domingo, junho 13

MACEIÓ, CIDADE ALEGRE

Jorge de Lima[i]

Antes de Maceió ser capital do Estado, a cidade de Alagoas teve esse privilégio. Alagoas – capital Alagoas; Alagoas – capital Maceió; os nomes das duas capitais já vinham com a história das cidades que brotam d’água. Maceió – “o que tapa o alagadiço” ou simplesmente Alagoas com a sua “Paranan-guera” – o que foi mar, ou com a sua “Para-i-guera” – ou “Paraíba antigo”, tudo ali conta as origens, o seu mergulho de milénios, até emergir, libertar-se do mar, ser lagoa, corôa, terra firme: Maceió enfim ou “o que tapa o alagadiço”.

Os nomes mesmo dos arrabaldes, das ruas, dos sítios são nomes pitorescos molhados d’água: Cambona, Poço, Levada, Aterro de Jaraguá, Aterro do Cemitério, Olhos D’Água, Bebedouro. De sorte que a mudança da capital para Maceió já representa mesmo, etimologicamente, um progresso: a terra aflorou, tapou-se o alagadiço, surgiu Maceió.

O homem que pegou em armas para que a mudança não se operasse não concorreu, porém, com o holandês a fim de conquistar solo, aumentar a cidade, consolidar o seu terreno de treme-treme. O mangue é que anonimamente, milênios e milênios mandou raízes, distribuiu sementes, conquistou terra para a sua pátria das Alagoas.

A terra continua ainda misturada à água, cortada de riachos, de cambonas, rodeada de lagoas, por isso é uma terra que me agrada porque tem a sedução das terras das ilhas distantes, das erromangos com seus coqueirais, com a sua ventania constante e seu mar furioso. É a terra mais bela do Brasil, pobrinha com seus ricos lençóis d’água subterrâneos, com seus prováveis lençóis de petróleo.

Maceió possui excelente posição topográfica, com seus três planos que a dividem em três bairros característicos: Maceió, Jaraguá e Jacutinga ou Farol.

Vista aérea de Maceió, 1936.

Do Jacutinga divisam-se Maceió e Jaraguá e lá longe os canais e a lagoa longínqua. Canoas veleiras cortam as águas, o descendente de caetés apanha o sururu no fundo da lagoa. O farol, mal chega a noite, lambe aquelas terras alagadas com uma faixa imensa branca e vermelha. Maceió vai recolher-se, vai dormir. A cidade dorme cedo, não tem hábitos noturnos.

Lá está a igreja do Rosário, lá está a Matriz, lá está a igreja dos Martírios que Roy Nash, protestante, achou tão bonita que a botou em seu livro errado e bom “The Conquest of Brazil”.

Nas terras de Satuba – “terras de caranguejo”, o Mundaú transbordou, as águas subiram nos trilhos da Great Western: o trem vem atrasado, vem de longe, de “Cinco Pontas”, vem cansado.

A história da Great Western, a zona dos quatros Estados que ela atravessa, o home que nela viaja, os dirigentes ingleses, o caboclo, o cossaco (trabalhador da linha), o senhor de Engenho vestido de guarda-pó, o usineiro “nouveau-riche” arrebentado e quase sempre ridículo, o judeu cobrando a prestação de gare em gare, os banguês das margens devorados pelas usinas e a Great Western canalizando todas aquelas economias para o estrangeiro, tudo isso dava um formidável ensaio, um romance extraordinário que nenhum nordestino quis ainda escrever. Porém, Maceió é isso, somente? Alagados, mangues, caetés, Great Western? Não. Maceió tem fábricas, tem operários, tem petróleo, tem latifúndios, tem politiqueiros, tem substância para uma grande história, para uma grande tragédia, para uma grande glória, para a Paz, para a Paz.

As condições mesológicas desfavoráveis poderiam modificar o homem daquelas plagas, nivelá-lo ao plano da terra sem elevações, quase ao nível do mar. Não conseguiram, entretanto: o maceioense é sagaz, vivo e trabalhador, como todo nordestino. De uma jogralidade inexcedível, nas suas festas de São João, de Natal, na Levada e em Bebedouro; no Carnaval, em qualquer festejo, enfim, ele se apresenta com a velha alma de caeté amante dos folguedos, engraçadíssimo.

Mesmo às margens das lagoas, na zona do sururu, o home não é só o empalemado roedor de tijolo, triste e vencido pela lama. O coco (dança tradicional da região), o toré, o reizado, a chegança, têm mestres extraordinários nas ilhas, nos canais e nas margens das grandes lagoas.

Uma vez apreciei um toré organizado por mestre João Pedro, que nunca me saiu da memória, desde a infância querida que os anos não trazem mais. Esse toré entrou por Bebedouro, com os seus reis preto e caboclo. Tinha uma extraordinária rainha índia, com uma coroa de espelhinhos e manto de flanela vermelha, trazia óculos escuros e bigodes e costeletas grudados com goma de farinha do Reino. Era lindíssima a Rainha. Os reis prendiam moleques, entregava depois os reféns a troco de níqueis. No fim, os pretos são sempre vencidos pelos caboclos. Ainda hoje essa folgança tradicional termina sempre com a vitória dos nativos que, afinal, nos tempos de hoje, são todos eles, tão misturadas andam as três raças naquelas regiões.

A jogralidade é característica tão forte do maceioense que, aos tempos da revolução de 30, ainda as forças de Paraíba demoravam na capital e já o povo promovia passeatas, com dichotes e grossa pandega, dando, imediatamente, ao acontecimento, um aspecto de farra carnavalesca.

Pouco dias depois, o guerreiro Juarez Távora, discursando para um grupo de curiosos, em frente ao palácio dos Martírios, foi aparteado por um ouvinte: - General, aqui continua tudo na mesma mamãezada!

Achei a expressão - “mamãezada” - de uma felicidade de interpretação extraordinária. “Mamãezada” – coisa entre mamãe e filho, briga sem importância, fechar os olhos, passar esponja, está tudo acabado”! Para que inimizade entre os caboclos da mesma tribo?

A forte humanidade, o poderoso vínculo de solidariedade e de amor que assinalam o caráter daquela gente, fazem-na a mais doce, a mais acolhedora, a mais amiga nação do Nordeste.

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Transcrito da revista Carioca, nº 18, 22 de fevereiro de 1936. http://memoria.bn.br/DocReader/830259/1081

 

Caro leitor,

Este Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, contém postagens com informações históricas resultantes de pesquisas, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso algumas delas seja do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] 


Jorge Mateus de Lima nasceu em União dos Palmares, Estado de Alagoas, no dia 23 de abril de 1893 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1953. Era filho de José Matheus de Lima, um rico comerciante, e Delmina Simões. 

sábado, junho 12

VIAJANDO NO SÃO FRANCISCO

 

C. Nery Camello[i]


Propriá e Penedo são as duas principais cidades do B. São Francisco. A primeira, em Sergipe; a segunda, em Alagoas. Rivalizam-se em população, comércio e adiantamento. Separa-as uma distância de dez léguas aproximadamente. Os vapores que fazem a linha até Piranhas efetuam apenas uma viagem por semana.

Há, porém, nesse trecho do rio um tráfego constante de pequenos barcos, todos com a denominação de canoas. São embarcações à vela, com uma cobertura de palha, proporcionando relativo conforto aos passageiros. Possuem apenas uma estreita e acanhada porta de entrada e meia dúzia de janelinhas laterais, pelas quais peneira o vento pelas horas de canícula.

Embora de igual tamanho, essas canoas não obedecem à mesma planta original das barcas do Alto S. Francisco que têm, de ordinário, na proa, uma escultura monstruosa, representando, às vezes, um busto de mulher com cabeça de dragão. Pintadas com cores berrantes, sugerem-nos uma ideia das antigas galeras fenícias.

A rapidez ou demora da viagem, entre as duas cidades, depende das condições do vento. Em certas ocasiões, o trajeto é feito em menos de duas horas. Não raro, porém sucede ficarem as embarcações uma noite inteira flutuando, seguindo morosamente, à força de remos, contra a maré. De qualquer maneira, não deixa de ser um prazer viajar-se no histórico rio, a quem João Ribeiro chamou “o caminho da civilização brasileira”.

Eu tive sorte, pois na tarde em que me transportei de Penedo a Propriá – uma tarde clara e de céu muito azul – a ventania soprava fortemente. Com a enorme vela enfunada, o barco singrava célere, a caudalosa corrente, em que os raios do sol punham cintilações metálicas. Dezena de embarcações, subindo e descendo cruzavam-se, dando-nos a idéia de grandes pássaros, brancos e vermelhos, com as asas abertas, sobre as águas. Numa e noutra margem, vastos arrozais a cobrir a planície imensa. Nas ribanceiras, pouco elevadas, velhas e frondosas mangueiras. Surgem, em meio do rio, pequenas ilhas coroadas de verdura, seguidas de alvos bancos de areia.

E, enquanto a canoa avança sem interrupção, ora se aproximando de uma, ora de outra margem, os passageiros que vão fora da tolda divertem-se. Outros cantam modinhas, sambas e cocos, ao som estridente de um cavaquinho. Do meu beliche forrado com uma esteira macia, tendo junto à cabeceira uma efígie de Santa Terezinha, escuto as trovas e canções enternecedoras, saídas dos lábios daquela gente simples, despreocupada e feliz.

São quadrinhas deliciosas de autoria de poetas anônimos:

 

Menina dos olhos grandes

Não zombes tanto de mim,

Que até as penas têm pena

De me ver sofrer assim

 

Menina dos olhos verdes

De um lenço da mesma cor,

Diz a teu pai que te case

Que eu serei o teu amor.

 

Ninguém faça pontaria

Onde o chumbo não alcança,

Ninguém ponha o seu sentido

Onde não tem esperança.

 

A tarde já vai morrendo

Vai morrendo vagarosa,

Tão triste que até parece

O desfolhar de uma rosa...


Canoa no porto de Penedo. Foto: Pierre Verger

Penedo_Rocheira_O Malho, 22/06/1939. Foto Gaston Coelho

Porto de Propriá-SE. 1950






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Transcrito da revista Vida Doméstica, Vitória-ES, 30 de julho de 1938. http://memoria.bn.br/docreader/156590/14276

 



[i]


Constantino Nery Camello, filho de Antônio Nery Camello e Luzia de Barros Camello, nasceu na Fazenda Favela, município de Santa Quitéria-CE, em 25 de dezembro de 1898, casou-se com sua prima, a quiteriense Sra. Geracina Catunda Camelo, filha de Antônio Luduvico Catunda e Quitéria Camello Catunda, em 16 de setembro de 1939, na cidade do Rio de Janeiro, (RJ). Dessa união tiveram uma filha a Sra. Ana Maria Camelo, atualmente residente em Fortaleza (CE).

O intelectual Nery Camello como era conhecido foi folclorista, escritor, membro da Associação Cearense de Imprensa - ACI e da Associação Cearense de Folclore, funcionário público federal onde ocupou cargo de direção nos Correios.

Nery Camelo teve vários livros de destaque nacional, entre eles “Alma do Nordeste”, “Através dos Sertões”, “Viagens na Nossa Terra” e Poemas do Meu Sertão, seus trabalhos eram inspirados na vida rústica do sertanejo do Nordeste. Em sua homenagem existe hoje uma rua com seu nome no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza (CE) e outra no bairro Pereira Barretos em São Paulo (SP).

Nery Camello faleceu na cidade de Fortaleza, aos 75 anos de idade, no dia 3 de novembro de 1974, está sepultado no Cemitério de São João Batista.

domingo, maio 9

VISITA PASTORAL – RECEPÇÃO DO SR. D. ANTÔNIO BRANDÃO EM PÃO DE AÇÚCAR

 

Dom Antônio Manoel de Castilho Brandão




Às 4 ½ horas da tarde do dia 17 foi dado o sinal convencional, pelos repiques dos sinos, fogos do ar e salva, de que a canoa portadora do Exmº Prelado estava acima do Farias[i]. Imediatamente, o Revmº Vigário[ii] dirigiu-se para o porto, acompanhado do Dr. Juiz de Direito, Promotor Público, das pessoas mais gradas de todas as classes, de um grande número de Senhoras e Mocinhas ricamente trajadas, da banda musical e de uma multidão popular, calculável em cerca de 2.000 pessoas de ambos os sexos.

A estrada por onde devia transitar S. Ex.ª estava elegantemente adornada de festões e arcos triunfais, encimados de infinidade de bandeiras multicores.

Às 5 horas aportava a canoa, também embandeirada no todo, sendo saudado o Sr. Bispo ao toque do Hino Alagoano. Desembarcando S. Exª, seguiu pelo areal, palmilhando o soalho de tábuas que se havia aparelhado até a cidade.  Paramentou-se em casa do Cap. Vieira Damasceno, fazendo sua entrada triunfal na cidade em trajes puramente episcopais, de mitra e báculo à mão.

Chegando à Matriz, foi cantado o Ecce Sacerdos Magnus[iii]. O egrégio Pastor endereçou ao povo a sua palavra cheia de unção, e, depois de declarar aberta a visita, deu a bênção a todos.

Da Matriz até a casa do seu caro progenitor Cap. Antônio Manoel, onde se hospedou, não podendo S. Exª resistir a instâncias, seguiu no carro triunfal que lhe haviam preparado.

Ao chegar à casa de sua hospedagem, saudou-o em nome do povo pão-de-açucarense, o Dr. Jovino da Luz. O talentoso orador, referindo-se em sua entusiástica alocução ao fato de ter o Sertão de Alagoas dado um filho qual D. Antônio Brandão, ex-Bispo do Pará e fundador do Bispado de Alagoas, pelo qual deixou as vantagens daquele grande e rico Bispado, salientou os méritos de S. Exª, fazendo ver os justos motivos de entusiasmo e de orgulho que sentiam os pão-de-açucarenses na chegada do venerando Pastor.

Terminou dando vivas à Igreja Católica, ao Bispado de Alagoas, ao Prelado Diocesano, ao Cap. Antônio Manoel Brandão, ao povo e ao Vigário da Freguesia.

Incontinenti, foi oferecido a S. Exª um lindo ramalhete pela esbelta e gentil criança Isaura Canuto. Também usou da palavra uma graciosa mocinha que, possuída de patéticos sentimentos de religião, saudou a S. Exª, implorando sua autorizada palavra contra o protestantismo.

Sua Excelência respondeu agradecendo a manifestação em palavras cheias de emoção. Disse que a manifestação de seus conterrâneos era recebida com a maior satisfação, porque era dirigida mais ao enviado do Senhor do que à sua personalidade; e que lia só nos arcos triunfais, nas bandeiras, nas salvas, mas nos corações, que conhece perfeitamente.

Com relação ao apelo que lhe fez a jovem oradora, S. Exª afirmou que o protestantismo em Pão de Açúcar, em vez de crescer, tem decrescido e não pode medrar, devido ao desprezo que lhe dão os católicos.

Ao terminar, S. Esª foi estrepitosamente saudado com vivas e com o Hino Alagoano, continuando a banda de música a tocar, no palanque preparado à frente ao provisório Palácio Episcopal, as mais lindas peças do seu repertório.

O povo esteve reunido até as 10 horas, quando subiu ao ar o mais bonito balão que já se viu nesta cidade. Trabalho executado pelos inteligentes moços, os irmãos Domingues – ambos pirotécnicos – com belas cores, inscrições alusivas e despedindo na ascensão os mais lindos fogos, foi oferecido ao Sr. D. Antônio pelo seu afilhado Manuel Domingues.

À tarde do dia 18 foi S. Exª visitar a obra da Capela do Senhor do Bomfim. A praça achava-se ornamentada de festões verdejantes, coroado de galhardetes. O Príncipe da Igreja foi recebido com salvas de bombas e foguetaria. À noite, a Sociedade Musical, depois de ir, do palanque, cumprimentar a S. Exª, encaminhou-se à Praça do Bomfim, onde permaneceu até as 10 horas, depois de haver se elevado aos ares um outro aeróstato. Os festejos da Praça do Bomfim foram promovidos pelo Sr. Diocleciano Barbosa e seus sobrinhos Domingues, em homenagem a S. Exª.

A manifestação tributada ao preclaro Prelado foi esplêndida, e tanto mais honrosa por ser oriunda de contribuição espontânea, sem pedidos do Revº Pároco nem de outra comissão. S. Exª tem sido, todos os dias, muito visitado por seus parentes, amigos e povo em geral.

Quanto ao Sacramento do Crisma, tem-no administrado diariamente, fazendo-o até duas vezes por dia. Tem concedido dispensas para casamentos, promovendo e facilitando os dos que vivem em união ilícita, mesmo sob o amparo exclusivo da formalidade civil.

Na sua faina pastoral, visitará S. Exª a igrejinha dos Meirus, irá benzer o cruzeiro do Morro do Cavalete e rezar uma Missa Campal no cemitério.

Pão de Açúcar, 21 de setembro de 1904.

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Transcrito do jornal A Fé Cristã, Penedo, edição de 1º de outubro de 1904

http://memoria.bn.br/DocReader/213217/526

Igreja do Senhor do Bomfim, 1919.
Igreja do Povoado Meirus

Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus-Pão de Açúcar-AL, 1910.









Caro leitor,

Este Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, contém postagens com informações históricas resultantes de pesquisas, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso algumas delas seja do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo.



[i] Morro situado à margem esquerda do rio São Francisco, pouco abaixo de Pão de Açúcar-AL, fronteiro ao morro do Surubim (outrora chamado Morro do Calvário, segundo Vieira de Carvalho), abaixo do povoado Mocambo (município de Porto da Folha-Se).

[ii] Padre Antônio José Soares de Mendonça, primeiro Vigário da Paróquia de Pão de Açúcar (1853-1906)

[iii] O “Ecce Sacerdos Magnus” (Eis o Grande Sacerdote) é uma antífona que a liturgia da Igreja Católica Romana utiliza para a entrada solene de um bispo. Composta pelo músico alemão Josef Anton Bruckner (1824-1896).

sexta-feira, abril 30

NOMES DE RUAS

 

Waldemar Cavalcanti[i]

 

Os ruídos da civilização, em Maceió, parece-me que somente têm feito com que se mudem os nomes

Valdemar Cavalcanti, foto O Malho, 29/10/1932

antigos de nossas ruas.

As placas de esquina de outrora, com uns nomes saborosos, de tão pitorescos, foram substituídos sob a orientação de um literato, amoroso na certa de nossas poucas letras.

Noutro dia, num ligeiro passeio a pé pela cidade, tive a impressão de ser ela um compêndio de literatura ou um manual prático de história política local. Parece-me que esse é o único meio de a terra tirar do anonimato os seus homens ilustres. Uns pobres homens, cuja obra se restringiu desgraçadamente a um meio e a uma época.

E se há de louvar essa iniciativa das Prefeituras pelo seu sentido humano, pelo lado propriamente intelectual bem que parece uma censura: é que vem pôr em relevo nomes sem eco, sem coisa nenhuma. Felizmente esse relevo apenas se observa entre os carteiros.

Para mim é que essa retificação ao batismo de nossas ruas assume um caráter muito ruim de anti-tradicionalismo.

Não digo que se deve observar em todas as ruas e em todas as praças o seu nome primitivo. Ninguém não gosta de ter para cartão de visita o endereço: Rua dos Cachorros, ou Beco das Vacas. Assim por diante. Além disso, há nomes que nada têm de interessante. A Rua do Apolo é um exemplo. É tão precioso, tão parnasiano, que instintivamente a gente se lembra do fim de um soneto. Neste caso, é bem melhor o novo: Rua Dr. Melo Morais.

Porém, há nomes com doçuras de poemas. Bem que há um ritmo cheio em Praça Nossa Senhora das Graças. Dir-se-ia que esse nome, que entra assim terno no ouvido do povo, é para a conquista de mais devotos para a Santa.  (hoje é Praça Guimarães Passos; mas parece que a designação não agradou nem nos Grêmios de letras). A Praça de São Benedito é Praça Dr. Tavares Bastos.

Mais: se se anda pela Rua do Comércio tem-se que dizer Rua Dr. Rocha Cavalcante; dobra-se pela Rua Augusta e estamos na Ladislau Netto; quebra-se pelo Mercado e andamos na Rua Barão de Alagoas; se seguimos pela do Hospital, vamos pela Rua Barão de Maceió.

Em Pajuçara, então, as ruas tinham nomes saborosos: Rua do Cravo (hoje Dr. Antônio Pedro de Mendonça)[ii]; do Araçá (Epaminondas Gracindo)[iii]; da Caridade (Comendador Almeida Guimarães)[iv]; do ABC (Coronel Pedro Lima)[v]; do Gameleiro (Elysio de Carvalho)[vi]. E a Rua do Jasmim é a Rua de São Pedro[vii]:

Um bairrismo exaltado por demais quis ter uma Avenida. Daí a Avenida Presidente Bernardes. Mas ninguém assim chama. Só se conhece é a Rua Primeiro de Março.

Não sei de coisa mais intimamente popular que a designação de certas ruas de gente pobre: Sovaco da Ovelha, Pilão sem Boca[viii], Furna da Onça, Beco do Castola, Beco do Sururu. São coisas gostosas. E, mais que tudo, são nossas.

O que não vai é essas história de uns finos de paladar macio tirarem da boca do povo isso que depende justamente de sua criação fertilíssima.

 

Transcrito da Revista NOVIDADE, nº 5, 9 de maio de 1931.

http://memoria.bn.br/DocReader/721158/64

 Idêntica postagem foi feita pelo Site HISTÓRIA DE ALAGOAS, em 24 de março de 1917ilustrada com fotos da época. https://www.historiadealagoas.com.br/nomes-de-ruas.html


 

 



[i] VALDEMAR CAVALCANTI. Nasceu em Maceió a 6 de abril de 1912 e faleceu no Rio de Janeiro a 19 de junho de 1982. Filho de Pedro Alvino Cavalcante e de Francisca de Souza Almeida. Sobrinho de Bráulio Cavalcante. Foi casado com Jeruza Xavier Cavalcanti (filha de Luiz Leão Xavier da Costa e Augusta Camelo Xavier da Costa), com quem teve os filhos Sérgio Xavier Cavalcanti (Advogado) e Roberto Xavier Cavalcanti (Economista).

 [ii] R. Dr. Antônio Pedro de Mendonça, que liga a Av. Walter Ananias à R. Epaminondas Gracindo.

[iii] Notícia do jornal Evolucionista, de Maceió, edição de 23 de junho de 1905, dá conta de que os moradores da Rua do Araçá pretendiam requerer ao Intendente a mudança do nome para Sadok de Sá.

[iv] Rua Comendador Almeida Guimarães, que liga a Rua Sampaio Marques à R. Epaminondas Gracindo.

[v] Que liga a R. Rocha Cavalcante à Av. Walter Ananias.

[vi] Que liga a R Almirante Mascarenhas à Av. Walter Ananias.

[vii] Denominou-se Agostinho Guimarães (Major), próximo à Capitania dos Portos.

[viii] No bairro da Levada.

sexta-feira, abril 9

PACHECO JORDÃO EM BREVE DESCRIÇÃO GEOLÓGICA DO BAIXO SÃO FRANCISCO

 

Por Etevaldo Amorim


Ainda ao tempo do Império, durante o Governo do “Gabinete de 7 de março”, chefiado pelo Visconde do Rio Branco, o Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Dr. José Fernandes da Costa Pereira Júnior, pensou em estabelecer no Brasil uma exploração regular e sistemática do seu vasto território. Assim, em Aviso dirigido ao Dr. Charles Frederick Hartt[i], em 30 de abril de 1875, comunica os objetivos e o nomeia para Chefe da Comissão:

“O governo imperial resolveu mandar proceder aos estudos preparatórios para o levantamento de uma carta geológica do Império. Esses estudos deverão habilitá-los a conhecer, dentro de alguns anos, a estrutura geológica do país, a sua paleontologia, a riqueza dos seus minerais e facilidade de explorá-los”.

Nesse mesmo expediente, o Ministro autoriza o Dr. Hartt a contratar os ajudantes de que necessitar. Assim, em Portaria do Ministério da Agricultura, de 30 de abril de 1875, foram nomeados os seus membros: Chefe: Carlos Frederico Hartt; Richard Rathbum; John Casper Branner; Orville A. Derby e dois engenheiros brasileiros, Francisco José de Freitas e Elias Fausto Pacheco Jordão, Dela faziam parte, ainda, Frank de Yeaux Carpenter (Engenheiro Civil, formado na U. de Cornell) e Herbert H. Smith e Luther Wagoner.

Já em final de 1875, Pacheco Jordão envia ao Jornal do Recife ligeiras notas do que observara do decorrer dos trabalhos da Comissão, publicada na edição de 17 de fevereiro de 1876, que ao final transcrevemos.

Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão

O Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão nasceu em São João do Rio Claro (SP), a 18 de fevereiro de 1849. Era filho de José Elias Pacheco Jordão e de Marcolina da Silva Prado Jordão. Seu pai foi Deputado Provincial em São Paulo.

Após o curso primário em Rio Claro, matriculou-se no Seminário Episcopal, na capital paulista, mas não se adaptou ao clima e mudou-se para Itu. Residiu um breve período no Rio de Janeiro e mais uma vez voltou para Itu, onde estabeleceu uma casa de comércio. Para completar os estudos superiores, viajou para os Estados Unidos e formou-se em Engenharia Civil na Universidade de Cornell, em 2 de julho de 1874. Fonte: CPDOC, Fundação Getúlio Vargas. Foi o primeiro brasileiro a estudar Engenharia Civil na Universidade de Cornell, onde se doutorou em 1874, no mesmo ano do doutoramento de Orville Derby.

Elias Fausto Pacheco Jordão, que também foi Deputado Federal por São Paulo, faleceu em Paris, no dia 26 de março de 1901.

Em1875, integrou a Comissão Geológica, chefiada pelo canadense (naturalizado americano) Charles Frederick Hartt. (ver http://blogdoetevaldo.blogspot.com/2018/06/o-baixo-sao-francisco-na-rota-da_0.html)

Universidade de Cornell_O Novo Mundo_New York_24/06/1871


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EXCURSÃO AO BAIXO S. FRANCISCO – DESCRIÇÃO GEOLÓGICA – A CACHOEIRA DE PAULO AFONSO

Senhores Redatores d’A Província,

Diversos motivos obrigaram-me a demorar a notícia que havia prometido dar sobre a viagem ao Baixo S. Francisco, e só agora é que posso enviar esta ligeira nota.

A 16 de setembro, partimos da cidade do Recife para Penedo, via Maceió. A 19, entramos no rio S. Francisco, cuja foz, larga bastante, porém obstruída por grandes bancos de areia, só oferece um canal estreito para passagem dos vapores, sendo esta bastante difícil e algumas vezes perigosa.

O panorama aí é magnífico: aqui são casas de palha de pescadores, grandes montes de areia de forma cônica, formadas pelo vento; ali ilhas e vegetação luxuriosa como que comprovando a fecundidade do solo.

Os terrenos em ambas as margens são baixos e planos, até pequena distância de Penedo (7 léguas); eles consistem geralmente em areia com uma camada superficial de argila aluvial de cor amarela escura, o que os torna muito férteis e apropriados à cultura da cana, algodão , mandioca, etc.

Infelizmente, porém, eles são pouco cultivados, e as plantações que existem são pequenas; a margem direita, província de Sergipe, é a mais aproveitada, principalmente nas imediações da povoação de Piaçabuçu, onde o fabrico do açúcar e cachaça é de alguma importância, apesar do atraso dos agricultores e dificuldade que o sistema usado cria por si mesmo.

Depois de duas e meia horas de viagem, chegamos a Penedo, cidade antiga, construída pelos holandeses, com população de 8.500 habitantes.

Vista do Penedo_AL vendo-se o platô terciário ao fundo, na Vila Nova, atual Neópolis. Foto Marc Ferrez, 1875


A perspectiva da cidade, vista de longe, é soberba. Porém ela, em si mesma, está em estado de decadência e sem vida comercial. Essa cidade é, pois, o antípoda do que devia ser. Por isso que seu local e posição fornecem meios para ser a metrópole das Alagoas, um grande centro de comércio e indústria da Província.

Aos sábados, há ali uma feira, que atrai os habitantes todos da circunvizinhança de Penedo.

Penedo se acha sobre um morro de formação cretácea, composto de grossas camadas de sandstone[ii], sem fósseis, e xisto argiloso, predominando a primeira. O sandstone é muito compacto e de excelentes qualidades para construção. Não muito distante desta cidade, no interior, existem terrenos calcários que produzem muito boa cal.

Não sendo possível seguir a vapor de Penedo para diante, por se achar o rio muito baixo e porque os vapores não são próprios para a navegação fluvial, a viagem é feita em canoa até Piranhas (31 léguas). De Penedo, os terrenos em ambas as margens começam a elevar-se. Os morros, entre esta e a cidade de Propriá (7 léguas), são muito irregulares e muitas vezes isolados; eles compõem-se geralmente de sandstone cretáceo com camadas terciárias.

Terreno cretáceo no Morro do Chaves, Propriá_SE. Foto Marc Ferrez, 1875.


No morro do coronel Chaves, junto a Propriá, as rochas compõem-se de séries de calcário, xisto e sandstone calcário ocorrendo, na primeira, fósseis, de algum modo decompostos e em quantidade tão apegados uns aos outros, que pouco são de utilidade aos estudos da paleontologia. Ali, todavia, a Comissão conseguiu obter uma pequena coleção em bom estado.

De Propriá a Pão de Açúcar a vegetação é pobre e os terrenos não são bons; estes compõem-se de rochas metamórficas que se estendem a alguma distância acima da Cachoeira de Paulo Afonso.

Pão de Açúcar é uma Vila, cujo nome parece ser derivado da forma de um dos morros junto a ela, com uma população de cerca de 2.000 habitantes, sem importância alguma, sendo seu comércio principal de gado vacum. A diversidade das formas dos morros e posição relativa que ocupam entre si, bem como a grande altura que se acham acima do rio, fazem com que seja este um dos lugares mais pitorescos do Rio S. Francisco.

À distância de 2 km desta vila está a Serra do Pão de Açúcar, extremamente fértil, e de altura de 600 metros, formada de rochas de gneiss[iii] silicoso, de idade antiquíssima.

Terreno cretáceo no Morro do Chaves, Propriá_SE. Foto Marc Ferrez, 1875.


De Pão de Açúcar para diante o vale do rio é muito profundo, as rochas sólidas em ambas as margens, elevando-se a altura de 60 a 80 metros. A vegetação aí desaparece completamente; a topografia é sempre diferente e peculiar.

Piranhas é o nome de uma pequena povoação edificada sobre bancos de areia e cascalho, semi-cercada de morros compostos de gneiss.

Não sendo o rio navegável nem por canoas de Piranhas para a Cachoeira, a jornada é feita por terra (14 léguas).

No lugar denominado Olhos D’Água[iv], 4 léguas além de Piranhas e 185 metros acima da mesma, existem serra e morros compostos de sandstone, cuja idade, não se tendo encontrado fósseis, não pode ser determinada imediatamente.

No riacho do Talhado, 7 léguas aquém da Cachoeira, aparecem as mesmas rochas sandstone, com camadas de diversas cores: branca, amarela, vermelha e roxa. A direção geral destas camadas é 50º SO e a inclinação, se não me fala a memória, 24º NE.

Junto às camadas inferiores existe uma cavidade pouco profunda, mas bastante longa, de cuja abóbada desprende-se quantidade de magníficos stalactites e, no chão, os correspondentes stalagmites, muitas vezes de altura de dois metros.

Cerca de 4 quilômetros acima deste lugar encontra-se, nas rochas, muitas figuras grotescas feitas pelos indígenas. O professor Hartt, tendo feito estudo especial e já publicado uma obra sobre a arqueologia brasileira, não deixou escapar essa grande curiosidade, mandando tirar fotografias dos que se achavam mais conservados, e fazendo desenhos dos outros.

Villa de Piranhas olhando - se rio abaixo. Foto Marc Ferrez, 1875.


De Piranhas para a Cachoeira não há vegetação alguma, os terrenos são áridos e o sol ardentíssimo: tivemos ocasião de observar por diversas vezes 95º e 100º Fath[v], na sombra.

Há diversos cactos, ente os quais abunda mais uma espécie de cercus chiquechique  (Atalia funifera)  e um melocactus-palmatoria variedades de Opuntias.

Na Cachoeira de Paulo Afonso, as rochas são compostas de gneiss com veios de granito. A geologia statigráfica dessa região é extremamente difícil.

Por enquanto, não é possível dizer com exatidão sua formação geológica; o Professor crê que seja archeana[vi] ou paleozoica[vii] e provavelmente da mesma idade das montanhas de gneiss das vizinhanças do Rio de Janeiro.

A Cachoeira de Paulo Afonso, conquanto de volume d’água muito menor que a do Niagara e talvez mesmo de forma muito menos bonita, não é inferior àquela. Há, na brasileira, mais variedades de cascatas, e sua altura 79,8 m (triangulações e observações barométricas feitas ali) é muito superior à americana, que só tem 53,3 m.

Cachoeira de Paulo Afonso. Foto Marc Ferrez, 1875.


Na Cachoeira e proximidades, o rio é muito estreito e sinuoso; 500 metros depois da última cascata ele forma um ângulo reto, aproximadamente. A água espumosa precipitando-se contra os rochedos, vai bater de encontro ao banco do rio. Aí a água em o lado esquerdo do lugar do contrato não encontrado passagem livre, fica em moção constante, como as ondas do mar. Deste constante movimento, resultou a formação de uma enseada, e, como quer Halfeld, de uma furna que ali existe e cujas dimensões são: comprimento 97 metros, largura 12 e 13 metros, altura na entrada 30 metros mais ou menos.

Nessa furna, habitação de morcegos, vê-se uma grande fenda em toda a sua extensão, o que faz crer que a existência da caverna é devido a ela; e esta a decomposição do spatho calcário junto aos veios de granito.

Junto à Cachoeira, as rochas são muito lustrosas e pretas, sendo esta cor produzida pelo manganês depositado pela água.

As Pedras Negras na Cachoeira de Paulo Afonso. Foto Marc Ferrez, 1875


Nas estações chuvosas o rio, segundo o que pudemos observar, sobe à altura de 12 metros acima do nível em que se achava.

A 15 quilômetros da cachoeira, não sendo muita a correnteza aí, conseguimos atravessar o rio e visitamos então a Serra do Retiro, na Bahia, ponto terminal de nossa viagem. Essa serra, que se acha a 270 metros acima do nível do rio, é composta de rochas de sandstone e provavelmente da mesma idade que as serras dos Olhos D’Água e Talhado.

Rio de Janeiro, 21 de novembro de 1875.

E. F. Pacheco Jordão.

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Jornal do Recife, 17 de fevereiro de 1876.

http://memoria.bn.br/DocReader/705110/11487

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Caro leitor,

Este Blog, que tem como tema “HISTÓRIA E LITERATURA”, contém postagens com informações históricas resultantes de pesquisas, em geral com farta documentação e dotadas da competente referência bibliográfica. Por esta razão, solicitamos que, caso algumas delas seja do seu interesse para utilização em qualquer trabalho, que faça uso tirando o maior proveito possível, mas fazendo também o necessário registro de autoria e a citação das referências. Isso é correto e justo. Segue abaixo, como exemplo, a forma correta de referência:



[i] Nasceu a 23 de agosto de 1840, em Fredericton, Canadá. Faleceu a 8 de março de 1878, no Rio de Janeiro.

[ii] Arenito

[iii] Gnaisse

[iv] Atual Olho D’Água do Casado, Estado de Alagoas.

[v] Fahrenheit, correspondente a 35 e 38 Celsius, respectivamente.

[vi] Arqueana. Na escala de tempo geológico, o Arqueano, Arcaiqueano ou Arcaico é o éon que está compreendido aproximadamente entre há 3850 milhões de anos e 2500 milhões de anos. O éon Arqueano sucede o éon Hadeano e precede o éon Proterozoico. O início do Arqueano é marcado pelas primeiras formas de vida unicelulares da Terra. Éon significa um intervalo de tempo muito grande, indeterminado. A história da terra está dividida em quatro éons: Hadeano, Arqueano, Proterozoico e Fanerozoico.

[vii] Na escala de tempo geológico, o Paleozoico é a era do éon Fanerozoico que está compreendida entre há 542 milhões e 251 milhões de anos, aproximadamente. A era Paleozoica sucede a era Neoproterozoico do éon Proterozoico e precede a era Mesozoica de seu éon.

 

A POESIA DE PÃO DE AÇÚCAR



PÃO DE AÇÚCAR


Marcus Vinícius*


Meu mundo bom

De mandacarus

E Xique-xiques;

Minha distante carícia

Onde o São Francisco

Provoca sempre

Uma mensagem de saudade.


Jaciobá,

De Manoel Rego, a exponência;

De Bráulio Cavalcante, o mártir;

De Nezinho (o Cego), a música.


Jaciobá,

Da poesia romântica

De Vinícius Ligianus;

Da parnasiana de Bem Gum.


Jaciobá,

Das regências dos maestros

Abílio e Nozinho.


Pão de Açúcar,

Vejo o exagero do violão

De Adail Simas;

Vejo acordes tão belos

De Paulo Alves e Zequinha.

O cavaquinho harmonioso

De João de Santa,

Que beleza!

O pandeiro inquieto

De Zé Negão

Naquele rítmo de extasiar;

Saudade infinita

De Agobar Feitosa

(não é bom lembrar...)


Pão de Açúcar

Dos emigrantes

Roberto Alvim,

Eraldo Lacet,

Zé Amaral...

Verdadeiros jaciobenses.

E mais:

As peixadas de Evenus Luz,

Aquele que tem a “estrela”

Sem conhecê-la.


Pão de Açúcar

Dos que saíram:

Zaluar Santana,

Américo Castro,

Darras Nóia,

Manoel Passinha.


Pão de Açúcar

Dos que ficaram:

Luizinho Machado

(a educação personificada)

E João Lisboa

(do Cristo Redentor)

A grandiosa jóia.


Pão de Açúcar,

Meu mundo distante

De Cáctus

E águas santas.

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Marcus Vinícius Maciel Mendonça(Ícaro)

(*) Pão de Açúcar(AL), 14.02.1937

(+) Maceió (AL), 07.05.1976

Publicado no livro: Pão de Açúcar, cem anos de poesia.


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PÃO DE AÇÚCAR


Dorme, cidade branca, silenciosa e triste.

Dum balcão de janela eu velo o seu dormir.

Nas tuas ermas ruas somente o pó existe,

O pó que o vendaval deixou no chão cair.


Dorme, cidade branca, do céu a lua assiste

O teu profundo sono num divino sorrir.

Só de silêncio e sonhos o teu viver consiste,

Sob um manto de estrelas trêmulas a luzir.


Assim, amortecida, tú guardas teus mistérios.

Teus jardins se parecem com vastos cemitérios

Por onde as brisas passam em brando sussurrar.


Aqui e ali tu tens um alto campanário,

Que dá maior relevo ao pálido cenário

Do teu calmo dormir em noite de luar.

____

Ben Gum, pseudônimo de José Mendes

Guimarães - Zequinha Guimarães.






PUBLICAÇÕES

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Pão de Açúcar, Cem Anos de Poesia