacional de Química.

Rua Santa Maria - Pão de Açúcar-AL
A Rua Rosália Sampaio Bezerra recebendo pavimentação
durante a gestão do prefeito Augusto de Freitas Machado.

Escola Estadual Rosália Sampaio Bezerra - Pão de Açucar-AL
O Grupo Escolar Rosália Sampaio Bezerra durante a enchente
do rio São Francisco, em 1979.

Avenida Bráulio Cavalcante - Pão de Açúar-AL
Grupo Escolar Bráulio Cavalcante, que teve a Profª Rosália
como sua primeira Diretora. Foto: Elisabete Gandra, 1974.




NOTA:


Caro leitor,

Deste Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, constam artigos repletos de informações históricas relevantes. Essas postagens são o resultado de muita pesquisa, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso sejam do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que delas faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

______________

Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


*****


PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia